quinta-feira, 7 de maio de 2026

O transbordamento da Alegria Pascal (VIDTPA)

                                                    


O transbordamento da Alegria Pascal 

Na Quaresma, fomos convidados a percorrer o Itinerário dominicalmente em recolhimento necessário, em atitudes sinceras de conversão, na Páscoa somos convidados a acolher o transbordamento da Alegria Pascal.

Deste modo, Quaresma implica em recolhimento e sinônimo de penitência e conversão,  e a Páscoa em transbordamento de alegria da Ressurreição do Senhor.

Vejamos o itinerário percorrido no Tempo Pascal (Ano A):

No primeiro domingo, a alegria transbordou quando Maria Madalena contemplou o túmulo vazio e a voz do anjo anunciando que o corpo do amado não fora roubado, fora Ressuscitado!

No segundo domingo, a presença do Ressuscitado no centro da comunidade, como manifestação da paz, comunicação do sopro do Espírito para a missão continuar; a profissão de fé de Tomé – “meu Senhor e meu Deus”. As chagas da dor tornaram-se marcas eternas do amor que venceu, Ressuscitou...

No terceiro domingo, caminhando com e como os Discípulos de Emaús, ouvindo a Palavra nosso coração ardeu e nossos olhos, ao partir o Pão da Eucaristia se abriram. A alegria transbordou quando acolhemos no mais profundo do coração a Palavra Divina e quando partilhamos no amor todo o existir. No amor e na partilha o Ressuscitado Se manifesta e a alegria transborda.

No quarto domingo, a alegria transbordou porque celebramos a certeza de que, como ovelhas que somos, temos um pastor, ou melhor, o Bom Pastor que dá a vida por nós. Conhece-nos e nos chama pelo nome. Ele como Fonte das fontes da Vida assegura-nos vida em abundância.

No quinto domingo, a alegria transborda, pois vimos o nosso último destino – a eternidade. E para nele chegarmos há apenas um Caminho, uma única Verdade, por isto Ele é certeza de Vida presente e de nossa Vida na eternidade. Não há porque desviar do Caminho. Não porque sucumbir diante de pretensas verdades, nem como pensar o existir sem A Fonte da Vida – Jesus.

No sexto domingo, a alegria transborda porque Ele nos assegura, e já cremos e testemunhamos: “Não vos deixarei órfãos” Indo para o Pai nos enviaria o Paráclito, o Advogado, O Defensor que nos acompanharia e nos tem acompanhado por todo o sempre até que Ele venha gloriosamente...
Transbordar de alegria porque desconhecemos a orfandade divina. 

Se há orfandade impensável e impossível é a orfandade divina: não estamos sós!

Tendo vivido o Itinerário Quaresmal, e agora chegando ao ápice do Tempo Pascal (tempos que se completam), aguardamos, ansiosos, as grandes Festas Litúrgicas que se aproximam.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai

                                                     

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai

Assim Se apresentou Jesus, na passagem do Evangelho de João (Jo 15,1-8): “Eu sou a Verdadeira Videira e meu Pai é o agricultor”. E ainda: “Eu sou a Videira e vós os ramos”.

Notável é a presença do verbo “permanecer”, ao longo da passagem, o que nos leva a refletir e rezar:

Oremos:

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, para dar frutos de amor, bondade, justiça, comunhão, vida, fraternidade e paz, pois sem Ti sou apenas um ramo seco, que morrerá sem nada produzir.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, perseverando até o fim, unido a Ti, quaisquer que sejam as situações, dificuldades, provações, que tenha que passar, mas contando com a Seiva do Teu Espírito, a Seiva do Amor.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, na travessia do vale escuro do cotidiano, e enfrentar as noites escuras da secura da alma, certo de Tua divina e iluminadora presença, porque estás vivo e Ressuscitado.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo,  na fidelidade à missão que me confiaste e vivendo o Novo Mandamento que nos deste: “amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, vivendo os inseparáveis Mandamentos do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, vivendo um amor sem arrependimento, incondicional e eterno, até a morte, para um dia entrar na plenitude do amor e luz: céu.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo em Tua Igreja, Teu corpo, comunidade dos que creem em Ti, em Tua divindade e humanidade, inseparáveis, que veio ao nosso encontro para nos redimir de todo pecado para uma Vida Nova.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, inseparavelmente, portanto, de Tua Igreja, onde a vida se move na linha do dom e do serviço, mesmo que nela estejam presentes o pecado e a fraqueza própria da condição humana.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, na fidelidade ao Projeto de Teu Amado Pai, e envolvido pelo Teu Santo Espírito de Amor, contando com a ternura, carinho e presença de Tua amantíssima Mãe, que jamais nos abandona. Amém.


Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa 2011 – Vol. Quaresma / Páscoa – p.552

Dai-nos, ó Deus, Vossa Sabedoria em nosso peregrinar

                                                     


Dai-nos, ó Deus, Vossa Sabedoria em nosso peregrinar

Ó Deus, onde encontraremos a Vossa Divina Sabedoria?

Não permitais que nos acomodemos, julgando já tê-La encontrado, mas que a procuremos continuamente, desinstalando-nos na busca de novas fronteiras e desafios, na procura do inédito que sempre nos agracia.

Libertai-nos da tentação de permanecermos à margem da praia,  e dai-nos a Vossa Sabedoria para avançarmos para águas mais profundas e sulcar corajosamente os mares, resgatando quantos pudermos para a beleza do bem viver, com dignidade e plenitude.

Como peregrinos de esperança, rompei as correntes que nos aprisionam, para que jamais prefiramos o imobilismo, e, incansavelmente, Vos busquemos incessantemente no caminhar da história, pondo somente em Vós toda a nossa confiança.

Vossa Sabedoria nos comunicai, iluminando as entranhas de nossa alma, para que vençamos eventuais medos secretos que, por vezes, tentam roubar ou aniquilar nossas forças, fragilizando-nos nos sagrados compromissos da Boa Nova do Reino.

Dai-nos, ó Deus, Vossa Divina Sabedoria, para que nos passos de Vosso Amado Filho, o Sol nascente que nos veio visitar, nos abramos a ela  a cada nascer do sol  até que possamos merecer a glória da eternidade. Amém.

 

 

PS: Fonte de inspiração – Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro do Eclesiástico (Eclo 2,1-13 (gr. 1-11). – p.798

Iluminados e conduzidos pela Sabedoria Divina

                                                                  

Iluminados e conduzidos pela Sabedoria Divina

À luz da passagem do Livro de Tiago (Tg 3,16-4,3), refletimos sobre os perigos que destroem uma comunidade, dentre outros: orgulho, ambição, inveja, competição, egoísmo...

Sendo assim, o batizado deve viver segundo os critérios de Deus, na vigilância e conversão permanente, para não ser conduzido pela  sabedoria do mundo, que não oferece um caminho para a realização plena do homem e da mulher, pois gera somente infelicidade, desordem, guerras, rivalidades, conflitos e mortes.

Somente conduzido pela sabedoria de Deus, terá o coração iluminado, e saberá fazer as corretas escolhas e ter acertadas decisões – “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” (Tg 3,17).

Agindo assim, pode ter a confiança de que sua Oração, acompanhada de gestos concretos em favor da justiça, para colher frutos desejados, será por Deus ouvida: “Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz” (Tg 3,18).

Na fidelidade ao Senhor, vivendo o discipulado, sejamos iluminados e conduzidos pela Sabedoria Divina.

Em poucas palavras...

 


A necessária seiva do amor divino

“Cristo é a verdadeira videira, que comunica a sua própria vida aos ramos. É a vida da graça que flui de Cristo e se comunica a todos os membros do seu Corpo, que é a Igreja: sem essa seiva nova, esses membros não produzem fruto algum, pois estão secos, mortos.”  (1)

 

(1) Coleção Falar com Deus – Francisco Fernández Carvajal – Editora Quadrante – p. 781

 

Assistidos e conduzidos pelo Espírito

                                                           

Assistidos e conduzidos pelo Espírito

Não estamos sozinhos na caminhada cristã, o Senhor nos acompanha, com a presença e a ação do Espírito Santo, possibilitando-nos a atenção aos apelos da realidade na qual nos inserimos.

A passagem dos Atos dos Apóstolos (At 15,1-32), retratando o “Concílio de Jerusalém”, nos fala a ação do Espírito Santo, presente para o discernimento do que é, de fato, essencial ou acessório na caminhada da Igreja. Foi o primeiro grande conflito enfrentado pela Igreja.

A entrada dos pagãos ao cristianismo fez surgir uma polêmica questão: impor ou não aos pagãos a Lei de Moisés. A Salvação vem da circuncisão e pela observância da Lei judaica ou unicamente por meio de Cristo. Conclui-se que, é pela Graça do Senhor que se chega à Salvação.

Aprende-se com a assistência do Espírito o que deve ser mantido ou superado na Igreja. É o Espírito que age, ilumina e fortalece. Deste modo, a Igreja não pode perder a audácia, a imaginação, a liberdade, o desprendimento necessário e a vigilante escuta do Espírito, no enfrentamento dos desafios que o mundo apresenta.

Invoquemos sempre a presença e a ação do Espírito, que nos conduz e assiste com os sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor de Deus e piedade.

“Eu sou a Videira e vós sois os ramos”

                                                                      

“Eu sou a Videira e vós sois os ramos”

Na Liturgia da quarta-feira da 5ª Semana do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 15,1-8), sobre a “Verdadeira Videira”, que é o próprio Cristo Jesus.

Refletimos sobre a nossa união com Cristo, que deve ser intensa para que possamos ter vida plena e os frutos por Deus esperados produzirmos.

À luz da Carta de São João (1Jo 3,18-24), ser cristão é acreditar em Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. O amor ao próximo é critério para afirmarmos se conhecemos ou não a Deus, para afirmarmos a realização ou não da Sua vontade, pela palavra e obras que possamos fazer.

Quando deixamos que o amor conduza a nossa vida, estamos no caminho da verdade. Coração aberto ao amor se traduz em serviço e partilha, na mais bela comunhão com Deus.

Somente o amor autêntico vivido nos liberta de todas as dúvidas e inquietações; dá-nos a serenidade necessária e a certeza de que estamos no caminho certo da felicidade e vida eterna, assim como somente a adesão a Jesus e o amor vivido se tornam fonte de frutos saborosos por Deus esperados.

A passagem do Evangelho (Jo 15,1-8) deve ser compreendida no contexto da despedida de Jesus.

Com a Parábola da Videira, Jesus exorta os discípulos para que permaneçam com Ele. Está próxima a Sua partida, entrega, Paixão e Morte, mas também próxima está a Sua Ressurreição e presença para sempre no meio deles.

João nos apresenta a comunidade da Nova Aliança com o distintivo do amor e serviço.

Notamos a insistência do Evangelista no verbo “permanecer” – oito vezes. Permanecer com Jesus implica em adesão, solidez na fé, estabilidade, constância, continuidade, frutos abundantes. Permanecer é adesão e renovação constante.

Permanecer é ficar com Ele, viver Seu Mandamento de Amor, para que nossa vida corresponda com a Sua Vida. Sem Jesus a comunidade viveria uma esterilidade indesejável.

É preciso, como cristão, viver para Jesus Cristo e como Ele. Podas serão inevitáveis para que mais frutos sejam produzidos, mas somente o ramo unido a Jesus produzirá os frutos saborosos.

Reflitamos: 

- A quem queremos aderir nossa vida?
- Com quem queremos ser configurados, enxertados?

Haverá sempre a possibilidade de enxertar-se em outras “árvores”, mas o resultado é o óbvio: insatisfação, frustração, egoísmo, morte e autossuficiência...

A Parábola fala de ramos que, se não unidos à videira, morrerão, secarão, serão queimados. Isto ocorre quando seduções indesejáveis norteiam nossa vida: dinheiro, êxito a qualquer preço, moda, poder, aplausos, orgulho, amor próprio excludente, a inversão de valores que deem sentido à vida.

Também menciona as podas necessárias para novos frutos, que consistem nas provações do cotidiano, na cruz a ser carregada com renúncias, sacrifícios, abertura ao outro, humildade, simplicidade, perdão, superação...

É preciso que façamos constante revisão de vida e assim renovemos  nossa adesão ao Senhor, ao Seu Evangelho.

Renovemos nosso amor e pertença à Igreja, que nasceu de Seu lado direito, quando Seu Coração trespassado o foi.

Como membros ativos da comunidade, vejamos quais são as podas necessárias que precisamos ter coragem de suportar, para que os frutos saborosos de Deus possamos produzir, para que todos tenhamos vida e vida plena.

Saciemo-nos com a Seiva do Amor, que emana abundantemente em cada Eucaristia celebrada, em cada Palavra ouvida, acolhida e na vida encarnada.

Não podemos viver sem Jesus, assim como não podemos viver sem o Seu Amor.

Bem diz o canto:

“Meu Senhor despojou-Se de Si, sendo Deus
Se fez homem, Se entregou e morreu numa Cruz. [...]
Eu Te amo, sou louco de amor por Ti, meu Jesus

Tu és minha paz, minha luz, meu Rei e meu Bom Pastor
Eu Te amo, sou louco de amor por Ti, meu Jesus
Tu és minha paz, minha luz, meu Deus, meu Senhor. [...]”

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