domingo, 7 de junho de 2026

Em poucas palavras... (XDTCA)

                                       


Jesus e Sua conduta misericordiosa

“Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a Sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos (Mt 9,13; Os 6,6).

Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores (Lc 15,1-2), os admitia no banquete messiânico (Lc 15,23-32). 

Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema.

É que, como essas autoridades justamente dizem, apavoradas, «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7). 

Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus (Jo 5,18; 10,33), ou diz a verdade e a Sua pessoa torna então presente e revela o nome de Deus (Jo 17,6.26).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 589

 

Os sacrifícios mais aceitos por Deus (XDTCA)

                                                       

Os sacrifícios mais aceitos por Deus

Na Missa, após a consagração do pão e do vinho, temos a anamnese que é a memória dos acontecimentos da Salvação, nomeadamente Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação de Cristo:

“Anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

O Bispo Santo Agostinho, refletindo o Salmo (Sl 95,13), que trata do julgamento divino e os sacrifícios agradáveis ao Senhor, muito nos ajuda a entender a anamnese que dizemos em todas as Missas, e este preciosíssimo versículo do Salmo mencionado.

“... Amamos e temos medo da Sua vinda. Será que amamos? Ou amamos muito mais nossos pecados?

Odiemos, portanto, estes mesmos pecados e amemos Aquele que virá castigar os pecados. Ele virá, quer queiramos, quer não. Se ainda não veio, não quer dizer que não virá.

Virá na hora que não sabes; se te encontrar preparado,  não haverá importância de saberes... Porque és injusto, não será justo o juiz? Ou porque és mentiroso, não será veraz a verdade?

Se queres, porém encontrar o Misericordioso, sê tu misericordioso, antes de Sua chegada: perdoa, se algo foi feito contra ti, dá daquilo de que tens em abundância.

Donde vem aquilo que dás, não é d’Ele? Se desses do que és teu, seria liberalidade, quando dás do que é Dele, é devolução. Que tens que não recebeste? (1 Cor 4,7).

São estes os sacrifícios mais aceitos por Deus: Misericórdia, humildade, louvor, paz, caridade. Ofereçamo-los com confiança e esperemos a vinda do juiz que julgará o orbe da terra com equidade, e os povos em sua verdade (Sl 95,13)”.

Ele veio, vem e virá.
Veio à primeira vez, virá pela segunda: glorioso! Enquanto Ele não vem, estamos alegremente vigilantes, em Oração e ação.

Comprometidos estamos com a Sua chegada, ainda que não saibamos quando, e nem nos cabe saber, somente o Pai o sabe. Importa que estejamos preparados.

Iniciando o Itinerário Pascal, preparando-nos a Festa de Pentecostes, reflitamos:

- Como estamos sendo sinais do Cristo Ressuscitado?
- Quais os sacrifícios agradáveis ao Senhor que vamos intensificar neste Tempo Pascal?

Oremos:

“Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a Ressurreição do Senhor, renovados pelo Vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova. Por N.S.J.C. Amém(1)


(1) Oração do Dia do Domingo de Páscoa.

Em poucas palavras... (XDTCA)

 


O autêntico e perfeito sacrifício

“Para ser autêntico, o sacrifício exterior deve ser expressão do sacrifício espiritual: «O meu sacrifício é um espírito arrependido...» (Sl 51, 19).

Os profetas da Antiga Aliança denunciaram muitas vezes os sacrifícios feitos sem participação interior (Am 5,21-25) ou sem ligação com o amor do próximo (Is 1,10-20).

Jesus recorda a palavra do profeta Oseias: «Eu quero misericórdia e não sacrifício» (Mt 9, 13; 12, 7) (Os 6,6).

O único sacrifício perfeito é o que Cristo ofereceu na cruz, em total oblação ao amor do Pai e para nossa salvação (Hb 9,13-14).

Unindo-nos ao seu sacrifício, podemos fazer da nossa vida um sacrifício a Deus.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2100

Deus, o grande incompreendido (XDTCA)

                                                    

Deus, o grande incompreendido

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,9-13), em que se contempla quão misericordioso é o nosso Deus. 

Assim Se expressa o Senhor:

– “Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (v. 13).

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Cotidiano:

Deus foi sempre o grande incompreendido por parte dos homens. Incompreendido em Seu agir, em Suas intervenções, incompreendido em Seu silêncio, incompreendido em Suas exigências e em Sua lei.

Mas a incompreensão maior e mais estranha refere-se à Sua misericórdia. É a incompreensão de quem não crê na misericórdia de Deus, de quem tem medo d’Ele, de quem treme ao pensar em comparecer à Sua presença, e foge do mal unicamente para evitar os Seus castigos...”.

Quem poderá compreender o Coração de Deus?

Quem souber viver a misericórdia para com o próximo, na sincera e frutuosa prática da acolhida, do perdão, superação.

Quem souber saborear a mais bela e pura alegria que nasce do perdão dado e recebido.

Quem não crer que o ódio, o rancor, o ressentimento fossilizarão ou criarão raízes nas entranhas mais profundas do coração.

Quem souber transformar o coração de pedra num coração de carne, terno e manso, para que nele Deus possa frutuosa e ricamente fazer Sua morada.

Quem não crer que a obscuridade ao outro deva ser para sempre imposta pelo seu erro, tropeço, falha.

Quem souber compreender na exata medida o erro cometido, sem nada acrescentar, e ter também a maturidade de se colocar no lugar do outro, porque todos somos passíveis de erros.

Quem do Senhor Jesus mesmos sentimentos, pensamentos e ações tiver. Quem como Ele agir. Quem souber gerar e formar Cristo em Si e no outro, no amor que renova, recria, reencanta, refaz, reconduz...

Quem poderá compreender o Coração de Deus?

Ó incompreendido Amor de Deus que questiona o amor humano, tão pequeno, quantificável, porque limitado, medido, calculado, com parcimônia por vezes comunicado.

Ó incompreendido Amor de Deus, que o nosso assim também o seja. Amor não é para ser compreendido, amor é para amar, simplesmente; sem teorias, explicações, racionalizações. Amor de Cruz, que ama, acolhe, perdoa, renova, faz renascer e rompe a barreira do aparentemente impossível.

O Amor vivido no extremo da Cruz, foi, é e será para sempre o verdadeiro Amor. Tão incompreendido, mas tão necessário e desafiador para a humanidade em todo tempo.

Amor que, se vivido, nos credencia para a eternidade de Deus, que é a vivência e mergulho na plenitude de Seu amor, luz, alegria, vida  e paz. Amém.


PS: Proclamado no Sábado depois das cinzas a passagem paralela -  Evangelho de Lucas (Lc 5,27-32).

Em poucas palavras... (XDTCA)

 


Por que Deus não impediu o primeiro homem de pecar?

“Mas porque é que Deus não impediu o primeiro homem de pecar? São Leão Magno responde: «A graça inefável de Cristo deu-nos bens superiores aos que a inveja do demónio nos tinha tirado».

E São Tomás de Aquino: «Nada se opõe a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais alto depois do pecado. Efetivamente, Deus permite que os males aconteçam para deles tirar um bem maior.

Daí a palavra de São Paulo: "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5, 20). Por isso, na bênção do círio pascal canta-se: "Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor!"».”

 

(1)Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 412

"Quero a misericórdia e não o sacrifício" (XDTCA)

                                                     


"Quero a misericórdia e não o sacrifício" 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,9-13), em que nos apresenta o roto misericordioso de Deus, quando  quando assim Se expressa o Senhor:

“Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (v. 13).

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Cotidiano:

Deus foi sempre o grande incompreendido por parte dos homens. Incompreendido em Seu agir, em Suas intervenções, incompreendido em Seu silêncio, incompreendido em Suas exigências e em Sua lei.

Mas a incompreensão maior e mais estranha refere-se à Sua misericórdia. É a incompreensão de quem não crê na misericórdia de Deus, de quem tem medo d’Ele, de quem treme ao pensar em comparecer à Sua presença, e foge do mal unicamente para evitar os Seus castigos...”.

Quem poderá compreender o Coração de Deus?
Quem souber viver a misericórdia para com o próximo, na sincera e frutuosa prática da acolhida, do perdão, da superação.

Quem souber saborear a mais bela e pura alegria que nasce do perdão dado e recebido.

Quem não crer que o ódio, o rancor, o ressentimento fossilizarão nas entranhas mais profundas do coração.

Quem souber transformar o coração de pedra num coração de carne, terno e manso, para que nele Deus possa frutuosa e ricamente fazer Sua morada.

Quem não crer que a obscuridade ao outro deva ser para sempre imposta pelo seu erro, tropeço, falha.

Quem souber compreender na exata medida o erro cometido, sem nada acrescentar, e ter também a maturidade de se colocar no lugar do outro, porque todos passíveis de erros o somos.

Quem do Senhor Jesus mesmos sentimentos, pensamentos e ações tiver. Quem como Ele agir. Quem souber gerar e formar Cristo em Si e no outro, no amor que renova, recria, reencanta, refaz, reconduz...

Quem poderá compreender o Coração de Deus?

Ó incompreendido Amor de Deus que questiona o amor humano, tão pequeno, quantificável, porque limitado, medido, calculado, com parcimônia por vezes comunicado.

Ó incompreendido Amor de Deus, que o nosso assim também o seja. Amor não é para ser compreendido, amor é para amar, simplesmente; sem teorias, explicações, racionalizações. Amor de Cruz, que ama, acolhe, perdoa, renova, faz renascer e rompe a barreira do aparentemente impossível.

O Amor vivido no extremo da Cruz, foi, é e será para sempre o verdadeiro Amor. Tão incompreendido, mas tão necessário e desafiador para a humanidade em todo tempo.

Amor que, se vivido, nos credencia para a eternidade de Deus, que é a vivência e mergulho na plenitude de Seu amor, luz, alegria e paz. Amém.

PS: Oportuna para a Festa de São Mateus - 21 de setembro

A misericórdia do Senhor é para sempre (XDTCA)

                                                             

                        A misericórdia do Senhor é para sempre

“E se as misericórdias de Deus
são de sempre e para sempre, também eu
cantarei eternamente as misericórdias do Senhor”

Sejamos enriquecidos pelo Sermão do Abade São Bernardo (Séc. XII) sobre o Livro do Cântico dos Cântidos, em que ele nos leva à contemplação do Amor redentor do Senhor por nós pecadores, com uma mensagem que nos faz perceber que onde abunda o delito, o pecado, superabunda a graça divina.

“Onde encontrar repouso tranquilo e firme segurança para os fracos, a não ser nas Chagas do Salvador? Ali permaneço tanto mais seguro, quanto mais poderoso é Ele para salvar.

O mundo agita, o corpo dificulta, o demônio arma ciladas; não caio, porque estou fundado sobre rocha firme. Pequei e pequei muito; a consciência abala-se, mas não se perturba, pois me lembro das Chagas do Senhor.

Ele foi ferido por causa de nossas iniquidades. Que pecado tão mortal que a morte de Cristo não apague?

Se vier à mente tão poderoso e eficaz remédio, não haverá mal que possa aterrorizar.

Por isso, muito errou quem disse: Tão grande é o meu pecado que não merece perdão.

Mostra com isso não ser membro de Cristo nem lhe interessar o mérito de Cristo, por apoiar-se no próprio merecimento, declarar coisa sua o que pertence a outro, como acontece com um membro em relação à cabeça.

Quanto a mim, vou buscar o que me falta confiadamente nas entranhas do Senhor, tão cheias de misericórdia, que não lhe faltam fendas por onde se derrame.

Cravaram Suas mãos e Seus pés, traspassaram Seu lado; por estas fendas é-me permitido sugar o mel da pedra, o óleo do rochedo duríssimo, quero dizer, provar e ver quão suave é o Senhor.

Ele alimentava pensamentos de paz e eu não sabia. Pois quem conheceu o pensamento do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?

Mas o cravo que penetra tornou-se-me a chave que abre a fim de ver a vontade do Senhor.

Que verei através das fendas? Clama o cravo, clama a chaga que Deus está em Cristo reconciliando o mundo consigo. A espada atravessou sua alma e tocou seu coração; é-lhe agora impossível deixar de compadecer-se de minhas misérias.

Abre-se o íntimo do Coração pelas Chagas do corpo, abre-se o magno Sacramento da piedade, abrem-se as entranhas de misericórdia de nosso Deus que induziram o Oriente, vindo do alto a visitar-nos.

Qual o íntimo que se revela pelas Chagas? Como poderia brilhar de modo mais claro do que em Vossas Chagas, que Vós, Senhor, sois suave e manso e de imensa misericórdia?

Maior compaixão não há do que entregar Sua vida por réus de morte e condenados. Em vista disso, meu mérito é a misericórdia do Senhor. Nunca me faltam méritos enquanto não lhe faltar a comiseração.

Se forem numerosas as misericórdias do Senhor, eu muitos méritos terei. Que acontecerá se me torno bem consciente dos meus muitos pecados? Onde abundou o delito, superabundou a graça.

E se as misericórdias de Deus são de sempre e para sempre, também eu cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. Acaso é minha a justiça?

Senhor, lembrar-me-ei unicamente de Vossa justiça. Vossa, sim, e minha; porque Vós Vos fizestes para mim justiça de Deus.”

Contemplemos as Santas Chagas dolorosas do Senhor, que são também as Suas Santas chagas gloriosas, da qual nascemos e nos alimentamos. 

A água cristalina jorrada do Coração transpassado do Senhor, remete-nos ao Batismo, e o Sangue, por usa vez, remete-nos ao Sangue que nos lavou e nos redimiu, e que no Banquete Eucarístico, quando o Pão e o Vinho recebemos, não comemos pão nem bebemos vinho, mas comemos e bebemos do Cálice do Senhor, verdadeira Comida, verdadeira Bebida. 

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