quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Em poucas palavras...

                                            


Para a cura dos doentes...

“As experiências científicas, médicas ou psicológicas, sobre pessoas ou grupos humanos, podem concorrer para a cura dos doentes e para o progresso da saúde pública.” (1)

 

 

(1) Parágrafo do Catecismo da Igreja Católica - n. 2292

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”.
Sou, entre tantos, uma obra da mão do Criador.
Entre elas sinto-me contido, abraçado, contemplado...
Jamais, por Ele, excluído, à margem, abandonado...

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”.
Mais: sou uma página de Deus entre bilhões e bilhões
Não tenho direito de escrevê-la de qualquer modo.
Que ela não seja incolor, sórdida, inócua, mórbida...

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”.
Mais: sou uma história a ser escrita minuciosamente,
Por Ele acompanhada silenciosa e amorosamente,
Presente muito mais do que possa perceber...

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”.
Mais ainda: como peregrino longe do Senhor
Esperando a Sua gloriosa vinda, a Ele aderido,
Paixão incondicional! Por Ele sinto-me amado, querido...

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”.
Mais: sou uma possibilidade de história eterna
Na passagem da morte, no encontro com o Altíssimo,
No eterno Banquete de amor pleno, dulcíssimo...

Sou como um ponto entre as “Aspas Divinas”...

Ah, o olhar de Lara!

Ah, o olhar de Lara!

Numa manhã, celebrando a Missa dominical,
O olhar daquela criança no colo...
Lara! Mais que um olhar...
Olhar que não consigo esquecer
Olhar de todos os olhares, tão angelical.

Olhar de pureza, singeleza, meiguice e súplica:
“Olho, existo, quero ser amada”
Todos nós existimos e queremos ser amados.

Ah, o olhar de Lara...
Olhar que me fez pensar em tantos outros olhares:

Olhares puros que reluzem.
Olhares singelos que nos purificam.
Olhares vazios que nada dizem.
Olhares opacos que por pouco ofuscam.
Olhares iluminados que nos revigoram.
Olhares gélidos que nos incomodam.
Olhares artísticos que embelezam.
Olhares arquitetônicos que edificam.
Olhares clínicos que nos desnudam.
Olhares repreensivos que nos dilaceram.
Olhares de ternura que nos reintegram.

Ah, o olhar de Lara!
Olhar que me fez pensar em tantos outros olhares:

Olhares sonhadores que refazem a utopia.
Olhares de lince que em tudo penetram.
Olhares dilatados que horizontes ampliam.
Olhares simples que nos descomplicam.
Olhares indiferentes que nos matam.
Olhares de inveja que não permitem o crescimento.
Olhares mórbidos que por nada padecem.
Olhares destrutivos que nada nos acrescentam.

Ah, o olhar de Lara!
Olhar que me fez pensar em tantos outros olhares:

Olhares de paz que a alma encantam.
Olhares de ódio que a guerra propagam.
Olhares de cobiça que promovem a injustiça.
Olhares singelos, puros e despidos, fomentam a justiça.
Olhares históricos que nos possibilitam menores erros.
Olhares antropológicos para percebermos as diferenças.
Olhares psicológicos para percebermos, às vezes, nossa demência.

Ah, o olhar de Lara!
Olhar que me fez pensar em tantos outros olhares:

Olhares jurídicos que enxergam direitos, através da Justiça que é cega.
Olhares dos teólogos para contemplarmos a presença divina.
Olhares dos filósofos para darmos conta de um pouco do tudo.
Olhares dos geógrafos para darmos conta de nossa finitude.
Olhares dos ambientalistas para darmos conta de nossa prepotência.
Olhares dos Santos para contemplarmos o horizonte da Eternidade.

Ah, o olhar de Lara!
Olhar que me fez pensar em tantos outros olhares:

Olhar dos místicos para acreditar no horizonte inédito e utópico.
Olhar de professor que aguça o desejo insaciável do saber.
Olhar maternal/paternal que assegura aconchego e segurança.
O olhar do poeta que reencanta a vida e a alma.
Olhar do Profeta que denuncia e anuncia com coragem e ousadia.

Ah, o olhar de Lara!
Olhar que me fez pensar em tantos outros olhares:

Olhar Paulino e de todos os Santos e Santas: olhar ao Ressuscitado Apaixonado!
Olhares dos que creem na Vida do Ressuscitado, para não crermos que o mal tem a última palavra.

O olhar de Lara...
O meu olhar...
O teu olhar...
Qual olhar que ainda nos falta?
Qual o olhar a ser extinto para que o nosso olhar não se perca num espaço vazio?


PS: O tempo passou, mas não a lembrança do olhar puro daquela criança. São as tantas “Laras” de nossa vida que nos fazem acreditar na pureza e na beleza do olhar que somente Deus pode nos conceder.

A religião pura e sem mancha



A religião pura e sem mancha

O Apóstolo São Tiago (Tg 1,18-27) nos fala da inseparável relação entre fé e obras. A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva).

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas autênticos praticantes, não nos enganando a nós mesmos.

E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É preciso, portanto, superar a frieza, o legalismo e o ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plenas.

É sempre tempo de cultivar maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus, colocando-a em prática.

Autenticidade da religião cristã

 


Autenticidade da religião cristã

Reflexão à luz da passagem da Epístola de São Tiago (Tg 1,19-27)

“A observância meticulosa da Lei, porém, não é garantia suficiente da verdadeira religiosidade. Neste campo, o engano é sumamente fácil. Para o evitar, existem dois critérios característicos da religião cristã (pois também o eram da religião judaica): a beneficência e a benevolência para com os necessitados (os órfãos e as viúvas são mencionados como os exemplos mais claros, segundo a mentalidade da época, da necessidade e do desamparo humanos) e o esforço sério para levar uma vida pura neste mundo contaminado e secularizado.” (1)

Como vimos nos “Comentários à Bíblia Litúrgica”, beneficência e benevolência, acompanhados do esforço para se levar uma vida pura neste mundo, dão identidade à autêntica religião cristã.

A fé expressa no primeiro critério leva-nos à prática do bem, da acolhida, proximidade e ternura para com o próximo.

Discípulos missionários do Senhor devem ter uma vida marcada pela boa vontade, transformada em gestos de generosidade, benignidade, compaixão, doação e partilha em favor dos que mais precisam.

Quanto ao segundo critério, pede-nos vigilância permanente, a fim de que não cedamos às tentações do maligno (Mt 4,1-11; Lc 4,1-13; Mc 1,12-13), e jamais nos conformemos com este século (cf. Rm 12,2).

Com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai na comunhão com o Espírito Santo, empenhemo-nos em nosso discipulado, para que vivamos uma religião cristã que seja de fato sal da terra e luz do mundo.

Como Povo de Deus, sempre a caminho na busca da perfeição espiritual, fortaleçamos nossa comunhão, participação e missão, vivendo a graça do Batismo.

 

(1) Comentários à Bíblia Litúrgica – Editora Coimbra 2 – Palheira - pág.1725                                                                                                                                                                                            

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

“O Filho do Homem é Senhor também do sábado”(20/01)

                                                            

“O Filho do Homem é Senhor também do sábado”

A Liturgia da terça-feira da 2ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 2,23-28), e refletimos sobre o Dia do Senhor (sábado para os judeus, domingo para os cristãos), que devemos guardar a fim de fazer memória da ação criadora e redentora de Deus com Seu Povo que somos.

No Livro do Deuteronômio (Dt 5,12-15) já nos recordara o preceito do terceiro Mandamento, de guardar o sábado para santificá-lo, sugerindo que seja um dia que exprime a unidade do Povo que celebra a ação libertadora de Deus, sem qualquer tipo de desigualdades.

Temos a enunciação do Mandamento, uma explicação didática de como devemos praticá-lo e uma fundamentação teológica para essa mesma prática.

O referido Mandamento funciona como um símbolo dos deveres para com Javé (Dt 5,6.15) e para com o próximo (Dt 5,14.21).

Somos convidados a regressar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, tomando a sério o valor do verbo “santificar”.

Santificar o Dia do Senhor implica em adorá-lo, acima de tudo e de todos, mas também implica em viver relações mais justas e fraternas com o próximo, para não incorrermos em nova escravidão.

Voltando aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, viveremos o sábado (ou Domingo), como memorial da libertação do Pecado na Páscoa de Cristo, que atualiza a obra libertadora de Deus da escravidão do Egito.

A celebração do Dia do Senhor tem uma grande dimensão social, sendo dia de descanso para todos, garantindo esse direito, sobretudo aos pobres que se veem assim protegidos pela Lei divina, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

“O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus ‘descansou’ no sétimo dia, o homem deve também ‘descansar’ e deixar que os outros, sobretudo os pobres, ‘tomem fôlego’. O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro” (n. 2172).

O Papa nos ajuda a compreender a importância do Domingo para os cristãos:

“Precisamos do pão da vida para enfrentar as fadigas e o cansaço da viagem. O Domingo, Dia do Senhor, é a ocasião propícia para haurir a força d'Ele, que é o Senhor da vida.

Por conseguinte, o preceito festivo não é um dever imposto pelo exterior, um peso sobre os nossos ombros. Ao contrário, participar na Celebração dominical, alimentar-se do Pão eucarístico e experimentar a comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo é uma necessidade para o cristão, é uma alegria, e assim pode encontrar a energia necessária para o caminho que devemos percorrer todas as semanas.

Um caminho, aliás, não arbitrário: a via que Deus nos indica na sua Palavra vai na direção inscrita na própria essência do homem, a Palavra de Deus e a razão caminham juntas. Seguir a Palavra de Deus e caminhar com Cristo significa para o homem realizar-se a si mesmo; perdê-la equivale a perder-se a si próprio” .

Retomando a passagem do Evangelho e sua mensagem central: quando se faz uma interpretação rigorista dos preceitos da Lei, esta deixa de cumprir a sua missão de estar ao serviço do homem em cada tempo.

Jesus nos convida, por isso, a posicionar-nos ao serviço dos necessitados, tendo em conta que o Dia do Senhor foi feito para o homem, não para fazer do homem um escravo.

O Evangelista Marcos nos convida a centrar nas palavras de Jesus que ajudam a interpretar a sua liberdade diante da instituição do sábado judaico:

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado” (Mc 2,27-28).

“Diante do poder de Jesus e das necessidades humanas, as coisas sagradas não têm um valor próprio (nem o pão do santuário, no caso de David, nem o sábado, no caso dos discípulos de Jesus ou do homem com a mão atrofiada), mas existem para o bem da humanidade (os pães da proposição para alimentar David e os seus homens, o sábado para o homem e para Jesus); na interpretação de Jesus, é fundamental que o que é sagrado esteja ao serviço do homem...

Jesus escolheu fazer o bem e colocar-Se ao serviço das necessidades humanas, satisfazendo-as, mesmo se isso lhe acarreta a decisão do conluio das autoridades políticas e religiosas contra Ele, para O condenarem à morte” .

Não se trata, portanto, da interpretação libertina ou relativista do sábado, mas de fazer dele o dia da relação com Deus, que vem em auxílio de quem está em necessidade.

As interpretações rigoristas da Lei – como são as dos fariseus no nosso texto – cegam e não deixam ver as necessidades humanas que, na perspectiva de Jesus, são o verdadeiro critério para manter uma atitude livre diante da Lei, sendo assim o cristão prolonga a existência da vida de Cristo, e no Dia Maior, o Domingo, a Ele consagrado, não pode perder de vista os que foram os Seus prediletos, com gestos de amor, solidariedade e partilha.

Por fim, concluímos que todas as instituições, sejam elas religiosas ou civis, devem estar ao serviço da vida humana, para que possam realizar a missão para a qual nasceram, do contrário, perderão a razão de existir.


PS: Citações extraídas de www.Dehonianos.org/portal

Diácono Vicente: Rastro luminoso para todos os tempos! (22/01)

                                                           

Diácono Vicente: Rastro luminoso para todos os tempos!

Celebraremos no dia  22 de janeiro a memória do Diácono Vicente, que morreu mártir em Valência (Espanha), no século IV, durante as terríveis perseguições de Diocleciano, após ter sofrido cruéis tormentos.

Vejamos o que disse o Bispo Santo Agostinho acerca de seu testemunho:

“A vós foi dado por Cristo não apenas crerdes n’Ele, mas também sofrerdes por causa Dele (Fl 1,29), diz a Escritura.

O levita Vicente recebera e possuía um e outro dom. Se não tivesse recebido, como os haveria de possuir? Tinha confiança na Palavra, tinha coragem no sofrimento.

Ninguém, portanto, se envaideça de sua força interior, quando fala; ninguém confie nas próprias forças, quando é tentado; porque se falamos bem e com prudência, é de Deus que vem nossa sabedoria e, se suportamos os males com firmeza, é Dele que vem a nossa força.

Lembrai-vos de como, no Evangelho, Cristo Senhor adverte os que são Seus; lembrai-vos do Rei dos mártires instruindo nas armas espirituais os Seus exércitos, exortando-os para a guerra, dando-lhes ajuda e prometendo a recompensa.

Ele, que disse aos discípulos: No mundo, tereis tribulações, logo acrescenta, a fim de consolar os medrosos: Mas tende coragem! Eu venci o mundo (Jo 16,33).

Por que então nos admiramos, caríssimos, se Vicente venceu Naquele por quem o mundo foi vencido?

No mundo, tereis tribulações, diz o Senhor. O mundo persegue, mas não triunfa; ataca, mas não vence.

O mundo conduz uma dupla batalha contra os soldados de Cristo: Afaga-os para enganá-los, aterroriza-os para quebrá-los.

Que o nosso bem-estar não nos preocupe, não nos assuste a maldade alheia, e o mundo está vencido.

Cristo acorre a ambos os combates e o cristão não é vencido. Se neste martírio se considera a capacidade humana para suportá-lo, o fato torna-se incompreensível; mas se nele se reconhece o poder divino, nada há que admirar.

Era tanta a crueldade que afligia o corpo do mártir, e tanta a serenidade que transparecia de sua voz; era tamanha a ferocidade dos suplícios que maltratavam os seus membros, e tamanha a firmeza que ressoava nas suas palavras que, de algum modo maravilhoso, enquanto Vicente suportava o martírio, julgávamos ser torturada outra pessoa diferente da que falava. E era realmente assim, irmãos, era assim mesmo: Era outro que falava.

No Evangelho, Cristo prometeu também isto a Suas testemunhas, ao prepará-las para tais combates.

Falou deste modo: Não fiqueis preocupados em como falar ou o que dizer. Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do Vosso Pai é que falará através de vós. (Mt 10,19-20).

Por conseguinte, a carne sofria e o Espírito falava; e enquanto o Espírito falava, não apenas era vencida a impiedade, mas também a fraqueza era confortada”. (1)

O Diácono e Mártir São Vicente é uma página memorável da vida da Igreja, um rastro luminoso!

Há muitas outras pessoas que passaram na história e deixaram rastros luminosos, porque se moveram fortalecidos pela âncora da Ressurreição, em adesão incondicional ao Senhor,  e viveram intensamente o que Paulo disse: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Diante de tão belo testemunho, vemos que ainda nos falta um longo caminho a percorrer...

Supliquemos ao Senhor os dons do Espírito, para continuarmos a nossa missão, sem esmorecimentos e sem da luta fugir.

Oremos:

“Deus eterno e todo poderoso, infunda em nossos corações o Santo Espírito, para que sejamos fortalecidos pelo mesmo intenso amor que levou São Vicente a vencer os tormentos do martírio. Por N. S. J. C. Amém!”


(1) Dos Sermões de Santo Agostinho, Bispo (Séc. V) - cf. Liturgia das Horas - páp. 1202-1203.

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