quinta-feira, 11 de junho de 2026

Em poucas palavras...

 


Com São Barnabé aprendamos

“Barnabé significa filho da consolação, e foi o sobrenome dado pelos Apóstolos a José, levita e cipriota de nascimento (At 4,36), pelo seu espírito conciliador e pela sua simpatia, segundo comenta São João Crisóstomo (Homilia sobre Atos dos Apóstolos)...

São Barnabé convida-nos hoje a ter um coração grande na tarefa apostólica, um coração que nos leve a não desanimar facilmente perante os defeitos e retrocessos dos amigos ou parentes que queremos levar ao Senhor, a não deixá-los de lado quando fraquejam ou talvez não correspondam às nossas atenções e à nossa oração...” (1)



(1) Coleção Falar com Deus - Vol. IV - Francisco Fernandes-Carvajal - Editora Quadrante - p. 321; 322

Para onde caminha aquele homem?

                                            

Para onde caminha aquele homem?

A chuva caiu fortemente e o medo tomou conta de todos. Mas tudo em ordem, a água seguiu seu curso natural, penetrando a terra para torná-la fecunda, continuando seu processo de recriação, ao céu voltando para retorno, e outras para o rio e no mar desaguarem.

Tudo tão simples, mas nem tanto assim... Uma tarde que convidava ao recolhimento, à contemplação e ao respiro mais profundo do ar puro (bem sabemos quão difícil respirar fica quando a chuva não vem por um tempo prolongado).

Na rodovia, muitos em seus veículos seguiam seus caminhos. Para onde? Para o trabalho, para o retorno da casa, ao encontro de alguém, e tantas outras possibilidades que possamos pensar...

Entretanto, meu olhar voltou-se para uma pessoa apenas: um homem de pernas franzinas, magérrimo, sacolas amarradas a um suporte sobre as costas, traços de sofrimento, reforçados pela barba não feita, cabelos despenteados, caminhava passos pós passos.

Aquele homem caminhava em direção do que, de quem? De onde vinha e para onde ia? Quanto tempo teve para chegar, e aonde chegou? O que foi o ontem para ele, o que será o amanhã?

Assim como aquele homem, quantos vagam pelas estradas sem rumo, sem nome, sem ter onde reclinar a cabeça.

Quais serão suas histórias? Quais serão seus destinos? Quais seus horizontes?

Caminham apenas com o pouco que conseguem suportar, para em algum lugar se reencontrar quando a noite chegar, e uma sombra quando o insuportável calor do dia impuser a necessidade de um breve parar, breve porque se por muito tempo incomodarão, e ainda sob o risco de serem eliminados.

A pós-modernidade tem seus avanços, mas ainda não conseguiu respostas para situações como estas. Ainda se multiplicam os rostos de pessoas sofridas, condenadas ao anonimato, e que se tornam indiferentes e até mesmo invisíveis para nós, quando não nos “perturbam”...

Glorifico a Deus por aqueles que não apenas veem alguém caminhando ao encontro do nada, a não ser ao encontro da própria morte; ouvindo, acolhendo e a fome de vida e de amor saciando, com gestos solidários, ainda que pequenos e insignificantes para o mundo, mas não para quem os recebe.

Hoje me solidarizo com aqueles que vão ao encontro destes, e elevo minhas Orações para que não desistam, na certeza de que o bem feito a cada um é o agir em favor do próprio Deus, que com estes quis Se identificar e Se fazer acolhido (Mt 25).

Aquele homem seguiu adiante e não sei para onde foi, mas sei que aqui bem perto de mim há outros que me desafiam a superar todo sentimento de impotência ou desculpas de não responsabilidade, transferindo-a para outros.

O Deus que adoramos e amamos não nos permite acomodações e omissões. Não podemos mudar a história de milhões, mas ainda que de poucos, já terá valido a pena.

É preciso não se curvar ao evangelho da pós-modernidade que torna a vida líquida, fluída, descartável e, diante desta realidade, há que se renovar em cada um de nós um novo olhar e uma nova postura, fundada na esperança e na solidariedade, para que tenhamos, enfim, uma nova humanidade, pautando a vida pelo Evangelho do Senhor, que nos conduz à verdadeira fraternidade, em gestos contínuos de solidariedade.

Para onde foi aquele homem, continuo me interrogando?
Para onde caminha a humanidade?
O que posso, o que podemos fazer por este homem de rosto sombrio, embora nem saibamos seu nome?

De que modo vivemos a caridade expressa em gestos pequenos e grandes de solidariedade?

Aquele homem se foi...
Para onde?
Confesso, que ele ficou e ficará para sempre em meu coração, em pensamento...

Quantas vezes reclamamos da falta de alguma coisa, ou não somos suficientemente agradecidos pelo que temos.

Quantas vezes pessoas anônimas cruzam nossos olhares e preferimos desviar, como bem expressa este canto que nos convida à conversão e à desinstalação de nossa condição, indo ao encontro do outro, vendo neste a presença do próprio Senhor:

“Seu nome é Jesus Cristo e passa fome
E grita pela boca dos famintos
E a gente quando vê passa adiante
Às vezes pra chegar depressa à Igreja...”

Luzes para a iniciação à vida cristã

 


Luzes para a iniciação à vida cristã

Reflexão à luz das Homilias sobre o Livro de Josué, escrito elo presbítero Orígenes (Séc. III):

“No Jordão, a arca da aliança era o guia do povo de Deus. A fileira dos sacerdotes e levitas pára, e as águas, como que em reverência aos ministros de Deus, refreiam seu curso e amontoam-se abrindo caminho livre para o povo de Deus.

Não te admires de que estes fatos, acontecidos com o povo antigo, se refiram a ti, cristão, que pelo sacramento do batismo atravessaste o rio Jordão. A palavra divina te promete coisas ainda maiores e mais elevadas: oferece-te mesmo a travessia pelos ares.

Escuta o que Paulo diz acerca dos justos: Seremos arrebatados nas nuvens, ao encontro de Cristo nos ares, e assim estaremos com o Senhor para sempre. Não há nada que amedronte o justo. Todas as criaturas o servem.

Ouve ainda como pelo Profeta Deus lhe promete: Se passares pelo fogo, a chama não te queimará, porque eu sou o Senhor, teu Deus. Todo lugar acolhe o justo e toda criatura lhe presta o devido serviço. E não julgues que estas coisas se deram antigamente e que em ti, que as escutas, nada de semelhante acontece. Todas se perfazem em ti de modo místico. De fato, tu que, abandonando há pouco as trevas da idolatria, desejas aproximar-te da lei divina, deixas primeiro o Egito.

Quando te inscreveste no número dos catecúmenos e começaste a obedecer aos preceitos da Igreja, atravessaste o mar Vermelho. Assim, levado às paradas do deserto, tu te entregas diariamente à audição da lei divina e à contemplação do rosto de Moisés, com o véu já retirado pela glória do Senhor.

Se depois te achegares à fonte do místico batismo e, na presença dos sacerdotes e levitas, fores iniciado naqueles veneráveis e magníficos mistérios conhecidos por aqueles a quem de direito, então depois de ter atravessado o Jordão, também pelo ministério sacerdotal, entrarás na terra prometida. Nesta, depois de Moisés, acolher-te-á Jesus e ele próprio se fará teu guia na nova caminhada.

Tu, porém, lembrado de tantas e tão grandes maravilhas de Deus, como o mar que se dividiu para ti e a água do rio que parou diante de ti, voltado para eles dirás: Que houve, ó mar, que fugiste? e tu, Jordão, que voltaste para trás? Montes, por que saltais como cabritos e as colinas como cordeirinhos? A palavra divina responderá: Diante da face do Senhor abalou-se a terra, diante da face do Deus de Jacó, que muda a pedra em lago e o rochedo em fontes de água.” (1)

Esta reflexão é oportuna para o aprofundamento do 5º Capítulo das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil – DGAE (2026-2032), em que nos apresenta os cinco Caminhos da Missão, mas de modo mais específico o segundo caminho da Missão que trata da Iniciação à Vida Cristã.

Urge que nossas Paróquias acolham as novas Diretrizes, que oportunamente estarao em nossas mãos, para estudo, e iluminar nossa caminhada evangelizadora.

 

(1) Liturgia das Horas – Volume III – Editora Paulus – p. 298-299

Eucaristia é o centro e o ápice da vida cristã

                                               


Eucaristia é o centro e o ápice da vida cristã

 

Na Eucaristia, celebramos o triunfo do amor sem limites de Jesus ao Pai e por todos nós. Nela, anunciamos e acolhemos a Salvação que essa morte continuamente nos comunica e nos tornamos  cada vez mais conscientes da nossa dignidade filial perante Deus e da fraternidade que nos une. Impossível que celebremos a Eucaristia sem estar em comunhão com o próximo. (1).

 

Reflitamos sobre a Eucaristia, Mistério sublime do Amor de Deus por nós:

 

1 – Santo Inácio de Antioquia (séc. I):

O Pão eucarístico é “remédio de imortalidade e antídoto para não morrer”.

 

2 – Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja (séc. IV):

“Do Corpo de Deus brotou para mim uma fonte eterna; Cristo bebeu minhas amarguras para dar-me a suavidade de Sua graça.”

 

3 – São Pedro Crisólogo (séc. V):

“O Pai Celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão Celeste (Jo 6,51). Cristo «é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste»”

 

4 - Presbítero Santo Tomás de Aquino (séc. XIII):

“Poderia haver algo de mais admirável que este Sacramento? De fato, nenhum outro Sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.”

 

5 - Eucaristia: fonte e ápice de toda a vida cristã:

“'A Eucaristia é ‘fonte e ápice de toda a vida cristã'. 'Os demais Sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa’’’ (2)

 

6- Eucaristia e Cruz - pedras de tropeço:

“O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da paixão os escandalizou: «Estas palavras são insuportáveis! Quem as pode escutar?» (Jo 6, 60).

A Eucaristia e a Cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério e não cessa de ser ocasião de divisão. «Também vos quereis ir embora?» (Jo 6, 67): esta pergunta do Senhor ecoa através dos tempos, como convite do Seu amor a descobrir que só Ele tem «Palavras de vida eterna» (Jo 6, 68) e que acolher na fé o dom da Sua Eucaristia é acolhê-Lo a Ele próprio” (3)

 

7 - Eucaristia e Penitência:

“Eucaristia e Penitência. A conversão e a penitência cotidianas têm a sua fonte e alimento na Eucaristia: porque na Eucaristia torna-se presente o sacrifício de Cristo, que nos reconciliou com Deus: pela Eucaristia nutrem-se e fortificam-se os que vivem a vida de Cristo: «ela é o antídoto que nos livra das faltas cotidianas e nos preserva dos pecados mortais» (Concílio de Trento).” (4)

 

8 – Papa São João Paulo II,

“A Eucaristia é amor levado ao extremo”;

“A Eucaristia edifica a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia”;

 

“A Eucaristia cria comunhão e edifica para a comunhão”;

“na simplicidade dos sinais do banquete se esconde o abismo da santidade de Deus”;

 

“A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do céu que se abre sobre a terra – é um raio de glória  da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar nosso caminho”;

 

“... o cristão, que participa na Eucaristia, dela aprende a tornar-se promotor de comunhão, de paz, e solidariedade em todas as circunstâncias da vida...  a Eucaristia como uma grande escola de paz...” (5)

 

9 -  Papa Bento XVI:

“Na Eucaristia Deus vem a nós corporalmente para continuar a Sua ação em nós e através de nós”.(6)

 

10 – Papa Leão XIV:

“’É através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam mãos do Ressuscitado’. Alimentados pelo Corpo e Sangue do Senhor, somos enviados a ser testemunhas da sua presença, da sua misericórdia e da sua paz.” (7)

 

Oremos:

 

“Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento, nos deixastes o memorial da vossa Paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso corpo e do vosso sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém.” (8)

 

(1) Comentário sobre a passagem da Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 11,17-26.33) -  Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – p. 353

(2)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1324

(3) Catecismo da Igreja Católica - n.1336

(4) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo  1436

(5) Ecclesia de Eucharistia – 2003 e Mane Nobiscum Domine – 2004):

(6) Carta Encíclica “Deus Caritas est” 

(7)Palavras do Papa Leão IV durante sua reflexão antes da oração do Regina Caeli no domingo, 12/04/2026.

(8) Oração da Coleta – Missa da Solenidade de Corpus Christi – Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

 PS: Apropriado para a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

São Barnabé: corajosa testemunha do Senhor

                                                                 

São Barnabé:  corajosa testemunha do Senhor


A Liturgia das Horas nos apresenta parte dos Tratados sobre o Evangelho de São Mateus, escrito pelo Bispo São Cromácio (Séc. IV), ao celebrarmos a Memória de São Barnabé, no dia 11 de junho, e refletimos sobre a missão do cristão de ser luz do mundo.

“'Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa'(Mt 5,14-15).

O Senhor chamou Seus discípulos de sal da terra, porque eles deviam dar um novo sabor, por meio da sabedoria celeste, aos corações dos homens que o demônio tornara insensatos. E também os chamou de luz do mundo porque, iluminados por Ele, verdadeira e eterna luz, tornaram-se também eles luz que brilha nas trevas.

O Senhor é o Sol da Justiça; é, por conseguinte, com toda razão que chama Seus discípulos luz do mundo; pois é por meio deles que irradia sobre o mundo inteiro a luz do Seu próprio conhecimento. Com efeito, eles afugentaram dos corações dos homens as trevas do erro, manifestando a luz da verdade.

Iluminados por eles, também nós passamos das trevas para a luz, como afirma o Apóstolo: ‘Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz' (Ef 5,8). E noutra passagem: 'Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas’ (1Ts 5,5).

Com razão diz também São João numa epístola sua: ‘Deus é luz’ (1Jo 1,5); e quem permanece em Deus está na luz, da mesma forma como ele próprio está na luz. Portanto, uma vez que temos a felicidade de estar libertos das trevas do erro, devemos caminhar sempre na luz, como filhos da luz. A esse propósito, diz ainda o Apóstolo: ‘Vós brilhais como astros no universo. Conservai com firmeza a palavra da vida' (Fl 1,15-16).

Se não procedemos assim, ocultaremos e obscureceremos com o véu da nossa infidelidade, para prejuízo tanto nosso como dos outros, uma luz tão útil e necessária. 

Eis o motivo por que incorreu em merecido castigo aquele servo que, recebendo o talento para dar juros no céu, preferiu escondê-lo a depositá-lo no banco.

Assim, aquela lâmpada resplandecente, que foi acesa para nossa salvação, deve sempre brilhar em nós. Pois temos a lâmpada dos Mandamentos de Deus e da graça espiritual a que se refere Davi: ‘Vosso mandamento é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada em meu caminho’ (cf. Sl 118,105). E Salomão também diz acerca dela: ‘O preceito da Lei é uma lâmpada’ (cf. Pr 6,23).

Por isso, não devemos ocultar esta lâmpada da Lei e da fé, mas colocá-la sempre no candelabro da Igreja para a salvação de todos. Então gozaremos da luz da própria verdade e serão iluminados todos os que creem”.

Urge que sejamos vigilantes, para que o “véu da incredulidade” não obscureça a luz que haveremos de fazer resplandecer no mundo, cuja missão nos confiou o Senhor.

Tenhamos sempre a “lâmpada dos Mandamentos de Deus e da graça espiritual”, como nos falou o Bispo, para irradiar a luz divina, onde quer que estejamos.

São Barnabé, por sua vida e testemunho, assim o fez, e o mesmo haveremos de fazer, pois, assim como ele, queremos estar sempre cheios de fé e do Espírito.

Oremos:

“Ó Deus, que designastes São Barnabé, cheio de fé e do Espírito, para converter as nações, fazei que a Vossa Igreja anuncie por palavras e atos o Evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

Em poucas palavras...

                                                         


Contemplemos as virtudes do próximo

“Procuremos sempre olhar as virtudes e coisas boas que vemos nos outros, e tapar os seus defeitos com os nossos grandes pecados.

Ainda que depois não o consigamos com perfeição, este é um modo de agir que nos faz ganhar uma grande virtude, que é a de termos a todos por melhores do que nós. E assim começamos a ganhar o favor de Deus” (1).

 

(1)        Santa Teresa, Vida, 13, 6

“Graça, misericórdia e paz”

                                                   

“Graça, misericórdia e paz”

Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (1 Tm 1, 1-2.12-14).

Retomo os dois primeiros versículos:

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé: a graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Sobre estes versículos, o Lecionário Comentado nos enriquece com estas palavras:

“Ao filho Timóteo, que ele gerou na fé e com o qual partilha o ministério, Paulo augura que possa experimentar a ‘graça’, ou seja a presença do Espírito, infundido pelo Pai e pelo Filho; a ‘misericórdia’, isto, é o perdão de Deus (só nas Cartas a Timóteo é que Paulo augura também a misericórdia); a ‘’paz’, ou seja, a reconciliação com Deus, consigo mesmo, com o seu serviço, com os irmãos e com o mundo” (1)

Esta saudação Paulina pode ser repetida por nós a quantos pudermos: “Graça, misericórdia e paz”, pois todos precisamos da graça que nos vem pelo Espírito que em nós habita; da misericórdia, porque imperfeitos que somos, pecadores consequentemente o somos, e colocamos nossa miséria nas mãos de Deus que nos ama e nos perdoa e nos faz uma nova criatura, e por fim, somos plenificados pela paz, pelo “shalon”, plenitude de bens e dons, pela gloriosa presença do Ressuscitado em nosso meio, que conosco caminha, desde aquela aurora, em que se manifestou o Sol Nascente a Maria Madalena e aos primeiros Apóstolos.

Que também possamos ouvir de nossos irmãos e irmãs a mesma saudação: “graça, misericórdia e paz”, para que nossa vida cristã esteja inteiramente situada entre a experiência da misericórdia de Deus por nós, que somos pecadores, e a solicitude misericordiosa pelos nossos irmãos e irmãs, como expressão de quem foi amado e perdoado por Deus, que espera o mesmo de cada um de nós em relação ao nosso próximo.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p.322
PS: Apropriado para a passagem - 2Tm 1,1-3.6-12

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