mas vigiemos e sejamos sóbrios.
Quem dorme, dorme de noite;
Nós, pelo contrário, que somos do dia,
sejamos sóbrios, revestidos da couraça da fé e da caridade,
e do capacete da esperança da Salvação" (1 Ts 5,6-8).
A salvação para todos os povos
“Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel (Mt 10,5-7), este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações (Mt 8,11; 28,19). Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus:
«A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo: aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo, já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe» (LG 5).”
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 543
Orar e realizar a vontade divina
“É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus (Rm 12,2; Ef 5,17) e obter perseverança para a cumprir (Hb 10,36).
Jesus ensina-nos que se entra no Reino dos céus, não por palavras, mas «fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mt 7, 21).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2826
Vivificados pelo Espírito
Sejamos enriquecidos pelo Sermão de Teodoro de Mopsuéstia (séc. V):
“Porém, é notável que ao dar o pão Ele não dissesse: ‘Isto é a figura de meu corpo’, mas: Este é o meu corpo; e da mesma maneira o cálice, não diz: ‘Isto é a figura do meu sangue’, mas: Este é o meu sangue; porque ele quis que tendo estes (o pão e o cálice) recebido a graça e a vinda do Espírito Santo, não apreciemos mais a sua natureza, mas o recebamos como o corpo e o sangue que são de nosso Senhor.
Pois o corpo de nosso Senhor também não teve, por sua própria natureza, a imortalidade e o (poder de) dar a imortalidade, mas foi o Espírito Santo que a deu, e pela ressurreição dentre os mortos recebeu a conjunção com a natureza divina, veio a ser imortal e causa de imortalidade para os demais.
Portanto, tendo dito nosso Senhor: Aquele que come o meu corpo e bebe o meu sangue viverá eternamente, quando viu aos judeus murmurarem e duvidarem desta palavra – pensando que por meio de uma carne mortal não é possível receber a imortalidade –, acrescentou para prontamente resolver a dúvida: Se virdes ao Filho do homem subir para onde estava antes, como se dissesse: ‘Agora isto não vos parece certo porque disse isto de meu corpo; porém, quando me verdes ressuscitado dentre os mortos e subir ao céu, certamente não se poderá mais ter por dura e estranha esta palavra; porque pelos próprios fatos vos convencereis de que passei para uma natureza imortal; se eu não estivesse nela, eu não subiria ao céu’.
E para indicar de onde lhe virá isto, acrescenta em seguida: O Espírito vivifica, porém o corpo de nada serve. Isto, ele diz, lhe virá pela natureza do Espírito vivificante, pela qual ele será transformado para este (estado); que ele seja imortal e que ele concede a imortalidade aos demais – aquilo que Ele não tinha e o que não podia dar aos demais como proveniente de sua natureza, porque a natureza da carne é impotente para um dom e um auxílio deste gênero.
Porém, se a natureza do Espírito vivificante fez o corpo de nosso Senhor desta natureza, da qual ele não era antes, é preciso que tampouco nós, que recebemos a graça do Espírito Santo pelas figuras sacramentais, ainda vejamos como pão e como cálice o que nos é apresentado, mas (consideremos) que é o corpo e o sangue de Cristo, nos quais são transformados pela descida da graça do Espírito Santo: ela, que obtém para os que dela participam o mesmo que por meio do corpo e sangue de nosso Senhor, nós pensamos que recebem os fiéis.
Por isto ele diz: Eu sou o pão da vida descido do céu; e eu sou o pão da vida. E para mostrar que ele é aquilo que ele chama de pão, diz: E o pão que vos darei é meu corpo para a vida do mundo.
Já que, de fato, nós subsistimos nesta vida por meio do pão e do alimento, ele se chama a si mesmo pão da vida descido do céu, significando isto: ‘Verdadeiramente eu sou o pão da vida, que dá a imortalidade aos que creem em mim, mediante este (corpo) visível, pelo qual eu desci e ao qual conferi a imortalidade, e por meio do qual (a dou) aos que creem em mim’. Podendo dizer: ‘Eu sou aquele que dá a vida’, se abstém e no lugar diz: Eu sou o pão da vida.
De fato, já que a imortalidade esperada, cuja promessa nos foi dada aqui, a vamos receber nas figuras sacramentais por meio do pão e do cálice.
Ele devia chamar-se pão a si mesmo e ao seu corpo, de modo que pela própria figura venerássemos aquele que reivindicou esta denominação; para dar-nos a conhecer estes dons, chamou-se a si mesmo de pão, mas quis também, por estas coisas daqui (terrenas), fazer-nos receber sem duvidar estes bens demasiado elevados para as palavras.” (1)
Oremos:
Senhor Jesus Cristo, Pão da Vida e da Imortalidade, cremos em Vossa real presença na Eucaristia, Mistério da fé e do amor e da salvação do mundo.
Concedei-nos a graça de participar de Vossa Mesa, ouvindo Vossa Palavra e com o Vosso Espírito, ajudai-nos a colocá-la em prática.
Dai-nos a graça de sermos vivificados pela Eucaristia que recebemos, e deste modo, renovarmos sagrados compromissos com a vida em todas as suas dimensões. Amém.
(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - pág. 455-456
Com o Bom Jesus, peregrinos da verdadeira Paz
Cada dia
que amanhece é tempo de graça,
De trilhar novos caminhos, se preciso for.
Pautar nossa vida pela Divina Palavra,
Caminhos iluminados, fé renovada.
Pés fortalecidos, peregrinos de esperança,
Caridade, no coração, inflamada.
Renovados os sagrados compromissos com a vida,
Fidelidade ao Senhor Bom Jesus, nossa verdadeira Paz.
Sonhemos e promovamos a autêntica paz,
Sejamos agraciados pela Sua Saudação Pascal:
“A paz esteja convosco” ressoa Sua voz, (1)
No recôndito mais profundo de nosso coração.
Não a paz que o mundo dá, com traços de morte,
Violência, mentira, destruição, aniquilação,
Mas a paz que nos vem do Alto para nos brindar,
Com cantos de alegria em cada amanhecer.
Trilhar em campos dourados com Sua presença,
Fazendo-nos crer que a vida é bela, sagrado viver.
Paz desarmada e desarmante ressoa nos céus;
Bendita e profética missão no mundo a viver.
Paz desarmada sem soldados, armas ou bombas,
Sangue de inocentes, gritos e lamentos de dor.
Paz desarmada, fruto da fragilidade de Sua humanidade,
Com a força ímpar do Divino Mandamento do Amor.
Paz desarmante, expressa em gestos de bondade:
Caridade, solidariedade, compaixão, proximidade.
Pois, tão somente assim, de forma desarmante,
Construiremos uma nova civilização do amor.
Paz desarmada e desarmante, nova cultura:
A do encontro, que constrói pontes em vez de muros.
(1) Jo cf. Jo 20, 19-29
PS: Apropriado para o 239º Jubileu do Senhor Bom Jesus do Matosinhos - 2026 - Conceição do Mato Dentro - MG, que tem como tema - "Senhor Bom Jesus, fazei-nos instrumentos de vossa paz".
Ladainha ao Bom Jesus de Matosinho
Ó Bom Jesus, Mestre da oração, confiantes Vos suplicamos:
Ensinai-nos a rezar e a viver como irmãos e irmãs. Bom Jesus, ouvi-nos.
Inspirai-nos, a caminhar juntos como irmãos e irmãs. Bom Jesus, ouvi-nos.
Auxiliai-nos, a fim de que sejamos servos de todos e dos últimos. Bom Jesus, ouvi-nos.
Orientai-nos, para que vivamos sem preconceito ou discriminação. Bom Jesus, ouvi-nos.
Inflamai nossos corações com amor fraterno, como Vós amastes. Bom Jesus, ouvi-nos.
Concedei-nos a graça de não julgarmos nossos irmãos e irmãs. Bom Jesus, ouvi-nos.
Fortalecei nosso espírito de solidariedade com os mais necessitados. Bom Jesus, ouvi-nos.
Ajudai-nos a anunciar a Paz como fruto do perdão, da reconciliação e da justiça. Bom Jesus, ouvi-nos.
Iluminai nosso caminho na comunhão, participação e missão como Igreja Sinodal. Bom Jesus, ouvi-nos.
Ajudai-nos a promover a Vida plena. Bom Jesus, ouvi-nos.
Solidificai nossos compromissos com a Fraternidade e a Amizade Social, com esperança no coração enraizada. Bom Jesus, ouvi-nos.
Guiai nossos passos, para que sejamos peregrinos da esperança. Bom Jesus, ouvi-nos.
Amém.
PS: Ladainha escrita a partir dos temas do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos - Conceição do Mato Dentro - MG - de 13 a 24 de junho de 2024.
Quando reconhecemos Deus para viver plenamente no mundo da realidade, sabemos de onde viemos, nos movemos e somos.
É preciso saber viver, conscientes de que a vida é caminho; mas precisamos saber de onde viemos e para onde nos dirigimos, pois quem não sabe aonde quer chegar, tanto faz o caminho.
Salutar aprender e reconhecer que não somos obra do acaso, mas fruto de um imenso amor, e que todo nascimento humano é fruto de amor, porém cada nascimento e todos os nascimentos são frutos de um maior, de um infinito amor, o Amor de Deus.
Devemos aprender a reconhecer nossa história pessoal, que é na exata medida, uma história de salvação, pois Deus interveio e sempre intervém para nos libertar, para promover nossa verdadeira e plena maturação humana na história.
Creiamos que Deus vem sempre ao nosso encontro, sobretudo nas situações mais sombrias e adversas, para nos conduzir a uma pátria de felicidade que somente Ele pode nos alcançar (conceder).
Viver é, portanto, uma grande passagem, ou ainda, uma grande travessia, que se iniciou no ventre de uma mãe, e desabrocha no horizonte da eternidade, o céu, e deste modo, somente reconhecendo Deus, reconhecemo-nos, de fato, a nós mesmos, e nossa vida fica plena de sentido e destino. Amém.
PS: Fonte – Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro de Gênesis (Gn 4,32-40) – Editora Paulus – p.1123