sábado, 28 de março de 2026

Rezemos por nossos presbíteros

                                                          


                  Rezemos por nossos presbíteros

Sejamos enriquecidos pela Carta que o Bispo e Mártir São Policarpo (séc. II), escreve aos Filipenses:

“Sejam os presbíteros inclinados à compaixão, misericordiosos para com todos, reconduzam os que se desviaram do caminho, visitem todos os enfermos; não se descuidem da viúva, do órfão ou do pobre. Mas sempre cheios de solicitude para o bem diante de Deus e dos homens (cf. 2 Cor 8, 21), evitem a cólera, a acepção de pessoas, o julgamento injusto. 

Repilam para longe toda a avareza; não deem logo crédito contra alguém, não sejam demasiado severos ao julgar, certos de que todos nós somos devedores do pecado.

Se, portanto, suplicamos a Deus perdoar-nos, devemos também nós perdoar. Pois estamos diante do Senhor e dos olhos de Deus e teremos todos de comparecer perante o tribunal de Cristo, e cada um prestará contas de si (Rm 14, 10.12).

Desse modo sirvamo-Lo com temor e todo o respeito como nos ordenou Ele e os Apóstolos, que nos anunciaram o Evangelho, como também os Profetas, que predisseram a vinda de nosso Senhor.

Atentos, façam todo o bem, afastem-se dos escândalos, dos falsos irmãos e daqueles que usam o nome do Senhor com hipocrisia e induzem ao erro os homens superficiais.

Todo aquele que não confessar ter Jesus Cristo vindo na carne é um anticristo (cf. 1Jo 4, 2.3; 2Jo 7). E quem não testemunhar o martírio da cruz, vem do demônio. E quem fizer servir as palavras de Deus a seus desejos e disser não haver ressurreição nem juízo, este é o primogênito de Satanás. Por isso, deixando de lado a futilidade de muitos e os falsos sistemas, voltemos à doutrina que nos foi entregue desde o início, vigilantes na oração (cf. 1Pd 4, 7) e fiéis aos jejuns.

Elevemos preces a Deus que tudo vê, para que não nos deixe cair em tentação (MT 6, 13), conforme disse o Senhor: O espírito na verdade é pronto, mas a carne é fraca (MT 26, 41).

Perseveremos sem cessar em nossa esperança e penhor de nossa justiça, que é Jesus Cristo:  Em Seu corpo carregou sobre o madeiro os nossos pecados, Ele que não cometera pecado nem se encontrou engano em Sua boca (1Pd 2, 24.22); mas, por nossa causa, para que vivamos n’Ele, tudo suportou.

Sejamos, por conseguinte, imitadores de Sua paciência e, se sofrermos por Seu nome, nós lhe daremos glória. Foi este o exemplo que nos deu em Si mesmo, e nós cremos”.

Inspirados nas palavras de São Policarpo, oremos por todos os presbíteros:

Senhor Deus, rezamos por todos os presbíteros para que:

- Nos passos de Jesus Cristo, contando com a ação e presença do Espírito Santo, vivam o Ministério como instrumentos da compaixão divina, e sejam misericordiosos para com todos;

- Tenham sabedoria para reconduzir os irmãos que se desviaram do caminho, e reencontrando o caminho da comunidade, sintam-se acolhidos e amados por todos;

- Ëm meio a tantas atividades, consigam visitar todos os enfermos, na solicitude com os que mais precisam, sobretudo os mais empobrecidos, e os mais fragilizados;

- Sejam cheios de solicitude para o bem, diante de Vós e de toda a comunidade, dando o melhor de si, incansavelmente, não obstante as dificuldades e naturais cansaços;

- Libertos de toda cólera, jamais façam acepção de pessoas, e tão pouco incorram em julgamentos injustos, e afastem toda atitude de avareza;

- Afastando-se do mal, evitem os escândalos que possam fragilizar a comunidade a eles confiadas, embora tenham a fraqueza própria da condição humana;

- Vigilantes e orantes não caiam nas tentações das quais ninguém está livre, sobretudo do ter, poder e ser; ou seja, acúmulo, domínio e prestígio;

- Deem testemunho cotidiano das virtudes divinas: fé comprovada; esperança no Senhor; zelosos na prática da caridade que jamais passará.

Enfim, Senhor Deus, rezamos por todos os Presbíteros, para que cresçam cada dia na devoção à Virgem Maria, para que, na imitação de suas virtudes, vivam cada vez mais frutuosamente a graça da vocação, reavivando sempre no coração a chama do primeiro amor. Amém.

Meditai sobre a Paixão do Senhor... (Domingo de Ramos)

                                                        

Meditai sobre a Paixão do Senhor...

“Meditai sobre a Paixão do Senhor,
Aumentai a caridade em vossos corações,
Consolidai a vossa fé, Renovai a vossa esperança.
Entrai em íntima comunhão com o Senhor!”

Ao celebrar o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciaremos a Semana Santa, e somos enriquecidos pelo Sermão do Bispo Santo André de Creta (séc. VI):

“Vinde, subamos juntos ao monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo, que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e Santa Paixão, a fim de realizar o Mistério de nossa salvação.

Caminha o Senhor livremente para Jerusalém, Ele que desceu do céu por nossa causa – prostrados que estávamos por terra – para elevar-nos consigo bem acima de toda autoridade, poder, potência e soberania ou qualquer título que se possa mencionar (Ef 1,21), como diz a Escritura.

O Senhor vem, mas não rodeado de pompa, como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, e ninguém ouvirá Sua voz (Mt 12,19; cf. Is 42,2). Pelo contrário, será manso e humilde, e Se apresentará com vestes pobres e aparência modesta.

Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a Sua Paixão e imitemos os que foram ao Seu encontro. Não para estendermos à Sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a Seus pés, com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que Se aproxima, e acolhermos Aquele Deus que lugar algum pode conter.

Alegra-Se Jesus Cristo, porque deste modo nos mostra a Sua mansidão e humildade, e Se eleva, por assim dizer, sobre o ocaso (cf. Sl 67,5) de nossa infinita pequenez; Ele veio ao nosso encontro e conviveu conosco, tornando-Se um de nós, para nos elevar e nos reconduzir a Si.

Diz um Salmo que Ele subiu pelo mais alto dos céus ao Oriente (cf. Sl 67,34), isto é, para a excelsa glória da Sua divindade, como primícias e antecipação da nossa condição futura; mas nem por isso abandonou o gênero humano, porque o ama e quer elevar consigo a nossa natureza, erguendo-a do mais baixo da terra, de glória em glória, até torná-la participante da Sua sublime divindade.

Portanto, em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo.

Revestidos de Sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele próprio, – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a Seus pés como mantos estendidos.

Éramos antes como escarlate por causa dos nossos pecados, mas purificados pelo Batismo da salvação, nos tornamos brancos como a lã. Por conseguinte, não ofereçamos mais ramos e palmas ao vencedor da morte, porém o prêmio da Sua vitória.

Agitando nossos ramos espirituais, O aclamemos todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas Santas Palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel”.

Ele desceu do céu e veio ao nosso encontro: um Deus que Se faz Homem, assume a nossa condição, faz-Se um de nós, igual a nós, menos no pecado, para exatamente destruí-lo e nos redimir como criaturas novas.

Não conhecendo o pecado, numa perfeitíssima oferenda agradável ao Pai, sacrifica-Se por Amor à humanidade, ensinando e vivendo o caminho do Amor e fidelidade, doação e entrega em favor do próximo. Fez-Se grão de trigo caído por terra para germinar e produzir frutos abundantes de vida, alegria e paz.

É este Jesus que acolhemos como Salvador; Aquele que entrou em Jerusalém aclamado por todos, com ramos deitados para que sobre eles passasse.


Não fiquemos insensíveis ao convite do Bispo, em seu Sermão e prostremo-nos diante do Senhor, e a Ele demos toda honra, glória, poder e louvor:

“... em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo. Revestidos de Sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele próprio, – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a Seus pés como mantos estendidos”

Sejam os ramos a expressão de que somente n’Ele e com Ele encontramos vida, somente diante d’Ele nossos joelhos se dobrem, e ternamente nossa língua proclame que Jesus é o Senhor.

Será a grande Semana em que a Igreja nos convida ao recolhimento, ao silêncio e a Oração, a frutuosa meditação da Paixão do Senhor, para que aumente em nós a caridade, consolidando a fé e renovando a esperança.  

Em poucas palavras... (Semana Santa)

                                                



Celebremos e vivamos O Mistério da Semana Santa

 

Somos discípulos missionários do Senhor, do Servo Sofredor e vencedor, porque o Pai O Ressuscitou, e em Seu nome, nos enviou o Seu Espírito: acreditemos, contemplemos e imitemos a Paixão do Senhor, morrendo com Ele, para com Ele também ressuscitarmos.

 

 

Deixemos tudo para seguir o Senhor (Semana Santa)

                                                       


                                            Deixemos tudo para seguir o Senhor 

Assim lemos no início do Evangelho de Marcos (Mc 1,16-20):

“Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e André, o irmão de Simão. Lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: ‘Vinde em meu seguimento e Eu farei de vós pescadores de homens’.

E imediatamente, deixando as redes, eles O seguiram. Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, eles também no barco, consertando as redes. E logo os chamou. E eles, deixando o pai Zebedeu no barco com os empregados, partiram em Seu seguimento.”

O Evangelista acentua que os discípulos, “abandonando tudo, seguiram a Jesus” (cf. Mc 1,18.20); no entanto, ao narrar a hora da Paixão de Jesus, o Evangelista nos diz:

“Então, abandonando-O, fugiram todos.” (Mc 14,50).

Também nós somos chamados peço Senhor para segui-Lo, como discípulos missionários Seus, vivendo com Ele o Mistério de Sua Paixão, para também celebrarmos a Sua Ressurreição, assim como nos exortou o São Gregório de Nazianzo (séc. IV):

“...imitemos com os nossos sofrimentos a Paixão de Cristo, honremos com o nosso sangue o Seu Sangue, e subamos corajosamente à Sua Cruz”.

Vivamos intensamente a Semana Santa, renovando nossa fidelidade incondicional e para sempre ao Senhor, não obstante as provações, dificuldades, as noites escuras que, por vezes, temos que passar; convictos de que, com Ele, somos mais que vencedores, porque cremos que Ele morreu, mas por Deus foi ressuscitado, e assim o será com todos aqueles que n’Ele viver e crer, como Ele mesmo nos assegurou.

Ó “Hóspedes de minha alma”

                                                    


Ó “Hóspedes de minha alma”

Celebraremos e viveremos a Semana Santa, como tempo favorável para o recolhimento e contemplação do imensurável amor de Deus por nós, em sua expressão máxima na morte do Filho na Cruz, reflitamos estas palavras da Carmelita Santa Elizabeth da Trindade (1880-1906):

“O amor habita em nós, onde meu único exercício é reentrar em mim, e lá perder-me naqueles que ali habitam. A felicidade da minha vida é a intimidade com os Hóspedes da minha alma”.

Oremos:

Ó “Hóspedes de minha alma”, afastai-me de todos os ruídos que me impeçam a reentrada em mim mesmo, a fim de que redescubra sempre Vossa morada em mim.

Ó “Hóspedes de minha alma”, libertai-me de tudo aquilo que me cega e não me permite vê-Los, habitando como mais belos hóspedes, no mais profundo de mim.

Ó “Hóspedes de minha alma”, ajudai-me a encontrar a felicidade autêntica, que tão somente podeis me dar, fortalecendo minha intimidade Convosco.

Ó “Hóspedes de minha alma”, fortalecei-me na alegria de Vos ter na mais perfeita intimidade, e que esta alegria possa a muitos inflamar, sobretudo os mais frágeis e necessitados de solidariedade.

Ó “Hóspedes de minha alma”, que jamais me separe de Vós, que sois Um em cada um nós, vivendo com coragem e fidelidade a “loucura da Cruz”, a Verdadeira Sabedoria que ilumina o mundo. Amém.

Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior

                                                   


Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior
 
Como Igreja, celebraremos a Semana Santa, chamada também de a Semana Maior (por seu conteúdo, importância e riqueza para a fé que professamos), como um tempo forte de silêncio e oração, de tal modo que poderemos rever como testemunhamos nossa fé e como nos relacionamos com nosso próximo, pois a fé sem obras é morta, como nos fala o Apóstolo em sua Carta (Tg 2, 14-18).
 
São dias memoráveis, que começam com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, e, de modo especial, o Tríduo Pascal, que inicia com a Missa da Quinta-feira Santa, quando celebramos a Instituição da Eucaristia, Mandamento Novo do Amor e o Sacramento da Ordem; a Sexta-Feira Santa da Paixão e Morte do Senhor; o Sábado Santo culminando com a mais antiquíssima e bela Vigília Pascal, ao anoitecer; e chegando ao ápice do Domingo da Páscoa e da Ressurreição do Senhor.
 
A fé, para que seja autêntica, deve ser operativa, ou seja, levar ao compromisso social e comunitário. Belos discursos não bastam; é preciso uma bela prática, pois a religião autêntica transparece nos gestos concretos de amor e solidariedade, fraternidade, serviço, partilha, perdão, para que não façamos da religião uma mentira, um engano, uma evasão, uma omissão nos sagrados compromissos de solidariedade e misericórdia com nosso próximo, sobretudo no cumprimento do Novo Mandamento que Ele nos deu: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 15,12).
 
Com a Celebração da Semana Santa, nos unimos mais intensamente ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Ele configurados, como peregrinos da esperança, testemunhas de sua ternura, compaixão, proximidade e misericórdia, no cuidado e promoção da vida humana, no cuidado da criação e da nossa Casa Comum.
 

Em poucas palavras... (Semana Santa)

                                                  


Semana Santa: Acreditar, contemplar e imitar

 

Peregrinos da esperança “Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus”  (Fl 2,5), pois “A esperança não decepciona” (cf. Rm 5,5)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG