quinta-feira, 18 de junho de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 59(60)

 




“Eu venci o mundo”

“–1 Ao maestro do coro. Segundo a melodia
‘O lírio do mandamento’. Poema de Davi. Para ensinar.
- 2 Quando ele partiu contra os arameus da Mesopotâmia
E os arameus de Soba; e quando Joab, na volta,
venceu os edomitas no vale do Sal, doze mil homens. 

=3 Rejeitastes, ó Deus, Vosso povo
e arrasastes as nossas fileiras;
Vós estáveis irado: voltai-vos!
–4 Abalastes, partistes a terra,
reparai suas brechas, pois treme.

–5 Duramente provastes o povo,
e um vinho atordoante nos destes.
–6 Aos fiéis um sinal indicastes,
e os pusestes a salvo das flechas.
–7 Sejam livres os Vossos amados,
Vossa mão nos ajude: ouvi-nos!

=8 Deus falou em Seu santo lugar:
'Exultarei, repartindo Siquém,
e o vale em Sucot medirei.
=9 Galaad, Manassés me pertencem,
Efraim é o meu capacete,
e Judá, o meu cetro real.

=10 É Moab minha bacia de banho,
sobre Edom eu porei meu calçado,
vencerei a nação Filisteia!'

–11 Quem me leva à cidade segura,
e a Edom quem me vai conduzir,
–12 se Vós, Deus, rejeitais Vosso povo
e não mais conduzis nossas tropas?

– Dai-nos, Deus, Vosso auxílio na angústia;
nada vale o socorro dos homens!
–13 Mas com Deus nós faremos proezas,
e Ele vai esmagar o opressor.”

O Salmo 59(60) é uma oração depois de uma derrota:

“O salmista lamenta uma dolorosa derrota nacional e exprime confiança no socorro divino, relembrando um antigo oráculo, no qual Deus Se manifesta como dominador sobre os povos vizinhos.” (1)

Jesus na passagem do Evangelho também nos exorta para que tenhamos coragem, e n’Ele, coloquemos toda nossa confiança e esperança:

“Eu vos disse essas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflições, mas tende coragem! Eu venci o mundo! (Jo 16,33).

Nisto consiste a vida cristã: um permanente combate, o bom combate da fé, que o Apóstolo Paulo nos fala na passagem da Carta a Timóteo (cf. 2 Tm 4,5-8;17-18). Amém.

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.775

Abertos à novidade do Espírito

 


Abertos à novidade do Espírito

“Não andeis preocupados acerca de vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem acerca de vosso corpo, com o que haveis de vestir... Não vos inquieteis... Os pagãos é que se preocupam com estas coisas. O Vosso Pai celeste sabe que precisais de tudo isso” (1)

Assim lemos no Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro do Êxodo (2)(Ex 16,1-5.9-15):

“De um lado, o medo do novo, do imprevisto; de outro, o amor à vida calma, o desejo de não mudar as coisas existentes... podem entorpecer nossa fé que, pelo contrário, é movimento, é dinamismo, é procura, porque é vida.

Novas formas de catequese, novos modos de viver a liturgia, novas orientações na comunidade paroquial... tudo pode ser motivo de surpresa, de confusão.

É natural. Mas depois deve vir a reflexão, o diálogo, para se tomar consciência do porquê das coisas e esforçar-se por entrar no novo espírito.

Há risco quando se mudam as coisas, mas é maior o risco quando nada se quer mudar.” (2)

Desta forma, compreendemos a exortação feita pelo Papa Francisco, na Evangelii Gaudium – A Alegria do Evangelho, sobre a necessária e inadiável renovação eclesial:

“Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação.

A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de «saída» e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos Bispos da Oceania, «toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial»” (3)

Oremos:

Senhor Deus, somos Teu povo peregrino da esperança, e diante dos muitos desafios que encontramos na caminhada de fé, dai-nos coragem para enfrentá-los, com abertura necessária ao sopro do Espírito, para que ouçamos e cumpramos Teus desígnios, com a coragem para as mudanças que se fizerem necessárias.

Senhor Deus, cremos na Palavra do Teu Filho, que nos ensina a confiar em Tua divina providência, sem jamais nos omitirmos dos sagrados compromissos que se fizerem presentes, como Igreja que somos, a fim de que ela seja um sopro de vida e esperança, para a toda a humanidade.

Senhor Deus, com o Teu Espírito, vivamos a missão a nós confiada pelo Teu Filho, quando entre nós, Ele que passou fazendo o bem e socorrendo todos os que eram prisioneiros do mal; e ainda hoje,  como bom samaritano, vem ao encontro de todos os que sofrem no corpo ou no espírito, e derrama em suas feridas, o óleo da consolação e o vinho da esperança.

Senhor Deus, derramai em nós a Tua graça, para que quando formos  submergidos na noite da dor, ou se tivermos que a travessia do árido deserto do cotidiano atravessar, vislumbrar a Luz Pascal de Teu Filho morto e ressuscitado por meio de Sua Palavra, que a nós Se dá em Alimento, no Pão da Eucaristia. Amém. 

 

(1) Cf. Mt 6,25-32

(2)Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus - p.1055

(3)Evangelii Gaudium –(2013) – parágrafo n. 27

Discurso do Santo Padre à Cúria Romana na apresentação de votos natalícios

                                                      

Discurso do Santo Padre à Cúria Romana
na apresentação de votos natalícios

“E o Verbo fez-Se homem e veio habitar conosco
(Jo 1, 14)

Alguns apontamentos, a partir do Discurso do Santo Padre ao apresentar votos natalícios à Cúria Romana, em dezembro de 2019, tendo como inspiração o versículo bíblico acima.

Depois de reconhecimento e algumas saudações, inicia a mensagem falando da oportunidade do encontro para o momento de comunhão e reforço da fraternidade enraizado no amor de Deus que Se revela no Natal.

Citando Matta el Meskin, fala-nos do nascimento de Cristo, como um testemunho mais forte e eloquente de quanto Deus amou o homem, com um amor pessoal; e por isto tomou um corpo humano, ao qual Se uniu e assumiu para sempre. Este nascimento é, em si mesmo, uma “aliança de amor”’, estipulada para sempre entre Deus e o homem.

Completa com a citação de Clemente de Alexandria – Para isto Ele (Cristo) desceu; para isto Se revestiu de humanidade; para isto sofreu voluntariamente o que padecem os homens, para que, depois de Se ter confrontado com a nossa fraqueza que amou, pudesse em troca confrontar-nos com a sua força”.

Segundo o Papa, por causa deste amor, a troca das “Boas-Festas” natalícias é igualmente ocasião para acolhermos de modo novo o seu mandamento: «Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 34-35)

Lembra o Papa que  Jesus não nos pede para O amarmos em resposta ao Seu amor por nós; mas, sim, para nos amarmos uns aos outros com o Seu próprio amor, como tão bem expressou o Santo Cardeal Newman:

– Oxalá o Natal nos encontre cada vez mais semelhantes Àquele que, neste tempo, Se tornou menino por nosso amor; que em cada novo Natal nos encontre mais simples, mais humildes, mais santos, mais caridosos, mais resignados, mais alegres, mais repletos de Deus... Este é o tempo da inocência, da pureza, da mansidão, da alegria, da paz”

Para isto, é preciso mudanças, buscando a perfeição como resultado de muitas transformações, e não se trata procurar a mudança por si mesma nem de seguir as modas, mas de ter a convicção de que o desenvolvimento e o crescimento são características da vida terrena e humana, enquanto no centro de tudo, segundo a perspectiva do crente, está a estabilidade de Deus; e a mudança implica em conversão, em transformação interior, como afirmava Newman.

Sobretudo quando vivemos um contexto de mudança de época, e não apenas época de mudanças: – “Muitas vezes acontece viver a mudança limitando-se a envergar um vestido novo e, depois, permanecer como se era antes. Lembro-me da expressão enigmática que se lê num famoso romance italiano: «Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude» (Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi de Lampedusa)”.

Retoma a questão sobre a implementação da reforma da Cúria Romana, reiterando que esta reforma nunca teve a presunção de proceder como se nada tivesse existido antes; pelo contrário, procurou-se valorizar quanto de bom se fez na complexa história da Cúria, consciente de que a tradição não é estática, mas dinâmica, como dizia G. Mahler: a tradição é a garantia do futuro e não a custódia das cinzas.

Em encontros anteriores no Natal, o Papa lembra que falou de critérios que inspiraram o trabalho da reforma; algumas novidades da organização da Cúria, como, por exemplo, a Terceira Secção da Secretaria de Estado; as relações entre a Cúria Romana e as Igrejas particulares, lembrando também a prática antiga das Visitas ad limina Apostolorum; ou a estrutura de alguns Dicastérios, nomeadamente o das Igrejas Orientais e os Dicastérios para o diálogo ecumênico e inter-religioso e, de modo especial, com o Judaísmo.

Neste encontro, o Papa se detém sobre outros Dicastérios vistos a partir do coração da reforma, ou seja, da primeira e mais importante tarefa da Igreja: a evangelização.

Em diversos parágrafos, se detém e aprofunda a necessária reforma de alguns Dicastérios da Cúria Romana: a Congregação para a Doutrina da Fé, a Congregação para a Evangelização dos Povos; mas penso também no Dicastério para a Comunicação e no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Para estas mudanças, segundo o Papa, não tem fórmulas mágicas nem atalhos; não se pode cair da tentação de retirar-se para o passado como segurança; tão pouco a atitude rigidez frente às necessárias mudanças: – “Aqui é necessário advertir contra a tentação de assumir a atitude da rigidez. Esta nasce do medo da mudança e acaba por disseminar estacas e obstáculos pelo terreno do bem comum, tornando-o um campo minado de incomunicabilidade e ódio. Lembremo-nos sempre de que, por trás de qualquer rigidez, jaz um desequilíbrio. A rigidez e o desequilíbrio nutrem-se, mutuamente, num círculo vicioso. E hoje esta tentação da rigidez tornou-se tão atual”.

Em seguida, lembra o fato de que a Cúria Romana não é um corpo separado da realidade – embora o risco esteja sempre presente –, mas deve ser concebida e vivida no hoje do caminho percorrido pelos homens e as mulheres, na lógica da mudança de época.

Ela não é um palácio ou um armário cheio de roupas, que se hão de vestir para justificar uma mudança, pois se trata de um corpo vivo, e será tanto mais quanto mais viver a integralidade do Evangelho.

Lembra as interpeladoras palavras do Cardeal Martini, em sua última entrevista dada poucos dias antes da sua morte: – “A Igreja ficou atrasada duzentos anos. Como é possível que não se alvorace? Temos medo? Medo, em vez de coragem? No entanto, a fé é o fundamento da Igreja. A fé, a confiança, a coragem. (...) Só o amor vence o cansaço”.

Entregando dois livros de presente aos participantes, finaliza com votos de Feliz Natal, reiterando que o Natal é a festa do amor de Deus por nós; e é um amor que inspira, dirige e corrige a mudança e vence o medo humano de deixar o “seguro” para se lançar no “mistério”.



Grandes são nossas fraquezas, maior o nosso Remédio

                                                            

Grandes são nossas fraquezas, maior o nosso Remédio

“Pois são muitas e grandes estas minhas fraquezas.
São muitas e enormes. Porém muito maior é teu remédio”

Sejamos enriquecidos pelas “Confissões”, escrita pelo Bispo Santo Agostinho (Séc. V), em que nos possibilita a contemplação de Jesus Cristo, que por amor, morreu por todos nós.

“Aquele que em Tua secreta misericórdia revelaste aos humildes e lhes enviaste para que nos ensinasse a humildade, o verdadeiro mediador, esse mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, apareceu entre os pecadores mortais como justo mortal: mortal com os homens, justo com Deus.

Sendo a recompensa da justiça a vida e a paz, pela justiça unida a Deus, ele destruiu a morte dos ímpios justificados, através dessa morte que desejou igual à deles.

Quanto nos amaste, Pai bom, que não poupaste Teu Filho único, mas por nós, ímpios, o entregaste! Como nos amaste, quando por nós Ele não julgou rapina ser igual a Ti, fez-Se obediente até à morte da Cruz, Ele, o único livre entre os mortos, com poder de entregar Sua vida e o poder de retomá-la! Tudo Ele fez por nós, diante de Ti vitorioso e vítima, vitorioso porque vítima. Por nós, diante de Ti sacerdote e sacrifício, sacerdote porque sacrifício. Fazendo de nós, servos, filhos para Ti, nascendo de Ti, a nós servindo.

Com muita razão minha grande esperança está n’Ele, porque curarás todas as minhas fraquezas, por Aquele que Se assenta à Tua direita e intercede por nós. De outro modo, desesperaria. Pois são muitas e grandes estas minhas fraquezas. São muitas e enormes. Porém muito maior é Teu remédio.

Teríamos podido pensar que Teu Verbo estava longe de unir-se aos homens e entregarmo-nos ao desespero, se Ele não Se tivesse feito carne e habitado entre nós. Apavorado com meus pecados e com o peso de minha miséria, eu revolvia no espírito e pensava em fugir para o deserto. Mas me impediste e me fortaleceste dizendo-me: Para isto Cristo morreu por todos, para que os que vivem não mais vivam para si, mas para Aquele que por eles morreu.

Agora, Senhor, lanço em Ti meus cuidados para viver e considerarei as maravilhas de Tua Lei. Tu conheces minha ignorância e fragilidade: ensina-me, cura-me! O Teu Único, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, me remiu por Seu sangue. Não me caluniem os soberbos, porque reflito no preço dado por mim.

Como, bebo, distribuo e, pobre, desejo saturar-me d’Ele entre aqueles que d’Ele comem e são saciados. Com efeito, louvarão o Senhor aqueles que O procuram”.

Contemplemos o amor de Cristo, que nos impele a renovar fidelidade ao Reino de Deus por Ele inaugurado.

Ele, que por todos nós Se entregou, a fim de que ao viver, não vivamos para nós mesmos, mas para Ele, que por nós morreu e Ressurgiu dentre os mortos, e para perseverarmos com constância e fidelidade, sem jamais experimentar a orfandade, nos enviou o Seu Espírito (2Cor 5,14.15b; Rm 8,32a).

Coloquemos nossa miséria nas mãos do Senhor, a revelação da face misirecordiosa de Deus; n’Ele renovemos nossas forças, para firmar nossos passos.

“Pai Nosso que estais nos céus...

“Pai Nosso que estais nos céus...”

                                               


“Pai Nosso que estais nos céus...”
 
Disse o Senhor na passagem do Evangelho de João (Jo 16,23b-28): “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-la dará” (Jo 16,23b).
 
Oportuno um aprofundamento sobre a autêntica oração, que deve acompanhar a vida do  discípulo missionário do Senhor, pois esta, feita em Seu nome, deve nascer da profunda intimidade com Ele, de tal modo que, a Ele configurados, haveremos de ter mesmos sentimentos (Fl 2,1-11).
 
Tudo isto nós vemos e encontramos na mais bela oração que Ele mesmo no-la ensinou: o “Pai-Nosso” (Mt 6,7-15; Lc 11,1-4), que ora refletimos:
 
- A manifestação da glória do Pai – “Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome” amar a Deus sobre todas as coisas; santificar Seu nome por uma vida que expresse nossa filiação, como imagem e semelhança D’Ele criados; profunda e perfeita sintonia com Deus em todos os momentos;
 
- A vinda do Reino de Deus – “Venha a nós o Vosso Reino” – o Reino de Deus, como assim rezamos no Prefácio da Missa da Solenidade de Cristo Rei: “Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder, toda criatura entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...” 
 
-  amorosa  vontad divina  –  ―”Sej feita   voss vontad assi na  terr com nos céus” Nada pode sobrepor à vontade divina, de modo que não podemos nos submeter à busca de fins mesquinhos e egoísticos. Ser capaz de sacrificar caprichos e vontades de tal modo que estas sejam cada vez mais em conformidade à vontade divina, que nem sempre poderá corresponder à nossa, na mais perfeita sintonia;
 
- A súplica pelo pão cotidiano – “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” é preciso pedir o pão cotidiano, porque a salvação atua neste mundo e na história. Peçamos O Pão de Eternidade, O Pão da Eucaristia e com ele o amor, a vida, a alegria, a paz, a solidariedade, a salvação. Podemos e devemos, como cristãos, também, pedir as coisas temporais, mas desde que sejam fundamentais para o nosso viver com sobriedade, numa vida fugaz, sem ficarmos presos às armadilhas do consumo supérfluo, sem critérios ou sem medidas, numa insaciabilidade prejudicial a si mesmo, sem a solidariedade com os mais empobrecidos do essencial para uma vida digna;
 
- O perdão dos pecados – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” – Suplicar o perdão divino é necessário, mas não nos dispensa de viver o mesmo em relação ao nosso próximo. Se experimentarmos o amor e o perdão divinos, verdadeiramente, poderemos viver a graça do perdão também concedido “Pois, se perdoardes aos homens os seus pecados, também Vosso Pai celeste vos perdoará: mas se não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará vossos delitos” (Mt 6,14);
 
- Preservação e libertação da tentação “Não nos deixeis cair em tentação” as tentações do Maligno, que Nosso Senhor venceu no deserto (ter, poder e ser acúmulo, domínio e prestígio respectivamente) – (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13), e nos ensinou o mesmo a fazer, para que vivamos na liberdade, pois é para ela que Ele nos libertou, para que sejamos verdadeiramente livres (Gl 5,1); e ainda nos falou o Senhor – “Se permanecerdes na minha Palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 31-32);
 
- A libertação do mal – “Mas livrai-nos do mal” – para isto precisa da ação e presença dos dons do Espírito Santo para o discernimento, orientação dos passos e perseverança no testemunho das virtudes divinas (fé, esperança e caridade). Aqui lembramos as palavras que rezamos na conclusão do Pai Nosso ao celebrar a Santa Missa: “Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados por vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto aguardamos a feliz esperança, e a  vinda do nosso Salvador, Jesus Cristo. Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém!”.
 
Concluímos com a leitura orante da passagem da Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 5,1-26), na qual ele nos exorta a viver a verdadeira liberdade e caridade, que devem ser marcas fundamentais dos discípulos missionários do Senhor, não satisfazendo os desejos da carne, mas conduzidos pelo Espírito.
 
Fonte: Missal Cotidiano Editora Paulus 1998 p. 468-469.
 

“Quão grande e admirável é a caridade”

                                                              

“Quão grande e admirável é a caridade”

Sejamos enriquecidos pela arta aos Coríntios, escrita pelo Papa São Clemente I (séc. I):

Vede, diletos, quão grande e admirável é a caridade. A sua perfeição ultrapassa as palavras. Quem é capaz de possuí-la a não ser aquele que Deus quiser tornar digno?

Oremos, portanto, e peçamos-lhe misericórdia para sermos encontrados na caridade, sem culpa nem qualquer inclinação meramente humana. Todas as gerações, desde Adão até hoje, já passaram. Aqueles, porém, que pela graça de Deus foram consumados na caridade, alcançam o lugar dos santos e serão manifestados na parusia do Reino de Cristo.

Está escrito: Entrai nos quartos por um momento até que passe minha cólera acesa; e lembrar-me-ei dos dias bons e vos erguerei de vossos sepulcros.

Felizes de nós, diletos, se cumprirmos os preceitos do Senhor na concórdia da caridade, para que pela caridade sejam perdoados nossos pecados. Pois está escrito: Felizes aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cobertos os pecados. Homem feliz, a quem o Senhor não acusa de pecado nem há engano em sua boca. Esta felicidade pertence aos eleitos de Deus, mediante Jesus Cristo, Nosso Senhor, a quem a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

De tudo quanto faltamos e fizemos, seduzidos por alguns servos do adversário, peçamos-lhe perdão. Aqueles, porém, que se tornaram cabeças de sedição e discórdia, devem meditar sobre a comum esperança.

Quem vive no temor de Deus e na caridade, prefere o próprio sofrimento ao do próximo, prefere suportar injúrias a desacreditar a harmonia, que bela e justamente nos vem da tradição. É de fato melhor confessar o seu pecado do que endurecer o coração.

Quem entre vós é o generoso, quem o misericordioso, quem o cheio de caridade? Que esse diga: ‘Se por minha causa surgiu esta sedição, esta discórdia e divisão, então eu me retiro, vou para onde quiserdes e farei o que o povo decidir; contanto que o rebanho de Cristo tenha a paz com os presbíteros estabelecidos’.

Quem assim agir, alcançará grande glória em Cristo e será recebido em todo lugar. Do Senhor é a terra, e tudo o que contém. Assim fazem e farão aqueles que vivem a vida divina, da qual nunca se têm de arrepender”.

A Carta é um convite para a reflexão sobre os Preceitos do Senhor, no fortalecimento dos laços e vínculos de concórdia e da caridade na vida de comunidade.

Sete vezes a palavra caridade é mencionada nesta Carta, e bem sabemos quão necessária ela é na vida da comunidade, para que se fortaleçam os vínculos entre seus membros.

Sem ela, a missão se fragiliza, a Igreja não se rejuvenesce, e perde o ardor da missão que o Senhor confiou.

A caridade vivida nos coloca em abertura ao sopro do Espírito, que anima e conduz Sua Igreja, para que seja aberta aos sinais dos tempos e os clamores que emergem por uma solidária e corajosa resposta.

Roguemos a Deus para que nossas comunidades sejam espaços privilegiados de aprendizado e da prática da caridade, na correção fraterna, na conversão de todos ao que delas se espera, e que jamais sejamos motivos de discórdia delas participando.

Rezando com os Salmos - Sl 58(59),2-5.10-11.17-18

 



O Senhor é a minha força, refúgio e proteção

“–2 Libertai-me do inimigo, ó meu Deus,
e protegei-me contra os meus perseguidores!
–3 Libertai-me dos obreiros da maldade,
defendei-me desses homens sanguinários!

–4 Eis que ficam espreitando a minha vida,
poderosos armam tramas contra mim.
=5 Mas eu, Senhor, não cometi pecado ou crime;
eles investem contra mim sem eu ter culpa:
despertai e vinde logo ao meu encontro!

=10 Minha força, é a Vós que me dirijo,
porque sois o meu refúgio e proteção,
11 Deus clemente e compassivo, meu amor!
– Deus virá com Seu amor ao meu encontro,
e hei de ver meus inimigos humilhados.

–17 Eu, então, hei de cantar Vosso poder,
e de manhã celebrarei Vossa bondade,
– porque fostes para mim o meu abrigo,
o meu refúgio no dia da aflição.

=18 Minha força, cantarei Vossos louvores,
porque sois o meu refúgio e proteção,
Deus clemente e compassivo, meu amor!”

O Salmo 58(59),2-5.10-11.17-18 é a oração do justo perseguido:

“Ameaçado por gente poderosa, o salmista protesta sua inocência; numa prece confiante invoca o socorro divino contra os que desejam matá-lo.” (1)

Segundo Eusébio de Cesareia, estas palavras ensinam a todos o amor filial do Salvador para com Seu Pai.

Também deve ser esta a nossa atitude diante de Deus em meio às provações e dificuldades. E sempre que preciso for, façamos deste Salmo a nossa oração e, no Senhor, em quem colocamos toda a confiança, busquemos refúgio e proteção, não evasão ou omissão dos sagrados compromissos. Amém.

 

(1) Comentário Bíblia Edições CNBB – pág. 774

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