sexta-feira, 5 de junho de 2026
“Para mim o viver é Cristo”
O que especifica a existência terrena de um cristão é a sua união com Cristo (cf Gl 2,20; Col 1,24).
Sabedoria nos discernimentos e intenções
Sejamos enriquecidos por um dos Tratados de Balduíno de Cantuária (Séc. XII).
“O Senhor conhece os pensamentos e as intenções de nosso coração. Quanto a si, conhece-os todos, sem dúvida alguma; quanto a nós, conhece aqueles que sua graça nos faz devidamente discernir.
O espírito que há no homem não conhece tudo que existe no homem, e percebe a respeito de seus pensamentos quais os que deve ou não aceitar. Contudo, nem sempre julga conforme a realidade. O que vê pelos olhos da mente não o discerne com exatidão, por causa da fraqueza da vista.
É frequente que, pela própria imaginação ou por outra pessoa ou pelo tentador, se apresente algo sob a aparência de piedade que, aos olhos de Deus, não merece o prêmio da virtude. Pois existem simulacros das verdadeiras virtudes e, também, dos vícios, que iludem os olhos do coração.
Como por artifícios, de tal forma pressionam a penetração do espírito que muitas vezes lhe parece ver o bem onde não existe ou o mal onde não está. Faz isto parte de nossa miséria e ignorância, muito triste e muito de se lamentar e temer.
Está escrito: ‘Caminhos há que parecem retos ao homem, cujo fim leva ao inferno’. Para evitar esse perigo, São João nos adverte: ‘Provai os espíritos a ver se são de Deus’. Quem poderá provar se os espíritos são de Deus, se não lhe for dado por Deus o discernimento dos mesmos, para que possa examinar com precisão e verdadeiro juízo os pensamentos, afetos e intenções espirituais?
Na verdade, a discrição é a mãe de todas as virtudes, necessária a cada um, seja para a orientação da vida de outros, seja para o governo e correção da sua.
É reto o pensamento do que há a fazer, se dirigido pela vontade de Deus, se a intenção é simplesmente dirigida para ele. Desta forma todo o corpo de nossa vida ou de qualquer ação nossa será luminoso, sendo simples os olhos.
O olho simples é olho e é simples porque pelo julgamento reto vê o que deve fazer e, pela intenção pura, age com simplicidade naquilo que nunca deveria fazer-se com duplicidade.
O julgamento reto não admite o erro; a intenção pura exclui o fingimento. Este é o verdadeiro discernimento: a junção do reto juízo e da pura intenção.
Tudo isto se há de fazer à luz da discrição, como em Deus e diante de Deus.”
Retomemos duas afirmações:
- "Na verdade, a discrição é a mãe de todas as virtudes, necessária a cada um, seja para a orientação da vida de outros, seja para o governo e correção da sua.
- “O julgamento reto não admite o erro; a intenção pura exclui o fingimento. Este é o verdadeiro discernimento: a junção do reto juízo e da pura intenção. Tudo isto se há de fazer à luz da discrição, como em Deus e diante de Deus.”
De fato, o Senhor é quem discerne os pensamentos e as intenções do seu coração, e muitas vezes, somos chamados ao discernimento e decisões, e quão necessária é a assistência do Espírito Santo, na mais perfeita sintonia com o Projeto de Deus.
Supliquemos para que, com a Luz do Santo Espírito, saibamos fazer os necessários discernimentos, e que em nosso coração esteja sempre presente a pura intenção diante de Deus, a fim de que saibamos e correspondamos à Sua divina vontade.
“Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis...”
O crepitar da chama em nossos corações
O crepitar da chama em nossos corações
Livrai-nos, Senhor, da tentação das propostas de um messianismo fácil e triunfalista, pois não foi assim que Vos apresentastes como o Verdadeiro Messias.
Renovai em nós o amor, zelo e ardor da missão evangelizadora, com coragem para as renúncias e melhor segui-Lo e servi-Lo na pessoa de nosso próximo, carregando, com ousadia e fidelidade, nossa cruz de cada dia.
Ajudai-nos a viver a graça da fé em Vós, que vivestes plena fidelidade ao Pai na comunhão com o Santo Espírito, até o fim na missão redentora da humanidade, fazendo crepitar a chama do amor em nossos corações.
Concedei-nos a sabedoria para cultivar e manter viva a esperança da chegada do Vosso Reino, já presente entre nós, lançando as sementes fecundadoras de novos tempos, recriando o paraíso, não como uma vil saudade, mas compromisso inadiável sempre.
Inflamai-nos com o fogo do Santo Espírito, para que vivamos a caridade como a plenitude da Lei, como vivestes e nos ensinastes a viver (cf. Rm 13,10), enriquecidos pelos sete dons, e assim, produzirmos os sagrados frutos do Espírito (Gl 5,22). Amém.
PS: Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,35-37)
Vivamos a comunhão fraterna
Vivamos a comunhão fraterna
Reflexão à luz da passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 4,32-37), em que Lucas, mais do que uma fotografia da situação real, apresenta-nos um retrato divino e modelo ideal de uma comunidade eclesial.
Urge que edifiquemos a Igreja marcada por este espírito: – “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4,32), e ainda “Eles eram perseverantes no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na Fração do Pão e nas Orações” (At 2,42).
Evidencia-se, nesta passagem, a comunhão fraterna, expressa na partilha dos bens, e a missão dos Apóstolos na motivação e administração destes bens.
A estes são confiados o ofício da pregação e a presidência da atividade caritativa, o que distingue a Igreja de uma mera organização burocrática governada pelo princípio da eficiência, em que vigoram relações meramente funcionais.
Sempre oportuno que façamos a revisão de nossas comunidades, e o quanto ela vive este retrato divino, edificando uma Igreja que nasce da escuta da Palavra, fortalece os vínculos de comunhão fraterna, na perseverança na doutrina dos Apóstolos, nutrindo-se da Eucaristia (fração do Pão), fonte e ápice de toda a Igreja, regada também, com múltiplos e fecundos momentos de oração.
O Papa Francisco sempre afirmava que a Igreja não é uma ONG (Organização não Governamental), mas uma comunidade de pessoas, que nasce do Espírito e por Ele assistida e conduzida, e não nasce da carne e do sangue.
Oremos para que, como Igreja, na ação Evangelizadora, sejamos sempre atentos aos PILARES que se completam, inseparavelmente: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária, como vemos nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023), e que também nos remete, imediatamente a outro retrato das primeiras comunidades que Lucas nos descreve nos Atos dos Apóstolos (At 2,42-47).
Este tempo difícil por que passamos, é muito favorável para promovermos e intensificarmos a comunhão fraterna, com gestos de amor, partilha e solidariedade, a fim de que possamos vislumbrar um novo amanhecer.
Não podemos nos salvar sozinhos. No amor vivido e na comunhão fraterna vivida, damos testemunho da presença do Ressuscitado.
Mais uma vez, ecoem as palavras de Tertuliano, ao se referir aos primeiros cristãos: “Vede como eles se amam”.
A comunidade cristã tem, portanto, algumas marcas:
- É o lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo Ressuscitado: na Palavra proclamada, no pão partilhado, no amor vivido e no corajoso testemunho dado;
- É formada homens e mulheres novos, que nascem da Cruz e da Ressurreição de Jesus, a Igreja;
- Rica pela diversidade, unidade e caridade, tendo como centro o próprio Jesus Cristo Ressuscitado;
- Formada por diversas pessoas, mas tem uma só fé e vive num só coração e numa só alma, assim manifestado em gestos concretos de partilha;
- Deve superar todo tipo de egoísmo, autossuficiência, fechamento em si mesma, para que possa dar testemunho da vida e presença do Ressuscitado;
- Continuará a missão do Senhor: comunicar a vida nova que brota de Sua Ressurreição.
Que nossas comunidades vivam cada vez mais a unidade, a comunhão fraterna e a caridade para serem alegres testemunhas do Cristo Ressuscitado, aquele que nos concede a verdadeira paz – Shalom!
Oremos:
“Fazei-nos, ó Deus todo-poderoso, proclamar o poder do Cristo Ressuscitado, e, tendo recebido as primícias dos Seus dons, consigamos possuí-los em plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”
Fontes inspiradoras:
- Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.362
- www.dehonianos.org/portal
Amor indizível, comunidade credível
quinta-feira, 4 de junho de 2026
O Mistério da Eucaristia em nossa vida (Corpus Christi)
Deste modo, consagra o pão e vinho, e transubstanciados, são verdadeiramente o Corpo e Sangue de Cristo, verdadeira comida e verdadeira Bebida.
dela aprende a tornar-se promotor de comunhão,
de paz, de solidariedade
em todas as circunstâncias da vida...
a Eucaristia como







