sexta-feira, 26 de junho de 2026

Luzes para um discipulado fecundo (São Pedro e São Paulo)

                                                               

Luzes para um discipulado fecundo

Ao celebrarmos São Pedro e São Paulo, colunas da Igreja, reflitamos sobre a atividade de Pedro, à luz dos Atos dos Apóstolos: At 20,17-27 e At 20, 28-38.

Trata-se do discurso de Paulo dirigido aos responsáveis da Igreja de Éfeso, um “discurso de adeus”: Assim como Jesus, o Divino Mestre, quando da iminência da Sua partida, reúne os discípulos, recorda o que fez e disse, confia aos Seus o cuidado da comunidade e o prolongamento da Sua missão, adverte-os dos perigos que os ameaçam, convidando-os a vigiar e perseverar.

A densidade das passagens revela a incansável e intensa atividade missionária de Paulo, traduzida em serviço e dom da própria vida, numa total pertença a Deus, entrega incondicional da existência, por amor do Senhor.

O adeus de Paulo aos presbíteros e responsáveis pela Igreja, que ele gerou para a fé, é como seu testamento espiritual e pastoral, cheio de ternura e recomendações, de esperanças e temor:

“Começa a etapa final da terceira viagem de Paulo. Como as anteriores, também esta se fecha com discurso. Na primeira viagem, o discurso foi aos judeus ( Atos 13, 16-41).

Na segunda, aos pagãos (Atos 17, 23-31). Nesta terceira, o discurso se dirige às lideranças, aqui representadas pelos anciãos da Igreja de Éfeso. É uma despedida, que faz memória e apresenta um testemunho de vida.

O Apóstolo olha o momento presente, afirmando que não sabe o que espera por ele em Jerusalém. Por fim, prepara sua substituição. Dá as últimas instruções e relembra aos anciãos que ‘eles foram colocados pelo Espírito Santo como guardiães do rebanho’.

Entre as recomendações, destaca-se não cobiçar nada de ninguém, dar testemunho verdadeiro e ajudar os fracos. Lucas relembra aos líderes cristãos das comunidades de sua época que eles são os sucessores de Paulo, e devem levar adiante a missão dos Apóstolos” (1)

Com o Apóstolo, aprendemos que servir ao Senhor exige doação total, exclusiva, incondicional e contínua, em fidelidade constante, por isto é uma fonte de liberdade.

A atividade deste revela que sua missão não foi sua opção, mas fruto de uma eleição da comunidade, uma confiança que vem do próprio Senhor, como ele mesmo afirma – “a missão que recebi do Senhor” (v.24).

Realizando a missão com total gratuidade, pôde exortar aos anciãos, que devem evangelizar com total desinteresse material, como ele mesmo o fez, para que, assim, sejam livres para anunciar o Evangelho e serem solidários com os pobres (vv. 34-35):

– “A fidelidade ao Evangelho e o desinteresse escrupuloso são a melhor defesa dos Pastores da Igreja contra todas as intrigas dos que os perturbam” (vv. 29-31). (2)

Vejamos os traços que devem estar presentes na vida dos discípulos missionários do Senhor:

- Enfrentar com coragem as provações e tribulações, assim como Jesus (cf. Jo 13, 18-27);

- O ministério apostólico não tem êxito garantido, no sentido que não está imune ao sacrifício e até mesmo do martírio;

- Ter consciência de que é possível que haja desertores e quem o renegue, assim como o próprio Senhor teve em Seu grupo um que O traiu e alguns que desertaram, em fuga, no momento crucial, no momento da prova, do flagelo e da morte na Cruz;

- Ter humilde confiança de que por mais que tenhamos feito é ainda nunca bastante pelo que Deus fez e faz, por Amor, em favor de todos nós; confiando plenamente no justo Julgamento que será feito por Jesus;

- A missão que Deus nos confia tem uma motivação Trinitária: a missão vem do Espírito e diz respeito à Igreja, que Deus Pai conquistou pelo Sangue do Seu Filho;

- Relação profunda de comunhão, amor e ternura com a comunidade que lhe foi confiada:

“Em tudo lhes mostrei que, trabalhando assim, é preciso ajudar os fracos, recordando as Palavras do Senhor Jesus que disse: ‘Há mais felicidade em dar do que em receber’. Tendo dito isto, Paulo ajoelhou-se com todos eles e rezou. Todos então começaram a chorar muito. E, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam. Estavam muito tristes, sobretudo porque lhes havia dito que nunca mais veriam a sua face. E o acompanharam até o navio.” (vv. 35 -38)

- Vigilância para não se fragilizar diante das dificuldades, coragem para suportar os momentos e acontecimentos adversos, ventos contrários, e confiança na Palavra de Deus, precisam estar sempre presentes, inseparavelmente, na vida dos discípulos missionários.

Não fosse o Espírito Santo que nos foi enviado, não suportaríamos provações, incompreensões e dificuldades na evangelização, como o Apóstolo Paulo, e tantos outros, por amor ao Senhor, empenhados na construção do Reino de Deus.

Concluo com esta Oração, que deve nos acompanhar em todas as nossas atividades pastorais, e em todas as decisões que tenhamos que tomar:

“Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos Vossos fiéis, e acendei neles o fogo do Vosso Amor...”



(1) Nova Bíblia Pastoral – Editora Paulus – 2013 – nota p.1353.
(2) Lecionário Comentado - p.631

“Vós também quereis ir embora?” (São Pedro e São Paulo)

                                                        

 “Vós também quereis ir embora?”
“A quem iremos Senhor...”
Ressoe em nosso coração a pergunta
Que o Senhor fez aos discípulos e a nós:
“Vós também quereis ir embora?” (Jo 6,67)

Da mesma forma, a resposta de Pedro
Seja também a nossa resposta incondicional:
“A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna...”

Creiamos firmemente, reconheçamos que
Ele é o Santo de Deus no meio da humanidade,
Na fragilidade humana assumida, presença divina revelada.

O Senhor não nos concede álibis, evasões, fugas,
Quer-nos por inteiro, não reticentes, nem condicionais;
Não atenua, não ameniza a Boa Nova anunciada.

Segui-Lo é tornar-se cristão, adquirir nova identidade.
Cristão é quem aceita a Cristo e o segue, sendo antes por Ele escolhido;
É tornar-se para no mundo e para o próximo outro Cristo.

É um permanente sair de si mesmo, para segui-Lo,
Numa aventura contínua de mergulho para dentro de si,
No mais maravilhoso encontro: Sua presença em nós.

É saber transitar entre as coisas que passam
E abraçar com sabedoria e ardor as que não passam;
É discernir entre o efêmero e o que é para sempre;

É viver segundo o Espírito, buscando as coisas do alto,
Não se perder na linha do tempo da história pessoal,
É romper as portas do temporal, abrindo-se para o eterno.

É não se perder, apegando-se nas aparentes seguranças,
É ter a fé sólida, que não nos permite sucumbir covardemente,
Navegar confiante sobre as agitadas e turbulentas águas da travessia.

Ser cristão é saber dizer sim quando os fatos exigem,
E com mesma serenidade o não também seja dito,
Como assim mesmo Ele nos alertou no Santo Evangelho.

Ser cristão é pautar a vida pela Palavra Proclamada,
Que na vida encarnada, testemunhada com alegria,
Torna-se luz que a muitos ilumina, seja noite, seja dia.

É comunicar Sua Palavra como alegre mensageiro,
O ouvinte impactar e escandalizar se preciso for,
E assim o será se de Deus proceder e o testemunho acompanhar.

É ajudar o outro com este contínuo rever
Das opções permanentes mais fundamentais e vitais,
Para que de Deus, no mundo, de Sua luz sejamos sinais.

É colocar-se num contínuo processo catequético,
Para que nossos pensamentos e sentimentos
D’Ele os mesmos sejam a mais bela configuração.

É olhar, reler a história com os olhos de Deus,
Como exige uma verdadeira vocação profética
Viver como Ele, esperar por Ele, amar como Ele.

É não prescindir do Pão da Vida, Pão de Imortalidade,
Por Ele alimentado os pecados são destruídos,
Crescem as virtudes, a alma de todos os dons enriquecida.

É colocar nas mãos de Deus nossa fragilidade,
Oferecer a Ele nossa notável imperfeição, limitação;
Crer no Mistério da vida nova: Ressurreição!

Esta é a nossa escolha, esta é nossa adesão incondicional:
Viver n’Ele e com Ele, na comunhão com o Pai Criador,
Na mais perfeita comunhão com o Santo Espírito de Amor.

O testemunho de Paulo e o Louvor ao Senhor (São Pedro e São Paulo)

                                                


O testemunho de Paulo e o Louvor ao Senhor

“- Louvor a vós, Senhor Jesus, que falais a nós no rosto de Paulo e nos pedis que vos  sigamos incondicionalmente como ele vos seguiu!

- Louvor a vós, Cristo, que procurais cada homem, que viestes a mim nos lugares de minha vida, como entrastes na vida de Paulo no caminho de Damasco!

- Louvor a vós, que nos alcançais em nossas estradas, nos tomais convosco e nos enviais para sermos vossas testemunhas, a tempo e fora do tempo, para todo o ser humano, até os extremos confins da terra!

Na comunhão dos Santos, confiamo-nos, pois, à intercessão e à ajuda do Apóstolo das gentes:

- Roga por nós, Paulo, para que possamos viver contigo o encontro com Cristo, que muda o coração e a vida.

- Ajuda-nos a esvaziar-nos de nós para encher-nos dele, a fim de que, tornados fortes por seu Espírito, sejamos capazes de crer, de esperar e de amar além de qualquer prova ou medida de cansaço.

- Obtém-nos que nos tornemos sempre mais testemunhas humildes e enamoradas daquele que é a esperança do mundo, em comunhão com toda a Igreja, a serviço de todas as criaturas.

Cristo Jesus seja para nós a verdadeira vida, a alegria plena, a fonte de um amor sempre novo, a luz sem ocaso, no tempo e pela eternidade. Amém. Aleluia!” (1)

 

(1) Caminhando na fé – Bruno Forte – Arcebispo Metropolitano de Chieti-Vasto - Retiro espiritual dos Bispos – CNBB – Aparecida – de 3 a 4 de maio de 2014

Tenhamos os mesmos sentimentos do Senhor (São Pedro e São Paulo)

                                                           

Tenhamos os mesmos sentimentos do Senhor

“Tende entre vós os mesmos sentimentos
que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5)

Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses (Fl 2,1-11), para o aprofundamento da graça de sermos discípulos missionários do Senhor.

A Carta é dirigida à uma comunidade viva, piedosa, generosa, mas não perfeita, pois ela precisa aprender o desprendimento, a humildade, a simplicidade, dizendo não ao orgulho, à autossuficiência, à vaidade e à ambição.

Ela precisa abandonar as atitudes individualistas e egoístas no relacionamento comunitário, e, deste modo, aprender a viver na caridade.

Neste sentido, precisará comportar-se como Cristo, em atitude “kenótica”, ou seja, despojamento, esvaziamento, aniquilamento: assumir a Cruz de Nosso Senhor, vivendo em total entrega, obediência, amor, doação  e serviço.

Trata-se de assumir os valores que Jesus encarnou ao realizar a sua missão no anúncio da Boa-Nova do Reino de Deus.

A Carta nos provoca: num mundo competitivo, como viver esta lógica de Jesus, que é o caminho da glorificação, o caminho da vida plena, da glória que não prescinde da Cruz:

O caminho para a glória, mesmo no interior da vida da comunidade, passa pela Cruz; o caminho da harmonia comunitária passa pela caridade e pela humildade”(1).

Portanto, ouvimos na passagem um Hino Cristológico Paulino com densidade notável, que nos dá a identidade de cristãos e discípulos missionários do Senhor, de modo que somos interpelados pela Sua Palavra e seduzidos pela Sua Pessoa, totalmente identificados com o Seu Coração:

Sermos cristãos realiza-se percorrendo um caminho concreto, avançando no mesmo sentido indicado pelo Mestre, identificamo-nos com Ele, tornando-nos uma imagem Sua, para as pessoas que encontramos”(2).

Neste sentido o discípulo precisa identificar-se profundamente com Jesus:

- ter os mesmos sentimentos d’Ele;
- conhecê-Lo verdadeiramente a partir do seu agir e suas preocupações;
- pautar a conduta a partir do Seu critério na avaliação das pessoas e das diferentes circunstâncias;
- conhecer as suas opções de vida;
- viver como Ele na relação pessoal com o Pai;
- ter a mesma disposição para d’Ele para com os outros. (3)

Temos alguns critérios para que conheçamos os sentimentos de Jesus:

- a leitura atenta do Evangelho;
- a oração confiante;
- a celebração sincera dos sacramentos;
- a vida em comunidade;
- a partilha da fé em grupo (4).

Quanto aos sentimentos que o discípulo precisar ter para que sejam os mesmos de Jesus são:

- a fortaleza perante a provação;
- a compaixão perante as necessidades do próximo;
- a humildade;
- a obediência à vontade do Pai (Fl 5,6-8) (5).

Roguemos a Deus para que estes critérios e sentimentos se façam presentes em nosso discipulado, para que sejamos uma Igreja mais plenamente fiel ao Seu Senhor; uma Igreja missionária em saída, como nos exortava o Papa Francisco.

Que o Espírito do Senhor nos ilumine, para que façamos progressos espirituais cada vez maiores, totalmente configurados ao Senhor, que nos chamou e nos envia em missão.

(1)Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – Volume II – p. 434
(2); (3) (4) idem – p. 436 

Sigamos o Senhor com alegria (São Pedro e São Paulo)

                                                          

Sigamos o Senhor com alegria

Oportunas são as palavras do Papa Francisco aos Arcebispos em 29 de junho de 2014. 

Na alegre e desafiadora missão de anunciar o Evangelho da Esperança, exorta não só os ministros ordenados, mas todos que se colocam como discípulos missionários do Reino.

“Hoje, o Senhor repete a mim, a vós e a todos os Pastores:

‘Segue-Me! Não percas tempo em questões ou conversas inúteis;
não te detenhas nas coisas secundárias, mas fixa-te no essencial e segue-Me.

Segue-Me, não obstante as dificuldades.
Segue-Me na pregação do Evangelho.

Segue-Me no testemunho duma vida que corresponda ao dom da graça do Batismo e da Ordenação.

Segue-Me quando falas de Mim às pessoas com quem vives dia a dia, na fadiga do trabalho, do diálogo e da amizade.

Segue-Me no anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos últimos, para que a ninguém falte a Palavra de vida, que liberta de todo o medo e dá a confiança na fidelidade de Deus.

Tu segue-Me!’”.

Que ao celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos e Colunas da Igreja, renovemos a alegria de sermos Igreja e continuadores da Missão que o Senhor nos confiou.

Supliquemos a força e a luz do Espírito Santo para que sejamos evangelizadores com espírito, como nos propôs o Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” (2013).

Vinde, Espírito Santo...

Apóstolo Paulo, modelo de servidor do Evangelho (São Pedro e São Paulo)

                                                      

Apóstolo Paulo, modelo de servidor do Evangelho
 
Na passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2 Cor 4,6-11), encontramos o modelo de evangelizador que devemos ser, a partir do exemplo de ardor apostólico de São Paulo.
 
O Apóstolo, por sua vida, foi um prolongamento da vida de Cristo, apesar das fragilidades próprias, de modo que a mensagem evangélica não fica comprometida mesmo com nossas fragilidades.
 
Com o Apóstolo, aprendemos que o evangelizador é portador de um tesouro precioso e a obra evangelizadora é obra do poder de Deus.
 
A grande mensagem da passagem está nas frases de abertura e de conclusão, que servem de moldura a esta descrição autobiográfica de Paulo: ele não se anuncia a si mesmo (v. 5), mas anuncia “a glória de Deus, que se reflete no rosto de Cristo” (v. 6), e que Deus, autor da luz na criação do mundo, fez brilhar como luz no seu coração:

"O objetivo de Paulo é demonstrar que Cristo está vivo no seu ministério apostólico, mesmo a partir da fragilidade que se manifesta na forma como é perseguido e entregue à morte em nome de Cristo (v. 11).” (1)
 
Como vemos, o Apóstolo Paulo é um modelo de servidor do Evangelho para todos os que, na Igreja, se posicionam ao serviço humilde do Povo de Deus:
 
“Dele aprendemos que a grande característica do apostolado, mais que as ações pastorais inovadoras ou não, é a relação com Cristo, a ponto de trazer na própria vida as marcas dessa união, seja nas tribulações que se sofre por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se incarna na própria vida aquilo que se ensina”. (2)
 
Com Paulo, aprendemos que “...a  vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais à vida de Cristo a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se pode ler os sinais da vida oferecida de Jesus. Só uma grande intimidade com Jesus Cristo, como a que teve Paulo, poderá dar-nos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos”. (3)
 
Deste modo, a grande característica do apostolado, mais que as ações pastorais inovadoras ou não, é a relação com Cristo, a ponto de trazer na própria vida as marcas dessa união, seja nas tribulações que se sofre por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se encarna na própria vida aquilo que se ensina.
 
Com Paulo, aprendemos que a  vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais à vida de Cristo a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se pode ler os sinais da vida oferecida de Jesus.
 
Neste sentido, é preciso fortalecer nossa intimidade com Jesus Cristo, assim como fez o Apóstolo, e assim teremos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos e haveremos de testemunhar com palavras e obras.
 
Urge que aprendamos com Paulo a evangelizar, empenhando-nos em viver a nossa missão com a mesma dedicação e coragem, assistidos pelo mesmo Espírito que o conduziu em sua missão, e com ele, também, possamos dizer – “ai de mim se eu não evangelizar” (1 Cor 9,16).
 
  
PS: Citações extraídas de www.Dehonianos.org/portal

A Espiritualidade do(a) Evangelizador(a), à luz da Carta aos Colossenses (São Pedro e São Paulo)

                                       

A Espiritualidade do(a) Evangelizador(a), à luz da Carta aos Colossenses

Colossas era uma pequena cidade da Ásia Menor, distante 200 km de Éfeso, e próxima a Hierápolis e Laodiceia. Paulo não a visitou pessoalmente.  As Comunidades Cristãs de Colossas, Hierápolis e Laodiceia foram fundadas por Epáfras, discípulo de Paulo, enquanto este se encontrava em Éfeso.

A Carta aos Colossenses foi escrita na prisão, provavelmente em Éfeso, entre os anos 55 e 57, talvez na mesma ocasião em que foi escrita a Carta aos Filipenses.

Paulo apresenta o retrato de discípulo de Jesus (Cl 1, 24-28). O anúncio de Jesus Cristo lhe trouxe prisões, humilhações, torturas, difamações e sofrimentos sem conta. Tudo isto fez com que ele se sentisse próximo de Jesus e de Sua Paixão: “Vou completando na minha própria carne o que falta aos sofrimentos de Cristo em favor do Seu Corpo, que é a Igreja” (v. 24). É o evangelizador que enfrenta com alegria os sofrimentos, a fim de que a comunidade Cristã seja edificada.

Paulo se apresenta como Ministro da Palavra para o bem da Comunidade. Por meio dele as Comunidades Cristãs ampliaram seus horizontes, se abrindo aos não judeus, entre os quais se encontram os cristãos de Colossas. A isso ele chama de “Mistério escondido durante os séculos e as gerações do passado, mas agora revelado o Seu povo Santo” (v. 26). Ele se tornou Ministro do Projeto de Deus que, em Jesus Cristo, fez do mundo inteiro um só povo (v. 27). Para isso dá o melhor de si a todos, sem distinção, “para fazer de todos os seres humanos cristãos perfeitos” (v. 28).

Paulo foi um batalhador do Projeto de Deus. Da Carta emergem as seguintes características do Agente de Pastoral e Liderança comprometidos (as) com o Projeto de Deus; emerge o perfil das lideranças cristãs e de todos cristãos que participam da “Eucaristia: fonte da missão e da vida solidária” (Congresso Eucarístico Nacional 2001).

- Alguém que não se entrega, nem mesmo na prisão;
- Uma pessoa que não se faz vítima por causa das perseguições e dificuldades, mas lê tudo isto à luz dos sofrimentos de Jesus Cristo;

- Alguém que acredita profundamente na pessoa de Jesus Cristo enquanto “esperança da Glória”;       
- Uma pessoa que não busca interesses particulares, mas a construção da Comunidade cristã;

- Alguém que põe todos os recursos a serviço da Palavra de Deus. Uma pessoa que se preocupa com todos(as), porque o Projeto de Deus – liberdade e vida – se destina a todos(as).

Reflitamos:

- Das características acima, quais você tem?
- Qual precisaria desenvolver mais no seu trabalho pastoral?

- À luz do tema do Congresso Eucarístico, o que significa a Eucaristia em sua vida?
- De que modo você tem se alimentado e se comprometido com Cristo Eucarístico em sua missão, numa autêntica vida solidária?


PS: Texto escrito no ano de 2001 quando estava em trabalho Missionário na Diocese de Ji-paraná-RO, para solidificação da espiritualidade, num amor incondicional por Jesus e Sua Igreja, para além de quaisquer dificuldades que possamos enfrentar.

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