sábado, 28 de março de 2026

Em poucas palavras... (Semana Santa)

                                                  


Semana Santa: Acreditar, contemplar e imitar

 

Peregrinos da esperança “Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus”  (Fl 2,5), pois “A esperança não decepciona” (cf. Rm 5,5)

Semana Santa e Poesia

                                                                 

Semana Santa e Poesia

Celebraremos e vivenciaremos uma rica e abençoada Semana Santa,
Tomemos emprestado o olhar diferenciado dos poetas.
Mas que tem a ver Semana Santa e poesia?

Se considerarmos o olhar de ternura do Senhor,
Ao qual nada escapava, e fluía abundantemente em Suas pregações,
Com exemplos e comparações simples e tocantes;

Se considerarmos o Coração de Jesus,
No qual transbordava o Amor pela vida de cada pessoa,
E a cada um dirigia uma Palavra iluminadora;

Se considerarmos as Palavras ardentes
Que saíram de Seus lábios, como fogo devorador,
Expressão da misericórdia para com o pecador...

Então, não tenho dúvida de que aprenderemos com o Senhor
A mais bela relação entre Semana Santa e poesia,
E, assim, nos tornaremos mais fraternos nesta travessia.

Seguindo atrás de Jesus, com a Cruz às costas,
Com os ramos empunhados nas mãos,
Misericórdia e esperança no coração.

Configurados a Jesus, 
No Mistério de Sua Paixão e Morte na Cruz,
Cruz, que é força na fraqueza, glória na humilhação
E vida na morte.

Com o olhar dos poetas que creem no Mistério da Ressurreição,
Saberemos contemplar a morte do grão de trigo, Jesus Cristo,
Que suportou a morte, para florir e nos saciar com frutos pascais.                    

Com o olhar do poeta e com um coração que em Deus crê
A presença do Ressuscitado, que conosco caminha, sentiremos,
E nosso coração ardente pelo fogo do Espírito ficará, 
e então exultaremos de alegria. Amém. 

“Deus amou tanto o mundo...” (Domingo de Ramos)

                                     


“Deus amou tanto o mundo...”

Com a Liturgia do Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, contemplando a imensidão do Amor de Deus por nós, não poupando o próprio Filho – “Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho único, para que todo o que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Neste contexto, acolhamos o Tratado sobre a fé de Pedro, do Bispo São Fulgêncio de Ruspe, século IV.

“Os sacrifícios das vítimas materiais, que a própria Santíssima Trindade, Deus único do Antigo e do Novo Testamento, tinha ordenado que nossos antepassados lhe oferecessem, prefiguravam a agradabilíssima oferenda daquele sacrifício em que o Filho unigênito de Deus feito carne iria, misericordiosamente, oferecer-Se por nós.

De fato, segundo as palavras do Apóstolo, Ele Se entregou a Si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor (Ef 5,2). É Ele o verdadeiro Deus  e o verdadeiro sumo-sacerdote que por nossa causa entrou de uma vez para sempre no santuário, não com o sangue de touros e bodes, mas com o Seu próprio Sangue. Era isto que outrora prefigurava o sumo-sacerdote, quando, uma vez por ano, entrava no santuário com o sangue das vítimas.

É Cristo, com efeito, que, por Si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa redenção; Ele é ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, Deus e templo. Sacerdote, por quem somos reconciliados; sacrifício, pelo qual somos reconciliados; templo, onde somos reconciliados; Deus, com quem somos reconciliados. Entretanto, só Ele é o sacerdote, o sacrifício e o templo, enquanto Deus na condição de servo; mas na Sua condição divina, Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo.

Acredita, pois, firmemente e não duvides que o próprio Filho Unigênito de Deus, a Palavra que Se fez carne, Se ofereceu por nós como sacrifício e vítima agradável a Deus. A Ele, na unidade do Pai e do Espírito Santo, eram oferecidos sacrifícios de animais pelos patriarcas, Profetas e sacerdotes do Antigo Testamento. E agora, no tempo do Novo Testamento, a Ele, que é um só Deus com o Pai e o Espírito Santo, a santa Igreja Católica não cessa de oferecer em toda a terra, na fé e na caridade, o sacrifício do pão e do vinho.

Antigamente, aquelas vítimas animais prefiguravam o Corpo de Cristo, que Ele, sem pecado, ofereceria pelos nossos pecados, e Seu Sangue, que Ele derramaria pela remissão desses mesmos pecados. Agora, este sacrifício é ação de graças e memorial do Corpo de Cristo que Ele ofereceu por nós, e do Sangue que o mesmo Deus derramou por nós. A esse respeito, fala São Paulo nos Atos dos Apóstolos: Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o Sangue do Seu próprio Filho (At 20,28). Antigamente, aqueles sacrifícios eram figura do dom que nos seria feito; agora, este sacrifício manifesta claramente o que já nos foi doado.

Naqueles sacrifícios, anunciava-se de antemão que o Filho de Deus devia sofrer a Morte pelos ímpios; neste sacrifício anuncia-se que Ele já sofreu essa morte, conforme atesta o Apóstolo: Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado (Rm 5,6). E ainda: Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela Morte do Seu Filho (Rm 5,10).”

Contemplemos o Amor que por nós Se doa e Se entrega na crudelíssima Morte de Cruz, para nos ensinar o Caminho que nos conduz ao Pai. Fará da Cruz um sinal aparente de derrota, o caminho da nossa vitória, quando for Ressuscitado na madrugada das madrugadas, precedida pela noite sombria, da Sua descida à mansão dos mortos, para libertar os que jaziam na sombra da morte e todos quantos vierem a n’Ele crer.

Mergulhemos na compreensão do Mistério do Amor de Deus, da oferenda de Cristo por Amor de cada um de nós, Mistério que não compreendemos, Mistério de Amor que não merecemos.

“Deus amou tanto o mundo...” (continuação) (Domingo de Ramos)

                                               



“Deus amou tanto o mundo...” 

Retomo um parágrafo do Tratado sobre a fé de Pedro, escrita pelo Bispo São Fulgêncio de Ruspe (séc IV), para que meditado, sejamos fortalecidos em nosso Itinerário Quaresmal, e introduzidos no Mistério da Semana Santa: 

“É Cristo, com efeito, que, por Si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa redenção; Ele é ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, Deus e templo.

Sacerdote, por quem somos reconciliados;
Sacrifício, pelo qual somos reconciliados;
Templo, onde somos reconciliados;
Deus, com quem somos reconciliados.

Entretanto, só Ele é o sacerdote, o sacrifício e o templo, enquanto Deus na condição de servo; mas na Sua condição divina, Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo.”

Cremos em Jesus Cristo ao mesmo tempo: Sacerdote e Sacrifício, Deus e Templo, Altar e Cordeiro.

Qual deus, qual rei:
- Procuraria reconciliação com seus súditos?
- Suportaria sacrifício pelos seus súditos?
- Abriria sua morada para acolher os seus súditos?
- Se preocuparia em reintegrar seus súditos?
- Sportaria por a mesa para seus súditos?
- Ofereceria o melhor de si para seus súditos?

Nenhum, a não ser o Deus Uno e Trino que cremos e amamos: Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus, três Pessoas, a quem rendemos, honra, glória, poder e louvor.

Imagem de Deus que somos, vivendo intensamente a Semana Santa, configuremo-nos ao Senhor, sejamos semelhantes a Cristo Jesus no Mistério de Sua Paixão e Morte, para também com Ele alcançarmos a glória da Ressurreição.

Vivendo intensamente a Semana Santa sejamos renovados e revigorados para no mundo a diferença fazer, e corajosamente sermos sermos sal, fermento e luz, como Jesus nos enviou.

E o Aleluia ressoará em nossos lábios,
Porque o Mistério Pascal, no mais profundo de nós,
Luz nova da Ressurreição,
Haverá de resplandecer.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo... Amém! 

Em poucas palavras (Domingo de Ramos-Semana Santa)

                                            


A Semana Maior: Semana Santa

“A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa da Sua Morte e da Sua Ressurreição. É com a Sua Celebração, no Domingo de Ramos, que a Liturgia da Igreja começa a Semana Santa”. (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – n.560

 

Semana Santa: Acreditar, contemplar, imitar a Paixão do Senhor!

                                                           


Semana Santa: Acreditar, contemplar, imitar a Paixão do Senhor!

Acreditemos, contemplemos e imitemos o Senhor.
Vençamos as ciladas do antigo inimigo, e suas tentações matrizes (ter, ser e poder), como Ele bem nos ensinou no deserto.

Que Se nos revelou transfigurado na montanha, para que sejamos comprometidos com os desfigurados da planície, e um dia possamos ser merecedores de um lugar em Sua glória.

Tendo a alma consumida pelo zelo e amor pelas coisas de Deus, porque membros do Seu Corpo, o Novo Templo nos fez.

Acreditemos, contemplemos e imitemos o Senhor.

Vivamos o Amor tão belamente pelos autores sagrados anunciado e descrito, e por Ele, Jesus, plenamente revelado e vivido.

Grão de trigo que caiu no chão, morreu e frutificou em Flores e Frutos Pascais em favor de toda a humanidade, de todos nós, pecadores que somos, não por nossos méritos, até mesmo pela sua falta.

Suportemos a perda, a dor, a morte, como sementes de eternidade, porque sabemos que a morte não tem a última palavra. Somente Deus a tem. O Amor tem a última palavra.

Acreditemos, contemplemos e imitemos o Senhor.

Deus O Ressuscitou, nós o cremos, e quem n’Ele vive e crê, ainda que morra, para sempre, na alegria plena do céu, viverá.

E, será então a mais rica, frutuosa e desejada Semana Santa que viveremos, para que, enfim, sejamos melhores, pois Deus merece que sejamos melhores.

Será o nosso eterno Aleluia, cantado com os anjos e santos. 

Um canto de exultação interminável. Por ora, solidarizemos com o canto daqueles que choram, clamam, suplicam, labutam, e o Reino constroem.

O mais belo canto de Deus na eternidade é precedido pelo clamor que da Cruz ecoou, e os séculos atravessou. 

Nós cremos e vimos a Sua glória. Amém.

 

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

                                                  

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

Com este Sermão, o Bispo Santo Agostinho (Séc. V), contemplamos  a Cruz do Senhor, na qual devemos nos gloriar.

“A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência. Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?

Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que Ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que Ele dará a vida aos Seus fiéis, quando já lhes deu até a Sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus? Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.

Quem é Cristo senão Aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar Sua vida aos mortais. Fez-Se participante de nossa morte para nos tornar participantes da Sua vida.

De fato, assim como os homens, pela Sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também Ele, pela Sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte. Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e d’Ele recebemos a vida.

Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre Si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos. Se Ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da Sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, Ele que é fiel em Suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?

Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.

O Apóstolo Paulo compreendeu bem esse Mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o Seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Retomemos o convite feito pelo Bispo: “Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho”.

E aprendamos com o Apóstolo Paulo: “Quanto a mim, que eu me glorie somente na Cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Vivamos a Semana Santa, a Semana Maior, em que celebramos o imensurável amor de Deus por nós, vivido por Seu Filho, numa fidelidade incondicional, selada pela doação e entrega de Sua própria vida.

Configurados a Cristo Jesus, vivamos também nós o Mistério de Sua Paixão e Morte, para com Ele Ressuscitarmos.

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