"Como Moisés ergueu na haste a serpente no deserto,
o Filho do Homem há de ser levantado numa cruz;
e, assim, quem nele crer, não pereça para sempre,
mas possua a vida eterna." (1)
Como fazer a relação entre estes versículos, perguntou uma assídua leitora: “A serpente que foi uma maldição para o povo, foi depois levantada ao alto e todos que a olhavam eram libertos (cf. Nm 21,8). A cruz que era sinal de vergonha quando Cristo, nela, foi elevado tornou-se, por Sua morte e Ressurreição, sinal de libertação (cf. Jo 3,14-15). Procurei a resposta diante de um crucifixo e diante da Palavra Divina, inspirando-me na passagem do Evangelho de São João ( Jo 3,16): “Pois Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho Unigênito, para que não morra todo o que n'Ele crer, mas tenha a vida eterna”. Outra passagem é a Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 6,14): “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim e eu para o mundo.” Contemplando a imagem da serpente e da Cruz de Nosso Senhor refletimos sobre seu simbolismo e significado na vida do Povo de Deus. O que era sinal de morte tornou-se fonte de cura, libertação: a serpente. O que era ignomínia, escândalo, terror... Deus, por amor sem limite, aceitando nela ser morto, tornou-se para a humanidade fonte de Salvação: CRUZ. Somente Deus tem poder, pelo amor sem medida, de transformar aquilo que é sinal de morte em sinal de vida. A serpente levantada, o Filho levantado: que amor incrível, que incrível AMOR! É próprio do amor transformar sinais de morte em sinais de vida, assim como é próprio do amor autêntico amar até o fim, até o extremo, até as últimas consequências. Deus nos amou no deserto, no Calvário, e em todo lugar, pois Deus nos amou, ama e nos amará sempre porque o amor é ETERNO. Coloquemo-nos diante do Senhor, evidentemente, não da cruz palpável e visível, mas naquela em que acreditamos, em que por amor, Ele morreu em favor de nós, simplesmente por amor, para nossa redenção, sinal de fidelidade, de um amor que ama até o fim. Abramo-nos às “Delícias do Espírito”, que acontece sempre que nos colocamos a refletir a Sagrada Escritura, e mergulhamos neste mar imenso de sabedoria e luminosidade. (1)Antífona da Liturgia das Horas – Semana Santa PS: Apropriado para reflexão da passagem do Evangelho de São João (Jo 3,7b-15)
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