Presbíteros segundo o Coração do Bom Pastor
Sejamos iluminados pelas
ricas definições de “bom pastor”,
segundo o Cardeal Walter Kasper:
“Quem, portanto, é um
pastor que leva a sério seu serviço pastoral e sua responsabilidade pastoral?
Citemos apenas alguns traços:
- Bom pastor é quem guia
e tem a coragem de determinar uma direção clara e confiável a partir da fé.
Isso é necessário principalmente hoje, quando muitos estão como ovelhas sem
orientação. Blablablá e adaptação ao que muitos desejam ouvir não representam
um posicionamento pastoral, mas um fracasso pastoral. Entretanto, cabe também
ao pastor não reagir com dureza de coração, mas demonstrar compreensão,
compaixão e paciência para com aqueles que não o acompanham na caminhada, que
ficaram para trás e são fracos. Pastor é quem é capaz de dizer a verdade no
amor.
- O bom pastor é amigo
da vida, que deixa jorrar para os outros as fontes da vida, lhes propicia
nutrição espiritual no caminho da vida, que os acompanha com seu conselho,
consolo e encorajamento no caminho da vida e os ajuda a encontrar a vida
verdadeira e a ter vida em plenitude em Jesus Cristo.
- Bom pastor é quem não
permanece sempre no círculo mais estreito dos que já são fiéis, mas também vai
atrás dos que se extraviaram, se perderam, se sentem estranhos ou estão à
margem. Ele os tirará dos espinheiros em que se enredaram, ainda que ele próprio
se fira ou se arranhe. E, ao tirá-los, vendo que ainda não podem ou não podem
mais andar, os tomará em seus ombros fortes e os carregará de volta.
- Bom pastor é quem é
vigilante, quem alerta seu rebanho para os perigos e os defende perante a
ameaça de perigos internos e externos. Ele não foge de situações difíceis,
como, por exemplo, a perseguição; não tenta pôr-se em segurança a si e a seus
queridinhos, mas se mantém firme no perigo com o rebanho que lhe foi confiado.
- Por fim, o bom pastor
não se apascentará a si mesmo. Ele não busca vantagem própria, não se poupa,
mas arrisca sua vida e a sacrifica pelos outros. Por esse motivo, o serviço do
pastor não se pode restringir ao tempo do expediente burocrático; ele exige o
homem por inteiro, a pessoa toda; em situações extremas, ele também pode exigir
que se ponha a vida em risco.
Graças a Deus, esses
desafios e perigos extremos não existem entre nós atualmente, nem no futuro
próximo, mas há várias regiões no mundo onde a perseguição e a opressão são uma
realidade.” (1)
Oremos:
Ó Deus,
nós Vos pedimos por todos os padres, para que sejam cada vez mais configurados
ao Coração do Vosso Filho Jesus, o Bom Pastor, conduzidos e iluminados pelo
fogo do Amor do Santo Espírito.
Ajudai-os
para que sejam pastores que levam a sério o serviço pastoral com responsabilidade
e dedicação, de tal modo que:
- Guiem e
tenham a coragem de determinar uma direção clara e confiável a partir da fé, e
que saibam dizer a verdade no amor ao rebanho.
- Sejam amigos
da vida, deixando jorrar para os outros as fontes da vida, para que com o
rebanho alcancem a vida em plenitude.
- Não
permaneçam sempre no círculo mais estreito dos que já são fiéis, mas saibam ir atrás
dos que se extraviaram, se perderam, se sentem estranhos ou estão à margem.
- Sejam vigilantes
e saibam alertar o rebanho a eles confiados sobre os perigos e os defenda
perante a ameaça de perigos internos e externos.
- Não
fujam de situações difíceis, como possíveis perseguições; e permaneçam firmes no
perigo com o rebanho que lhes foi confiado.
- Não se
apascentem a si mesmos, e jamais busquem vantagens próprias, não se poupando,
mas arriscando a própria vida em sacrifícios pelo rebanho. Amém.
(1)
Servidores da alegria – Existência sacerdotal – serviço sacerdotal – Cardeal
Walter Kasper – Edições Loyola – p.75-76
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