segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

A autêntica fé dos discípulos do Senhor (12/01)

                                                                          

A autêntica fé dos discípulos do Senhor

“A verdadeira fé não conhece hiato; assim
que ouve, crê, segue, e se converte em pescador.”

Reflitamos sobre a vocação dos primeiros discípulos: Pedro, André, Tiago e João, conforme a passagem do Evangelho (Mc 1,14-20).

São Jerônimo, Doutor da Igreja, tem um comentário desta passagem, que nos ajuda no aprofundamento da virtude da fé na vida dos discípulos missionários do Senhor:

"E no mesmo instante, deixando as suas redes, Lhe seguiram. A verdadeira fé não conhece hiato; assim que ouve, crê, segue, e se converte em pescador. ‘No mesmo instante deixando as redes’. Eu penso que nas redes deixaram os pecados do mundo. ‘E o seguiram’. De fato, não era possível que, seguindo a Jesus, mantivessem as redes.”

Neste mesmo comentário São Jerônimo aludindo ao chamado de João e Tiago disse:

“Consertavam as redes no mar, ou seja, sentavam-se em uma pequena barca, com seu pai Zebedeu, e consertavam as redes da lei...”.

Pouco mais adiante, ele mesmo nos explica este sentido espiritual do “consertar as redes da lei”:

“Rompidas como estavam, não podiam capturar peixes; corroídas pela salubridade do mar, não podiam ser reparadas se não tivesse vindo o Sangue de Jesus e as tivesse renovado”.

Verdadeiramente a fé não conhece hiato, não há a mínima possibilidade de separação do ouvir, crer e seguir e se converter. A fé é um ato contínuo que requer perseverança, fidelidade, constância, coragem, empenho, renúncias, dedicação e quanto mais se possa dizer.

A fé que não conhece hiato, tão possível foi para os discípulos, porque se deixaram conduzir pela Palavra que Se fez Carne e habitou entre nós.

Esta tão somente acontece quando a Palavra não fica apenas no ouvir, mas penetra no mais profundo da alma, como aconteceu com os discípulos e com todos os que se tornam discípulos do Senhor.

Não conhecerá hiato algum a fé que se ilumina e se deixa conduzir pela Palavra de Deus lida, ouvida, acolhida, vivida e celebrada no Banquete da Eucaristia, no qual celebramos a Memória da Paixão e Morte do Senhor, e participamos do Cálice Sagrado, Corpo e Sangue do Senhor a nós oferecidos, que nos renova e nos dá coragem, a cada dia, para o bom e ininterrupto combate da fé, até que, na prática da caridade, vejamos sinais da esperança de um novo céu e uma nova terra.


PS: Citações extraídas do Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – pp. 373-374.


- Para ilustrar: a palavra hiato apresenta diferentes conceitos.  No texto, como podemos observar, tem sentido figurado, representando uma falha, uma lacuna, uma separação, ou ainda uma interrupção entre dois acontecimentos. Por isso, insisto: a fé que não conhece hiato, somente acontece quando a Palavra não fica apenas no ouvir, mas penetra no mais profundo da alma...

“Que pretendes de minha vida?” 13/01

                                                          

“Que pretendes de minha vida?” 

Aquela conversa do endemoninhado com Jesus nos questiona: “Que pretendes de minha vida?”

Perguntou o espírito mau que habitava naquele homem de Cafarnaum ao se dirigir a Jesus (Mc 1,21-28).

Oportuno o comentário do Lecionário Comentado:

“É como sermos atraídos por Ele irresistivelmente e, ao mesmo tempo, mantermos uma distância de segurança; desejar a vida plena que Jesus propõe, mas recear as consequências de um relacionamento com Ele, requer uma dose de loucura, ou pelo menos, de incauta gratuidade.

Perante estas cadeias que nos aprisionam, Jesus pode fazer um exorcismo, pode libertar-nos das nossas resistências, do medo de perder a vida, se Lhe permitirmos que Se aproxime de nós. Mas isso, normalmente, não é indolor para aquele que é libertado...” (1)

“Que pretendes de minha vida?” É a pergunta corajosa que temos que fazer diante do Senhor, pois a Sua resposta é exigente: “Se quiseres me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga”.

A cruz que o Senhor nos apresenta em Seu seguimento precisa ser carregada cotidianamente, com o coração indiviso, com coragem, entrega, doação, fidelidade, empenho, compromisso, seriedade.

Quantas vezes queremos seguir o Senhor com “o freio de mão puxado” ou retroceder numa marcha à ré?

Dificuldades, barreiras, noites escuras, provações, fracassos, derrotas, dor, doença, pranto, luto e morte... Quem por elas não passou ou estará agora passando?

O Senhor quer tão apenas que nos ponhamos a caminho, sem medo, sem letargias. Conscientes, convictos, corajosos, seduzidos, envolvidos, assistidos, pelo Amor Trino enriquecidos.

É preciso “soltar o freio de mão”, em Deus confiar, e crer plenamente em Sua Palavra e a Sua vontade realizar.

 

(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus -  p.165

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Compassivos, contemplativos e missionários (14/01)

                                                                     


Compassivos, contemplativos e missionários

Reflexão à luz da passagem do Evangelho em que Jesus cura a sogra de Pedro, à porta da casa deste, faz curas e expulsa demônios ao cair da tarde, e ainda quando era escuro, retira-Se para rezar em lugar deserto (Mc 1, 29-29).

Oportunas as palavras de São Pedro Crisólogo (séc. V), em que nos apresenta a ação de Deus, incansável na busca dos homens e mulheres para amá-los e não as coisas dos homens.

“A Leitura evangélica de hoje ensina ao ouvinte atento porque o Senhor do céu e restaurador do universo entrou nos domicílios terrenos de Seus servos. Mesmo que nada tenha de estranho que se tenha mostrado afavelmente próximo a todos, ele que com grande clemência tinha vindo para socorrer a todos.

Já conheceis o que moveu Cristo a entrar na casa de Pedro: com certeza não o prazer de recostar-se à mesa, mas a enfermidade daquela que se encontrava na cama; não a necessidade de comer, mas a oportunidade de curar; a obra do poder divino, não a pompa do banquete humano. Na casa de Pedro não se servia vinho, somente se derramavam lágrimas. Por isso Cristo entrou ali, não para banquetear, mas para vivificar. Deus busca aos homens, não as coisas dos homens; deseja dispensar bens celestiais, não espera conseguir as terrenas. Em resumo: Cristo veio buscar-nos, e não buscar as nossas coisas.

Ao chegar Jesus à casa de Pedro, encontrou sua sogra na cama com febre. Entrando Cristo na casa de Pedro, viu ao que vinha buscando. Não se fixou na qualidade da casa, nem na afluência de pessoas, nem nas cerimoniosas saudações, nem na reunião familiar; também não pensou no adorno dos preparativos: Fixou-se nos gemidos da enferma, dirigiu sua atenção ao ardor daquela que estava sob a ação da febre. Viu o perigo daquela que estava para além de toda esperança, e imediatamente coloca mãos para obra de Sua santidade: Cristo nem se sentou para tomar alimento humano, antes que a mulher que jazia se levantasse para as coisas divinas.

Tomou sua mão e sua febre passou. Vês como a febre abandona a quem segura a mão de Cristo. A enfermidade não resiste, onde o Autor da saúde assiste; a morte não tem acesso algum onde entrou o Doador da vida.

Ao anoitecer, levaram-lhe muitos endemoniados; Ele expulsou os espíritos. O anoitecer acontece ao acabar o dia do século, quando o mundo pende para entardecer da luz dos tempos. Ao cair da tarde vem o Restaurador da luz para introduzir-nos o dia sem ocaso, a nós que viemos da noite secular do paganismo.

Ao anoitecer, ou seja, no último momento, a piedosa e solene devoção dos Apóstolos nos oferece a Deus Pai, a nós que somos procedentes do paganismo: são expulsos de nós os demônios, que nos impunham o culto aos ídolos. Desconhecendo ao único Deus, cultuávamos a inumeráveis deuses em nefanda e sacrílega servidão.

Como Cristo já não vem a nós na carne, vem na Palavra: e aonde quer que a fé nasça da mensagem, e a mensagem consiste em falar de Cristo, ali a fé nos liberta da servidão do demônio, enquanto que os demônios, de ímpios tiranos, converteram-se em prisioneiros. Por isso os demônios, submetidos a nosso poder, são atormentados a nossa vontade. O único que importa, irmãos, é que a infidelidade não volte a reduzir-nos a sua servidão: coloquemos antes em nosso ser e nosso fazer, nas mãos de Deus, entreguemo-nos ao Pai, confiemo-nos a Deus: porque a vida do homem está nas mãos de Deus; em consequência, como Pai dirige as ações de Seus filhos, e como Senhor não deixa de preocupar-se por Sua família.” (1)

Esta passagem do Evangelho nos apresenta a identidade de Jesus, três adjetivos que exprimem sua identidade: compassivo, contemplativo e missionário.
             
Compassivo, Se compadece da sogra de Pedro e a cura da febre, para que esta se coloque a serviço, como também curou todos que vieram ao Seu encontro, à porta da casa, bem como expulsou muitos demônios.

Contemplativo, retira-Se antes do amanhecer para colocar-Se em Oração, em diálogo íntimo com o Pai, para continuar a missão que lhe foi confiada, na presença do Espírito que pousa sobre Ele (Lc 4,16-21). A Oração de Jesus revela a Sua perfeita comunhão com o Pai e o Espírito Santo. A Oração é para Ele o que será para Seus discípulos, fonte e cume para que continue a missão.

Missionário, não Se instala nem Se acomoda com a possível acolhida na casa da sogra de Pedro, mas, aos discípulos, diz que é preciso continuar a missão em outros lugares.

Assim também é a Igreja, anunciando a Palavra de Deus, realizando a missão do Senhor, com a força e presença do Espírito, verdadeiro protagonista da missão na construção do Reino.

Anunciar e testemunhar o Senhor e Sua Boa-Nova exige que sejamos como o Divino Mestre: compassivos, contemplativos e missionários.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2013 - pp.380-382

sábado, 14 de maio de 2011

Caminhos novos... Por que não buscá-los?

Caminhos novos... 
Por que não buscá-los?
Sol ilumina, aquece e renasce sempre.
Sol poente indispensável para sol nascente.
Se há outras possibilidades, busquemos...
Novo dia, novo amanhecer...
Novo endereço, nova possibilidade
Luz levar, alegria semear...
Com o blog a espiritualidade renovar...

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG