segunda-feira, 30 de março de 2026

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

                                                  

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

Com este Sermão, o Bispo Santo Agostinho (Séc. V), contemplamos  a Cruz do Senhor, na qual devemos nos gloriar.

“A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência. Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?

Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que Ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que Ele dará a vida aos Seus fiéis, quando já lhes deu até a Sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus? Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.

Quem é Cristo senão Aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus Se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar Sua vida aos mortais. Fez-Se participante de nossa morte para nos tornar participantes da Sua vida.

De fato, assim como os homens, pela Sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também Ele, pela Sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte. Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e d’Ele recebemos a vida.

Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre Si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos. Se Ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da Sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, Ele que é fiel em Suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?

Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.

O Apóstolo Paulo compreendeu bem esse Mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o Seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Retomemos o convite feito pelo Bispo: “Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho”.

Aprendamos com o Apóstolo Paulo: “Quanto a mim, que eu me glorie somente na Cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Vivamos a Semana Santa, a Semana Maior, em que celebramos o imensurável amor de Deus por nós, vivido por Seu Filho, numa fidelidade incondicional, selada pela doação e entrega de Sua própria vida.

Configurados a Cristo Jesus, vivamos também nós o Mistério de Sua Paixão e Morte, para com Ele Ressuscitarmos.

Em poucas palavras... (Semana Santa)

                                               


Derramai a Vossa Misericórdia! 

“Cristo Jesus, salvai-nos e derramai a vossa misericórdia sobre o povo que vive na esperança da Ressurreição; 

– conservai-nos, hoje e sempre, livres de todo o mal.”  (1)

 

 

(1) Prece das Laudes da  Liturgia das Horas

 

Semana Santa: seja nossa fé acompanhada de boas obras (Semana Santa)

                                                   

Semana Santa: seja nossa fé acompanhada de boas obras

Celebremos e vivamos a Semana Santa, tempo forte de silêncio e oração, bem como tempo favorável para revermos como testemunhamos nossa fé e como nos relacionamos com nosso próximo.

Sejamos iluminados pela passagem da Carta de São Tiago (Tg 2, 14-18), a fim de refletirmos sobre a necessária fé operativa, que leva ao compromisso social e comunitário, pois a fé sem obras não serve para nada.

Belos discursos não bastam, é preciso uma bela prática, pois a religião autêntica transparece nos gestos concretos de amor e solidariedade, fraternidade, serviço, partilha, perdão, para que não façamos da religião uma mentira, um engano, uma evasão, um alienar-se de sagrados compromissos.

A mensagem da Carta leva-nos a afirmar que, somente a acolhida aos pobres e a luta pela verdade, justiça e fraternidade, dão conteúdo de veracidade à nossa fé, à nossa prática religiosa.

Também nos convida a refletir sobre a relação que estabelecemos entre a liturgia e a vida, a fé e a vida, evitando qualquer sombra de separação entre ambas.

A fé no Cristo Ressuscitado é autêntica quando se expressa concretamente em ações de solidariedade e misericórdia com nosso próximo, sobretudo no cumprimento do Novo Mandamento que Ele nos deu: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 15,12).

O Senhor é fonte inesgotável de Amor e Perdão (Semana Santa)

                                                            

O Senhor é fonte inesgotável de Amor e Perdão

Retomo as Preces das “Laudes” da Semana Santa, que muito nos ajuda a viver mais intensamente esses dias, em recolhimento e Oração, contemplando a Paixão do Senhor, para celebrarmos com piedade a Sua Morte, assim como Sua gloriosa Ressurreição.

Na Oração se implora a Cristo Salvador, que nos remiu por Sua Morte e Ressurreição; e suplica-se para que Ele tenha piedade de nós!

Urge que nos dirijamos a Ele, que subiu a Jerusalém para sofrer a Paixão, e assim entrar na glória, para conduzir a Sua Igreja à Páscoa da eternidade. 

E a Ele elevado na Cruz, que deixou a lança do soldado traspassar o Seu coração, do qual verteu Água e Sangue, suplicamos a cura de nossas feridas de tantos nomes.

Contemplamos e cremos que Ele transformou o madeiro da Cruz em Árvore da Vida, e por isto a Ele suplicamos que nos conceda os frutos saborosos e abundantes para todos os que renasceram pelo Batismo.

Também, agora, vitorioso, suportando ter sido pregado na Cruz inocentemente, e morto crudelissamamente, ainda encontrou forças para comunicar o perdão ao ladrão arrependido, e a tantos quantos continuam a condená-Lo e crucificá-Lo em todo tempo, e também a nós que pecadores nos reconhecermos.

Contemplemos o Mistério do Amor infinito de Deus por nós e procuremos corresponder cada vez mais com palavras e gestos concretos.

Oremos:

“Ó Deus, que fizestes Vosso Filho padecer o suplício da Cruz para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos Vossos servos e servas, a graça da Ressurreição. Por N. S. J. C. Amém!”

A caridade esforçada de nossas comunidades

                                                  

A caridade esforçada de nossas comunidades 

“Recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 1,3) 

Deste modo, uma comunidade que professa a fé no Senhor deve expressar o amor que se concretize na caridade e na solidariedade, através de seus trabalhos pastorais e ações sociais, empenhando-se em fazer sempre o melhor para Deus e para o próximo. 

    Como discípulos missionários do Senhor, esperar e se comprometer com a Boa-Nova do Reino, tornando o mundo mais justo e fraterno, sem dores e lágrimas,
 estabelecendo novas relações de acolhida, serviço, generosidade, partilha.
 

E é este firme propósito que contemplamos em muitos agentes de pastoral e colaboradores presentes e atuantes em nossas comunidades.

Glorifiquemos a Deus pelos inúmeros trabalhos realizados como a mais bela expressão da caridade fecunda, que brota da fé e dá solidez à nossa esperança. 

Contemos com a presença e proteção do Arcanjo São Miguel no bom combate da fé, e com a Virgem Santíssima, sob o título de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, para que nos abençoe, anime e conduza na inadiável e desafiadora missão de evangelizar.

Semana Santa e Poesia

                                                                 

Semana Santa e Poesia

Celebraremos e vivenciaremos uma rica e abençoada Semana Santa,
Tomemos emprestado o olhar diferenciado dos poetas.
Mas que tem a ver Semana Santa e poesia?

Se considerarmos o olhar de ternura do Senhor,
Ao qual nada escapava, e fluía abundantemente em Suas pregações,
Com exemplos e comparações simples e tocantes;

Se considerarmos o Coração de Jesus,
No qual transbordava o Amor pela vida de cada pessoa,
E a cada um dirigia uma Palavra iluminadora;

Se considerarmos as Palavras ardentes
Que saíram de Seus lábios, como fogo devorador,
Expressão da misericórdia para com o pecador...

Então, não tenho dúvida de que aprenderemos com o Senhor
A mais bela relação entre Semana Santa e poesia,
E, assim, nos tornaremos mais fraternos nesta travessia.

Seguindo atrás de Jesus, com a Cruz às costas,
Com os ramos empunhados nas mãos,
Misericórdia e esperança no coração.

Configurados a Jesus, 
No Mistério de Sua Paixão e Morte na Cruz,
Cruz, que é força na fraqueza, glória na humilhação
E vida na morte.

Com o olhar dos poetas que creem no Mistério da Ressurreição,
Saberemos contemplar a morte do grão de trigo, Jesus Cristo,
Que suportou a morte, para florir e nos saciar com frutos pascais.                    

Com o olhar do poeta e com um coração que em Deus crê
A presença do Ressuscitado, que conosco caminha, sentiremos,
E nosso coração ardente pelo fogo do Espírito ficará, 
e então exultaremos de alegria. Amém. 

Semana Santa: tempo de intensa misericórdia (Semana Santa)

                                                   

Semana Santa: tempo de intensa misericórdia

Vivamos a Semana Santa, chamada de Semana Maior, em que, como Igreja, nos recolheremos em profunda, intensa e fecunda oração.

Oportuno, sempre, rezarmos esta Oração escrita por Santa Faustina Kowalska, que muito nos ajuda na compreensão do que consiste a misericórdia para um cristão, e o que ela exige, para que seja autêntica e agradável a Deus.

Sejamos misericordiosos como o Pai! E somente seremos, se nos configurarmos decididamente a Jesus, que nos revela a Face misericordiosa do Pai, na plena comunhão com o Espírito Santo, o Amor.

Assim rezando e assim vivendo, viveremos a Semana Santa, cada vez mais unidos ao Mistério da Paixão e Morte do Senhor na Cruz, para com Ele também ressuscitarmos.

Oremos:

Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras, nem se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto, aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.

Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço; o meu repouso esteja no serviço ao próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade. Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenho que sofrer.

Vós mesmo mandais que eu me exercite em três graus da misericórdia; primeiro: Ato de misericórdia, de qualquer gênero que seja; segundo: Palavra de misericórdia – se não puder com a ação, então com a palavra; terceiro: Oração. Se não puder demonstrar a misericórdia com a ação nem com a palavra, sempre a posso com a oração. A minha oração pode atingir até onde não posso estar fisicamente.

Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis”. (1)


(1) Oração escrita por Santa Faustina em 1937, e que se encontra em seu Diário (p.163 - Caderno I).

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG