segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

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Festa da Apresentação do Senhor: Jesus Cristo é a nossa Luz e Salvação

                                                  

Festa da Apresentação do Senhor:
Jesus Cristo é a nossa Luz e Salvação

“Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”
(Lc 2,35)

No dia 2 de fevereiro, celebramos a Festa da apresentação do Senhor no Templo de Jerusalém: aquela criança é o Menino Deus, é o Messias Libertador tão esperado pelo Povo de Deus, no pleno cumprimento da Lei de Moisés.

Ele veio trazer a Salvação e a luz para todos os povos, na entrega de Sua vida, por amor, totalmente nas mãos do Pai, culminando no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

De fato, Jesus Cristo viveu em entrega total, desde os primeiros momentos de Sua existência terrena, e nos convida, como discípulos missionários, também assim fazer: uma total entrega de nossa vida nas mãos do Pai, fazendo de nossa existência um dom de amor, um testemunho de compromisso e participação na construção do Reino de Deus.

Na primeira Leitura, a Liturgia nos apresenta a passagem do Livro do Profeta Malaquias (Ml 3,1-4), que nos fala do dia do Senhor, o dia de Sua vinda, em que Deus vai descer ao encontro do Seu Povo para a criação de uma nova realidade.

Malaquias, que significa “o meu mensageiro”, tem um anúncio sobre o Dia do Senhor, uma mensagem de confiança e esperança. Virá o Sol da Justiça. Este Sol é o próprio Jesus que brilha no mundo e insere a humanidade na dinâmica de um mundo novo, que consiste na dinâmica do Reino.

Trata-se do período pós-exílio da Babilônia, uma realidade marcada pelo desânimo, apatia e falta de confiança. O Profeta Malaquias convoca o Povo de Deus à conversão e à reforma da vida cultual, pois vivendo a fidelidade aos Mandamentos da Lei Divina reencontrará a vida e a felicidade. 

Numa situação difícil vivida pelo povo, é preciso viver a espera vigilante e ativa, reconhecendo a presença de Deus que intervém e comunica Sua força e poder. É preciso fortalecer a esperança, vencendo todo medo que paralisa.

De fato, não há nada pior do que situações como esta: o perigo da perda do sentido da vida e o sentimento de que Deus tenha nos abandonado.

O Profeta Malaquias, porém, traz uma mensagem de confiança e esperança: Deus vem sempre ao encontro da humanidade. O Senhor que veio, vem e virá sempre ao nosso encontro, como expressão de seu Amor que não nos abandona, que nos reconcilia e quer criar em nós o bem, porque criaturas amadas Suas somos, desde sempre, obra de Suas mãos.

Também nós somos chamados a viver a dimensão profética de nossa fé, denunciando tudo o que impeça a vida verdadeira, através de uma mensagem de confiança e esperança em Deus que jamais nos abandona.

Na fidelidade ao Senhor, urge testemunhar um Deus cheio de amor e sem limites por nós, atento aos dramas que marcam a caminhada humana, e que não permite que mergulhemos na apatia, imobilismo ou comodismo, mas que sejamos compromissados com o novo céu e a nova terra, onde habitam a verdade, a justiça e a paz.

Como profetas, é preciso intensificar nosso diálogo permanente com Deus, meditando Sua Palavra, na oração e, de modo especialíssimo, na Eucaristia.

Na  segunda Leitura, ouvimos a passagem da Carta aos Hebreus (Hb 2,14-18), escrita por um autor anônimo, que nos apresenta Jesus Cristo, o Sacerdote por excelência, que oferece ao Pai o sacrifício de Sua vida, no serviço do plano Salvador de Deus, através do qual nasce o Homem Novo, livre de toda e qualquer forma de escravidão.

Trata-se, portanto, de uma Carta escrita a destinatários que vivem em situação difícil, expostos a perseguições, e que vivem em ambiente hostil à fé.

Uma situação de desalento e desesperança tomava conta da comunidade a que pertenciam. Daí o iminente perigo da perda do fervor inicial e o ceder às seduções de doutrinas que não são coerentes com a fé transmitida pelos apóstolos.

A Mensagem Catequética: os discípulos devem olhar para a Cruz de Jesus Cristo, interiorizar o seu significado, e a Ele seguir no dom total da própria vida, numa entrega radical e serviço simples aos mais humildes, assim como Ele o fez.

O autor estimula a vivência do compromisso cristão, levando os crentes a crescerem na fé, reavivando o fervor inicial.

Sendo o Cristo o Sumo Sacerdote que nasceu no meio de nós, vestiu a carne mortal, solidarizou-Se com a nossa humanidade, conheceu nossas limitações e fragilidades e Se oferece por nós, todos os que n’Ele creem, assim  deve o Seu discípulo o mesmo fazer: entregar sua vida num contínuo sacrifício de louvor, de ação de graças e de amor.

O discípulo missionário do Senhor é testemunha do amor de Deus, um amor total, ilimitado e incondicional.

Deste modo, carrega sua cruz cotidiana na mesma atitude de Jesus na  solidariedade com os crucificados deste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são privados de sua dignidade:

“Olhar a Cruz de Jesus e o seu exemplo significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a sua vida por amor...”. (1)

Crer no Senhor e testemunhar o amor, pois somente o amor vivido gera a vida nova e nos introduz no dinamismo da vida nova dos Ressuscitados, na comunhão solidária, na alegria e na esperança.

Na passagem do Evangelho (Lc 2,22-40), contemplamos Maria e José que levam o Menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo, e o testemunho dado por Simeão e Ana.

Normalmente, contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios luminosos, dolorosos e gloriosos.

Simeão, homem justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma. Referindo-se a missão d’Aquela Criança, luz das nações, Salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos.

Simeão e Ana são figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e acolher o Messias de Deus: reconhecem n’Aquela criança o Messias Libertador que todos esperavam e O apresentam formalmente ao mundo.

Os Santos Padres da Igreja dizem que, nesta apresentação, Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção, com a qual Ele estava comprometido desde o princípio.

Iluminadoras as palavras de São Bernardo  (séc. XII):

“Oferece teu Filho, Santa Virgem, e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece, para reconciliação de todos nós, A Santa Vítima que é agradável a Deus”.

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo. E Maria é a Mãe da humanidade. O dom da vida vem através de Maria.

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo e a  Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada, porque veio habitar no meio da humanidade a Luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Urge que façamos de nossa vida uma agradável oferenda ao Senhor, lembrando que oferta há de ser um agradável sacrifício, celebrado no altar do Sacrifício do Senhor.

Ofertar nossa vida cotidianamente implica em sacrifícios, constantes renúncias, tomando nossa cruz, e, com serenidade e fidelidade, segui-Lo, até que um dia, possamos fazer da cruz instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.

Hoje, ao acolher Jesus como nossa Luz e Salvação, renovamos a alegria e o compromisso de anunciá-Lo e testemunhá-Lo ao mundo.

Concluindo, é tempo de viver a graça do Batismo e testemunhar Jesus Cristo, a nossa Luz e Salvação. É tempo de sermos sal, fermento e luz no coração do mundo.

Deus jamais nos deixará sozinhos na escuridão da noite.
Não há noite eterna para a Fonte de Luz eterna!


Fonte inspiradora - www.dehonianos.org
(1) idem

Festa da Apresentação do Senhor: Jesus, a luz e Salvação de todos os povos

                                                      

Festa da Apresentação do Senhor:                  
Jesus, a luz e Salvação de todos os povos

Celebramos dia 02 de fevereiro, a Festa da Apresentação do Senhor, e sejamos enriquecidos pelo Sermão do Bispo São Sofrônio (séc. VII).

“Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o Mistério do encontro do Senhor, corramos para Ele cheios de entusiasmo. Ninguém deixe de participar deste encontro, ninguém recuse levar Sua luz.

Acrescentamos também algo ao brilho das velas, para significar o esplendor divino d’Aquele que Se aproxima e ilumina todas as coisas; Ele dissipa as trevas do mal com a Sua luz eterna, e também manifesta o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro com Cristo.

Do mesmo modo que a Mãe de Deus Virgem imaculada trouxe nos braços a verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós: iluminados pelo Seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, corramos prontamente ao encontro d’Aquele que é a verdadeira luz.

Realmente, a luz veio ao mundo (Jo 1,9) e dispersou as sombras que o cobriam; o Sol que nasce do alto nos visitou (Lc 1,78) e iluminou os que jaziam nas trevas. É este o significado do Mistério que hoje celebramos.

Por isso caminhamos com lâmpadas nas mãos, por isso acorremos trazendo as luzes, não apenas simbolizando que a luz já brilhou para nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos virá no futuro.

Por este motivo, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus. Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano (Jo 1, 9). Portanto, irmãos, deixemos que ela nos ilumine, que ela brilhe sobre todos nós.

Que ninguém fique excluído deste esplendor, ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Mas avancemos todos resplandecentes. Iluminados, por este fulgor, vamos todos ao Seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna.

Associemo-nos a sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Criador e Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do Seu esplendor.

A Salvação de Deus, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence, a nós que somos o novo Israel.

Também fez com que víssemos, graças a Ele, essa Salvação e fôssemos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa. Assim aconteceu com Simeão que, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.

Também nós abraçando, pela fé, a Cristo Jesus que nasce em Belém, de pagãos que éramos, nos tornamos povo de Deus – Jesus é, com efeito, a Salvação de Deus Pai – e vemos com nossos próprios olhos o Deus feito homem.

E porque vimos a presença de Deus, e a recebemos, por assim dizer, nos braços do nosso espírito, somos chamados de novo Israel. Todos os anos celebramos novamente esta festa, para nunca esquecermos d’Aquele que um dia há de voltar.” (1).

Peregrinos de esperança, como Igreja Sinodal, caminhando sempre juntos, sejamos iluminados por Este Sermão, e sejamos conduzidos pela Luz do Senhor, que é clara e eterna.

Como disse o Bispo:

“... Ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Recebamos nos braços do nosso espírito o Salvador, a Luz das nações.”

Com o feliz Simeão, digamos:

“Agora, Senhor, deixai o Vosso servo ir em paz, segundo a Vossa Palavra. Porque os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de Vosso povo de Israel (Lc 2,29-32).”

Com o Salmista também digamos:

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação, de quem eu terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida: frente a quem eu temerei?” (Sl 27)

Tendo acolhido Jesus como nossa Salvação e nossa Luz, é tempo de sermos, no coração do mundo, sal e luz (cf. Mt 5,13-16).

Deus jamais nos deixará sozinho na escuridão da noite. 
Não há noite eterna para a Fonte de Luz eterna!
Amém.


(1) Liturgia das Horas Vol. III - p. 1236/7

Companheiros na travessia

                                                      

Companheiros na travessia

Todas as vezes que celebramos a Eucaristia, degustamos a Palavra, precedida por uma preparação, que se torna cada vez mais um imperativo no mundo pós-moderno, em procura da saciedade de amor, alegria, paz, luz.

A Liturgia da Palavra, inseparavelmente da Liturgia Eucarística, são imprescindíveis Mesas que nos revigoram, nos dão forças em nossas travessias, por vezes sombrias, obscuras em alguns momentos.

Viver, de fato, é uma grande travessia: 

“Tornar-se companheiro de viagem de cada homem, ser para cada homem ‘Sacramento ‘do Amor de Deus com os gestos, tal como com as palavras: é este o compromisso irrenunciável que as leituras de hoje colocam à nossa frente. 

Somos chamados a viver a responsabilidade de fazer da dupla Mesa do Pão e da Palavra o centro, o coração da vida, tornando-a disponível a quem quer que possamos encontrar: 

Somos chamados a tornar-nos companheiros de viagem, e, portanto, a tornar-nos dom, na missão que Deus nos confia, identificando-nos com essa missão sem querer nada para nós, e desaparecer nela e com ela; como o diácono Filipe, que cumpre a sua missão e logo é arrebatado pelo Espírito por ser destinado a outras missões.”  (1)

Nesta travessia, como companheiros de viagem, é fundamental que nos ajudemos reciprocamente com os dons que Deus nos concede a cada um:

“Nesta caminhada, tão profundamente humana, todos podemos descobrir-nos, companheiros de viagem e iluminar-nos reciprocamente com os dons que Deus concede a cada um” (2).

Deste modo:

Companheiros de viagem, haveremos de ser também,
Companheiros de viagem, também precisamos ter.

Companheiro é aquele que come o pão no mesmo prato;
Que partilha as alegrias, vitórias, conquistas,

Mas que também é solícito para compartilhar
Tristezas, derrotas, perdas, por vezes irreparáveis.

Que nos fala, com a palavra e com a vida,
Uma palavra, sobretudo uma Palavra Divina.

Que nos ajuda a firmar os passos na direção
De uma eternidade feliz, desde o tempo presente.

Que nos abre os olhos para o necessário,
Não permitindo que o medo nos cegue.

Que não faz média, pacto de mediocridade,
Sem conivência com o erro e a falta da verdade.

Que nos toma pelas mãos para adiante seguir,
Sem dar em nosso lugar os necessários passos.

Que sabe contar e cantar os sonhos que nos movem,
Porque de sonhos e cantos também vivemos.

Que nos ajuda a enfrentar os terríveis pesadelos,
Confiantes que não têm eles a última palavra.

Que compartilhe as dúvidas e incertezas do momento que vivemos,
Nas escolhas que haveremos de fazer, para maiores acertos.

Que nos ajuda a não trair os princípios de nossa fé,
Sobretudo os que se referem à dignidade e sacralidade da vida.

Companheiros que me ajudem a continuar esta reflexão,
Porque companheiros se enriquecem reciprocamente.

Companheiros de viagem, precisamos!
Companheiros de viagem, sejamos!

(1)     Lecionário Comentado – Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p.470. 
(2)    Idem – Tempo Comum – Vol. II – p.476

Luzes para o Ministério Presbiteral

                                                   

Luzes para o Ministério Presbiteral

À Luz das leituras bíblicas (Rm 2,1-11 e Lc 11,42-46), vejamos quais são as luzes que aparecem para o Ministério Presbiteral.

Diante dos “ais” que Jesus dirigiu aos fariseus e mestres da lei, concluímos que o Presbítero, e todo aquele que se propõe a seguir o Senhor, têm diante de si algumas imprescindíveis exigências:

- Superar todo formalismo religioso:

A prática de rituais, a soma de momentos de oração, contabilizada ou por obrigação realizada, não é suficiente. 

É preciso a prática do amor e da justiça. Nada é agradável ao Senhor se não for precedido e movido pelo amor, princípio de todo nosso agir, essência e identidade divina e daqueles que a Ele querem se consagrar.

Ninguém deve se colocar a serviço do Senhor procurando as honras, os primeiros lugares, os títulos por si mesmos, privilégios, fama ou coisas semelhantes, pois são atitudes abomináveis pelo Senhor!

O que importa é o humilde e dedicado serviço; fazer para Deus e não para ser visto, nem para ser elogiado; mover-se pela pura e simples gratuidade, pela absoluta humildade, numa indescritível alegria em servir.

Celebrar com o mesmo ardor numa catedral lotada, como numa capela com uma dezena de pessoas; na capela de uma periferia ou de uma área de missão (tive a graça de três anos de Missão em Rondônia – 2000 a 2002).

A Eucaristia é o grande Mistério, merecendo, portanto, todo o empenho, entrega, zelo, dedicação e esmerada espiritualidade.

Se não nos empenharmos em belas Eucaristias, em que nos empenharemos? 

Que a vida seja expressão da Eucaristia que celebramos!

- A pureza interior e a coerência necessária:

Deus pede que nosso exterior revele aquilo que somos. Não podemos fazer da vida um palco; tão pouco do Presbitério. 

Não somos atores do Senhor, mas servos! Inúteis servos. Não nos cabem máscaras, representações. Devemos viver o que pregamos, encurtando toda a distância entre o discurso e a prática.

As roupas eclesiásticas que usamos hão de ser belas; como bela é a vida que testemunhamos. Se ainda não forem tão belas, supostamente simples, despojadas, de sandálias, não podem ser disfarce, mas devem revelar o santo ideal da pobreza que queremos expressar.

Quer com a melhor batina ou casula, quer com trajes mais humildes, devemos ser a imagem perfeita do Cristo; outro Cristo: Servo pobre, obediente e fiel, que fez do Reino a Sua grande riqueza.

Ele que tinha condição divina, a nada Se apegou, como nos falou o Apóstolo Paulo, de tudo Se esvaziou, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz (Fl 2,1-11).

Haveremos de o mesmo fazer, os Seus mesmos sentimentos ter e viver.

- Não sermos peso sobre o povo:

O povo deve ser amado, ajudado no seu desenvolvimento integral, e para que assim aconteça, o Presbítero deve deixar-se envolver e ser ao mesmo tempo testemunha  misericórdia divina.

Quando misericordiosos, poderão ouvir de Jesus estas palavras: Vinde a mim porque Sou manso e humilde de coração... Vinde a mim vós que estais cansados e fatigados, porque Meu fardo é leve e meu jugo é suave!” (Mt 11,28-30).

Urge que estas  atitudes estejam presentes na vida do Presbítero, para que sejam sempre iluminados e iluminadores, afastando toda treva que teime em subsistir, como nos falou o Abade São Columbano (séc. VII): “Que Tu, Cristo, dulcíssimo Salvador nosso, Te dignes acender nossas lâmpadas, de modo a refulgirem para sempre em Teu templo, receberem perene luz de Ti,que és a luz perene, para iluminar nossas trevas e afugentar de nós as trevas no mundo”.

E, com o Abade São Máximo (séc. VII), concluímos: “Só Ele  Jesus), qual lâmpada, desfaz a escuridão da ignorância, repele o negrume da  maldade e do vício”
                                                         
Quando Presbíteros e fiéis vivem a misericórdia, o Amor de Deus arde em nós e Sua luz ilumina todo o mundo. 

Para sermos luz Deus nos criou: 
“Vós sois a luz do mundo! Vós sois o sal da terra” (cf. Mt 5,13-16).

Peregrinos da Esperança, aprendamos com Tobias

                                                       

Peregrinos da esperança, aprendamos com Tobias

Um pequeno decálogo do discípulo missionário do Senhor, à luz do Livro de Tobias:

01 – Ser vigilante em todas as obras.
02 – Mostrar-se prudente na conversação.
03 – Não fazer a ninguém o que para si não desejar.
04 – Dar do próprio pão a quem tem fome.
05 – Dar as próprias vestes aos que estão despidos.
06 – Dar de esmola todo o supérfluo.
07 – Bendizer ao Senhor em todo o tempo.
08 – Pedir ao Senhor que sejam retos os caminhos.
09 – Pedir ao Senhor êxito em todos os passos.
10 – Pedir ao Senhor êxito, também, em todos os projetos.

Dez bons propósitos a serem vividos, como discípulos missionários, para que sejamos sal da terra e luz do mundo, como nos disse o próprio Senhor (Mt 5,13-16), e sejamos peregrinos da esperança.

Estejam, portanto, presentes estas orientações em nosso pensar, falar e agir: vigilância, prudência, bondade, partilha, a súplica confiante ao Senhor para êxito em nosso discipulado, no anúncio e testemunho, acompanhado do louvor e gratidão por Sua presença que nos fortalece, porque nos envia o Seu Espírito para maior fidelidade ao Pai.


Fonte inspiradora: Tb 4,14b-15a.16ab.19a

Jesus, um sinal de contradição

                                                     

Jesus, um sinal de contradição


Sejamos enriquecidos pelo comentário ao Evangelho de Lucas, escrito por São Cirilo de Alexandria (séc. V):

“E o que disse de Cristo o profeta Simeão? Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, visto que o Emanuel é posto para os alicerces de Sião por Deus Pai, sendo uma pedra escolhida, angular e preciosa.

Aqueles, então, que confiaram n’Ele não se envergonharam; mas aqueles que eram descrentes e ignorantes, e incapazes de compreender o mistério a respeito d’Ele, caíram, e foram feitos em pedaços.

Por Deus Pai novamente foi dito em outro lugar: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo, e aquele que crê nela não será confundido; mas aquele sobre quem ela cair, ele será esmagado.

Mas o profeta tranquilizou aos israelitas dizendo: Só ao Senhor chameis de Santo, é a Ele que é preciso respeitar, a Ele que se deve temer. Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço.

No entanto, porque Israel não santificou o Emanuel, que é Senhor e Deus, nem estava disposto a confiar n’Ele, tropeçaram em uma pedra por causa da descrença, e ele foi feito em pedaços e caiu. Porém, muitos se reergueram, isto é, aqueles que abraçaram a fé n’Ele.

Por isso mudaram do legalismo para um ofício espiritual; tendo neles um espírito de serviço, foram enriquecidos com aquele Espírito que os torna livres, e que é o Espírito Santo; eles foram feitos participantes da natureza divina, considerados dignos da adoção filial, e de viver na esperança de alcançar a cidade que é do Alto, até mesmo a cidadania, ou seja, o Reino dos Céus.

E pelo sinal de contradição, Ele significa a preciosa Cruz, em nome da qual o sapientíssimo Paulo escreve: para os judeus é escândalo, e loucura para os pagãos. E novamente: Para os que estão perecendo é loucura; porém, para nós que somos salvos, é o poder de Deus para a salvação.

O sinal, portanto, de contradição, se para aqueles que perecem lhes parece ser loucura, todavia, para aqueles que reconhecem o seu poder, ele é salvação e vida.

E Simeão ainda disse à Santa Virgem: Sim, uma espada transpassará a tua alma, significando pela espada a dor que ela sofreria por Cristo, visto que ela trouxe à luz o crucificado; e sem saber que Ele seria mais forte do que a morte, e ressurgiria da sepultura. Ou tu podias imaginar que a Virgem não sabia disso, quando vamos encontrar até mesmo os Santos Apóstolos, então, com pouca fé; pois em verdade o bem-aventurado Tomé, se não introduzisse suas mãos no seu lado após a ressurreição, e sentisse também as marcas dos pregos, iria desacreditar os outros discípulos que lhe diziam que Cristo ressuscitou e tinha-se manifestado a eles.

O evangelista com sabedoria, portanto, para o nosso benefício nos ensina tudo quanto o Filho, feito carne, consentiu padecer por nossa pobreza, suportar em nosso benefício e em nosso favor, para que possamos glorificá-Lo como nosso Redentor e Senhor, nosso Salvador e nosso Deus: por quem e com quem a Deus Pai e pelo Espírito Santo sejam a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Este comentário nos ajuda no aprofundamento do quarto Mistério gozoso: a apresentação do Menino Jesus no Templo (cf. Lc 2,22-40).

Jesus é apresentado no Templo, e a Maria, Simeão anunciou que uma espada lhe transpassaria a alma (cf. Lc 2,33-35), porque Aquele Menino seria sinal de contradição para o mundo.

O ancião Simeão reconheceu aquela Criança como o Salvador do mundo, e nisto consistiu seu anúncio sobre a espada de dor de Nossa Senhora, numa plena e incondicional obediência à vontade de Deus.

Ela viveu cada momento da vida de Jesus, até o fim, no momento ápice aos pés da Cruz, quando Ele deu a vida por amor de todos nós, e recebeu o Corpo sem vida de Seu Filho.

Mas a fé em Deus, a fez presente junto aos apóstolos mais tarde, ao celebrar com os apóstolos o Mistério da Eucaristia (At 1,12-14).

Oportuna as palavras do Papa São João Paulo II na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”:   Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre!” 

Supliquemos a Deus que tenhamos coragem como Maria, na obediência e fidelidade à vontade divina, como discípulos missionários do Senhor, sinal de contradição para o mundo, no carregar de nossa cruz cotidiana. Amém.

  

(1)Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p.294


PS: Oportuno para a Celebração da Festa da Sagrada Família; Apresentação do Senhor no templo - passagem do Evangelho (Lc 2,22-40).

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