sábado, 28 de março de 2026

Páscoa: serão renovadas em nós as Virtudes Divinas!

                                                        

Páscoa: serão renovadas em nós as Virtudes Divinas!

Reflitamos um dos Sermões do Bispo São Gregório de Nazianzo (Séc. IV), em que ele nos convida a participar da Festa da Páscoa, precedida de uma fecunda preparação, como assim a Igreja nos exorta no tempo Quaresmal.

“Vamos participar da Festa da Páscoa, por enquanto ainda em figuras, embora mais claramente do que na antiga Lei (a Páscoa legal era, por assim dizer, uma figura muito velada da própria figura).

Mas, em breve, participaremos de modo mais perfeito e mais puro, quando o Verbo vier beber conosco o Vinho Novo no Reino de Seu Pai, revelando definitivamente o que até agora só em parte nos mostrou. A nossa Páscoa é sempre nova.

Qual é essa bebida e esse conhecimento? A nós compete dizê-lo; e ao Verbo compete ensinar e comunicar essa doutrina a Seus discípulos. Porque a doutrina d’Aquele que alimenta é também Alimento.

Quanto a nós, participemos também dessa festa ritual, não segundo a letra mas segundo o Evangelho; de modo perfeito, não imperfeito; para a eternidade, não temporariamente.

Seja a nossa capital, não a Jerusalém terrestre, mas a Cidade Celeste; não a que é agora arrasada pelos exércitos, mas a que é exaltada pelo louvor e aclamação dos Anjos.

Sacrifiquemos não novilhos ou carneiros com chifres e cascos, vítimas sem vida e sem inteligência; pelo contrário, ofereçamos a Deus um sacrifício de louvor sobre o Altar Celeste, em união com os coros angélicos. Atravessemos o primeiro véu, aproximemo-nos do segundo e fixemos o olhar no Santo dos Santos.

Direi mais: imolemo-nos a Deus, ou melhor, ofereçamo-nos a Ele cada dia, com todas as nossas ações. 

Façamos o que nos sugerem as palavras: imitemos com os nossos sofrimentos a Paixão de Cristo, honremos com o nosso sangue o Seu Sangue, e subamos corajosamente à Sua Cruz.

Se és Simão Cireneu, toma a cruz e segue a Cristo. Se, qual o ladrão, estás crucificado com Cristo, como homem íntegro, reconhece a Deus.

Se por tua causa e por teu pecado Ele foi tratado como malfeitor, torna-te justo por Seu Amor. Adora Aquele que foi crucificado por tua causa. Preso à tua cruz, aprende a tirar proveito até da tua própria iniquidade.

Adquire a tua salvação com a Sua morte, entra com Jesus no paraíso, e saberás que bens perdeste com a tua queda. Contempla as belezas daquele lugar, e deixa que o ladrão rebelde fique dele excluído, morrendo na sua blasfêmia.

Se és José de Arimateia, pede o corpo a quem o mandou crucificar; e assim será tua a vítima que expiou o pecado do mundo.

Se és Nicodemos, aquele adorador noturno de Deus, unge-o com perfumes para a Sua sepultura.

Se és Maria, ou a outra Maria, ou Salomé, ou Joana, derrama tuas lágrimas por Ele. Levanta-te de manhã cedo, procura ser o primeiro a ver a pedra do túmulo afastada, e a encontrar talvez os Anjos, ou melhor ainda, o próprio Jesus.”

Ao celebrar a Semana Santa, procuremos fazê-lo com total entrega, não reduzindo a uma participação ritual, um puro cumprimento de preceito.

Celebremos cada momento como um momento imperdível, porque nos renova, nos configura a Jesus Cristo, em Seu infinito Mistério de Amor.

Configurados a Jesus, imitando-O em Sua na Paixão e Morte para também com Ele Ressuscitar, a fim de que seja a mais bela Páscoa em nossa vida: os sinais de escuridão do existir serão iluminados com o esplendor da Sua Ressurreição; os sinais de ódio e violência cederão aos divinos sinais do amor, da fraternidade e da paz.

Celebrando a Semana Santa, renovemos os sagrados compromissos com um mundo novo possível, sinalizando a novidade do Reino por Jesus inaugurado, a fim de que sejam superadas as tristes estatísticas que revelam a face obscura e cruel da desigualdade social, dos pecados que ferem a vida em todos os seus aspectos.

Para nós que cremos, “a utopia será a mais bela esperança cristã, o seu novo nome” (1), que desafia a concretização de nossa fé em gestos concretos de amor e solidariedade. Será Páscoa. Aleluia.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág.312

A cruz e o caminho da santidade

                                                         

A cruz e o caminho da santidade

 
Ressoe em nossos corações parte da reflexão sobre a Cruz feita por Santo André de Creta, bispo do século VIII:
 
“Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não teria aberto o paraíso.
 
Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado inferno... Preciosa também é a cruz porque ela é paixão e vitória de Deus:
 
Paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão. E vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo”.


Como criaturas amadas de Deus, vocacionados à santidade, a mais bela pretensão da humanidade, reflitamos  sobre o Mistério da Cruz.

Somos, pelo Batismo, anunciadores e testemunhas, com a palavra e a vida, que este é o melhor caminho a ser trilhado. Que a suntuosidade, sucesso, glória cedam lugar ao despojamento, fragilidade e serviço incansável.
 
Infelizmente a palavra santidade traz consigo falsos conceitos. Um dos sentidos mais profundos da palavra santidade é a absoluta correspondência à vontade de Deus, numa fidelidade a Sua Palavra, que ilumina e aponta caminhos novos para quem nela crê, e muitas vezes acompanhada da cruz, não como sinal de derrota, mas com gosto de vitória, afinal é este o caminho das bem aventuranças que Ele nos apresentou no alto da montanha e que deve ser vivido na planície de nosso cotidiano.
 
Santidade como caminho da cruz é a necessária configuração a Cristo Jesus, completando em nossa carne o que falta a Sua Paixão por amor a Igreja. Ter os Seus mesmos sentimentos, testemunhado em nossas pequenas e grandes atitudes (Cl.1,24, Fl. 2,1-11).  
 
Na Cruz, Jesus experimenta a realidade última da condição humana, a miséria da condição humana, o que aparentemente é fraqueza, revela a onipotência do amor de Deus: Loucura para os gregos e escândalo para os judeus.
 
Na Cruz, contemplamos o mistério da presença do Deus Pai, o amante, Deus Filho, o amado e Deus Espírito, o Amor que Os une.

Contemplar a Cruz não é afundar na dor pela dor, mas reconhecer e contemplar o Mistério da Trindade, que por amor, Salva o mundo do desamor.
 
Somos sempre convidados a subir  “ao alto da montanha”, para participar do Mistério Eucaristia e dos demais sacramentos, anunciando a comunidade a Palavra que Se fez Carne, possibilitando a mesma momentos de profunda intimidade com Aquele que nos chamou.
 
Mas não é possível ficar o tempo todo na montanha, ainda que seja tentador. É preciso descer a montanha e testemunhar a fé na planície, sobretudo nos novos areópagos (espaços), como nos desafiou mais uma vez a Conferência de Aparecida (2007):
 
"O mundo das comunicações, a construção da paz, o desenvolvimento e a libertação dos povos, sobretudo das minorias, a promoção da mulher e das crianças, a ecologia e a proteção da natureza, cultura, experimentação científica, a santificação da família e a criação de novas relações em que se superem toda e  qualquer forma de exclusão e desigualdade social... na fidelidade ao Cristo Crucificado, compromisso inadiável com os Crucificados da História!"
 
O caminho da santidade jamais será uma alienação do mundo e do tempo presente; pelo contrário, é o contato mais intimo e perfeito com o Absoluto revelado na comunhão Trinitária, para que no mundo possa irradiar a luz que ilumina espaços obscuros, sendo sal que dá o gosto de vida, amor e paz.
 
Trilhar este caminho é carregar a cruz, para que no mundo sejamos, de fato,
sal e luz! O mundo precisa de santos (as). Eis a proposta de Deus.
 
A Cruz, sinal de vitória da vida sobre a morte, do amor extremado que superou toda lógica do ódio.
 
Na fidelidade a Jesus, partícipes do Mistério de Sua Paixão e Morte:
 
A exemplo do Profeta Jeremias, todos nós tenhamos o coração seduzido pelo amor de Deus – O Amor fale mais alto em nós.
 
A exemplo dos Salmistas, todos nós tenhamos a absoluta confiança em Deus – No Senhor confio e nada temo.
 
A exemplo do Evangelista João, todos nós sejamos conduzidos pela Verdade maior que nos liberta e nos confere o pleno sentido da vida.
A exemplo do Papa Francisco, todos nós tenhamos compromisso com o inadiável rejuvenescimento da Igreja, com ardor, ousadia e teimosia.

Oremos:
 
Nós Vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!                  
 
Nós Vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,
Por termos o coração por Vós seduzido, confiante, rejuvenescido e liberto pela Verdade do Evangelho.
 
Nós Vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,
Porque o amor infinito de Deus pode muito mais do que possamos sonhar... Amém.


PS: Oportuno para a Semana Santa bem como a celebração daro a Festa da Exaltação da Santa  Cruz,  celebrada dia 14 de setembro, que tem origem desde os primeiros séculos da Igreja

 


Em poucas palavras...

 


Com Maria na Paixão e Morte do Seu Filho

“Maria também está em Jerusalém, perto do seu Filho para celebrar a Páscoa: a última Páscoa judaica e a primeira Páscoa em que o seu Filho é o Sacerdote e a Vítima.

Não nos separemos dEla. Nossa Senhora ensinar-nos-á a ser constantes, a lutar até o pormenor, a crescer continuamente no amor por Jesus.

Permaneçamos a seu lado para contemplar com Ela a Paixão, a Morte e a Ressurreição do seu Filho. Não encontraremos lugar mais privilegiado.” (1)

 

(1)Coleção Falar com Deus – Volume I – Advento. Natal, Epifania. Quaresma. Semana Santa. Páscoa – Francisco Fernández Carvajal – Editora Quadrante – 2025 – p.559

Em poucas palavras...

 


Convertamo-nos à lógica da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo

“Aos pés da Cruz nasce uma nova comunidade humana, que não tem o seu centro unificador em elementos religioso-nacionalistas ligados a um lugar santo particular, a uma história, a uma cultura, a uma tradição determinada.

Abatendo todos os muros de separação e destruindo todas as inimizades, Cristo reconcilia a todos na paz, por meio da Cruz (cf. Ef 2,14-18)...

Agora na Cruz, com a Sua humilhação, Paixão e morte, Jesus reúne os dispersos, dá a todos a filiação divina e abre a todos a porta do céu.

A humanidade hoje, ferida pela divisão e pelas lutas, precisa cada vez mais de se converter à lógica da Cruz.” (1)

 

(1) Comentário sobre a passagem do Evangelho de São João (Jo 11,45-56) - Lecionário Comentado – Volume Tempo da Quaresma/Páscoa – Editora Paulus - Lisboa – 2009 – p. 257  

 

Ninguém nos amou tanto assim!

                                                            

Ninguém nos amou tanto assim!

À luz de um dos Sermões do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), reflitamos sobre a preciosa morte dos mártires, cujo preço foi a morte de Cristo.

“Pelos feitos tão gloriosos dos mártires, que fazem a Igreja florescer por toda parte, provamos com nossos próprios olhos como é verdadeiro o que cantamos: É preciosa aos olhos do Senhor a morte de seus santos (Sl 115,15). Portanto, é preciosa não só aos nossos olhos, mas aos olhos daquele por cujo nome se sofreu. Contudo o preço destas mortes é a morte de um só.

Quantas mortes comprou um só com a sua morte? Se ele não morresse, o grão de trigo não se multiplicaria. Ouvistes suas palavras, estando próxima a paixão, quer dizer, quando se aproximava nossa redenção: Se o grão de trigo, caindo em terra, não morrer, ficará sozinho; morrendo, porém, produzirá muito fruto (Jo 12,24).

Houve na cruz um grande comércio: abriu-se ali a bolsa para pagar nosso custo; quando seu lado foi aberto pela lança do que feria, dali correu o preço do mundo inteiro. Foram comprados fiéis e mártires; mas a fé dos mártires suportou a prova: o sangue é testemunha. Retribuíram o que tinha sido pago por eles e realizaram as palavras de São João: Assim como Cristo entregou sua vida por nós, também nós devemos entregar nossas vidas pelos irmãos (cf. 1Jo 3,16).

E em outro lugar se disse: Sentaste à grande mesa, observa com cuidado o que te oferecem porque deves preparar o mesmo (Pr 23,1-2). A grande mesa é aquela em que as iguarias são o próprio Senhor da mesa. Ninguém alimenta os convivas com sua pessoa, mas assim procede o Cristo Senhor: ele é que convida, ele é o pão e a bebida. Portanto, os mártires reconheceram o que comeram e o que beberam, para retribuírem o mesmo.

Mas como retribuir, a não ser que lhes desse com que retribuir aquele que primeiro pagou? Que retribuirei ao Senhor por tudo quanto me deu? Tomarei o cálice da salvação (Sl 115,12-13). Que cálice é este? O cálice da paixão, amargo e salutar; cálice que, se dele não bebesse antes o médico, o doente temeria tocá-lo.

É ele este cálice. Nós o reconhecemos nos lábios de Cristo que dizia: Pai, se possível for afaste-se de mim este cálice (Mt 26,39). Deste mesmo cálice disseram os mártires: Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor (Sl 115,13).

Não temos então medo de fraquejar? Por quê? Porque invocaremos o nome do Senhor. Como venceriam os mártires, se neles não vencesse aquele que disse: Alegrai-vos porque eu venci o mundo? (Jo 16,33).

O soberano dos céus governava-lhes a mente e a língua e, através deles, derrotava o diabo na terra e coroava os mártires no céu. Felizes os que assim beberam deste cálice: terminaram as dores, receberam as honras!”.

Fomos resgatados pelo Senhor em Sua morte na cruz, como nos falou o Bispo: “Houve na cruz um grande comércio: abriu-se ali a bolsa para pagar nosso custo; quando seu lado foi aberto pela lança do que feria, dali correu o preço do mundo inteiro”.

Resgatados, reconciliados e alimentados pelo Seu Corpo e Sangue, como partícipes do Banquete Eucarístico, para levar adiante a sua missão com coragem, como peregrinos da esperança, enfrentando as adversidades e até mesmo o martírio, como inúmeros assim testemunharam ao longo da história.

Correspondamos cada vez mais ao imenso amor de Deus que tendo nos amado, nos amou até o fim por meio do Seu Filho, como nos falou o Evangelista São João - Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho único, para que todo o que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16), e assim estaremos trilhando o caminho da verdadeira felicidade e vida plena e eterna.

A Paixão de Cristo e Sua preciosa cruz

                                          


A Paixão de Cristo e Sua preciosa Cruz

Reflitamos sobre A Paixão de Cristo e sua preciosa cruz que são segurança e muro inacessível para quem n'Ele crê, como nos fala o Bispo e Doutor da Igreja São Cirilo de Alexandria (séc. V), em seu Comentário sobre o Livro de Isaías 4.

“Cristo, apesar de Sua natureza divina e sendo por direito igual a Deus Pai, não se prevaleceu de Sua divina condição, mas humilhou-Se até submeter-Se à morte e morte de cruz.

Realmente, sua Paixão salutar abateu aos principados e triunfou sobre os dominadores deste mundo e deste século, libertou a todos da tirania do diabo, e nos reconduziu a Deus.

Suas chagas nos curaram e, carregado com os nossos pecados, subiu ao lenho; e, deste modo, enquanto Ele morre, nos sustenta na vida, e Sua Paixão se tornou a nossa segurança e muro de defesa. Aquele que nos resgatou da condenação da Lei, nos socorre quando somos tentados. E para consagrar ao povo com seu próprio sangue, morreu fora da cidade.

Por isso, repito, a Paixão de Cristo, Sua preciosa cruz e Suas mãos perfuradas significam segurança, em um muro inacessível e indestrutível para aqueles que creem n’Ele. Por isso Ele diz acertadamente: Minhas ovelhas escutam minha voz e me seguem, e Eu lhes dou a vida eterna. E também: Ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. E isto justamente porque vivem à sombra do Onipotente, protegidas pelo auxílio divino como em uma torre fortificada.

Desde o momento, portanto, em que Deus Pai nos sustenta quase com Suas mãos, custodiando-nos junto d’Ele, sem permitir que sejamos induzidos ao mal ou que sucumbamos à malícia dos malvados, nem ser presa da violência diabólica, nada nos impede de compreender que as muralhas de Sião designadas por suas mãos signifiquem os peritos na arte espiritual que, possuídos pela graça, dão-se a conhecer no testemunho da virtude.

Em consequência, poderíamos dizer que as muralhas de Sião constituídas por Deus são os santos Apóstolos e Evangelistas, aprovados por sua própria palavra, que nunca se equivoca nem se desvaloriza. Seus nomes estão escritos no céu e constam no livro da vida. Não temos que maravilhar-nos se diz que os santos são os baluartes e as muralhas da Igreja. Ele mesmo é muro e é baluarte como uma fortaleza.

Da mesma forma que Ele é a luz verdadeira e, entretanto, diz que eles são a luz do mundo, assim também, sendo Ele o muro e a segurança daqueles que creem n’Ele, conferiu aos santos esta estupenda dignidade de serem chamados muralhas da Igreja.”(1)

Vivamos intensamente a Semana Santa, contemplando o Mistério da Vida, Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senho.

Contemplemos e sigamos Seus passos, procurando a mais perfeita configuração a Ele, com mesmos sentimentos (Fl 2,5).

N’Ele e com Ele renovemos nossas forças, participando intensamente de todas as atividades, celebrações que forem propostas pela Igreja, e tão somente assim poderemos celebrar com júbilo a Sua Páscoa e o transbordamento de amor, luz e alegria, quando Ele Ressuscitar, na madrugada tão esperada. 

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - pp. 71-72.

Rezemos por nossos presbíteros

                                                          


                  Rezemos por nossos presbíteros

Sejamos enriquecidos pela Carta que o Bispo e Mártir São Policarpo (séc. II), escreve aos Filipenses:

“Sejam os presbíteros inclinados à compaixão, misericordiosos para com todos, reconduzam os que se desviaram do caminho, visitem todos os enfermos; não se descuidem da viúva, do órfão ou do pobre. Mas sempre cheios de solicitude para o bem diante de Deus e dos homens (cf. 2 Cor 8, 21), evitem a cólera, a acepção de pessoas, o julgamento injusto. 

Repilam para longe toda a avareza; não deem logo crédito contra alguém, não sejam demasiado severos ao julgar, certos de que todos nós somos devedores do pecado.

Se, portanto, suplicamos a Deus perdoar-nos, devemos também nós perdoar. Pois estamos diante do Senhor e dos olhos de Deus e teremos todos de comparecer perante o tribunal de Cristo, e cada um prestará contas de si (Rm 14, 10.12).

Desse modo sirvamo-Lo com temor e todo o respeito como nos ordenou Ele e os Apóstolos, que nos anunciaram o Evangelho, como também os Profetas, que predisseram a vinda de nosso Senhor.

Atentos, façam todo o bem, afastem-se dos escândalos, dos falsos irmãos e daqueles que usam o nome do Senhor com hipocrisia e induzem ao erro os homens superficiais.

Todo aquele que não confessar ter Jesus Cristo vindo na carne é um anticristo (cf. 1Jo 4, 2.3; 2Jo 7). E quem não testemunhar o martírio da cruz, vem do demônio. E quem fizer servir as palavras de Deus a seus desejos e disser não haver ressurreição nem juízo, este é o primogênito de Satanás. Por isso, deixando de lado a futilidade de muitos e os falsos sistemas, voltemos à doutrina que nos foi entregue desde o início, vigilantes na oração (cf. 1Pd 4, 7) e fiéis aos jejuns.

Elevemos preces a Deus que tudo vê, para que não nos deixe cair em tentação (MT 6, 13), conforme disse o Senhor: O espírito na verdade é pronto, mas a carne é fraca (MT 26, 41).

Perseveremos sem cessar em nossa esperança e penhor de nossa justiça, que é Jesus Cristo:  Em Seu corpo carregou sobre o madeiro os nossos pecados, Ele que não cometera pecado nem se encontrou engano em Sua boca (1Pd 2, 24.22); mas, por nossa causa, para que vivamos n’Ele, tudo suportou.

Sejamos, por conseguinte, imitadores de Sua paciência e, se sofrermos por Seu nome, nós lhe daremos glória. Foi este o exemplo que nos deu em Si mesmo, e nós cremos”.

Inspirados nas palavras de São Policarpo, oremos por todos os presbíteros:

Senhor Deus, rezamos por todos os presbíteros para que:

- Nos passos de Jesus Cristo, contando com a ação e presença do Espírito Santo, vivam o Ministério como instrumentos da compaixão divina, e sejam misericordiosos para com todos;

- Tenham sabedoria para reconduzir os irmãos que se desviaram do caminho, e reencontrando o caminho da comunidade, sintam-se acolhidos e amados por todos;

- Ëm meio a tantas atividades, consigam visitar todos os enfermos, na solicitude com os que mais precisam, sobretudo os mais empobrecidos, e os mais fragilizados;

- Sejam cheios de solicitude para o bem, diante de Vós e de toda a comunidade, dando o melhor de si, incansavelmente, não obstante as dificuldades e naturais cansaços;

- Libertos de toda cólera, jamais façam acepção de pessoas, e tão pouco incorram em julgamentos injustos, e afastem toda atitude de avareza;

- Afastando-se do mal, evitem os escândalos que possam fragilizar a comunidade a eles confiadas, embora tenham a fraqueza própria da condição humana;

- Vigilantes e orantes não caiam nas tentações das quais ninguém está livre, sobretudo do ter, poder e ser; ou seja, acúmulo, domínio e prestígio;

- Deem testemunho cotidiano das virtudes divinas: fé comprovada; esperança no Senhor; zelosos na prática da caridade que jamais passará.

Enfim, Senhor Deus, rezamos por todos os Presbíteros, para que cresçam cada dia na devoção à Virgem Maria, para que, na imitação de suas virtudes, vivam cada vez mais frutuosamente a graça da vocação, reavivando sempre no coração a chama do primeiro amor. Amém.

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