segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
A autêntica fé dos discípulos do Senhor (12/01)
“Que pretendes de minha vida?” 13/01
“Que pretendes de minha vida?”
Aquela conversa do endemoninhado com Jesus nos questiona: “Que pretendes de minha vida?”
Perguntou o espírito mau que habitava naquele homem de Cafarnaum ao se dirigir a Jesus (Mc 1,21-28).
Oportuno o comentário do Lecionário Comentado:
“É como sermos atraídos por Ele irresistivelmente e, ao mesmo tempo, mantermos uma distância de segurança; desejar a vida plena que Jesus propõe, mas recear as consequências de um relacionamento com Ele, requer uma dose de loucura, ou pelo menos, de incauta gratuidade.
Perante estas cadeias que nos aprisionam, Jesus pode fazer um exorcismo, pode libertar-nos das nossas resistências, do medo de perder a vida, se Lhe permitirmos que Se aproxime de nós. Mas isso, normalmente, não é indolor para aquele que é libertado...” (1)
“Que pretendes de minha vida?” É a pergunta corajosa que temos que fazer diante do Senhor, pois a Sua resposta é exigente: “Se quiseres me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga”.
A cruz que o Senhor nos apresenta em Seu seguimento precisa ser carregada cotidianamente, com o coração indiviso, com coragem, entrega, doação, fidelidade, empenho, compromisso, seriedade.
Quantas vezes queremos seguir o Senhor com “o freio de mão puxado” ou retroceder numa marcha à ré?
Dificuldades, barreiras, noites escuras, provações, fracassos, derrotas, dor, doença, pranto, luto e morte... Quem por elas não passou ou estará agora passando?
O Senhor quer tão apenas que nos ponhamos a caminho, sem medo, sem letargias. Conscientes, convictos, corajosos, seduzidos, envolvidos, assistidos, pelo Amor Trino enriquecidos.
É preciso “soltar o freio de mão”, em Deus confiar, e crer plenamente em Sua Palavra e a Sua vontade realizar.
(1) Lecionário Comentado - p.165
sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
Uma Igreja misericordiosa e missionária (09/01)
Uma Igreja
misericordiosa e missionária
“Eu quero, sê purificado” (Lc 5,13)
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de
Lucas (Lc 5,12-16), que tem passagens paralelas nos Evangelhos de Mateus e
Marcos (Mc 1,4-45; Mt 8,1-4).
Contemplemos a ação de Deus, que Se revela pleno de Amor, bondade e
ternura, através de Sua ação que acolhe, cura, liberta e integra a todos na
vida da comunidade.
Nisto consiste a vontade de Deus: que se supere toda forma de
discriminação e marginalização, e a comunidade deve empenhar-se, com sabedoria
e coragem, para que isto se torne uma realidade.
Voltemos à passagem do Livro de Levítico (Lv 13, 1-2.44-46), que nos
apresenta “a lei da pureza”, e uma visão deturpada de Deus que leva à invenção
de mecanismos que discriminam, rejeitam e excluem em nome de Deus, numa total
marginalização.
Dentre as impurezas, a lepra era considerada a mais grave, de modo que
quem por ela fosse acometido, deveria ser segregado e afastado da convivência
diária com outras pessoas, e tal medida tinha uma intenção higiênica e também
para evitar o contágio.
Mais grave ainda, era considerado um pecador, amaldiçoado por Deus e
indigno de pertencer à comunidade do Povo de Deus e não podia ser admitido nas
assembleias em que Israel celebrava o culto na presença do Deus Santo.
Voltando à passagem do Evangelho, o leproso curado por
Jesus, inaugura um novo modo de relacionamento, destruindo o triste
mecanismo de marginalização que exclui estes do convívio social e da própria
comunidade.
Jesus, com Sua Palavra e ação, cura e integra a todos na comunidade do
Reino, sem jamais compactuar com a discriminação, exclusão, racismo ou qualquer
outra forma de marginalização.
Com a Sua ação revela a face de um Deus cheio de Amor que vem ao encontro
da nossa humanidade e da nossa condição pecadora e enferma, para nos curar e
nos redimir.
Jesus, rosto da Misericórdia de Deus, toma para Si nossas dores e
sofrimentos e nos comunica a chegada do Reino de Deus, porque completou-se o
tempo esperado: novos tempos são inaugurados pela Sua presença e ação: a cura
do leproso revela o Amor de Deus que cura, liberta, integra e impulsiona para o
testemunho:
"A voz
de Jesus, porém, é ainda mais profunda: ao decretar 'fica curado', penetra até
nas entranhas daquele homem maldito e declara-o transformado, transparente e
puro; todo o perdão de Deus está presente nesta frase.
O perdão de
Deus que Jesus ofereceu aos marginalizados da terra tem que ser agora o
fundamento da vida da Igreja... Só quando destruir todas as barreiras, só
quando congregar todos como irmãos, a Igreja será lugar de Deus na terra. Então
será satisfeita a antiga esperança messiânica da cura dos leprosos". (1)
Oportunas as palavras da Igreja, para refletirmos sobre a íntima união
da Igreja com toda a família humana:
“As
alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje,
sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as
esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há
realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu
coração.
Porque a
sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo
Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a
mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja
sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história”. (2)
Reflitamos:
- Quais são as enfermidades que ainda hoje levam à
exclusão e à marginalização?
- Até que ponto nossa ação também acolhe, liberta e
integra na comunidade e na sociedade?
- De que modo os marginalizados e excluídos se
abrem para a acolhida e integração na comunidade e na sociedade?
- Como vivemos a fidelidade ao Senhor, tendo d’Ele
mesmos pensamentos e sentimentos?
- Como expressamos em nossa vida o amor, a ternura
e a bondade de Deus para com o nosso próximo?
- Sabemos renunciar a direitos pessoais por bem
maiores em favor de outros?
Sejamos na fidelidade ao Senhor, uma Igreja verdadeiramente misericordiosa
e missionária, que viva a acolhida, o perdão, a integração de todos na vida da
comunidade, com amor e alegria que gera comunhão, solidariedade e fraternidade.
Deste modo, participaremos da missão da construção
do Reino: acolhidos, amados e curados para acolher, amar e curar num círculo
que não pode se fechar, interromper.
(1) Comentários à Bíblia Litúrgica - Gráfica de
Coimbra 2 - pág. 1076-1077
(2) Constituição Pastoral Gaudium Et Spes sobre a Igreja no mundo atual (n.1).
A misericórdia do Senhor veio ao nosso encontro (09/01)
A misericórdia do Senhor veio ao nosso encontro
“Eu quero, fica purificado” (Lc 5,13)
Na passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 5,12-16), Jesus cura um leproso, reintegrando-o na comunidade, uma vez que a sua condição de enfermo, o colocava à margem da sociedade, do convívio com todos.
A Palavra de Jesus, Sua voz alcança a profundidade maior que possamos conceber, quando diz – “Eu quero, fica purificado” (Lc 5,13).
Sua Palavra penetra até nas entranhas mais profunda do coração daquele que n’Ele confia.
Assim aconteceu com aquele considerado “maldito” por todos. Jesus o declara transformado, transparente e puro, de modo que todo o perdão de Deus se encontra implícito nestas Palavras de Jesus. Tão breves e tão densas de misericórdia!
A Igreja, na fidelidade a Jesus, assim o será por todo o sempre: misericordiosa, e este será o fundamento da vida da Igreja.
Retomemos os dois versículos finais da passagem:
“Não obstante, Sua fama ia crescendo, e numerosas multidões acorriam para ouvi-Lo e serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, se retirava para lugares solitários e se entregava a oração” (Lc 5,15-16).
Vemos duas atitudes primordiais de toda a existência autêntica, como discípulos missionários do Senhor: a oração pessoal e o serviço em favor dos mais necessitados.
Concluindo, como Igreja que somos, haveremos de comunicar a misericórdia de Deus, em sua tríplice expressão, como tão bem nos falou Santa Margarida Maria Alacoque (séc. XVII), aludindo ao Coração Misericordioso do Senhor:
“Deste Divino Coração correm sem parar três rios: o primeiro é de misericórdia pelos pecadores, derramando neles o espírito de contrição e de penitência.
O segundo é de caridade, para auxílio de todos os sofredores, em particular dos que aspiram à perfeição, para que encontrem os meios de superar as dificuldades.
Do terceiro, enfim, emanam o amor e a luz para Seus amigos perfeitos, que Ele deseja unir a Sua ciência e à participação de Seus preceitos, para que, cada um a seu modo, se dedique totalmente à expansão de Sua glória”.
Situações que clamam por compaixão... (09/01)
Ao manifestar Seu poder de cura, antes Jesus Se mostrou cheio de compaixão, Amor que se compromete e se solidariza.
é uma decisão que, contudo, não exclui os sentimentos. Como não referir hino da caridade de Paulo na Carta aos Coríntios (cf. Cor 13). O amor verdadeiro não desanima diante das dificuldades nem desiste diante do impossível
- Qual é a nossa reação diante dessas pessoas: Deixamo-nos levar pelo sentimento do preconceito, do medo ou até mesmo superioridade ou decidimos que independentemente de qualquer sentimento que aflore somos capazes de amar igual Jesus nos amou?
quinta-feira, 9 de janeiro de 2025
Compassivos, contemplativos e missionários (14/01)
Compassivos, contemplativos e missionários







