sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Fidelidade e prática dos Mandamentos divinos

                                


Fidelidade e prática dos Mandamentos divinos

Sejamos enriquecidos pelo Tratado contra as heresias escrito por Santo Irineu de Lião (séc. II).

“A tradição dos seus maiores que eles fingiam observar como derivada da Lei era contrária à Lei dada por Moisés. Por isso disse Isaías: Teus taverneiros colocam água no vinho, indicando que ao austero preceito de Deus os maiores tinham misturado uma tradição aguada, isto é, uma lei adulterada e contrária à Lei, como o manifestou o Senhor, dizendo-lhes: Por que vós anulais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?

E não só anularam a Lei de Deus por suas transgressões, colocando água no vinho, mas erguendo contra ela sua própria lei, lei que ainda hoje se chama ‘farisaica’. Nesta lei tiram algumas coisas, acrescentam outras e interpretam não poucas ao seu bem-querer. De tudo isto se servem particularmente os seus próprios mestres.

Querendo reivindicar tais tradições, não quiseram submeter-se à Lei de Deus que os orientava para a vinda de Cristo; antes, recriminavam ao Senhor porque curava em sábado, coisa que certamente - como já vimos - a Lei não proibia, já que, de certo modo, ela também curava, prescrevendo a circuncisão naquele dia; porém, cuidavam-se muito bem de acusarem a si mesmos por transgredir o preceito em nome de sua tradição e da mencionada ‘lei farisaica’, não levando em conta o principal mandamento da Lei, que é o amor a Deus.

Sendo este o primeiro e principal preceito e o segundo o amor ao próximo, o Senhor ensinou que toda a Lei e os profetas dependem destes dois mandamentos. E Ele mesmo não nos deu nenhum mandamento maior do que este, mas o renovou, ordenando aos seus discípulos amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmos.

E Paulo diz que o amor é o cumprimento perfeito da Lei, e quando desaparecem os demais carismas, permanecerão a fé, a esperança e o amor, porém o maior dos três é o amor; e que o conhecimento sem o amor de Deus não tem valor nenhum, nem  conhecer todos os segredos, nem a fé, nem a profecia, visto que tudo é tolice e vaidade sem o amor; que o amor torna o homem perfeito, e quem ama a Deus é um homem perfeito neste mundo e no futuro: porque jamais deixaremos de amar a Deus, mas quanto mais o contemplemos, mais o amaremos.

Sendo, portanto, na Lei e no Evangelho o primeiro e maior mandamento é o mesmo, isto é, amar o Senhor Deus de todo o coração, e o segundo, semelhante a ele, amar o próximo como a si mesmo, é evidente que um só e o mesmo é o Autor tanto da Lei como do Evangelho. Assim, sendo os mesmos, em ambos os Testamentos, os mandamentos fundamentais da vida, apontam para um mesmo Senhor, o qual deu, é verdade, preceitos particulares adaptados a cada Testamento, porém propôs em ambos alguns mandamentos comuns, os mais importantes e sublimes, sem os quais não é possível salvar-se.” (1)

Tanto na Lei como no Evangelho, o primeiro e principal mandamento é amar a Deus, que não se separa do segundo mandamento que se expressa no amor ao próximo como Jesus Cristo nos falou na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,34-40).

Trata-se, portanto. de um duplo preceito inseparável que devemos viver na relação com Deus e com nosso próximo, que nos credencia, se vividos, caminhar para a eternidade. Amém.

  

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp. 458-459

PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,28b-34).

Amor a Deus e ao próximo

                                

Amor a Deus e ao próximo

Ao refletirmos sobre o Mandamento do amor a Deus e ao próximo, voltemo-nos a uma passagem do Antigo Testamento (Dt 32,15-24.30-34), que retrata o retorno de Moisés do cume da montanha, trazendo em suas mãos as duas Tábuas da Aliança, escritas de ambos os lados, como obra de Deus.

As Tábuas trazidas por Moisés, o Decálogo, eram o coração da Aliança no Sinai; uma síntese da Lei e são como “balizas” para a nossa vida, nossa conduta e atitudes, em relação a Deus e ao próximo.

Como “sinais de trânsito”, asseguram o percurso para a liberdade e vida verdadeira: A formulação das Dez Palavras, na sua maioria negativas, varia na extensão: mais ampla, a que diz respeito à relação com Deus; muito concisa a que concerne a relação com o próximo” (1)

Mas, esta Lei não é uma imposição externa, pois se trata de Dez Palavras de vida: “É um caminho traçado, diante de nós e dentro de nós, para guardarmos e saborearmos as belezas da vida” (2).

A Aliança do Povo com Deus implica em obrigações fundamentais diante d'Ele, e elas são sintetizadas nos Dez Mandamentos, para que não volte à velha escravidão e opressão da qual o Senhor os libertou, pois Deus quer ser adorado por um Povo livre e feliz.

A maior parte dos Mandamentos, de outro lado, assegura relações comunitárias e fraternas, sem egoísmo e cobiça.

Sendo o Senhor dono do templo, deveria receber toda adoração, e não se poderia adorar os ídolos que O substituiria e levaria o Povo para nova escravidão: egoísmo, autossuficiência, injustiça, comodismo, paixões, cobiça, exploração.

Curvar-se-ia diante de outros “deuses”: dinheiro, poder, afetos humanos, realização profissional, reconhecimento social, interesses egoístas, valores da moda e ideologias que se contrapõem a Lei do Senhor.

Portanto, a Lei exerce uma função fundamental para que não se caia em nova escravidão, como fora experimentada no Egito: “A Lei é a Palavra que estabelece a relação entre nós e o Senhor, uma Palavra que não nos limitaremos a cumprir exteriormente, mas que escutaremos e compreenderemos com uma participação intensa do coração” (3).

Voltando à passagem do Evangelho, Jesus sintetizou os Mandamentos em dois: “E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12, 29-31).

Segundo o Bispo Santo Agostinho: “Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.

Concluindo, o Papa Bento XVI, em sua Encíclica “Deus caritas est”, assim afirmou: “O amor ao próximo é também uma estrada que conduz a Deus. Não amar o próximo é tornar-se míope de Deus”.

Reflitamos:

 -   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?
 -   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?

 -   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?
 -   Como é a nossa relação com Deus e com nosso próximo?

Oremos:

Ó Deus de Amor, suplicamos o Vosso Espírito Santo, Espírito de Amor, para que vivamos um amor verdadeiro, fiel, profundo e sofredor, para que mais configurados ao Vosso Filho sejamos e vivamos a fidelidade aos ensinamentos e Mandamento do Amor que Ele nos deu, curados de toda a miopia espiritual, e assim, a Trindade amar na primeira ordem dos preceitos e ao próximo em primeiro lugar na ordem da execução. Amém.




PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal
(1) Lecionário comentado – Volume I – Tempo Comum - Editora  Paulus – Lisboa – 2011 - p. 793
(2) idem p. 794
(3) Idem p. 797
PS: Passagem do Evangelho proclamada no 31º Domingo do Tempo Comum (ano B), quando ouvimos a passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 12,28b-34)

“O amor não fala. O amor ama”

                                                      


“O amor não fala. O amor ama”

"Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros.
Como Eu vos tenho amado, assim também vós deveis
amar-vos uns aos outros'' (Jo 13, 34) 

Vejamos o que diziam os pais do deserto sobre o “amor”:

“Perguntaram-lhe a um grande mestre:
Quando o amor é verdadeiro?
Quando é fiel – foi a resposta.
E quando é profundo?
Quando é sofredor – foi a resposta.
E como fala o amor?
A resposta foi:
O amor não fala.
O amor ama”. (1)

Reportemo-nos ao “Tratado sobre o Evangelho de São João”, do Bispo Santo Agostinho, para que melhor vivamos o duplo Preceito da Caridade, que nos torna verdadeiramente promotores da paz, realizando uma das Bem-Aventuranças que o Senhor, na Sagrada Montanha, nos apresentou, amando como Ele nos amou, e assim viver o Novo Mandamento que nos deu.

“Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.

O Papa Bento XVI, em sua Encíclica “Deus caritas est”, assim afirmou:

“O amor ao próximo é também uma estrada que conduz a Deus. Não amar o próximo é tornar-se míope de Deus”.

Oremos:

Ó Deus de Amor, suplicamos o Vosso Espírito Santo, Espírito de Amor, para que vivamos um amor verdadeiro, fiel, profundo e sofredor, para que mais configurados ao Vosso Filho vivamos a fidelidade aos ensinamentos e Mandamento do Amor que Ele nos deu, curados de toda a miopia espiritual, e assim, a Trindade amar na primeira ordem dos preceitos e ao próximo em primeiro lugar na ordem da execução. Amém.



(1) Teologia da Ternura – Um “Evangelho a descobrir” – Ed. Paulus – 2002 – p.72

Afeição, ternura e carinho na evangelização

                                                         

Afeição, ternura e carinho na evangelização

A Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses (o Livro mais antigo do Novo Testamento) é muito inspiradora para refletirmos sobre a vida cristã.

Podemos, a partir desta Carta, avaliar os propósitos e compromissos mais sólidos, para que sejamos mais afetivos e efetivos junto às nossas comunidades.

Contemplamos na ação do Apóstolo o carinho do mesmo para com a comunidade, que se notabiliza por uma fé ativa, pela caridade esforçada e firmeza de sua esperança, pois acolhe com alegria a Palavra e a irradia para outros lugares, apesar das tribulações, dificuldades e perseguições.

Literalmente, Paulo conviveu com a comunidade, pregou a Palavra, trabalhando noite e dia para não se tornar um peso para ela.

A afeição, a ternura e o carinho de Paulo para com a comunidade aparecem explicitamente em suas palavras: –“Apresentamo-nos no meio de vós cheios de bondade, como uma mãe acaricia os filhinhos. Tanto bem vos queríamos que desejávamos dar-vos não somente o Evangelho de Deus, mas até a própria vida, de tanto amor  que vos tínhamos” (1Ts 2,7-8).

O Apóstolo nos ensina: quem ama se empenha. O amor pede esforço, dedicação, criatividade, coragem, ousadia para manter acesa a chama da profecia, ancorados na esperança da Ressurreição, que nos compromete a fazer do Paraíso, não algo que no tempo foi perdido, antes, um compromisso que se renova como projeto de vida nova a ser construído. Menos saudades, muito mais esperança e compromisso, até que vejamos acontecer novo céu e nova terra.

O Discípulo missionário do Senhor é aquele que teve o coração por Cristo seduzido, e assim, vive com a comunidade intensa e verdadeira relação de amor e ternura, como o Apóstolo o fez, e de modo muito especial àquele que possuir o Sacramento da Ordem.

A mensagem do Apóstolo Paulo é apelo de conversão constante, para que trabalhemos junto à nossas comunidades, com empenho e dedicação, de modo que, jamais se pode fazer de qualquer Ministério pela Igreja confiado, fonte de riqueza abominável, que esvaziaria toda beleza da Palavra pregada.

Avaliemos como testemunhamos nossa fé; como a tornamos viva em compromissos concretos de amor, para que nossa esperança não tenha sido uma evasão, mas sinceros compromissos com a Boa-Nova da Ressurreição.

Todos sintamos o mesmo desejo do Apóstolo: não apenas pregar a Palavra, mas dar a nossa vida pela Igreja, de modo especial pelas comunidades que nos foram confiadas ou das quais somos membros, pedras vivas e escolhidas.

Redescobrir e reavivar no mais profundo de nós a alegria de ser discípulo missionário, em todo o tempo, aprendendo sempre com o  Apóstolo que incansavelmente anunciou e testemunhou a Palavra, no bom combate da fé.

PS: Apropriada para a reflexão de 1 Ts 1,1-5.8b-10

Marcas de uma Comunidade Cristã

                                                   

Marcas de uma Comunidade Cristã

“Aspirai aos dons mais elevados” (1Cor 12,31)

Ó Unidade por Cristo sonhada, querida, rezada:

Há um só corpo, um só Batismo, um só Senhor.
Há algo que tomou o coração e a mente de Paulo:
A construção de relações fraternas na comunidade,
Amadurecidas e testemunhadas pela unidade.

Unidade pelo próprio Cristo sonhada, querida, rezada
Naquele capítulo tão maravilhoso, inesquecível:
“Pai, que todos sejam um, como eu e Tu ó Pai somos um”
Ora por nós, em nós e recebe a nossa Oração.

Ele ora por nós porque é nosso Supremo Sacerdote,
Ele ora em nós como cabeça da Igreja que somos,
Recebe a nossa Oração, porque com Pai e o Espírito,
Maravilhosa Comunhão Trinitária Eterna contemplamos.

Ó Complementaridade por Paulo refletida, anunciada, exortada:

Na página tão bela e tão iluminadora aos Coríntios, e a nós,
O Apóstolo Paulo nos fala da diversidade de dons distribuídos,
Comunidade enriquecida, se não houver apropriação pessoal dos dons,
Verdadeiramente, a nós nada falta se dons infinitos partilhados.

Bela diversidade de dons, carismas e ministérios,
Para tornar credível e anunciável em missão ininterrupta.
Por todo o mundo a mais bela notícia não mais se cala:
Reina o Senhor, Vive o Senhor, somos Suas testemunhas.

Quão mais bela é a comunidade, e assim também o mundo,
Se cada um, por amor, os dons souber disponibilizar, partilhar,
Sem nada para si reter, alegremente multiplicar.
Assim é Deus, quando somamos, Ele multiplica.

Ó subsidiariedade, por Paulo, também implicitamente proclamada:

Cada um fazendo bem e com muito amor o que lhe é próprio,
Sem ciúmes, cobiças, usurpações, procuras de primeiros postos.
Na humildade e simplicidade, doando-se e doando o que se tem de melhor,
Em diálogo, confiança, colaboração recíproca, fale mais alto o Amor.

Dentro e fora da comunidade, sem omissões, perda de tempo...
Economizando tempo nas críticas que nada constroem,
Otimizando o tempo no realizar e no cuidar do que foi confiado,
Porque um dia, todos teremos que contas a Deus prestar.

Como será mais bela a Igreja e também o mundo
Se este simples princípio não for olvidado,
Se nos acompanhar a cada instante,
Pois há um mundo a ser transformado.

Unidade, complementaridade, subsidiariedade,
Compreendidas, vividas, solidificadas,
Comunidade sinal do Reino mais será,
Instrumento de um mundo novo, quem duvidará?

Somente assim o canteiro do coração será preparado
Para a acolhida do dom maior e mais alto
A ser mais do que aspirado, vivido, fortalecido;
Dom maior do amor que também Paulo nos falou.

Quanto mais verdadeiro o amor cristão vivido,
Mais conteúdo sólido e veraz da fé teremos,
Mais largo e eterno será o horizonte da esperança,
Que nos leva a avançar sem medo à pátria futura. Amém...

Amor de compaixão

                                             


Amor de compaixão

Senhor Jesus, Vós que jamais propusestes uma religião que adormeça a consciência dos pobres, dos aflitos, assegurando-lhes um futuro feliz; concedei-nos a graça de viver uma religião que se expresse em sagrados compromissos de amor e solidariedade para com nosso próximo, sobretudo os que mais necessitam.

Senhor Jesus, Vós não nos ensinastes a pensar apenas no depois, tanto que destes pães a quem tinha fome, consolastes os aflitos, acolhestes os marginalizados, curastes os doentes e jamais Vos vingastes das rejeições ou ofensas recebidas; ensinai-nos o mesmo fazer no tempo presente.

Senhor Jesus, Vós aos proclamardes que os pobres são bem-aventurados, revelastes que Vosso Pai é sensível à dor e à pobreza da humanidade, e que vem sempre ao encontro dos pobres; fazei-nos sensíveis à pobreza destes e tenhamos a compaixão, como expressão de participação na dor do outro.

Senhor Jesus, Vós nos ensinastes que, viver as bem-aventuranças, é crer no Deus que nos acompanha sempre, cheio de compaixão, não porque méritos tenhamos, mas porque nos ama, dai-nos olhos abertos e capazes de ver o rosto daquele que mais sofre, vivendo assim a religião da compaixão. Amém.


Fonte de inspiração – Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa 2011 – p.314

A vida a partir das pontuações

                                                       


A vida a partir das pontuações

A vida não pode consistir apenas em pontos finais,
Em certezas adquiridas e irremovíveis de nosso eu… é preciso aperfeiçoamento, transformação e renovação constante.

A vida não pode consistir apenas em pontos de exclamação.
Há momentos em que não somos tão encantados, tampouco encantadores.

A vida não pode consistir apenas em pontos de interrogação.
Não suportaríamos tantas incertezas, seríamos condenados à loucura, à instabilidade, a uma situação permanente de inquietação. Tornar-se-ia insuportável. O melhor é aprender a conviver com dúvidas, incertezas e ausência de respostas.

A vida não pode consistir apenas em reticências. 
Ficaria muito para ser dito; muito seria dito sem querer dizer exatamente o que deve ser. Às vezes é melhor ser claro, conciso e dizer apenas o que deve ser dito, sem deixar margens a duplas interpretações; outras vezes é bom despertar o imaginário na expressão da liberdade de pensamento...

De outro lado, a vida não pode consistir na ausência de pontuações. Jamais saberíamos se é hora de dialogar, de calar, de ouvir, de falar. Ausência de pontos impossibilita a percepção se devemos no diálogo prosseguir, na reflexão adentrar. Ausência de ponto, pensamento interrompido, sentimentos não expressados...

Quero aprender a viver cada dia com a pontuação certa, na exata medida, ou bem próximo dela (. ! ? ...).

Por isto… só aqui, não sempre! Bem como a exclamação. Exclamação? Sim apenas uma interrogação e ponto final. Ponto final. Apenas uma vez também, digo duas, permita-me mais um (.).

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG