sexta-feira, 26 de junho de 2026

“Sacrifica-te por minhas ovelhas” (São Pedro e São Paulo)

                                                                

“Sacrifica-te por minhas ovelhas”

Ao Celebrar a Memória de São Brás, Bispo e Mártir (séc. IV), a Liturgia das Horas nos apresenta um dos Sermões do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), em que nos convida a refletir sobre o zelo pastoral no cuidado do rebanho pelo Senhor confiado.

O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 20,28). Eis como o Senhor Se fez servo, eis como nos ensinou a servir. Deu a Sua vida como resgate em favor de muitos: Ele nos remiu.

Quem dentre nós tem condições para redimir alguém? Foi pelo sangue de Cristo que fomos redimidos, foi pela Sua morte que fomos resgatados da morte; estávamos caídos, e, pela sua humildade, fomos reerguidos da nossa prostração. Mas devemos também contribuir com nossa pequena parte para ajudar os Seus membros, pois nos tornamos membros d’Ele: Ele é a cabeça e nós somos o corpo.

Aliás, o apóstolo João nos exorta, em sua carta, a seguirmos o exemplo do Senhor que disse: Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor, pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 20,27.28). O mencionado apóstolo nos exorta, por isso, a imitar o exemplo do Salvador com estas palavras: Jesus deu a Sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16).

O próprio Senhor, falando depois da ressurreição, perguntou: Pedro, tu me amas? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que Te amo. Por três vezes o Senhor fez a mesma pergunta e por três vezes Pedro deu idêntica resposta. Em todas as três vezes, o Senhor acrescentou: Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,15s).

Como podes mostrar que me amas, a não ser apascentando as minhas ovelhas? O que podes me dar com teu amor, se recebes tudo de mim? Portanto, se tu me amas, eis o que tens de fazer: Apascenta as minhas ovelhas.

Uma vez, duas, três vezes: Tu me amasAmoApascenta as minhas ovelhas. Três vezes o negara por medo. Então o Senhor logo lhe disse: Quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus (Jo 21,18-19). Anunciou-lhe Sua Cruz, predisse-lhe Sua paixão.

Prosseguindo, o Senhor lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. Sacrifica-te por minhas ovelhas”.

Retomemos as palavras finais do Sermão: “Apascenta minhas ovelhas. Sacrifica-te por minhas ovelhas”.

Assim deve ser a vida de todos aqueles que responderam ao chamado de Deus para trabalhar na Sua messe.

Cuidar do rebanho que nos foi confiado exige de todos, sobretudo daqueles que receberam o Sacramento da Ordem, um amor incondicional como assim fizeram o Apóstolo Pedro, Paulo, São Brás e tantos outros que possam ser mencionados.

Elevemos a Deus súplicas e orações contínuas, por todos aqueles a quem foi confiado o cuidado do rebanho do Senhor, para que correspondam cada vez mais ao que Deus espera.

Somente quem vive a autenticidade do amor está pronto para os sacrifícios pelas suas ovelhas, e tudo fará para que elas sejam conduzidas a verdes pastos e águas cristalinas.

PS: Apropriado ao celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo

“Enraizados no Amor do Senhor” (São Pedro e São Paulo)

                                                            

“Enraizados no Amor do Senhor”

“Que Cristo habite pela fé em vossos corações
e que sejais arraigados e fundados no Amor.” (Ef 3,17)

Procedentes da Sagrada Escritura, de modo geral, as Orações da Igreja são sempre fundamentais. Retomo a Oração depois da Comunhão, elevada na Solenidade de São Pedro e São Paulo:

“Concedei-nos, ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na Vossa Igreja que, perseverando na Fração do Pão e na Doutrina dos Apóstolos, e enraizados no Vosso Amor, sejamos um só coração e uma só alma. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”

O início da Oração, assim como a parte final (“um só coração e uma só alma”), nos remete a Atos dos Apóstolos (At 2,42-45), em que Lucas nos apresenta uma comunidade perseverante na Doutrina dos Apóstolos, Fração do Pão, Comunhão Fraterna e Oração.

A parte que ora retomo nos remete à Oração do Apóstolo Paulo, que se encontra na Epístola aos Efésios (Ef 3,14-21), de modo específico no versículo 17: “enraizados no Amor do Senhor”

Assim como Pedro e Paulo, todo discípulo missionário do Senhor deve ter os mesmos propósitos das primeiras comunidades, tão bem descrito por Lucas, e, de modo especial, precisa ser enraizado e alicerçado no Amor do Senhor.

Sem este enraizamento, fundamentação, precedido pelo encontro do Senhor, o caminho se abrevia porque se torna impossível de seguir. Faltará coragem, fidelidade, confiança e a certeza de Sua presença que caminha conosco.

Faltará a experiência mais bela e motivadora que se precisa para seguir o Senhor: deixar-se envolver pelo Seu Amor e ternura.

A seiva de Seu Amor é imprescindível para que não morramos, não sucumbamos diante das dificuldades que possam surgir no caminho.

Somente enraizados em Seu Amor, revigorados cotidianamente na Eucaristia, com a força e luz de Sua Palavra, é que as trevas são iluminadas, nossas fraquezas n’Ele encontram força; nossa miséria é acolhida por Sua misericórdia.

Somente enraizados no Amor do Senhor é que cuidaremos melhor de nós mesmos, de nossas famílias, de nossas comunidades, do meio em que vivemos...

Somente enraizados no Amor do Senhor é que daremos passos seguros, carregando com fidelidade nossa cruz, rumo à glória futura, dando conteúdo e verdade às palavras do Bispo Santo Irineu: “A glória de Deus é o homem vivo. E a vida do homem é a visão de Deus”.

Somente assim, enraizados no Amor do Senhor, vamos sentindo Sua presença, até que um dia possamos vê-Lo face a face. 


PS: Apropriado para a passagem da Carta de Paulo aos Efésios (Ef 3,14,21)

Sigamos o Senhor com alegria (São Pedro e São Paulo)

                                                  

Sigamos o Senhor com alegria

Oportunas são as palavras do Papa Francisco aos Arcebispos em 29 de junho de 2014. Na alegre e desafiadora missão de anunciar o Evangelho da Esperança, exorta não só os ministros ordenados, mas todos que se colocam como discípulos missionários do Reino.

“Hoje, o Senhor repete a mim, a vós e a todos os Pastores:

‘Segue-Me! Não percas tempo em questões ou conversas inúteis;
não te detenhas nas coisas secundárias, mas fixa-te no essencial e segue-Me.

Segue-Me, não obstante as dificuldades.
Segue-Me na pregação do Evangelho.

Segue-Me no testemunho duma vida que corresponda ao dom da graça do Batismo e da Ordenação.

Segue-Me quando falas de Mim às pessoas com quem vives dia a dia, na fadiga do trabalho, do diálogo e da amizade.

Segue-Me no anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos últimos, para que a ninguém falte a Palavra de vida, que liberta de todo o medo e dá a confiança na fidelidade de Deus.

Tu segue-Me!’”.

Que ao celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos e Colunas da Igreja, renovemos a alegria de sermos Igreja e continuadores da Missão que o Senhor nos confiou.

Supliquemos a força e a luz do Espírito Santo para que sejamos evangelizadores com espírito, como nos propôs o Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” (2013).

Vinde, Espírito Santo...

Os sentimentos de Maria (São Pedro e São Paulo)

                                                               

Os sentimentos de Maria

"Impossível imaginar os sentimentos
de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João,
Tiago e restantes Apóstolos as palavras da Última Ceia:
 'Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós'" (Lc 22, 19).

Assim lemos na Carta Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”  (Papa São João Paulo II - 2003). 

“Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, « para O apresentar ao Senhor » (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar que aquele Menino seria « sinal de contradição » e que uma « espada » havia de trespassar também a alma d'Ela (cf. Lc 2, 34-35).

Assim foi vaticinado o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o « stabat Mater » aos pés da Cruz. Preparando-Se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de « Eucaristia antecipada », dir-se-ia uma « comunhão espiritual » de desejo e oferta, que terá o seu cumprimento na união com o Filho durante a Paixão, e manifestar-se-á depois, no período pós-pascal, na sua participação na celebração eucarística, presidida pelos Apóstolos, como « memorial » da Paixão.

Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre!

Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d'Ela e reviver o que tinha pessoalmente experimentado junto da Cruz”. (n.56).

Contemplar as virtudes de Maria: suavidade, ternura, confiança, coragem, doçura...

Em cada Eucaristia celebrada, sintamos a presença maternal de Maria, sempre ressoando suas palavras, desde o primeiro sinal em Caná da Galileia: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Sintamos, também, a presença doce e suave de Maria, na mais perfeita comunhão dos Santos que professamos na fé.

Contemos com a sua proteção, gestos de amor e partilha, como ela tão bem fez, sejam multiplicados.

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia...

Exortações Paulinas para o discipulado (São Pedro e São Paulo)

                                                   


Exortações Paulinas para o discipulado

Apóstolo Paulo, verdadeiramente um ministro de Deus: firmeza nas tribulações, inúmeras virtudes que acompanham sua vida apostólica, e fidelidade e paixão pelo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tudo isto, e muito mais, encontramos em suas Cartas na Sagrada Escritura, como podemos conferir na 2ª Carta aos Coríntios (2 Cor 6,1-10; 7,5): – “Em verdade, quando chegamos à Macedônia, nossa carne não teve repouso algum, mas sofremos toda espécie de tribulação: por fora, luta; por dentro, temores.” 

Suas palavras penetram as entranhas de nosso coração: – “Irmãos, como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois Ele diz:’ No momento favorável, Eu te ouvi e no dia da salvação, Eu te socorri.”(2 Co 6,1).

Enriquecidos sejamos pelo comentário do Missal Cotidiano:

“‘Não deixeis escapar o momento favorável’. Vivemos em ambiente ofuscado e aturdido pela publicidade. Na rua ou em casa, é toda uma sequência de flashs, imagens e vozes que propiciam centenas de ocasiões ‘únicas’.

Em meio a esse alarido, chega-nos hoje a voz do apóstolo: ‘Não recebais em vão a graça! Hoje é o dia!’ Corre o risco de chegar deslocada, se a recebermos no mesmo plano das outras ‘vozes’ que desde cedo quase nos tomam de assalto.

‘Trazia todas estas coisas guardadas no coração’ (Lc 2, 51). É uma característica de Maria, viver em plenitude o momento presente, captando-lhe a profundeza.

A eternidade não está espalhada em migalhas de tempo, porém toda concentrada no momento presente. Cada instante é completo, porque cheio da presença de Deus. Viver intensamente o hoje é antiga sabedoria cristã.” (1)

Oremos:

“Ó Deus, força daqueles que esperam em Vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da Vossa graça, para que possamos querer e agir conforme Vossa vontade, seguindo os Vossos Mandamentos. Por N.S.J.C. Amém.” (2) 

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem 2 Cor 6,1-10) – Editora Paulus – p.901

(2)Oração do dia – 12ª Semana do Tempo Comum

Somente o Senhor tem Palavra de Vida Eterna (São Pedro e São Paulo)

                                                          

Somente o Senhor tem Palavra de Vida Eterna

“Nós cremos e reconhecemos
que és o Santo de Deus”

A pergunta que Jesus faz aos discípulos no Evangelho de São João, quando muitos começaram a deixá-Lo, depois de ter multiplicado pães, saciado a fome da multidão: “Não quereis também vós partir?” (Jo 6,67), também é dirigida a nós.

Seja a nossa resposta como a resposta de Pedro: “Senhor, a quem iremos? Tens Palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69).

Aprofundemos um tema muito oportuno e necessário: por que seguimos o Senhor Jesus?

Para que sejamos autênticos discípulos missionários do Senhor, há algumas exigências imprescindíveis: encontrá-Lo, fascinar-se por Ele, acolher no mais profundo de nosso coração a sua Boa Nova, para que no mundo sejamos esplendor da verdade. Sem paixão pelo Senhor não há discipulado, missão, profecia, evangelização.

Procuremos dar nossa resposta ao Senhor que não se preocupa com a quantidade dos que O segue, mas com a qualidade e a sinceridade daquele que se põe a caminho com Ele.

Seguir o Senhor exige de nós constantes renúncias para que, na liberdade, no despojamento e na fidelidade, carreguemos com fé nossa cruz cotidiana, dando testemunho da vitória do Ressuscitado, tornando-nos inúteis servos d’Ele, depois de muito ter feito.

Como Pedro, queremos seguir o Senhor, pois somente Ele tem a Palavra que ilumina nossa vida, ao mesmo tempo nos alimenta em todos os momentos, sobretudo nos momentos mais adversos e mais sombrios, que são contingências do existir.

Queremos seguir o Senhor, porque além da Palavra Ele se tornou Pão de Imortalidade em cada Eucaristia que celebramos; Pão que nutre, revitaliza, nos encoraja a não cruzar os braços, para que construamos um mundo mais belo, fraterno, feliz, como Deus assim o quis, e está gravado nas Sagradas Escrituras, do Gênesis ao Apocalipse.

O Senhor é, de fato, o único Caminho que nos conduz a Deus, porque Se fez a Verdade que nos liberta; e Ele veio para que todos tenhamos vida plenamente (Jo 10,10).  

Comprometidos com o Senhor e com o Reino da Vida, aprofundemos nossa fé e o que a Lei Divina nos pede no Decálogo, num processo de catequese permanente.

Também não podemos, como discípulos missionários, nos omitir no campo vasto e complicado da política para que ela seja expressão sublime de caridade na promoção do bem comum.

Renovemos nossa alegria em amar e servir o Senhor e à sua Igreja, como servidores do Reino, administradores dos Sagrados Mistérios que Ele mesmo nos confia (1Cor 4, 1-2).

O discípulo de Jesus jamais se acomoda diante da realidade e dos desafios, mas numa fé autêntica, incomoda-se, com confiança, sem ficar perturbado, mas com lucidez, sabedoria e o sopro do Espírito para redescobrir novos caminhos e, sempre atento à Palavra do Senhor, avançar em águas mais profundas.

Não há melhor escolha, não há melhor resposta: Somente Ele tem Palavra de Vida Eterna. Amém.

Conduzi-nos, Senhor...(São Pedro e São Paulo)

                                                             

Conduzi-nos, Senhor...

“A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.
Nós cremos firmemente e reconhecemos que Tu és o Santo de Deus”
(Jo 6,68-69).

Concedei-nos, Senhor,  consciência e lucidez intensa e profunda
para uma participação ativa, piedosa e frutuosa no Banquete da Eucaristia.

Fortalecei, Senhor, nossa adesão pessoal a Jesus, o Pão da Palavra e da Vida,
Para que os pensamentos e sentimentos do nosso coração sejam como os Vossos.

Também seja verdadeira e frutuosa a nossa recepção de todos os Sacramentos,
E, assim, reafirmarmos e renovarmos compromisso no Vosso  seguimento.

Ajudai-nos, Senhor, no caminho de conversão para fraternas e sinceras relações com os outros,
Na vivência dos amores inseparáveis: amor a Deus e ao nosso próximo.

Conduzi-nos, Senhor, no caminho da verdade e da justiça,
Do amor e da fidelidade, para que mereçamos alcançar a glória eterna. Amém.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG