segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Primeiros para amar e servir
Primeiros para amar e servir
Eis a grande lição que Jesus nos dá nesta passagem do Evangelho e em todos os momentos
Conduzidos pela loucura evangélica, a suprema sabedoria
Conduzidos pela loucura evangélica, a suprema sabedoria
Na sétima terça-feira do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 9,30-37), que trata do segundo anúncio da Paixão do Senhor, que desconcerta os discípulos, porque compreendem que seguir Jesus implica em viver como Ele; tornar-se como Ele, servos de todos.
Assim nos diz o comentário do Missal:
“... A experiência deveria mostrar que a suposta loucura evangélica é a suprema sabedoria. A cobiça, a intolerância, a inveja, a submissão aos instintos humanos de posse e de domínio, sempre geraram guerras e conflitos, encobertos ou declarados, não só no mundo, mas também nas comunidades cristãs e na própria Igreja.
Os frutos da paz e da justiça amadurecem lentamente, mas com firmeza, quando cada qual, em vez de tentar dominar os outros, torna-se humilde ‘servo de todos’. As comunidades cristãs, a Igreja, ‘serva e pobre’, devem oferecer ao mundo uma imagem da cidade do Alto.” (1)
Celebrando o Mistério da Eucaristia, mais uma vez, alimentados por Ela e pela Palavra proclamada, como discípulos missionários, renovemos sagrados compromissos de nos tornarmos, cada vez mais, como Jesus, nosso Divino Mestre e Senhor.
Deste modo cumpriremos plenamente a Lei Divina impressa nas entranhas de nosso coração, e viveremos o duplo Mandamento do Amor a Deus e ao próximo, e para tanto supliquemos a graça divina necessária.
(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Editora Paulus – Lisboa p.1959
Lírios manchados... até quando?
Lírios manchados... até quando?
"A voz do sangue do teu irmão
está clamando por mim, da terra" (Gn 4,10)
está clamando por mim, da terra" (Gn 4,10)
Até quando:
- Lírios manchados pela violência doméstica e intrafamiliar por meio dos membros de uma família ou que ocupam o mesmo espaço, com intolerância, abusos, agressão e dominação de modo especial contra a mulher, criança, jovens e idosos?
- Lírios manchados pela violência criminal, que é pratica de agressão grave às pessoas; pelo atentado à vida e aos seus bens?
- Lírios manchados pela multiplicação do ódio e intolerância entre as pessoas, levando à morte por agressões corporais, armas brancas ou de fogo?
- Lírios manchados pela violência da exploração do trabalho escravo, infantil e juvenil?
- Lírios manchados pelo tráfico de pessoas, drogas e armas que proliferam e crescem absurdamente?
- Lírios manchados pela violência estrutural e sistêmica, gerando uma sociedade injusta e desigual, entre culturas, gêneros, faixas etárias e grupos étnicos?
- Lírios manchados pela violência institucional por meio de suas regras, normas de funcionamento, com relações burocrática e políticas, perpetuando estruturas e comportamentos injustos?
- Lírios manchados pela miséria, fome, submissões, exploração e repressões com faces diferenciadas?
- Lírios manchados pela violência interpessoal para a superação de conflitos expressos em atitudes de prepotência, intimidação, discriminação, raiva, vingança e inveja?
- Lírios manchados pelos danos morais, psicológicos e físicos, e por meio de ameaça, insultos, chantagens, constrangimentos, humilhação, manipulação, vigilância permanente, ridicularização, perseguição e tantas outras formas, causando danos e doenças emocionais e psíquicas, chegando à sua máxima expressão que é a morte?
- Lírios manchados pela violência autoinfligida, com seus atos suicidas, automutilações, que crescem cada dia, e de modo acentuado, entre a juventude?
- Lírios manchados pela violência étnico-racial, contra pessoas negras, indígenas, migrantes e refugiados?
- Lírios manchados pela violência de gênero, multiplicado por atitudes de opressão e crueldade pelo fato do outro ser mulher, homem ou de outra orientação sexual?
- Lírios manchados pela violência sexual, que leva alguém a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada por meio da intimidação, ameaça, coação ou uso da força, como o assédio sexual, estupro, prostituição forçada, tráfico de pessoas para fins de exploração sexual?
- Lírios manchados pela violência praticada por redes de exploração sexual, que agem vitimando crianças e adolescentes no mundo inteiro?
- Lírios manchados pela violência simbólica, por meio de diferentes modos: arte, religião, mídia e outros sistemas simbólicos, reforçando relações assimétricas e hegemônicas, desqualificações, preconceitos?
- Lírios manchados pela violência cultural, expressa por meio de valores, crenças, mitos, práticas, reproduzidos e naturalizados, com preconceitos que prejudicam e oprimem, por vezes, os diferentes?
- Lírios machados pela mentira difundida, palavras impronunciáveis, pensamentos execráveis, olhares condenatórios ou de indiferença?
- Lírios manchados por sentimentos cultivados, que são incompatíveis com a beleza e sacralidade da vida, e de modo especial, com os ensinamentos da Sagrada Escritura?
- Lírios manchados pela violência religiosa, motivada pela intolerância e fanatismo, fundamentalismo, que não geram a comunhão e a fraternidade, a religação das pessoas entre si e com Deus?
- Lírios manchados por causa da violação do Planeta Terra, nossa casa comum, por causa da depredação, ambição, consumo sem escrúpulos e destruição?
Lírios manchados por violências de tantos outros nomes:
Lírios manchados desde os primeiros momentos, a partir do pecado de nossos pais no Paraíso, em atitude autossuficiência, e rompimento da amizade divina.
Lírios manchados pelo sangue de Abel derramado, vítima da inveja de seu irmão, que ontem e hoje se repete, clamando aos céus.
Lírios manchados dos profetas e mártires de todos os tempos.
Divino Lírio manchado, Jesus, chagado, sangue derramado, na Cruz crucificado.
Divino Lírio manchado, Jesus, com Seu Sangue derramado, mundo novo reconciliado, nós amados e perdoados.
Divino Lírio manchado, Jesus, crucificado para crucificar e acabar com toda morte e violência, que atente contra a vida da humanidade.
Até quando os lírios serão manchados pelas lágrimas e sangue por causa da violência?
O que fazemos para que os lírios da paz floresçam no jardim que Deus nos colocou?
Ressoe em nosso coração o que o Senhor nos disse, e haveremos de, definitivamente, aprender: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).
Basta de lírios manchados, lírios manchados de lágrimas e sangue!
Não manchemos os lírios com nossas palavras, pensamentos, omissões e atitudes!
Fraternidade e superação da violência; cultura de vida e de paz.
Fontes de pesquisa:
Texto base da Campanha da Fraternidade 2018;
“Fraternidade e a superação da violência, um caminho de justiça e misericórdia” - Ir. Eurides Alves de Oliveira - Revista Convergência n.508 - janeiro/fevereiro 2018- ano LIII
Para reflexão da passagem do Livro de Gênesis (Gn 4,1-15.25)
Para reflexão da passagem do Livro de Gênesis (Gn 4,1-15.25)
Curados pelo Senhor
Curados pelo Senhor
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 8,22-26) sobre a cura do cego por Jesus.
Assim como os discípulos têm dificuldade para enxergar, o cego “dá trabalho” a Jesus (nota da Bíblia - Edições CNBB).
A cura se deu num processo: via homens andando como árvores, depois enxergava todas as coisas com nitidez.
Assim acontece com todo aquele (a) que se põe no Caminho da Iniciação à fé.
Seguindo o Senhor: Rito, Palavra de Deus, Sacramentos e Evangelização se completam, na mais perfeita sintonia.
E a transformação que abrange a totalidade da pessoa: mente e coração, espírito e sentidos, indivíduo e comunidade, fazendo progressos na prática da caridade.
Supliquemos ao Senhor que cure nossa cegueira, para enxergarmos novos caminhos, quando tudo parece ter perdido o sentido.
Supliquemos ao Senhor, para que curados, tenhamos olhares renovados de esperança, fitos em horizontes mais que queridos, haverão de ser alcançados.
Curados pelo Senhor, para que saibamos ver, com os olhos do coração, aqueles que mais precisam, clamam, mãos estendem, lágrimas vertem, nosso amor e solidariedade suplicam.
Curados de nossa miopia espiritual, sejamos, pois de um quê de miopia em relação ao outro e ao que se passa ao nosso redor, todos somos acometidos.
A torre e a Cruz
A torre e a Cruz
Viver é sempre uma possibilidade de decidir... Por exemplo, participar da construção da torre de Babel ou carregar a cruz de cada dia construindo a Jerusalém Celeste?
Conhecemos a passagem bíblica em que se quis a construção de uma cidade com uma torre que alcançasse os céus, e a multiplicação de línguas onde ninguém mais se entendia. Conhecemos também uma passagem do Evangelho em que Jesus nos chama a tomar uma decisão, pois para segui-Lo é preciso renunciar a si mesmo, tomar a cruz de cada dia, pôr-se a caminho…
- Qual a nossa escolha: edificar a torre ou carregar a cruz?
- Babel ou a Jerusalém Celeste, do que, de fato, participamos?
Torre e Cruz, sinais fortes embora diferentes; sinais que podem ser vitais ou mortais.
Reflitamos o que nos reporta a torre e, o necessário contraponto, a cruz, que, aos céus, nos conduz:
Erguer a Torre de Babel | Erguer a Cruz de Nosso Senhor |
Desejo de ser como Deus | Desejo de servir a Deus |
Autossuficiência | Dependência de Deus |
Arrogância | Relação de confiança |
Soberba | Humildade |
Egoísmo/ambição | Partilha/solidariedade |
Opressão | Liberdade |
Infidelidade a Deus | Fidelidade a Deus |
Eliminação do amor | Relação profunda de amor |
Multiplicação da iniquidade | Eliminação da maldade |
Escravidão | Libertação |
Opressão/dominação | Relação de serviço |
Autopromoção | Promoção do bem comum |
Ódio/ira | Amor |
Linguagem apenas humana | Linguagem do Espírito |
Reino limitado e parcial | Reino eterno e universal |
A continuidade da reflexão nos possibilitará entender alguns “porquês” da não realização do Projeto Divino.
É tempo de reler Gênesis e parar de teimosamente querer erguer as “torres de Babel” de cada dia. Antes, é tempo de tomar nossa cruz de cada dia, nutridos do mesmo Pão que suplicamos na oração que Ele nos ensinou, que recebemos em cada Eucaristia.
Seguindo Cristo Jesus, fixemos nossos passos na caminhada rumo a Jerusalém Celeste, carregando sem medo nossa cruz de cada dia, na alegre e necessária renúncia.
Carreguemos a cruz com seu exato peso, não a cruz de amanhã, apenas a cruz de hoje. A cada dia a cruz, a cada dia o Pão.
PS: Reflexão inspirada em Gn 11,1-9 e Mc 8,34-9,1.
Cruz: Fonte de Salvação e Amor para nós
Cruz: Fonte de Salvação e Amor para nós
O comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem do Evangelho proclamada na sexta sexta-feira do Tempo Comum (Mc 8,34-9,1) nos enriquece intensamente.
“Jesus estava plenamente ciente da necessidade de chegar a bom termo em Sua missão, e para isto não havia outra maneira a não ser entregar Sua vida ao Pai, capaz de ressuscitá-Lo.
É evidente que o Pai não quer a morte do Filho: quer somente que Ele ofereça amor ao mundo. Mas esta missão não se poderá cumprir sem a provação e sem a fidelidade à condição mortal do homem.
O amor não pode chegar a terra sem passar pela dor. A sorte do Mestre atinge também a dos discípulos. Estes também deverão ‘tomar a cruz’ e ‘segui-Lo’, ‘perder a própria vida’ para salvá-la.
A salvação não virá pelo sucesso, mas pelo sacrifício oferecido por amor; aceito e reconhecido pelo Pai, que saberá restituir a vida. E Cristo será por isso o responsável diante do Pai, quando ‘vier na glória’” (1)
Por ora, é preciso que os discípulos abracem três propostas do Mestre, que deverão ser vividas com fidelidade e amor incondicional até o fim, no anúncio e testemunho da Boa-Nova d’Ele acolhida:
a) Para serem fiéis às suas opções de vida é necessário pagar o preço delas (v. 34b) – “se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”;
b) A vida só tem sentido se e quando é oferecida e doada gratuitamente (vv. 36-37) – “com feito, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar sua própria vida? Pois, que daria o homem em troca da sua vida?”;
c) Jesus deve ser reconhecido como Messias e Salvador de todos os povos (v. 38) – “Aquele, que nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e de minhas Palavras, também o Filho do Homem Se envergonhará quando vier na glória com os Santos Anjos”. (2)
Agora, cabe a cada de um de nós ver de que modo vivemos nossa fidelidade ao Senhor.
É tempo de viver a fé como resposta de amor à proposta que Deus tem a nos oferecer, mas com a coragem do carregar a cruz, fazendo da vida uma história marcada pela doação, por amor vivido e consumido.
É tempo de carregar com coragem nossa cruz, com a esperança de que assumida por amor, como assim o fez o Senhor, caminharemos para a glória da eternidade.
Na fidelidade ao Senhor, a cruz encontra seu sentido quando assumida e carregada com as motivações das virtudes divinas que nos acompanham: fé, esperança e caridade.
(1) Missal Cotidiano – Ed. Paulus. - P.787
A fé ilumina nosso peregrinar
Sejamos enriquecidos pelo Brevilóquio do Bispo São Boaventura (Séc. XIII), sobre o conhecimento de Jesus Cristo, que emana da compreensão de toda a Sagrada Escritura.
“A fonte da Sagrada Escritura não está na investigação humana, mas na divina revelação que brota do Pai das luzes, de quem toda paternidade no céu e na terra recebe o nome.
Desse Pai, por Seu Filho Jesus Cristo, vem a nós o Espírito Santo e por este Espírito Santo, que reparte e distribui os dons a quem quer, é-nos dada a fé: pela fé Cristo habita em nossos corações. Ela é o conhecimento de Jesus Cristo, donde Se origina a firmeza e a compreensão de toda a Sagrada Escritura.
Por conseguinte, é impossível a alguém propor-se conhecer a Sagrada Escritura antes de receber a fé em Cristo em si, infundida como lâmpada, porta e mesmo fundamento de toda ela.
Enquanto estamos peregrinando longe do Senhor, a fé é o fundamento que sustenta, a lâmpada que orienta, a porta que introduz a todas as iluminações espirituais. Além do que nos é necessário medir pela medida da fé até mesmo a sabedoria que nos é dada por Deus, a fim de não saber mais do que convém, mas com sobriedade e cada um conforme a medida da fé a ele concedida por Deus.
Não é um resultado ou um fruto qualquer o benefício da Sagrada Escritura, em que estão as Palavras de vida eterna. Ela foi escrita não apenas para que crêssemos, mas para que possuíssemos a vida eterna, onde veremos, amaremos e teremos satisfeitos todos os nossos desejos.
Sendo assim, aprenderemos verdadeiramente a incomparável ciência da caridade e seremos repletos de toda a plenitude de Deus. Nesta plenitude, esforça-se a Sagrada Escritura por introduzir-nos segundo a verdade da citada afirmação apostólica. Com este fim e nesta intenção deve-se perscrutar, ensinar e também ouvir a Sagrada Escritura.
Para alcançarmos esse fruto e meta, avançando pelo reto caminho das Escrituras, cumpre começar do princípio. É necessário que nos aproximemos do Pai das luzes com fé pura, dobrando os joelhos do coração para que, por Seu Filho, no Espírito Santo, nos conceda o verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo e, com o conhecimento, também o Seu amor.
Conhecendo-O, então, e amando-O, firmes na fé e arraigados na caridade, poderemos entender a largura, a extensão, a altura e a profundidade da Sagrada Escritura e por esta ciência chegar àquele intensíssimo conhecimento e desmedido amor da Santíssima Trindade. A ela atendem os desejos dos santos e nela se encontra a plenitude de toda a verdade e de todo o bem”.
Peregrinamos longe do Senhor e com Ele tão perto, ainda que não O vejamos. E para que este peregrinar nos conduza ao encontro desejado, precisamos da luz da Sagrada Escritura.
No entanto, é preciso reler a Sagrada Escritura com o olhar de fé que se firma, quando olhos fixos no Senhor, e assim somos n’Ele enraizados na plena e verdadeira caridade.
Sejamos fortalecidos no testemunhar de nossa fé, iluminados pela Palavra, dando razão de nossa esperança e vivendo o Mandamento do Amor que Nosso Senhor nos deixou: amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente.
Não basta o conhecimento da Palavra, é preciso colocá-la em prática, traduzi-la em pequenos e grandes gestos de compromisso com a Boa-Nova do Reino por Jesus inaugurado.
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