domingo, 6 de setembro de 2026
Vivamos a caridade, a plenitude da Lei! (XXIIIDTCA) (1)
Vivamos a caridade, a plenitude da Lei (XXIIIDTCA) (2)
Vivamos a caridade, a plenitude da Lei
Sejamos enriquecidos pelos escritos do Papa São Gregório Magno (séc. VI) sobre o Jó, e assim, aprofundemos sobre a Lei do Senhor, que é múltipla.
“Nesta passagem, o que se deve entender por lei de Deus a não ser a caridade? Pois por meio dela sempre se pode encontrar na mente como traduzir na prática os preceitos de Deus. Sobre esta lei de Deus, é dito pela palavra da Verdade: Este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros. Desta lei fala Paulo: A plenitude da lei é o amor. E ainda: Carregai os fardos uns dos outros e cumprireis assim a lei de Cristo. O que de melhor se pode entender por lei de Cristo senão a caridade, vivida na perfeição, quando suportamos os fardos dos irmãos por amor?
No entanto, esta mesma lei pode-se dizer ser múltipla, porque com zelosa solicitude a caridade se estende a todas as ações virtuosas.
Começando por dois preceitos, ela vai atingir muitos outros. Paulo soube enumerar a multiplicidade desta lei ao dizer: A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não se ensoberbece, não age mal; não é ambiciosa, não busca o que é seu, não se irrita, não pensa mal, não se alegra com a iniquidade, mas rejubila com a verdade.
Na verdade, é paciente a caridade, pois tolera com serenidade as afrontas recebidas. É benigna porque retribui os males com bens generosos. Não é invejosa porque, nada cobiçando neste mundo, não tem por onde invejar os êxitos terrenos. Não se ensoberbece; deseja ansiosamente a retribuição interior, por isso não se exalta com os bens exteriores. Não age mal, pois somente se dilata com o amor a Deus e ao próximo, por isto ignora tudo quanto se afasta da retidão.
Não é ambiciosa porque, cuidando ardentemente de si no íntimo, não cobiça fora, de modo algum, as coisas alheias. Não busca o que é seu, pois tudo quanto possui aqui considera-o transitório e alheio, sabendo que nada lhe é próprio a não ser aquilo que permanece sempre com ela.
Não se irrita, pois, quando insultada, não se deixa levar por sentimento de vingança, já que por grandes trabalhos espera prêmios ainda maiores. Não pensa mal, porque, firmando o espírito no amor da pureza, arranca pela raiz todo ódio e não admite na alma mancha nenhuma.
Não se alegra com a iniquidade: o seu único anseio consiste no amor para com todos sem se alegrar com a perda dos adversários. Rejubila, porém, com a verdade porque, amando os outros como a si próprio, enche-se de gozo ao ver neles o que é reto como se se tratasse do progresso próprio. É múltipla, portanto, a lei de Deus.” (1)
De fato, a Lei do Senhor é múltipla, e a vivência do amor se expressa de múltiplas formas, como nos fala a Carta de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 13,1-13).
Vivamos a caridade, a plenitude da Lei! (XXIIIDTCA) (3)
Em nossa experiência cristã, somente o amor é essencial, e as demais coisas são secundárias:
O Perdão Divino cura as feridas de nosso pecado (XXIIIDTCA)
Tendo oportunidade, como nos ensina a Igreja e a fé que professamos, procuremos um Presbítero para uma frutuosa confissão de nossos pecados.
O pecado nos fragiliza, o perdão nos cura e renova.
Reconheçamos, pois, nossa condição pecadora!
A necessária reconciliação (XXIIIDTCA)
A necessária reconciliação
“Não descanse se não te reconciliaste com o teu irmão”
Sejamos enriquecidos pelos escritos de Santo Isidoro de Sevilha, Doutor da Igreja (séc. VII), sobre a reconciliação.
“Dá satisfação ao teu irmão se o contristar em alguma coisa. Arrepende-te em sua presença se pecares contra ele; e se ofendeste alguém, torna-o favorável com tua súplica. Corre velozmente para a reconciliação por tua ofensa e pede com prontidão o perdão necessário...
Não durmas se não voltaste a ficar em paz, não descanse se não te reconciliaste com o teu irmão. Chama-lhe com rapidíssimo afeto de dileção. Faz-lhe voltar à graça com humildade; prostra-se diante dele com vontade submissa e com espírito suplicante pede-lhe perdão...
Concede de boa vontade o perdão a quem te peça, como tua indulgência a quem a solicite; despede com suavidade e abraça imediatamente aquele que se reconcilia contigo. Ao que volta a ti, recebe-o prontamente com benigna caridade. Perdoa, para que se perdoe a ti; desculpa, para que sejas desculpado.
Não te portes com aquele que peca contra ti segundo a sua culpa, sabendo que também contra ti acontecerá o juízo, e não te concederá indulgência se não a deste. E se ele não te suplica, se não pede que se lhe perdoe, se não sofre a humilhação do pedido, se não reconhece seu pecado devido a sua má consciência, tu cedes de coração, perdoa de boa vontade, sê graciosamente indulgente, e concede o perdão por tua própria vontade...
Não guardes dor em teu coração, nem a reproduzas em teu espírito; tira de ti a ofensa fraterna e não conserves mal-estar pela maldade alheia. Porque o ódio separa o homem do Reino de Deus, lhe afasta do céu, lhe precipita do paraíso, não se apaga com sofrimentos, nem se expia com o martírio, nem desaparece com derramamento de sangue.”
Oportuna a reflexão para nos ajudar nas reconciliações necessárias, dentro ou fora dos espaços da comunidade.
Voltemo-nos para as palavras do Senhor no Evangelho de Mateus (Mt 5,23-24):
“Portanto, se estiveres para trazer a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e depois virás apresentar a tua oferta”
Concluindo, ressoe em nosso coração também as palavras do Apóstolo Paulo aos Efésios:
“Não pequeis. Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento. Não vos exponhais ao diabo.” (Ef 4,26-27).
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pág. 209
Perdão vivido, expressão de maturidade cristã (XXIIIDTCA)
Perdão vivido, expressão de maturidade cristã
Assim rezamos na Oração que o Senhor nos ensinou: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Sejamos enriquecidos pelos parágrafos 2842-2845 do Catecismo da Igreja Católica sobre esta súplica.
Este “como”, assim lemos, “não é único no ensinamento de Jesus”. Vejamos outros:
- “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48);
- “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36);
- “Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13, 34).
Observar o mandamento do Senhor é impossível, quando se trata de imitar, do exterior, o modelo divino.
Isto somente se torna possível quando se tratar de uma participação vital, vinda “do fundo do coração”, na santidade, na misericórdia e no amor do nosso Deus.
Tendo de Jesus os mesmos sentimentos (Fl 2,1.5), podemos perdoar-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo (Ef 4, 32), pois para o Senhor, o perdão é o amor que ama até ao extremo do amor (Jo 13,1).
A parábola do servo desapiedado conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial, termina com estas palavras: “Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração” (cf. Mt 18,23-35).
De fato, é “no fundo do coração”, que tudo se ata e desata, e deste modo, não se encontra em nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão.
O perdão estende-se até aos inimigos (Mt 5,43-44), e quando vivido, transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre.
O perdão é o cume da oração cristã, e dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina.
Perdão vivido é “...testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação ((2 Cor 5,18-21) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si”.
Quanto ao limite e medida para o perdão, não existem, pois reflete o perdão divino, que é ilimitado e imensurável; de modo que somos eternos devedores do amor de uns para com os outros, como nos falou o Apóstolo Paulo aos Romanos (Rm 13,8), e a comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (1Jo 3,19-24), que por sua vez, é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (Mt 5,23-24).
O Catecismo conclui citando São Cipriano, bispo e mártir do séc. III:
“Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
Concluindo, é sempre tempo de perdoar e ser perdoado, e tão somente, podemos perdoar o outro, porque antes, amados e perdoados por Deus o fomos, de modo ilimitado e imensurável.
Perdão assim vivido, fará com que cresçamos na maturidade cristã, e contribui para a construção de relações mais fraternas e partícipes da cultura da paz, pois assim nos falou o Senhor Jesus: – “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).
Uma conversa hipotética e interminável...
a não ser de ajudar a crescer e amadurecer
no que há de essencial do cristianismo: Amar!
Livre pensar para evangelicamente amar!
— “O amor é a plenitude da lei” e “O amor jamais passará”
E uma terceira, se também eu puder pedir:
por que o amor é indizível!






