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sábado, 28 de março de 2026
Em poucas palavras... (Domingo de Ramos/Semana Santa)
Com o Senhor no “inverno” de Seu Calvário
“Só a Cruz
importava; ensinamentos, milagres, cumprimento de profecias – tudo isso estava
subordinado à Sua Missão na Terra: ser como grão de trigo que passaria pelo
inverno de um Calvário e então se tornaria o Pão da Vida.
Mais tarde,
São Paulo retomou o tema da semente que morreu para viver e o descreveu aos
coríntios (2 Cor 5,15-16).” (1)
(1)Vida de Cristo – Fulton J. Sheen –
Editora Molokai – 2024 – p.613
Itinerário Quaresmal vivido, Alegria Pascal celebrada!
Em poucas palavras... (Domingo de Ramos)
Duas paixões e procissões totalmente diferentes
“No Domingo
de Ramos, portanto, temos duas procissões: a procissão de Pilatos que
representava o poder, a dominação e a violência do império que dominava o
mundo; e a procissão de Jesus que representava uma visão alternativa, aquela do
Reino de Deus, centrada na comunhão, no serviço, no espírito solidário...
Frente a
estas duas paixões e duas procissões, somos convidados a propor algumas
perguntas fundamentais que devem ressoar neste domingo de Ramos, na Semana
Santa e, em definitiva, na vida: a quem seguimos? Quem é o “senhor” que comanda
o nosso coração? Em que valores nos inspiramos? Em que procissão estamos? Em
que procissão queremos estar?...” (1)
(1)Pe Adroaldo
Palaoro – SJ
Em poucas palavras... (Domingo de Ramos)
Visitação, rejeição ou desastre
“Na vida
de cada indivíduo e na vida de cada nação, há três momentos: um tempo de
visitação ou privilégio em forma de bênção de Deus; um tempo de rejeição em que
o Divino é esquecido; e um tempo de desgraça ou desastre.
O julgamento
(ou desastre) é consequência de decisões humanas e prova que o mundo é guiado
pela presença de Deus.
Suas
lágrimas por causa da cidade O mostraram como Senhor da História, que derrama
graças aos homens, mas que nunca destrói a liberdade de rejeitá-las.
Todavia ao
desobedecer à vontade de Deus, os homens se destroem; ao transpassá-Lo, é o
próprio coração que matam; ao negá-Lo, é sua cidade e sua nação que arruínam.
Tal foi a mensagem de Suas lágrimas enquanto Rei e seguia para a Cruz.” (1)
(1)Vida de
Cristo – Fulton J. Sheen – Editora Molokai – 2024 – p.602
O nome da utopia cristã é esperança
O nome da utopia cristã é esperança
Reflexão à luz da passagem do Profeta Ezequiel (Ez 37, 21-28), em que o Profeta anuncia o regresso do exílio em que se encontrava Israel, anunciando um futuro novo a ser vivido com a intervenção de Deus para o Seu Povo.
Será um tempo de reconstrução, de renovação interior em que o povo será purificado, santificado, e Deus com ele selará uma aliança eterna de paz, vindo morar em seu meio para sempre, o que se dará com a vinda de Jesus Cristo.
A passagem inserida no Tempo Quaresmal tem grande densidade de significado:
“É o Mistério Pascal de Cristo que nos purifica e santifica e que é penhor de uma nova e eterna Aliança entre Deus e toda a humanidade” (1)
O tema da confiança e da esperança em Deus é recorrente nos textos proféticos, como no Salmo responsorial que nos enriquece com a pequena e densa passagem de Jeremias (Jr 31, 10-13):
“Deus fez pressentir a este Profeta a libertação e a recomposição do seu Povo. À purificação obtida mediante o sofrimento, seguir-se-á a explosão de uma alegria indizível” (2)
E para aprofundar este tema da esperança, voltemo-nos para a “Octogésima Adveniens”, escrita pelo Papa São Paulo VI (1971) em comemoração aos oitenta anos da “Rerum novarum” (1891), retomemos o parágrafo (n.37):
“Nos nossos dias, aliás, as fraquezas das ideologias são melhor conhecidas através dos sistemas concretos, nos quais elas procuram passar à realização prática.
Socialismo burocrático, capitalismo tecnocrático e democracia autoritária, manifestam a dificuldade para resolver o grande problema humano de viver juntamente com os outros, na justiça e na igualdade.
Como poderiam eles, na verdade, evitar o materialismo, o egoísmo ou a violência que, fatalmente, os acompanham? Donde, uma contestação que começa a aparecer, mais ou menos por toda a parte, indício de um mal-estar profundo, ao mesmo tempo em que se assiste ao renascer daquilo que se convencionou chamar as utopias.
Estas pretendem resolver melhor do que as ideologias o problema político das sociedades modernas.
Seria perigoso deixar de reconhecer que o apelo à utopia não passa muitas vezes de pretexto cômodo para quem quer esquivar as tarefas concretas e refugiar-se num mundo imaginário.
Viver num futuro hipotético é um álibi fácil para poder alijar as responsabilidades imediatas.
Entretanto, é necessário reconhecê-lo, esta forma de crítica da sociedade existente provoca muitas vezes a imaginação prospectiva para, ao mesmo tempo, perceber no presente o possível ignorado, que aí se acha inscrito, e para orientar no sentido de um futuro novo; ela apoia, deste modo, a dinâmica social pela confiança ela dá às forças inventivas do espírito e do coração humano; e, se não rejeita nenhuma abertura, ela pode encontrar também o apelo cristão.
Na verdade, o Espírito do Senhor, que anima o homem renovado em Cristo, altera sem cessar os horizontes onde a sua inteligência gostaria de encontrar segurança e onde de bom grado a sua ação se confinaria: uma força habita no mesmo homem que o convida a superar todos os sistemas e todas as ideologias.
No coração do mundo permanece o mistério do próprio homem, o qual se descobre filho de Deus, no decurso de um processo histórico e psicológico em que lutam e se alternam violências e liberdade, peso do pecado e sopro do Espírito.
O dinamismo da fé cristã triunfa então dos cálculos mesquinhos do egoísmo. Animado pela virtude do Espírito de Jesus Cristo, Salvador dos homens, apoiado pela esperança, o cristão compromete-se na construção de uma cidade humana, pacífica, justa e fraterna, que possa ser uma oferenda agradável a Deus. (Rm 15,16).
Efetivamente, "a expectativa de uma terra nova não deve enfraquecer, mas antes estimular em nós a solicitude em cultivar essa terra, onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do século vindouro (cf. “Gaudium et spes” n.11)."
O Missal Cotidiano, à luz da passagem bíblica e da palavra do Papa nos interroga: “Em que transformaria o mundo, se não possuísse homens capazes de acolher esta mensagem e de crer seriamente que este no mundo é chamado a uma transfiguração? O verdadeiro nome da utopia cristã é ‘esperança’” (3)
Iniciaremos, com o Domingo de Ramos, mais uma Semana Santa, celebrando piedosamente a Paixão e Morte do Senhor, poderemos celebrar com júbilo a Sua Páscoa, renascendo, no coração daquele que crê, o verdadeiro nome da utopia, a esperança cristã, acompanhada da fé, que tem validade agindo pela caridade, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Gl 5, 6).
Renasça a esperança no canteiro de nossa mente e coração, nos quais são plantadas a semente da fé, para produzir frutos Pascais de caridade.
(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - p. 254
(2) Idem - p. 255
(3) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 312
PS: A realidade sociopolítica nacional e internacional que vivemos nos desafia a dar razão de nossa esperança, seja na Quaresma ou em todo o tempo.
Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ano A)
Contemplamos a Sua vida vivida como dom, amor e serviço, culminando na morte de Cruz para que a humanidade seja redimida.

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