terça-feira, 8 de setembro de 2026
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Escrever é entrar na alma do outro, e não se pode fazê-lo sem responsabilidade. Entrar na alma, na mente e no coração do outro... Ainda que muito forte, que seja assim.
Sei que para escrever é preciso ler, e com o tempo fui aprendendo que é preciso também dialogar, e o mais difícil, escutar, e mais difícil ainda, a autocrítica, o aperfeiçoamento, a intuição, a captação dos sinais ao nosso redor, esforço e, sobretudo, a abertura à Inspiração Divina. Sem ela...
Escrever é dar ao outro o melhor que possuímos, acolhendo o que ele tem a dizer, criando relações de reciprocidade, vínculos fraternos, numa sadia e edificante comunicação que liberta mutuamente, e em minhas limitações sempre escrevo com o viés da espiritualidade, como não poderia deixar de ser.
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Escreveria e aprofundaria a seríssima questão do Egito e outros tantos conflitos, mas desejo que lá ou em qualquer lugar os povos aprendam a viver na concórdia, em relações fraternas e democráticas, onde nenhum governo despótico, tirânico tenha algum quê de sobrevivência, apenas remota lembrança de um passado, alegria de uma página que para sempre foi virada...
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Falaria da criminalidade nos morros, das drogas, do tráfico... Expressaria meu desejo e sonho (que ao de muitos se somam) de que um dia, em paz, haveremos de viver, e a vida não mais ameaçada, banalizada, destruída o será.
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Escreveria sobre amigos virtuais, aqueles a quem não esqueço jamais, dos amigos espirituais, amigos para sempre, amigos geniais, aqueles sempre presentes, ainda que não correspondamos à altura.
Escreveria sobre a amizade que estabeleço com amigos leitores e leitores amigos (qual a diferença?) enriquecendo-me com seus retornos, desde que se abra a possibilidade para tal.
Vida corrida, tempo limitado, amizades que se eternizam vivendo da memória do belo construído um dia no passado, que para sempre no coração ficarão eternizadas.
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Escreveria e partilharia reflexões que fiz sobre os escritos de São João da Cruz, diga-se, textos excepcionais, de riquezas profundas, que tocam o fundo da alma, porque tão belos e espirituais (Subida do Monte Carmelo, Noite Escura, Cântico Espiritual, Chama Viva de Amor etc.)
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Escreveria sobre Edgar Morin e sua colaboração antropológica que, superando todo “antropologismo” e “biologismo”, nos coloca em frente ao grande desafio de o homem compreender, procurando tomar consciência do fio da história (quem sabe um dia falo dele e de um livro seu, “O paradigma perdido - a natureza humana”, que leio e releio por que me ajuda a compreender um pouco mais o homem, que ele bem define como “sapiens” e “demens”).
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Possibilitaria ao leitor entender um pouco como sobre a mente daquele que escreve... Um emaranhado de ideias, um feixe com interconexões. Além da necessidade de escrever, a necessidade de dar conteúdo e base ao que se escreve e o necessário tempo para elaborar suas ideias ou para simplesmente expressá-las.
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Acredito que o tempo somos nós que fazemos.
E assim, aos poucos vou pagando minhas dívidas.
Ainda há tempo, exíguo, mas há...
O leitor merece o melhor, ainda que não consiga, tento...
Ah, se mais tempo eu tivesse...
Em poucas palavras...
A mais perfeita das orações
“A Oração Dominical é a mais perfeita das orações... Nela, não só pedimos tudo quanto podemos desejar corretamente, mas ainda segundo a ordem em que convém desejá-lo. De modo que esta oração não só ensina a pedir, mas ordena também todos os nossos afetos”. (1)
(1)Santo Tomás de Aquino - Cf. Catecismo da Igreja Católica - n. 2763
Em poucas palavras...
A Fraternidade Humana
“A Fraternidade leva-nos a abrirmo-nos ao Pai de todos e a ver no outro um irmão, uma irmã tá bom a glicar não,,?com quem partilhar a vida ou apoiar-se mutuamente para amar, para conhecer” (1)
(1)Papa Francisco – motivação para a Celebração do 1º Dia Internacional da Fraternidade Humana – 4 de fevereiro de 2021
Contemplo-Te...
Contemplo-Te...
Desde a concepção no ventre de Maria,
Quando ela deu aquele inesquecível sim,
Que mudou o rumo da história da humanidade.
Contemplo-Te não apenas revestido de carne,
Pois assumiste nossa condição: tiveste corpo verdadeiro,
Tornaste verdadeiramente homem e ao mesmo tempo
Sendo, eu creio com minha Igreja, verdadeiramente Deus.
Contemplo-Te assumindo nossa condição humana,
Fazendo-Se um de nós, exatamente como nós,
Exceto por não conhecer o pecado que gera morte,
Por isto vieste destruí-lo com Sua vida, morte e Ressurreição.
Contemplo Teu coração tão pleno de divinos sentimentos,
Sentimentos que também devemos ter, para imagem Sua ser.
Emoções tantas que sentiste, porque Te fizeste homem,
E emoções tantas que também assumimos, sentimos.
Contemplo-Te homem das paixões múltiplas
Pelos pobres, pequenos, sofredores, excluídos;
Paixão maior, imensurável e indizível, que revelaste
Por Palavras e obras, vida e entrega: de Deus o Reino.
Contemplo-Te homem de tantas ânsias e sonhos
De um mundo mais belo, mais fraterno e solidário,
Mais perto, muito mais do que perto do querido por Deus,
Que em incondicional fidelidade ao Pai com o Espírito realizou.
Contemplo-Te homem que suportaste tantas dores,
Incontáveis humilhações da maldade, ignorância humana.
Também enfrentaste o próprio medo, angústia e solidão,
Mas no Pai confiante, jamais infidelidade, abandono e decepção.
Contemplo-Te sempre envolvido nos planos e sonhos do Pai.
Contemplo-Te numa relação vitoriosa e eterna de Amor
Com o Pai e o Espírito, Rei Eterno e Universal glorioso,
Sobre o mundo e o coração da humanidade reinando!
Contemplo-Te tão apenas me amando e perdoando.
Contemplo-Te, Senhor, envolto na Oração, por Ti iluminado.
Sinto Tua presença, escuto Tuas Palavras, silencio,
Renovo minha fidelidade, vocação, graça e dom divino.
Contemplo-Te, ouço-Te, amo-Te.
Ouço-Te, contemplo-Te, amo-Te.
Amo-Te, por isto Te contemplo, Te ouço,
E Tua presença, carinho e ternura sinto.
Contemplo-Te, ó meu Amado Bom Pastor!
Um olhar que transcende a morte
Um olhar que transcende a morte
A fé nos concede um olhar
que transcende até a própria morte!
Quem tem fé torna-se possuidor de novos olhares, e mais que novos, preciosíssimos olhares da fé, da esperança e da caridade.
O olhar da fé contempla a linha do horizonte da morte e a transcende, alavancado pela esperança da imortalidade daqueles que no tempo presente viveram a caridade.
A morte ganha com isto uma densidade de epílogo do presente, antecipando o que será o futuro, o desfecho final: a continuidade do que se vive no presente, mas com maior intensidade, porque é entrada e mergulho na plenitude do amor de Deus: Céu!
A tragicidade da morte nos é confortada com a certeza de que ela não se encerra em si mesma. Não é ponto final, mas um recomeço em novas páginas, num outro Livro, para quem não teve medo de escrever neste livro provisório páginas memoráveis.
Aqueles que moveram sua vida pela caridade, asseguram o transpassar da provisoriedade existencial, que pode ter durado dias, semanas, alguns anos ou um pouco mais. Souberam com a tinta do Espírito, que é a tinta do amor, escrever seu livro, sua história e nos deixa uma rica memória. Um livro a ser relido e relembrado para sempre.
Para alguns, quem parte foi pai, para outros, irmão e para muitos uma segurança, sendo possuidor da palavra certa na hora certa, como um porto seguro nas águas agitadas do mar da vida, como possam parecer alguns momentos de nossa vida.
Reacenda em nós a chama da fé na imortalidade, alcançada por aqueles que por Cristo viveram, por Ele morreram e d’Ele se nutriram no Pão da Eucaristia. Quem d’Ele se alimentou não morre para sempre:
“Ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos, se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos” (Rm 14,7-9).
De Deus viemos,
n’Ele nos movemos e somos e para
Ele voltamos, porque a Ele pertencemos.
Amém.
O Senhor nos chama e nos envia em missão
O Senhor nos chama e nos envia em missão
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,12-19), em que Jesus escolhe os doze apóstolos depois uma noite toda em oração.
Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Cotidiano:
“Uma coisa é certa: Cristo é um amor que acende o fogo na terra. Se a fé é um movimento secreto e oculto que se liga ao primeiro Pentecostes, é também uma luz para os homens e os filósofos.
O cristão, por seu amor a Cristo e aos irmãos, é chamado a tornar-se um inegável fermento de fraternidade, comunhão e participação para toda a humanidade”.
O cristão, por seu amor a Cristo e aos irmãos, é chamado a tornar-se um inegável fermento de fraternidade, comunhão e participação para toda a humanidade”.
Deus, por meio de Seu Filho, escolheu a quem Ele bem quis: chama-nos pelo nome, confia-nos uma missão. Jamais pelos nossos méritos, pelo contrário, até mesmo porque não temos nenhum.
Ele não nos chama por sermos perfeitos, paradoxalmente, chama-nos até por causa da ausência de nossa perfeição, e assim manifesta Sua misericórdia e Seu ardente poder transformador.
É próprio do Amor de Deus nos amar para nos fazer melhores, mais conforme à Sua imagem. Deste modo é preciso:
- sentirmo-nos enraizados em Cristo Jesus, e também n’Ele edificados, apoiando-nos na fé que nos foi ensinada, transmitida, como uma pequena e maravilhosa semente no coração plantada, para frutos abundantes produzir;
- participar, colaborar, continuar a Missão do Divino Redentor, contando com Sua presença, força e o Espírito Santo, em total fidelidade ao Pai;
- sonhar e se comprometer com um mundo novo, sem miséria, violência, injustiça, impunidade, discriminação; sem a vida ser diminuída pela perda da dignidade e sacralidade, como bem a Igreja nos ensina, desde a concepção até o seu mais belo e inevitável declínio natural de todos nós;
- contar com a Divina Força da Palavra e da Eucaristia, que nos revigora, ilumina, impulsiona, horizontes novos nos possibilita;
- sentir o “Fogo do Amor” de Cristo aceso em nosso coração;
- contemplar o Fogo de Pentecostes vindo sempre ao nosso encontro, irradiando a chama ardente da caridade, para que reiniciemos sempre um novo caminho de diálogo, comunhão, amor e serviço em incansável participação na construção do Reino de Deus;
- poder fermentar com palavras e ações um novo tempo, deixando-nos transformar pela Boa Nova do Reino de Deus;
Como é maravilhoso ser uma Igreja que rejuvenesce com a Santa Palavra, confiante na presença do Senhor que acendeu em nós fogo do Seu amor, com o envio do Seu Espírito, junto do Pai!
A oração e o discipulado
A oração e o discipulado
“Naqueles dias, Jesus foi à montanha para orar e passou a noite inteira em Oração a Deus. Depois que amanheceu, chamou os discípulos e dentre eles escolheu doze, aos quais deu o nome de Apóstolos” (Lc 6,12-13).
O Verbo, na montanha, passou a noite inteira em Oração, e ao amanhecer chama os Seus. Lá estava também o Espírito, como elo de Amor, comunicação do Pai e do Filho.
Montanha, lugar da manifestação do Deus, que é diálogo, discernimento, intimidade, recolhimento; lugar da comunicação, da abertura, da proximidade, Palavra de Luz para todo momento.
Planície, lugar aonde Jesus e os Seus escolhidos desceram, para levar a Palavra, cura, libertação, paz, vida nova e alegria; sinais do Reino que se anuncia, que a tudo se renuncia, no fiel seguimento, inaugurando um novo dia; lugar para o qual Jesus e os Seus escolhidos desceram, para proclamar ao mundo o Projeto das Bem-Aventuranças, Caminho da plena felicidade, que se contrapõe aos planos de uma velha humanidade.
Aprendamos com aqueles que descobriram a vitalidade da Oração, não como evasão do tempo presente, mas como inserção no mesmo.
Na Escola do Divino Mestre, temos muito a aprender com aqueles que fizeram da Oração o alimento indispensável da existência, lâmpada para a escuridão da noite, estrela que se vislumbra em cada amanhecer até o escurecer.
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