sexta-feira, 27 de março de 2026

Em poucas palavras...

                                             

Oração: encontro da sede de Deus com a nossa

«Se conhecesses o dom de Deus!» (Jo 4, 10). A maravilha da oração revela-se precisamente, à beira dos poços aonde vamos buscar a nossa água: aí é que Cristo vem ao encontro de todo o ser humano; Ele antecipa-Se a procurar-nos e é Ele que nos pede de beber.

Jesus tem sede, e o seu pedido brota das profundezas de Deus que nos deseja.

A oração, saibamo-lo ou não, é o encontro da sede de Deus com a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d'Ele (Santo Agostinho).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2560

Em poucas palavras...

                                                        


"A oração é a elevação da alma para Deus...”

“«A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes» (São João Damasceno). 

De onde é que falamos, ao orar? Das alturas do nosso orgulho e da nossa vontade própria, ou das «profundezas» (Sl 130, 1) dum coração humilde e contrito?

Aquele que se humilha é que é elevado (Lc 18,9-14). A humildade é o fundamento da oração. «Não sabemos o que havemos de pedir para rezarmos como deve ser» (Rm 8, 26). A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração: o homem é um mendigo de Deus (Santo Agostinho)” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 2559

Rezando com os Salmos - SL 17 (18)

                                                      


Com o Senhor, mais que vencedores

“– 1 Do mestre de canto. De Davi, servo de Deus, que dirigiu as palavras deste cântico, quando Deus o libertou de todos os seus inimigos e da mão de Saul. Ele disse:

– 2 Eu Vos amo, ó Senhor! Sois minha força,
-   3 minha rocha, meu refúgio e Salvador!
= Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga,
minha força e poderosa salvação,
sois meu escudo e proteção: em Vós espero!

– 4 Invocarei o meu Senhor: a Ele a glória!
e dos meus perseguidores serei salvo!
– 5 Ondas da morte me envolveram totalmente,
e as torrentes da maldade me aterraram;
– 6 os laços do abismo me amarraram
e a própria morte me prendeu em suas redes.

– 7 Ao Senhor eu invoquei na minha angústia
e elevei o meu clamor para o meu Deus;
– de Seu Templo Ele escutou a minha voz,
e chegou a Seus ouvidos o meu grito.

  – 8 a terra toda estremeceu e se abalou,
os fundamentos das montanhas vacilaram
e se agitaram, porque Deus estava irado.
= 9 De Seu nariz fumaça em nuvens se elevou,
da boca saiu fogo abrasador
dos Seus lábios, carvões incandescentes.

– 10 Os céus Ele abaixou e então desceu,
pousando em nuvens pretas os Seus pés.
– 11 Um querubim O conduzia no Seu voo,
sobre as asas do vento Ele pairava.

– 12 Das trevas fez um véu para envolver-Se,
escondeu-Se em densas nuvens e água escura.
– 13 No clarão que procedia de Seu rosto,
carvões incandescentes se acendiam.

– 14 Trovejou dos altos céus o Senhor Deus,
o Altíssimo fez ouvir a Sua voz;
– 15 e, lançando as Suas flechas, dissipou-os,
dispersou-os com Seus raios fulgurantes.

– 16 Até o fundo do oceano apareceu,
e os fundamentos do universo foram vistos,
– ante as Vossas ameaças, ó Senhor,
e ao sopro abrasador de Vossa ira.

– 17 Lá do alto Ele estendeu a Sua mão
e das águas mais profundas retirou-me;
– 18 libertou-me do inimigo poderoso
e de rivais muito mais fortes do que eu.

– 19 Assaltaram-me no dia da aflição,
mas o Senhor foi para mim um protetor;
– 20 colocou-me num lugar bem espaçoso:
o Senhor me libertou, porque me ama.

– 21 O Senhor recompensou minha justiça
e a pureza que encontrou em minhas mãos,
– 22 pois nos caminhos do Senhor eu caminhei,
e de meu Deus não me afastei por minhas culpas.

– 23 Tive sempre à minha frente os Seus preceitos,
e de mim não afastei Sua justiça.
– 24 Diante d’Ele tenho sido sempre reto
e conservei-me bem distante do pecado.
– O Senhor recompensou minha justiça
e a pureza que encontrou em minhas mãos.

– 25 Ó Senhor, Vós sois fiel com o fiel,
sois correto com o homem que é correto;
– 26 sois sincero com aquele que é sincero,
mas arguto com o homem astucioso.
– 27 Pois salvais, ó Senhor Deus, o povo humilde,
mas os olhos dos soberbos humilhais.

– 29 Ó Senhor, fazeis brilhar a minha lâmpada;  
ó meu Deus, iluminai as minhas trevas.
– 30 Junto convosco eu enfrento os inimigos,
com Vossa ajuda eu transponho altas muralhas.

– 31 São perfeitos os caminhos do Senhor,
Sua Palavra é provada pelo fogo;
– nosso Deus é um escudo poderoso
para aqueles que a Ele se confiam.

– 32 Quem é deus além de Deus nosso Senhor?
Quem é Rochedo semelhante ao nosso Deus?
– 33 Foi esse Deus que me vestiu de fortaleza
e que tornou o meu caminho sem pecado.

– 34 Tornou ligeiros os meus pés como os da corça
e colocou-me em segurança em lugar alto;
– 35 adestrou as minhas mãos para o combate,
e os meus braços, para usar arcos de bronze.

= 36 Por escudo Vós me destes Vossa ajuda;
com a Vossa mão direita me amparastes,
e a Vossa proteção me fez crescer.
– 37 Alargastes meu caminho ante meus passos,
e por isso os meus pés não vacilaram.

– 38 Persegui meus inimigos e alcancei-os,
não voltei sem os haver exterminado;
– 39 esmaguei-os, já não podem levantar-se,
e debaixo dos meus pés caíram todos.

– 40 Vós me cingistes de coragem para a luta
e dobrastes os rebeldes a meus pés.
– 41 Vós fizestes debandar meus inimigos,
e aqueles que me odeiam dispersastes.

– 42 Eles gritaram, mas ninguém veio salvá-los;
os seus gritos o Senhor não escutou.
– 43 Esmaguei-os como o pó que o vento leva
e pisei-os como a lama das estradas.

– 44 Vós me livrastes da revolta deste povo
e me pusestes como chefe das nações;
– serviu-me um povo para mim desconhecido,
45 mal ouviu a minha voz, obedeceu.

= Povos estranhos me prestaram homenagem,
46 povos estranhos se entregaram, se renderam
e, tremendo, abandonaram seus redutos.

– 47 Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo!
E louvado seja Deus, meu Salvador!
– 48 Porque foi Ele, o Senhor, que me vingou
e os povos submeteu ao meu domínio;

= libertou-me de inimigos furiosos,
49 me exaltou sobre os rivais que resistiam
e do homem sanguinário me salvou.
–50  Por isso, entre as nações, Vos louvarei,
cantarei salmos, ó Senhor, ao Vosso nome.

= 51 Concedeis ao Vosso rei grandes vitórias
e mostrais misericórdia ao Vosso Ungido,
a Davi e à sua casa para sempre.”

O Salmo 17(18) é uma ação de graças pela salvação e pela vitória, e poderemos rezá-lo agradecendo a Deus, sempre presente em nossos combates cotidianos, sem o quê, não teríamos razão alguma para manter viva a esperança de um novo tempo, ou vitória. No entanto, como afirmou Paulo, com Cristo, somos mais que vencedores:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada? Segundo está escrito: ‘Por sua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro’. Mas em tudo isto somos mais que vencedores, graças Àquele que nos amou.” (cf. Rm 8,35-37).

Concluímos rezando o refrão do Salmo quando rezado nas Missas:

"Ao Senhor eu invoquei na minha angútia e Ele escutou a minha voz."

Em poucas palavras...

                                                    


Reconheçamos nossos pecados

“Aprendamos a reconhecer nossos pecados, a confessá-los a Deus que é Pai. Se o nosso coração nos reprovar, ‘Deus é maior do que o nosso coração’ (1 Jo 3,19s)” (1)

 

 

(1) Comentário da passagem do Livro do Profeta Jeremias (Jr 14,17-22) - Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1079

A chama profética

                                                     

A chama profética 

Reflitamos sobre a vocação profética a ser vivida, sobretudo, pela graça recebida no dia do Batismo, à luz da passagem do Livro do Profeta Jeremias ((Jr 20,10-13).

Assim lemos no Missal Dominical:

“O Povo de Deus experimentou, durante toda a sua história, a violenta oposição dos povos vizinhos.

O mistério da perseguição, embora estando ligado ao do sofrimento em geral, distingue-se dele.

O sofrimento constitui um problema angustiante, porque atinge todos os homens, também os justos e os inocentes.

A perseguição atinge os justos precisamente porque justos; dirige-se especialmente aos Profetas por causa do seu amor a Javé e da fidelidade à Sua Palavra.

Jeremias ocupa entre os perseguidos um lugar especial: exprimiu melhor do que os outros a estreita ligação entre perseguição e missão Profética”. (1)

A figura de Jeremias (Jr 20,10-13) nos remete à figura profética do Servo sofredor, que “realiza o Plano de Deus com a aceitação dos maus-tratos que o povo lhe inflige. A razão profunda do drama do justo perseguido é ressaltada pelo livro da Sabedoria: tornou-se insuportável para os ímpios até mesmo ver os justos (cf Sb 2,14); é "incômodo" (Sb 2,12) um testemunho do Deus vivo que se prefere desconhecer.

Condenando Jesus ao suplício da Cruz, os judeus continuam a  injustiça  de  seus  antepassados   que   perseguiram  os Profetas, e assim tentam opor-se ao Plano de Deus.

Mas o cálculo do homem pecador se revela errado. Os ‘príncipes deste mundo’, crucificando o ‘Senhor da glória’, tornam-se, na verdade, os instrumentos da Sabedoria divina (1Cor 2,8), porque a morte de Cristo se torna salvação do mundo e glória de Deus”. (2)

No ensinamento de Jesus, à luz do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12), a perseguição “se torna objeto de bem-aventurança: ‘Bem-aventurados vós quando vos insultarem, vos perseguirem (Mt 5,11). É inevitável: ‘O servo não é maior que seu Senhor. Se perseguiram a mim, perseguirão também a vós’.

Comprometer-se a viver no caminho de Deus significa encontrar no próprio caminho dificuldades sempre novas e cada vez maiores.

Num mundo dominado pelo egoísmo e pela busca do próprio interesse, quem rega o amor, a pobreza e o perdão será inevitavelmente perseguido, porque o pecado está profundamente radicado no coração do homem.

Mas o perseguido não teme. Tem confiança no Senhor. Os perseguidores podem matar o corpo; não têm poder para arruinar a alma.

O cristão enfrenta a perseguição com alegria: os Apóstolos ‘saíram do sinédrio contentes por terem sido ultrajados por amor do Nome de Jesus’ (At 5,41), e São Paulo: ‘Transbordo de alegria em todas as nossas tribulações’ (2 Cor 7,4)”(3).

Mas o Missal acentua a diferença que existe entre a verdadeira e a falsa perseguição:

“O Concílio pediu à Igreja mudança de atitude perante o mundo; ela não é mais a fortaleza isolada: é o fermento que quer animar e impregnar a massa com o Evangelho.

Não devemos pensar que esta reconciliação seja fácil, e que, depois dela, os homens irão se estender as mãos com espontaneidade.

À medida que alguns puserem verdadeiramente em prática as Bem-Aventuranças evangélicas por uma autêntica promoção humana, outros sofrerão perseguição. A oposição entre a sabedoria do mundo e a de Cristo é inevitável e irredutível.

No entanto, nem todas as vezes que a Igreja sofre perseguição isso se dá por sua fidelidade ao Evangelho e pela imitação de Cristo no caminho da Cruz, algumas vezes foi perseguida e hostilizada em virtude de seu atraso com relação à história, por comodismo ou falta de confiança e coragem. É doloroso constatar como encontraram resistência, suspeitas e às vezes posição em alguns setores da Igreja, ideias cristãs e evangélicas como: liberdade, igualdade, direitos humanos, democracia.

Outras vezes, a hostilidade contra a Igreja nasceu de um amor ilusório para com ela. As limitações humanas da Igreja e dos cristãos, as conivências-inconsciência talvez, mas reais - com situações de injustiça e de poder, os medos e as hesitações, os silêncios, a falta de coragem e de confiança... fizeram que contra ela se revoltassem homens honestos e de boa vontade.

Em muitos casos, as perseguições contra a Igreja têm sua origem numa concepção errada da religião, que parece restringir a liberdade e autonomia do homem.

Mas, enfim, há também uma perseguição que podemos denominar; ‘satânica’. É o fermento funesto do mundo, que se difunde e ramifica como um câncer que corrói os tecidos da humanidade; é como um corpo místico do mal, com o qual, apesar de todos os gestos de boa vontade, a Igreja não pode entrar em diálogo, porque se trata do inimigo irredutível, do adversário que luta contra Cristo e Seu Reino. E isto, apesar de tanto ceticismo, é um mal que existe”. (4)

Celebrando a Eucaristia, acolhamos a Palavra proclamada, e peçamos a Deus a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, e os dons do Santo Espírito, para que vivamos a vocação profética, como Igreja que somos, e nos tornemos instrumentos que favoreçam a realização do Reino de Deus, e não obstáculo para tal.

Em tempos difíceis que vivemos, tenhamos a confiança e a coerência dos Profetas, que a Bíblia nos apresenta, entre eles Jeremias, vivendo fidelidade incondicional a Deus e a Sua Nova e Eterna Aliança de Amor, selada conosco pelo Sangue de nosso Redentor, como celebramos em cada Eucaristia, e um apaixonamento indiscutível e perceptível pela Palavra de Deus.

Acesa chama do Espírito em nosso coração, apesar de nossas fragilidades, comunicaremos às situações mais obscuras da vida, o raio da luz divina, porque a Divina Fonte de Luz em nós fez morada, Se fez um Hóspede, nos divinizou.
  

(1); (2); (3); (4) -  Missal Dominical ©Paulus, 1995 – pp. 723-724.

Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ano A)

                                                     

Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

                              “Contemplemos e fiquemos abismados diante da mais bela História do Amor de Deus por nós:
Jesus Cristo, 0 Filho Amado do Pai.”

Com a Santa Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciamos a Semana Santa, que culminará na Ressurreição do Senhor.

A Liturgia (Ano A) nos convida a contemplar a ação de Deus que vem ao encontro da humanidade, por meio de Jesus Cristo, que Se fez o Servo da humanidade, em doação total de Sua vida por amor, não fugindo do horizonte da Cruz sempre presente em Sua missão.

Na passagem da primeira Leitura (Is 50,4-7), é nos apresentado o terceiro Cântico de Javé, e a figura do Servo sofredor, que a fé cristã identifica perfeitamente com a pessoa de Jesus Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte:

“A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na Ressurreição que gera vida nova” (1)

O Servo sofredor escuta, sofre, resiste e confia na intervenção de Deus que jamais abandona aqueles a quem chama. O Profeta tem convicção de que não está só, e que a força de Deus é sempre mais forte que a dor, o sofrimento e a perseguição, e que jamais ficará decepcionado.

Reflitamos:

- Temos coragem de fazer da nossa vida uma total entrega ao Projeto de Deus, no compromisso de libertação de tudo que seja sinal de morte e opressão?

- De que modo vivemos a vocação profética que Deus nos concedeu pela graça do Batismo?

- Temos confiança na força de Deus, como o Servo sofredor que é o próprio Senhor?

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda Leitura (Fl 2, 6-11), apresenta-nos o exemplo de Jesus Cristo que viveu obediência, fidelidade e amor total ao Pai por amor à humanidade.

Embora a comunidade de Filipos, gozando de afeto especial do Apóstolo, seja entusiasta, generosa e comprometida, é exortada a aprofundar sua prática de desprendimento com maior humildade e simplicidade, como pode acontecer com toda comunidade que adere ao Senhor.

Paulo nos apresenta, portanto, numa breve e densa passagem, a missão de Jesus:

“Em traços precisos, o hino define o ‘despojamento’ (‘Kenosis’)  de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a Sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o Ser e o Amor do Pai.

Não deixou de ser Deus, mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse ‘abaixamento’ assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma Morte infamante – a Morte de Cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do Amor radical, da entrega total da vida” (2).

Em consequência disto, Deus o fez “Kyrios” (Senhor), para reinar sobre toda a terra e sobre toda a humanidade.

A comunidade dos seguidores de Jesus haverá de fazer sempre este mesmo caminho de despojamento, amor, doação e fidelidade total a Deus, para alcançar a glória da eternidade.

Com a passagem do Evangelho (Mt 26,14-27,66),  Mateus, o primeiro Evangelista nos apresenta a Paixão de Nosso Senhor Jesus. 

Contemplamos a Sua vida vivida como dom, amor e serviço,  culminando na morte de Cruz para que a humanidade seja redimida.

Na narrativa de Mateus tem algumas particularidades em relação aos outros Evangelistas: a iniquidade do processo e a inocência de Jesus; o sonho da mulher de Pilatos, sugerindo que não foi o império romano, mas sim o próprio judaísmo que rejeitou Jesus e Sua Proposta do Reino; a descrição dos fatos que acompanharam a Sua Morte (o véu do Templo que se rasga em duas partes, de alto a baixo; o tremor da terra e o fender das rochas; a abertura dos túmulos e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; o episódio da guarda do sepulcro, com o objetivo de confirmar que o corpo não foi roubado, mas Ele foi Ressuscitado).

A mensagem central: a morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino, que provocou tensões, resistências, pelos que detinham o poder religioso, econômico, político e social do Seu tempo.

A Morte de Jesus é o culminar de Sua vida: “é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com Sangue), daquilo que Jesus pregou com Palavras e com gestos: o Amor, o dom total, o serviço” (3)

Que a celebração da Semana Santa, rica em espiritualidade, repleta de ritos significativos, renove nosso apaixonamento por Jesus, assim como Ele foi um apaixonado de Deus Pai, com a força e presença do Espírito, em todos os momentos.


Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

 


Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

“Uma fidelidade que gera futuro”

A fecundidade do ministério presbiteral é diretamente proporcional à fidelidade vivida, garantia de um futuro fecundo.

Deste modo,  o presbítero viverá com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que seja sacerdote segundo o amor do Coração de Jesus.

A cada dia, será renovada a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo à sua vida; aquele memorável encontro que o Senhor o amou, escolheu, chamou e confiou a graça da vocação de discípulos Seu.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurado, tem os passos firmados e cresce na familiaridade e íntima amizade com Ele, de tal modo que, é envolvida toda a sua pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

A fidelidade deve ser expressa no serviço, na fraternidade, na sinodalidade, na missão gera futuro:

- Fidelidade e serviço uma vida oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados; na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Conta com a sabedoria divina para viver o chamado ao ministério ordenado, como dom livre e gratuito de Deus, e sua vida é generosa resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvido pela divina ternura que sabe trabalhar com as fragilidades e limitações humanas.

Tão somente aberto ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja, cuida da formação permanente, acompanhada da cotidiana conversão e vigilância, para que não caia na tentação do imobilismo ou o fechamento.

- Fidelidade à fraternidade - imprescindível o estabelecimento de vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral é elemento constitutivo do ministério pela Igreja confiado; jamais mergulhado na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

A concórdia e harmonia na caridade será um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais  inserido na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

- Fidelidade e sinodalidade - aberto ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vive sadia e fecunda relação no cuidado das  comunidades, sem jamais concentrar tudo em suas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; e assim vive o ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios na edificação de uma Igreja ministerial, sinodal, misericordiosa e missionária.

- Fidelidade e missão exala o odor do óleo que ungiu as suas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmo, assustado pelos contexto nos qual inserido.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garante o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero na vida cotidiana, de tal modo que a missão alcança todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Na missão vivida com sabedoria, cuida da necessária harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprende a se fazer pequeno para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, usa as redes sociais e todos seus instrumentos à disposição com discernimento e sabedoria, para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

- Fidelidade e futuro empenha-se na vivência do ministério, por um renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais se esquecer que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Por fim, pode contar e confiar na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que viva “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Reflexão inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

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