terça-feira, 29 de julho de 2025

Por que sou cristão? (29/07)

                                              



Por que sou cristão?

Anos passados, celebrando a memória de Santa Marta, na Palavra proclamada ouvimos: (1Jo 4,7-16); (Lc 10, 38-42).

Refleti sobre o que vem a ser cristão de fato e, ao longo da homilia, apresentei e aprofundei três respostas:

- Porque o cristianismo é, por excelência, a religião do amor; fundada na fonte inesgotável de amor;

- Porque é a religião da acolhida de Deus na pessoa do outro. Não abstração no relacionamento amoroso com Deus;

- Porque se funda na necessária atitude de intimidade com Jesus, e d’Ele conosco.

Notei que as respostas nos remetiam a três “As”:
Amor; Acolhida; Amizade!

No término da Missa, ouvindo o canto pós-comunhão “Tarde Te amei”, inspirado nas Confissões de Santo Agostinho, relembrando outra passagem do Evangelho que nos fala de Marta, quando da morte de seu irmão Lázaro (João 11, 1-45), completei minhas respostas, acenando para mais dois “as”:

- Amor é a essência da fé cristã;
- Acolhida de Deus no outro;
- Amizade com o Senhor;
- Acreditar na força e poder de Deus;
- Arder pela paz que só Deus pode nos dar!

Busquemos outras possíveis respostas, para que sejamos cristãos de fato, vivendo o que é essencial e irrenunciável: amor, acolhida, amizade, o acreditar e o arder pela paz divina, para que no mundo sejamos sal, fermento e luz. Coloquemo-nos, sem medo, em tal atitude. 

Respostas encontradas nos pedem vivência; a vivência, por sua vez, nos levará, necessariamente, ao testemunho; o testemunho, enfim, tornar-se-á semente de novos cristãos, aurora de um mundo novo. 

O Cristianismo carrega em si o germe de um mundo novo: O Reino! 

Recuperemos o “fôlego” (29/07)

                                                             

Recuperemos o “fôlego”

Celebramos a Memória dos Santos Marta, Maria e Lázaro no dia 29 de julho, e ouvimos a passagem do Evangelho (Lc 10,38-42), em que Jesus vai à sua casa e de seus irmãos, Maria e Lázaro.

A cena é conhecida: Maria acolhe Jesus e se assenta aos Seus pés, para escutar o amigo e Divino Mestre, escolhendo a melhor parte que não lhe será tirada, garantiu o Senhor; de outro lado, vemos Marta agitada, inquieta, de certo modo até advertindo Aquele que havia recebido como hóspede.

Marta ainda não havia compreendido, e com ela pudemos aprender, que a atenção prestada ao Senhor não nos afasta da vida, mas ao contrário: “confere ao nosso viver um fôlego maior”. 

Ela é, na exata medida, cada um de nós esgotados, estressados pelo muito a fazer, sem parar diante do Senhor, privando-nos do essencial: o tempo da oração, e o maior de todos os momentos, o Banquete da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã.

A atitude de Maria nos convida a contemplar tantas pessoas muito ativas que, embora no meio de muitas ocupações, vivem interiormente em profunda paz, numa contemplação secreta, com o coração unido ao Senhor, porque assíduos na participação do Banquete da Eucaristia, ouvem e conduzem sua vida pela Palavra proclamada, ouvida, acolhida e na vida em prática colocada, com a força do Espírito que nos assiste e nos conduz.

São tantas as pessoas que no viver a fé, dando razão da esperança e na prática da caridade, fazem tudo o que devem fazer, não num desapego artificial das coisas, mas com a plena tranquilidade de quem, mesmo nos serviços mais abrangentes, ama o Senhor e O serve no próximo.

Recuperemos o “fôlego”, assentando-nos aos pés do Senhor. Ele não apenas quer ser acolhido, mas quer nos dirigir Sua Palavra, que nos reorienta, revigora, e dá um sentido ao nosso existir, pois com Ele, e somente com Ele, fazemos bem e melhor todas as coisas.

Recuperemos o “fôlego”, acolhamos o sopro do Espírito para que não esmoreçamos na missão que o Senhor nos confia, vivendo com zelo, amor e alegria, pois somente quem para diante do Senhor é capaz de ir bem mais longe, até que alcance o fim desejado, a eternidade, e a contemplação definitiva de Sua face.

Por ora, é tempo de recuperar o “fôlego”...


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado - Ed Paulus - Lisboa Portugal - p.769.

Santa Marta, Maria e Lázaro: amigos do Senhor (29/07)

                                                               

Santa Marta, Maria e Lázaro: amigos do Senhor

Com a celebração da Memória dos Santos Marta, Maria e Lázaro no dia 29 de julho, somos enriquecidos pelo Sermão São Gregório Magno (séc. VI), Papa e Doutor da Igreja, sobre o Livro do Profeta Ezequiel, que nos ajuda a refletir o sentido de uma vida ativa e contemplativa.

“A vida ativa consiste em dar pão ao faminto, ensinar a sabedoria ao ignorante, corrigir ao que erra, reconduzir o soberbo ao caminho da humildade, cuidar do enfermo, proporcionar a cada qual o que lhe convém e prover os meios de subsistência aos que nos foram confiados.

A vida contemplativa, porém, consiste, é verdade, em manter com toda a alma a caridade de Deus e do próximo, mas abstendo-se de toda atividade exterior e deixando-se invadir somente pelo desejo do Criador, de modo que já não encontre atrativo em atuar, porém, descartada qualquer outra preocupação, a alma arda em desejos de ver a face de seu Criador, até o ponto de que começa a suportar com fastio o peso da carne corruptível e aspirar com todo o dinamismo do desejo unir-se aos coros angélicos que entoam hinos, confundir-se entre os cidadãos do céu e gozar na presença de Deus da eterna incorrupção.

Um bom modelo destes dois tipos de vida foram aquelas duas mulheres, a saber, Marta e Maria, das quais uma se desdobrava para dar conta do serviço, enquanto a outra, sentada aos pés do Senhor, escutava as palavras de Sua boca.

Como Marta se queixa de que sua irmã não se preocupava de ajudá-la, o Senhor lhe contestou: 'Marta: anda inquieta e nervosa com muitas coisas; mas somente uma é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e não lhe será tirada'.

Observa que não se reprova a parte de Marta, mas se louva a de Maria. Nem se limita a dizer que Maria escolheu a boa parte, mas a parte melhor, para indicar que também a parte de Marta era boa. E porque a parte de Maria seja a melhor, o destaca na continuação, dizendo: 'E não lhe será tirada'.

De fato, a vida ativa acaba com a morte. Pois quem pode dar pão ao faminto na pátria eterna, na qual ninguém terá fome? Quem pode dar de beber ao sedento, se ninguém tem sede? Quem pode enterrar os mortos, se ninguém morre?

Portanto, enquanto que a vida ativa acaba neste mundo, a vida contemplativa, iniciada aqui, aperfeiçoa-se na pátria celestial, pois o fogo do amor que aqui começa a arder, à vista do Amado, ainda se aviva em Seu amor.

Assim, a vida contemplativa não cessará jamais, pois alcança precisamente sua perfeição ao apagar-se a luz do mundo atual”. (1)

Oremos:

Senhor, que eu não entenda Tuas palavras dirigidas a Marta, como menosprezo pelo cuidado dos que acolhemos ou convivemos.

Senhor, vos peço, que não me permitais que me deixe enganar pelo falso enunciado de um princípio que estabelece a hierarquia entre “ação” e “contemplação”.

Senhor, que eu reconheça e valorize a riqueza das vocações e estados da vida religiosa ativa e contemplativa.

Senhor, que eu tenha como prioridade absoluta a escuta da Palavra, recuperando o fôlego e coragem para fazer novas e com amor todas as coisas, com sabedoria fazer as renúncias necessárias.

Senhor, que eu me assente regularmente aos Teus pés, como discípulo missionário, atento à Tua Palavra, para colocá-la em prática em meio às muitas ocupações da vida, na expressão de amor e serviço ao próximo.

Senhor, que nada, absolutamente nada (cansaço, doença, preocupações...), me impeça deste acolhimento vital e necessário, servindo a Ti, como primeiro, e depois Te servir concretamente na pessoa do irmão.

Senhor, sentado aos Teus pés, como Maria, a irmã de Marta, tenhamos o coração inflamado pelo Teu amor, como fizeste aos discípulos de Emaús, e por esta Palavra, nos deixemos iluminar e conduzir, até que um dia Te contemplemos, face a face, na glória de Deus Pai, na plena comunhão com Teu Espírito. Amém. (2)


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes, 2013 – pp. 677-678
(2) Fonte inspiradora da Oração: Missal Dominical – Editora Paulus – Lisboa – p.1632. 

Silenciemo-nos para escutar o Senhor (29/07)

                                                                 

Silenciemo-nos para escutar o Senhor

Retomemos a passagem em que Jesus visita a casa de Marta e Maria (Lc 10, 38-42), mas fixando-nos no versículo 39:

“E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a Sua Palavra”.

Maria assentada aos pés do Senhor...
Sim, Maria pôs-se diante de Jesus, Aquele que é muito mais do que os patriarcas, reis, profetas. Maria sabe que Ele é mais que todos porque O conhece e n’Ele acredita.

Maria sabia que estava diante de Jesus, o próprio Filho de Deus que Se fez homem e veio habitar no meio de nós para nos dar toda sorte de bênçãos e graças que vêm do próprio Deus.

Ela sabia também que estava diante d’Aquele que nos revela o Pai e o Seu plano de amor; e que o Espírito pousava sobre Ele; Espírito que, mais tarde, comunicaria aos Seus discípulos reunidos; mas antes haveria de passar pela morte e Ressuscitar.

Maria estava diante d’Aquele que nos enviaria em missão, para que  todas as pessoas  pudessem, conhecê-Lo, e também serem agraciadas pelo melhor que Ele com o Pai e o Espírito têm a nos conceder e, de modo sublime, Sua graça, paz, luz e amor.

Quais eram as palavras que Jesus dirigia à Sua amiga Maria, irmã de Marta e de Lázaro, também Seus amigos?

Em nenhum texto bíblico encontramos estas palavras, mas mergulhados em oração, podemos ensaiar algumas respostas...

Falava-lhe de Sua Missão de inaugurar o Reino de Deus, Reino de amor, verdade, justiça, liberdade e paz, com Sua Boa-Nova a ser anunciada, acolhida e vivida por toda a humanidade.

Falava-lhe da formação dos Seus discípulos, pelos quais nutria grande preocupação e amor, pois seriam eles, não obstante seus limites e imperfeições, que levariam adiante a missão por Ele confiada, e não tinha outro plano caso viessem a falhar, mas bem sabia que não falhariam, pois as portas do inferno não prevaleceriam contra Sua Igreja...

Reflitamos: 

Qual é a Palavra que o Senhor tem a nos dizer hoje, se escolhermos a melhor parte, como fez Maria, se nos assentarmos aos Seus pés para escutá-Lo, pois afinal, somente Ele tem palavras de vida eterna, como expressou o Apóstolo Pedro?

Caminhemos com serenidade! (29/07)

                                                         

Caminhemos com serenidade!

MartaMarta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas.
Uma só é necessária. Foi Maria quem escolheu a melhor
parte: ela não lhe será tirada.”(Lc 10, 41)

Os acontecimentos do cotidiano são tantos que trefegamos por vezes;
Trafegamos entre eles, procurando a melhor direção, superação...

As lágrimas do pranto, da partida de quem se ama, a saudade anunciada,
Trêfegos ficamos, como que sem expectativa de um novo amanhecer.

Trafegamos na Palavra, mergulhamos nela, procuramos um alento,
Um abraço, um ombro, para reerguimento, para que a dor seja levada pelo vento.

Trêfego pela falta do tempo necessário para o muito fazer,
Trafegando sem fôlego entre uma atividade e outra, sôfrego...

A pós-modernidade, com a impressionante mudança de época,
Nela trêfegos também ficamos, incertos, vorazes de segurança...

Mudança de época, trafegar entre as novidades que se multiplicam,
Sem perder a certeza e convicção das verdades que são eternas.

Sôfregos ficamos, porque por vezes acorrentados pelas trevas do erro,
Mais felizes seríamos se trafegássemos sob a luz da Verdade.

Trêfegos porque nos inquietamos por tantas coisas,
Quando tão apenas uma é necessária, e Maria soube escolher.

Trêfegos, aprendamos com Maria aos pés do Senhor se assentar,
 para a Voz do Amado Jesus, suavemente ouvir, forças renovar.

Não mais trefegamos como Marta, mas com o coração sereno,
Porque também soubemos parar, a alma em repouso colocar...

Façamos nossas as palavras do Bispo Santo Agostinho:
“Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti.”

Sigamos trafegando entre os acontecimentos, sempre iluminados
Pela Divina Palavra, menos trêfegos, mais serenos.

Que nosso coração no Senhor encontre a paz. Amém.

Em poucas palavras... (29/07)

                                                 


Contemplativos na ação e ativos na contemplação 

Na autêntica e fecunda espiritualidade cristã, precisamos promover a integração, harmonia e equilíbrio entre as duas atitudes (escuta e serviço): “contemplativos na ação” e “ativos na contemplação”.  

Bem afirmou Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti.” Amém.


PS: Passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 10,38-42)

Contemplação e ação (29/07)

                                                            

Contemplação e ação

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Lc 10,38-42), sobre a hospitalidade e o acolhimento.

O verdadeiro encontro com Jesus, acompanhado da escuta de Sua Palavra, dará o real sentido e vigor para nossa ação e missão.  

A “escuta” de Sua Palavra torna-se o ponto de partida, e nos projeta para novos compromissos, colocando-nos em perfeita sintonia com a vontade de Deus.

Esta passagem, em que Jesus visita a casa de Marta e Maria, não tem propósito para acentuar a oposição que se faz entre ação e contemplação, antes se trata de uma advertência para que não caiamos num ativismo desenfreado que nos esgote levando ao vazio, e nem tão pouco caiamos num espiritualismo sem compromissos concretos de solidariedade para com o próximo.

É preciso dar tempo à Oração, ao silêncio e à escuta do que Deus tem a nos dizer: é preciso ter ouvidos e coração de Maria, e mãos de Marta, para que assim façamos melhor a vontade de Deus.

É preciso que aprendamos e reaprendamos a sentar aos pés do Senhor, pois somente Ele tem Palavra de Vida Eterna.

Escutar o Senhor nos reenvia diferenciados para a vida cotidiana, para o muito fazer. Somente enraizados, vivificados n’Ele é que frutos de vida eterna produziremos (Jo 15). Somente com a linfa vital do Seu Amor é que tornaremos a vida mais bela e fraterna.

Reflitamos:

- O que Marta e Maria nos ensinam para que tenhamos maior fidelidade ao Senhor, no testemunho de uma fé autêntica?

- Qual a acolhida que Deus encontra em nosso coração?
- Qual o tempo que dedicamos à escuta de Sua Palavra?

- Quanto somos capazes de sofrer por amor à Igreja, completando em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja?

Urge que aprendamos a parar e nos assentarmos aos pés do Senhor para O acolhermos, e consequentemente a Sua Palavra, que nos renova e revigora, prolongando-a no cotidiano, pois somente assim celebraremos e viveremos uma autêntica Eucaristia.

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