sábado, 28 de março de 2026

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Em poucas palavras... (Domingo de Ramos/Semana Santa)

 


 

Com o Senhor no “inverno” de Seu Calvário

“Só a Cruz importava; ensinamentos, milagres, cumprimento de profecias – tudo isso estava subordinado à Sua Missão na Terra: ser como grão de trigo que passaria pelo inverno de um Calvário e então se tornaria o Pão da Vida.

Mais tarde, São Paulo retomou o tema da semente que morreu para viver e o descreveu aos coríntios (2 Cor 5,15-16).” (1)

 

(1)Vida de Cristo – Fulton J. Sheen – Editora Molokai – 2024 – p.613

 

Itinerário Quaresmal vivido, Alegria Pascal celebrada!

                                                         


Itinerário Quaresmal vivido, Alegria Pascal celebrada!

Como a Liturgia Quaresmal nos enriquece numa autêntica espiritualidade Pascal, levando-nos cada dia a um mergulho no Mistério do Amor de Deus vivenciado e celebrado em cada Banquete da Eucaristia e, na vida, expresso com palavras e ações, sem o que esvaziaremos a beleza do Mistério!

Como Igreja, estamos em permanente travessia do deserto, enfrentando as tentações do Maligno (ter, ser, poder), mas subindo ao Monte Tabor para escutar o que o Filho Amado de Deus, Jesus, tem a nos dizer para sua Palavra na planície vivermos.

Também como Igreja presente na Cidade, com seus inúmeros clamores e desafios, nos sentamos à beira do poço para saciar nossa sede de eternidade, ouvindo o que o Senhor tem a nos dizer.

Sua Palavra acolhida é o colírio de nossa fé, para que nosso olhar não se desvie e deixemos de perceber os sinais de morte que estão diante de nossos olhos e clamam por uma resposta. O Senhor é a Ressurreição e a Vida, n’Ele vivendo e crendo teremos a vida eterna.

Com o Domingo de Ramos, iniciaremos a Semana Santa, firmando nossos passos no fortalecimento de nossa fé em Jesus Cristo que, por amor a nós,  Sua vida entregou; Seu Sangue derramou para nos redimir e nos reconciliar com Deus.

No Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, O acolhemos não mais em Jerusalém, mas em nosso coração, em nossos lares e em todos os lugares; aclamaremos que Jesus: “Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!”. Um Rei diferente, que ama doando a vida e Se entregando por todos nós por amor, no crudelíssimo Sacrifício da Cruz, enfrentando toda maldade humana.

Na Quinta-Feira Santa iniciaremos o Tríduo Pascal, celebrando a Instituição da Eucaristia, na qual Jesus nos dá o Mandamento do amor e nos ensina, com o lava-pés, a atitude de serviço em favor da vida de nosso semelhante, num gesto supremo de humildade.

Na Sexta-Feira Santa, celebraremos o Mistério de Sua Paixão e Morte na Cruz, por amor extremo e infinito por todos nós, e mergulharemos em intenso e profundo silêncio, contemplando imensurável Mistério que se prolongará até a noite do Sábado. A Celebração no recolhimento, o vermelho da Liturgia, o silêncio profundo... Tudo se cala diante do Mistério do Amor que ama até o fim. Amor, que incrível o Amor de Deus por nós!

E começando lentamente a Celebração na noite da Vigília do Sábado Santo, celebraremos, ainda que seja noite, a Sua gloriosa Ressurreição, e então voltaremos a dar glória a Deus, com exultação e alegria, os sinos voltarão a soar, as flores embelezarão nossos altares, o branco da Liturgia nos convidará a sentir a leveza da paz, alcançada pela Vitória da Vida que venceu a morte. O Aleluia! cantado com júbilo será a expressão grandiosa de tudo isto.

E, quando a manhã do Domingo irromper, já estaremos dentro do longo e alegre Tempo Pascal.

Itinerário Quaresmal percorrido com fidelidade, Páscoa celebrada, amor e alegria, no coração, transbordados. Aleluia aclamaremos! 

Em poucas palavras... (Domingo de Ramos)

 


Duas paixões e procissões totalmente diferentes

“No Domingo de Ramos, portanto, temos duas procissões: a procissão de Pilatos que representava o poder, a dominação e a violência do império que dominava o mundo; e a procissão de Jesus que representava uma visão alternativa, aquela do Reino de Deus, centrada na comunhão, no serviço, no espírito solidário...

Frente a estas duas paixões e duas procissões, somos convidados a propor algumas perguntas fundamentais que devem ressoar neste domingo de Ramos, na Semana Santa e, em definitiva, na vida: a quem seguimos? Quem é o “senhor” que comanda o nosso coração? Em que valores nos inspiramos? Em que procissão estamos? Em que procissão queremos estar?...”  (1)

 

(1)Pe Adroaldo Palaoro – SJ

 

Em poucas palavras... (Domingo de Ramos)

 


Visitação, rejeição ou desastre

“Na vida de cada indivíduo e na vida de cada nação, há três momentos: um tempo de visitação ou privilégio em forma de bênção de Deus; um tempo de rejeição em que o Divino é esquecido; e um tempo de desgraça ou desastre.

O julgamento (ou desastre) é consequência de decisões humanas e prova que o mundo é guiado pela presença de Deus.

Suas lágrimas por causa da cidade O mostraram como Senhor da História, que derrama graças aos homens, mas que nunca destrói a liberdade de rejeitá-las.

Todavia ao desobedecer à vontade de Deus, os homens se destroem; ao transpassá-Lo, é o próprio coração que matam; ao negá-Lo, é sua cidade e sua nação que arruínam. Tal foi a mensagem de Suas lágrimas enquanto Rei e seguia para a Cruz.” (1)

(1)Vida de Cristo – Fulton J. Sheen – Editora Molokai – 2024 – p.602

O nome da utopia cristã é esperança

                             


O nome da utopia cristã é esperança
 
Reflexão à luz da passagem do Profeta Ezequiel (Ez 37, 21-28), em que o Profeta anuncia o regresso do exílio em que se encontrava Israel, anunciando um futuro novo a ser vivido com a intervenção de Deus para o Seu Povo.
 
Será um tempo de reconstrução, de renovação interior em que o povo será purificado, santificado, e Deus com ele selará uma aliança eterna de paz, vindo morar em seu meio para sempre, o que se dará com a vinda de Jesus Cristo.
 
A passagem inserida no Tempo Quaresmal tem grande densidade de significado:
 
“É o Mistério Pascal de Cristo que nos purifica e santifica e que é penhor de uma nova e eterna Aliança entre Deus e toda a humanidade” (1)
 
O tema da confiança e da esperança em Deus é recorrente nos textos proféticos, como no Salmo responsorial que nos enriquece com a pequena e densa passagem de Jeremias (Jr 31, 10-13):
 
“Deus fez pressentir a este Profeta a libertação e a recomposição do seu Povo. À purificação obtida mediante o sofrimento, seguir-se-á a explosão de uma alegria indizível” (2)
 
E para aprofundar este tema da esperança, voltemo-nos para a “Octogésima Adveniens”, escrita pelo Papa São Paulo VI (1971) em comemoração aos oitenta anos da “Rerum novarum” (1891), retomemos o parágrafo (n.37):
 
“Nos nossos dias, aliás, as fraquezas das ideologias são melhor conhecidas através dos sistemas concretos, nos quais elas procuram passar à realização prática.
 
Socialismo burocrático, capitalismo tecnocrático e democracia autoritária, manifestam a dificuldade para resolver o grande problema humano de viver juntamente com os outros, na justiça e na igualdade.
 
Como poderiam eles, na verdade, evitar o materialismo, o egoísmo ou a violência que, fatalmente, os acompanham? Donde, uma contestação que começa a aparecer, mais ou menos por toda a parte, indício de um mal-estar profundo, ao mesmo tempo em que se assiste ao renascer daquilo que se convencionou chamar as utopias.
 
Estas pretendem resolver melhor do que as ideologias o problema político das sociedades modernas.
 
Seria perigoso deixar de reconhecer que o apelo à utopia não passa muitas vezes de pretexto cômodo para quem quer esquivar as tarefas concretas e refugiar-se num mundo imaginário.
 
Viver num futuro hipotético é um álibi fácil para poder alijar as responsabilidades imediatas.
 
Entretanto, é necessário reconhecê-lo, esta forma de crítica da sociedade existente provoca muitas vezes a imaginação prospectiva para, ao mesmo tempo, perceber no presente o possível ignorado, que aí se acha inscrito, e para orientar no sentido de um futuro novo; ela apoia, deste modo, a dinâmica social pela confiança ela dá às forças inventivas do espírito e do coração humano; e, se não rejeita nenhuma abertura, ela pode encontrar também o apelo cristão.
 
Na verdade, o Espírito do Senhor, que anima o homem renovado em Cristo, altera sem cessar os horizontes onde a sua inteligência gostaria de encontrar segurança e onde de bom grado a sua ação se confinaria: uma força habita no mesmo homem que o convida a superar todos os sistemas e todas as ideologias. 
 
No coração do mundo permanece o mistério do próprio homem, o qual se descobre filho de Deus, no decurso de um processo histórico e psicológico em que lutam e se alternam violências e liberdade, peso do pecado e sopro do Espírito.
 
O dinamismo da fé cristã triunfa então dos cálculos mesquinhos do egoísmo. Animado pela virtude do Espírito de Jesus Cristo, Salvador dos homens, apoiado pela esperança, o cristão compromete-se na construção de uma cidade humana, pacífica, justa e fraterna, que possa ser uma oferenda agradável a Deus. (Rm 15,16).
 
Efetivamente, "a expectativa de uma terra nova não deve enfraquecer, mas antes estimular em nós a solicitude em cultivar essa terra, onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do século vindouro (cf. “Gaudium et spes” n.11)."
 
O Missal Cotidiano, à luz da passagem bíblica e da palavra do Papa nos interroga: “Em que transformaria o mundo, se não possuísse homens capazes de acolher esta mensagem e de crer seriamente que este no mundo é chamado a uma transfiguração? O verdadeiro nome da utopia cristã é ‘esperança’” (3)
 
Iniciaremos, com o Domingo de Ramos, mais uma Semana Santa, celebrando piedosamente a Paixão e Morte do Senhor, poderemos celebrar com júbilo a Sua Páscoa, renascendo, no coração daquele que crê, o verdadeiro nome da utopia, a esperança cristã, acompanhada da fé, que tem validade agindo pela caridade, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Gl 5, 6).
 
Renasça a esperança no canteiro de nossa mente e coração, nos quais são plantadas a semente da fé, para produzir frutos Pascais de caridade.
 
 
 
(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - p. 254
(2) Idem - p. 255
(3) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 312
 
PS: A realidade sociopolítica nacional e internacional que vivemos nos desafia a dar razão de nossa esperança, seja na Quaresma ou em todo o tempo.

Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ano A)

                                                     

Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

                              “Contemplemos e fiquemos abismados diante da mais bela História do Amor de Deus por nós:
Jesus Cristo, 0 Filho Amado do Pai.”

Com a Santa Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciamos a Semana Santa, que culminará na Ressurreição do Senhor.

A Liturgia (Ano A) nos convida a contemplar a ação de Deus que vem ao encontro da humanidade, por meio de Jesus Cristo, que Se fez o Servo da humanidade, em doação total de Sua vida por amor, não fugindo do horizonte da Cruz sempre presente em Sua missão.

Na passagem da primeira Leitura (Is 50,4-7), é nos apresentado o terceiro Cântico de Javé, e a figura do Servo sofredor, que a fé cristã identifica perfeitamente com a pessoa de Jesus Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte:

“A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na Ressurreição que gera vida nova” (1)

O Servo sofredor escuta, sofre, resiste e confia na intervenção de Deus que jamais abandona aqueles a quem chama. O Profeta tem convicção de que não está só, e que a força de Deus é sempre mais forte que a dor, o sofrimento e a perseguição, e que jamais ficará decepcionado.

Reflitamos:

- Temos coragem de fazer da nossa vida uma total entrega ao Projeto de Deus, no compromisso de libertação de tudo que seja sinal de morte e opressão?

- De que modo vivemos a vocação profética que Deus nos concedeu pela graça do Batismo?

- Temos confiança na força de Deus, como o Servo sofredor que é o próprio Senhor?

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda Leitura (Fl 2, 6-11), apresenta-nos o exemplo de Jesus Cristo que viveu obediência, fidelidade e amor total ao Pai por amor à humanidade.

Embora a comunidade de Filipos, gozando de afeto especial do Apóstolo, seja entusiasta, generosa e comprometida, é exortada a aprofundar sua prática de desprendimento com maior humildade e simplicidade, como pode acontecer com toda comunidade que adere ao Senhor.

Paulo nos apresenta, portanto, numa breve e densa passagem, a missão de Jesus:

“Em traços precisos, o hino define o ‘despojamento’ (‘Kenosis’)  de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a Sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o Ser e o Amor do Pai.

Não deixou de ser Deus, mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse ‘abaixamento’ assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma Morte infamante – a Morte de Cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do Amor radical, da entrega total da vida” (2).

Em consequência disto, Deus o fez “Kyrios” (Senhor), para reinar sobre toda a terra e sobre toda a humanidade.

A comunidade dos seguidores de Jesus haverá de fazer sempre este mesmo caminho de despojamento, amor, doação e fidelidade total a Deus, para alcançar a glória da eternidade.

Com a passagem do Evangelho (Mt 26,14-27,66),  Mateus, o primeiro Evangelista nos apresenta a Paixão de Nosso Senhor Jesus. 

Contemplamos a Sua vida vivida como dom, amor e serviço,  culminando na morte de Cruz para que a humanidade seja redimida.

Na narrativa de Mateus tem algumas particularidades em relação aos outros Evangelistas: a iniquidade do processo e a inocência de Jesus; o sonho da mulher de Pilatos, sugerindo que não foi o império romano, mas sim o próprio judaísmo que rejeitou Jesus e Sua Proposta do Reino; a descrição dos fatos que acompanharam a Sua Morte (o véu do Templo que se rasga em duas partes, de alto a baixo; o tremor da terra e o fender das rochas; a abertura dos túmulos e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; o episódio da guarda do sepulcro, com o objetivo de confirmar que o corpo não foi roubado, mas Ele foi Ressuscitado).

A mensagem central: a morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino, que provocou tensões, resistências, pelos que detinham o poder religioso, econômico, político e social do Seu tempo.

A Morte de Jesus é o culminar de Sua vida: “é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com Sangue), daquilo que Jesus pregou com Palavras e com gestos: o Amor, o dom total, o serviço” (3)

Que a celebração da Semana Santa, rica em espiritualidade, repleta de ritos significativos, renove nosso apaixonamento por Jesus, assim como Ele foi um apaixonado de Deus Pai, com a força e presença do Espírito, em todos os momentos.


Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG