quarta-feira, 1 de abril de 2026

Tempo de reaprender

                                                  

Tempo de reaprender

Abramos nosso coração para a escuta da Palavra de Deus, que encontramos na Carta de Paulo aos Efésios (Ef 4,32–5,2):

“Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos que Ele ama. Vivei no amor, como Cristo nos amou e Se entregou a Si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor”.

Oremos:

Senhor Jesus Cristo, em tempo marcado por dificuldades, enfermidades, estamos reaprendendo o valor sagrado da vida, que está acima de qualquer valor material, dinheiro, poder, fama...

Senhor Jesus Cristo, que reaprendamos convosco a viver a bondade e solidariedade de uns para com os outros, como fostes sumamente bom, por isto revelastes o rosto misericordioso de Vosso Pai, nosso Deus.

Senhor Jesus Cristo, ajudai-nos a reaprender a beleza e a fecundidade da compaixão vivida, que se expressa em gestos corajosos, como vemos no cuidado do outro, sobretudo os pobres, famintos, enfermos, cuja vida encontra-se em perigo, nas ruas, casas e hospitais.

Senhor Jesus Cristo, que reaprendamos o valor sagrado do perdão, e retirai, por Vossa Palavra e poder, toda nódoa do pecado de nossa alma, de modo que sejamos renovados e libertos de todo o laço e amarra do pecado, que nos roubam a graça e a beleza do viver.

Senhor Jesus Cristo, concedei-nos a graça de reaprendermos a seguir Vossos passos, que tendo nos amado, nos amastes até o fim, no Amor de Cruz, que salva, redime, e nos reconcilia com o Pai, pois sois a Palavra Eterna do Pai a nós comunicada.

Senhor Jesus Cristo, ajudai-nos, para que, como eternos aprendizes, perfeitamente configurados a Vós, sejamos imitadores do Mistério de Vossa Paixão e Morte, carregando com fidelidade a Cruz que temos de carregar, e assim conduzidos à glória da eternidade.

Senhor Jesus Cristo, ensinai-nos a viver a mais bela lição de amor de toda a humanidade que Vós não apenas ensinastes, mas vivestes incondicionalmente e até o fim, e assim, também vivamos o Novo Mandamento do Amor, que nos destes.

Senhor Jesus Cristo, iluminai-nos com a Luz do Vosso Espírito, para que participando da Eucaristia, presente ou espiritualmente, façamos de nossa vida uma constante oblação, um sacrifício de suave odor, exalando a quantos precisarem, como Vós sempre fizestes. Amém. 

Rezando com os Salmos - Salmo 31 (32)

 


O perdão divino é fonte de felicidade

“–1 Feliz o homem que foi perdoado
e cuja falta já foi encoberta!
=2 Feliz o homem a quem o Senhor
não olha mais como sendo culpado,
e em cuja alma não há falsidade!

=3 Enquanto eu silenciei meu pecado,
dentro de mim definhavam meus ossos
e eu gemia por dias inteiros,

–4 porque sentia pesar sobre mim
a vossa mão, ó Senhor, noite e dia;
– e minhas forças estavam fugindo,
tal como a seiva da planta no estio.

–5 Eu confessei, afinal, meu pecado,
e minha falta vos fiz conhecer.
– Disse: 'Eu irei confessar meu pecado!'
E perdoastes, Senhor, minha falta.

–6 Todo fiel pode, assim, invocar-Vos,
durante o tempo da angústia e aflição,
– porque, ainda que irrompam as águas,
não poderão atingi-lo jamais.

–7 Sois para mim proteção e refúgio;
na minha angústia me haveis de salvar,
– e envolvereis a minha alma no gozo
da salvação que me vem só de Vós.

=8 'Vou instruir-te e te dar um conselho;
vou te dar um conselho a seguir,
e sobre ti pousarei os meus olhos:

=9 Não queiras ser semelhante ao cavalo,
ou ao jumento, animais sem razão;
eles precisam de freio e cabresto
– para domar e amansar seus impulsos,
pois de outro modo não chegam a ti'.

=10 Muito sofrer é a parte dos ímpios;
mas quem confia em Deus, o Senhor,
é envolvido por graça e perdão.

=11 Regozijai-vos, ó justos, em Deus,
e no Senhor exultai de alegria!
Corações retos, cantai jubilosos!”

Com o Salmo 31(32) de coração contrito e humilhado elevemos a Deus nossa súplica de perdão, e alcançados pela misericórdia divina, acolhamos o perdão que nos renova, refaz nossas forças, alarga os horizontes de um novo dia, e finalmente nossos pés são firmados.

De fato “Feliz o homem que foi perdoado!” E Davi  declara feliz o homem a quem Deus credita a justiça independentemente das obras (Rm 4,6):

“O pecador não encontra a felicidade enquanto não reconhece o próprio erro e entra num processo de conversão. Mas se o fizer, abre as portas ao perdão divino, que vem acompanhado de uma alegria profunda.” (1)

Como peregrinos da esperança, é sempre oportuno e necessário, que reconheçamos nossos pecados e os confessemos diante de Deus, sobretudo no Sacramento da Penitência, seja no Tempo da Quaresma, Tempo do Advento, ou em qualquer outro tempo.


(1) Comentário da Bíblia Sagrada - Edições CNBB - pág. 751

Rezando com os Salmos - Salmo 33 (34)

 


“Provai e vede quão suave é o Senhor”


“–1 De Davi, quando fingiu-se de louco diante de Abimelec e,

expulso por ele, partiu.

–2 Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,
Seu louvor estará sempre em minha boca.
–3 Minha alma se gloria no Senhor;
que ouçam os humildes e se alegrem!

–4 Comigo engrandecei ao Senhor Deus,
exaltemos todos juntos o Seu nome!
–5 Todas as vezes que O busquei, Ele me ouviu,
e de todos os temores me livrou.

–6 Contemplai a Sua face e alegrai-vos,
e vosso rosto não se cubra de vergonha!
–7 Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,
e o Senhor o libertou de toda angústia.

–8 O anjo do Senhor vem acampar
ao redor dos que O temem, e os salva.
–9 Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem n’Ele o seu refúgio!

–10 Respeitai o Senhor Deus, Seus santos todos,
porque nada faltará aos que O temem.
–11 Os ricos empobrecem, passam fome,
mas aos que buscam o Senhor não falta nada.

–12 Meus filhos, vinde agora e escutai-me:
vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus.
–13 Qual o homem que não ama sua vida,
procurando ser feliz todos os dias?

–14 Afasta a tua língua da maldade,
e teus lábios, de palavras mentirosas.
–15 Afasta-te do mal e faze o bem,
procura a paz e vai com ela em seu caminho.

–16 O Senhor pousa Seus olhos sobre os justos,
e Seu ouvido está atento ao seu chamado;
–17 mas Ele volta a Sua face contra os maus,
para da terra apagar Sua lembrança.

–18 Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta
e de todas as angústias os liberta.
–19 Do coração atribulado Ele está perto
e conforta os de espírito abatido.

–20 Muitos males se abatem sobre os justos,
mas o Senhor de todos eles os liberta.
–21 Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege,
e nenhum deles haverá de se quebrar.

–22 A malícia do iníquo leva à morte,
e quem odeia o justo é castigado.
–23 Mas o Senhor liberta a vida dos Seus servos,
e castigado não será quem n’Ele espera.”

Rezando o Salmo 33 (34), contemplamos o amor do Senhor, que é a Salvação dos justos, e experimentamos como é bom e suave o Senhor (uma das antífonas antes da Comunhão), assim como também nos falou o Apóstolo Pedro:

“Portanto, despojai-vos de toda maldade, de todo engano, hipocrisia e inveja, e de toda calúnia. Como criancinhas recém-nascidas, desejai o leite legítimo e puro, que vos fará crescer para a salvação, se é que provaste que o Senhor é bom.”(1 Pd 2,1-3).

Contemplemos as infinitas manifestações da bondade do Senhor, que volta Seu olhar para aquele que O teme, afastando-se de toda maldade, engano, hipocrisia, inveja e calúnia... e se esforça na prática do bem, buscando as coisas do alto, onde habita Deus (Cf Cl 3,1-4).

Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior (Semana Santa)

                                                   


Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior
 
Como Igreja, celebremos a Semana Santa, chamada também de a Semana Maior (por seu conteúdo, importância e riqueza para a fé que professamos), como um tempo forte de silêncio e oração, de tal modo que poderemos rever como testemunhamos nossa fé e como nos relacionamos com nosso próximo, pois a fé sem obras é morta, como nos fala o Apóstolo em sua Carta (Tg 2, 14-18).
 
São dias memoráveis, que começam com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, e, de modo especial, o Tríduo Pascal, que inicia com a Missa da Quinta-feira Santa, quando celebramos a Instituição da Eucaristia, Mandamento Novo do Amor e o Sacramento da Ordem; a Sexta-Feira Santa da Paixão e Morte do Senhor; o Sábado Santo culminando com a mais antiquíssima e bela Vigília Pascal, ao anoitecer; e chegando ao ápice do Domingo da Páscoa e da Ressurreição do Senhor.
 
A fé, para que seja autêntica, deve ser operativa, ou seja, levar ao compromisso social e comunitário. Belos discursos não bastam; é preciso uma bela prática, pois a religião autêntica transparece nos gestos concretos de amor e solidariedade, fraternidade, serviço, partilha, perdão, para que não façamos da religião uma mentira, um engano, uma evasão, uma omissão nos sagrados compromissos de solidariedade e misericórdia com nosso próximo, sobretudo no cumprimento do Novo Mandamento que Ele nos deu: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 15,12).
 
Com a Celebração da Semana Santa, nos unimos mais intensamente ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Ele configurados, como peregrinos da esperança, testemunhas de sua ternura, compaixão, proximidade e misericórdia, no cuidado e promoção da vida humana, no cuidado da criação e da nossa Casa Comum.
 

Semana Santa: “entrega-traição, entrega-amor-dom”

                                                            

Semana Santa: “entrega-traição, entrega-amor-dom”

Na Quarta-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 26, 14-25).

Significativo é o uso teológico do verbo “entregar”, em alusão à traição de Judas Iscariotes e à entrega de Jesus.

A primeira, trata-se de uma “entrega-traição”, da parte dos homens, e a segunda, de Jesus, de uma “entrega-­dom”, da parte do Pai, que entrega o Filho, e da parte do Filho que Se entrega a Si mesmo até à morte na Cruz (Jo 19, 30).

A entrega de Jesus é a entrega de Si mesmo – “A traição torna-se ocasião para o dom voluntário e total de Jesus. A Sua morte torna-se fonte de vida. O Seu Coração vence a morte e transforma-a em vida para o mundo”. (1)

Nela, temos a entrega de Si mesmo, num contexto do anúncio da entrega-traição, de modo que os discípulos mergulham num clima de insegurança e de desconfiança.

Jesus deseja ardentemente celebrar a Ceia e comê-la com os discípulos, pois, nela, o antigo memorial dará lugar ao novo, deixando-nos o Seu Corpo e o Seu Sangue como Alimento e Bebida.

Nas interrogações dos discípulos sobre quem O trairia, os discípulos chamam Jesus de “Senhor” (Kyrios), enquanto Judas O chama simplesmente de “Mestre” (Rabi).

No entanto, Jesus é, de fato, Senhor, e conhece o traidor e reconhece que nele se cumprem as Escrituras.

Na insegurança dos discípulos, vemos representada a nossa própria insegurança perante a possibilidade de também nós atraiçoarmos e negarmos a Jesus.

Vivendo a Semana Santa, contemplando o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, é tempo favorável para rever o modo como estamos vivendo nosso discipulado: na “entrega-doação” como Jesus o fez, por amor a Deus e ao nosso próximo, ou se vivemos uma “entrega-traição”, como fez Judas, e da qual não estamos imunes.

Oremos:

Ó Deus, concedei-nos a graça de imitar Vosso Amado Filho, vivendo o amor-doação, amor-entrega de si mesmo, em favor de nosso próximo. Pois, tão somente assim, seremos verdadeiramente discípulos missionários do Senhor, com a presença e ação do Vosso Espírito. Amém.
  

(1)         www.dehonianos.org

Semana Santa: fidelidade plena ao Servo Sofredor, Jesus

                                               

Semana Santa: fidelidade plena ao Servo Sofredor, Jesus

“Contemplemos e fiquemos abismados diante
da mais bela História do Amor de Deus por nós:
Jesus Cristo, 0 Filho Amado do Pai.”


Na primeira Leitura da quarta-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 50,4-9a):

"O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado." (cf. Is 50,5-7).

O Profeta nos apresenta a figura do Servo de Javé (terceiro Cântico do Servo de Javé), no contexto do final do exílio.

Ele tem a difícil missão de consolar os exilados anunciando um novo êxodo e a reconstrução de Jerusalém. Sofre, confia, é amado por Deus e não perde a serenidade, porque possui n’Ele total confiança.

Convida o povo a superar a tentação das facilidades, do comodismo, do medo de arriscar rumo ao novo.

É preciso confiar somente em Deus, a nossa rocha segura; viver livre do medo, seguros e protegidos pela mão divina.

O Servo sofredor escuta, sofre, resiste e confia na intervenção de Deus que jamais abandona aqueles a quem chama. O Profeta tem convicção de que não está só, e que a força de Deus é sempre mais forte que a dor, o sofrimento e a perseguição, e que jamais ficará decepcionado.

Quem é este Servo de Javé? Por vezes é identificado com um Profeta desconhecido, com o povo exilado, como uma recordação histórica (dos Patriarcas, Moisés, Davi, Profetas), e a releitura do Antigo Testamento vê nesta figura o próprio Jesus, que viveu o Mistério da Paixão e Morte:

“A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na Ressurreição que gera vida nova”. (1)

Reflitamos:

- Temos coragem de fazer da nossa vida uma total entrega ao Projeto de Deus, no compromisso de libertação de tudo que seja sinal de morte e opressão?
- De que modo vivemos a vocação profética que Deus nos concedeu pela graça do Batismo?

- Temos confiança na força de Deus, como o Servo sofredor que é o próprio Senhor?
- Como vivemos a radicalidade de nossa entrega nas mãos de Deus?

- O que fazemos para gerar uma vida nova para todos?
- Temos plena confiança na presença e ação de Deus?

Vivendo a Semana Santa, a Semana Maior, renovemos nossa  fidelidade ao Senhor, o Servo Sofredor e Vitorioso.

Somente n’Ele, e com Ele, a alegria, a vida, a realização, a paz, porque  Ele é a nossa mais bela e inesgotável Divina Fonte de Amor.


Semana Santa: o desígnio divino e a liberdade humana

                                                     


Semana Santa: o desígnio divino e a liberdade humana

Na quarta-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 26,14-25), que nos apresenta os momentos que  antecederam à Paixão e Morte do Senhor: O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito d’Ele. Contudo, ai daquele que O trair.

Oremos:

Senhor Jesus, na traição de Judas vemos o entrelaçamento dos desígnios de Vosso Pai e o livre agir de cada um de nós.

Senhor Jesus, não podemos negar que Judas agiu livremente, pois seu gesto foi prenunciado por Vós e consumado quando chegou a Sua Hora.

Senhor Jesus, reconhecemos o quão perigoso é brincar com nossa própria liberdade, e não a vermos como um dom, cujo reto agir é uma conquista.

Senhor Jesus, quanto nos afastamos de nossa realização, quando não a vivemos como fruto de correspondência à graça divina.

Senhor Jesus, não nos permita acostumar com a graça, sem que em nós nada se transforme, e com isto danos irreparáveis.

Senhor Jesus, que não nos acostumemos com a Eucaristia, com o Rosário, com a  Vossa presença em nós, sem em nada nos transformarmos.

Senhor Jesus, afastai de nós todo esvaziamento dos Mistérios que cremos e celebramos, e que devem ser vividos, e em nossa vida ressoados, corações e vidas transformados.

Senhor Jesus, concedei-nos a graça de celebrar e viver a Semana Santa como a mais trágica celebração da liberdade humana, em seu mistério mais profundo.

Senhor Jesus, afastai de nós a tentação do livre e irrevogável não de Judas a Vós, e a vivermos o livre e irrevogável sim que destes à vontade do Pai. Amém.


PS: Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.327

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