domingo, 11 de janeiro de 2026

Batismo: dom e graça divina (Batismo)

                                                    


Batismo: dom e graça divina

Sejamos enriquecidos pelo Sermão sobre a Santa Teofania, atribuído ao Presbítero Santo Hipólito (séc. III).

“Jesus veio até João e foi batizado por Ele. Ó fato realmente admirável! A torrente infinita que alegra a cidade de Deus é lavada por um pouco d’água. A fonte inesgotável e perene que gera a vida para todos os homens é coberta por um pequeno e passageiro curso d’água.

Aquele que está presente sempre e em toda parte, que é incompreensível aos anjos e invisível aos homens, vem receber o Batismo por Sua própria vontade. Então o céu se abriu e fez-se ouvir uma voz que diz: ‘Este é o meu Filho amado, no qual Eu pus o meu agrado’ (Mt 3,16-17).

O amado gera o amor e a luz imaterial, a luz inacessível. É este o que chamam filho de José e é também meu Filho único segundo a essência divina. Este é o meu Filho amado. Tem fome e alimenta multidões inumeráveis; afadiga-Se e alivia os fatigados; não tem onde reclinar a cabeça e tudo sustenta com Suas mãos; sofre e dá remédio a todos os sofrimentos; é esbofeteado e dá liberdade ao mundo; transpassam Seu lado e Ele cura o lado de Adão.

Prestai-me toda a atenção: quero acorrer ao manancial da vida e contemplar a fonte de onde jorram os remédios da salvação. O Pai da imortalidade enviou ao mundo Seu Filho imortal, Seu Verbo, que veio ao encontro dos homens para santificá-los na água e no Espírito; e a fim de gerá-los novamente para a incorruptibilidade da alma e do corpo, infundiu-nos o Espírito de vida e revestiu-nos com uma armadura incorruptível.

Se o homem, pois, tornou-se imortal, também será divinizado.
E se, de fato, é divinizado pela água e o Espírito Santo, mediante o banho da regeneração, também será herdeiro com Cristo depois da Ressurreição dos mortos.

Por isso proclamo com voz forte: vinde, nações todas, ao Batismo que confere a imortalidade. Esta é a água, unida ao Espírito, que irriga o paraíso, fertiliza a terra, dá crescimento às plantas e faz os seres reproduzirem. Em resumo, esta é a água pela qual os homens recebem nova vida, com a qual o Cristo foi batizado e sobre a qual o Espírito Santo desceu em forma de pomba.

Quem desce com fé a esse banho de regeneração, renuncia ao demônio e entrega-se a Cristo; renega o inimigo e proclama que Cristo é Deus; renuncia à escravidão e reveste-se da adoção filial; sai do Batismo, resplandecente como o sol, irradiando justiça; e mais que tudo isso se torna filho de Deus e herdeiro com Cristo.

A Ele a glória e o poder, com Seu Espírito santíssimo, bom e vivificante, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém." (1)

Contemplemos o Batismo do Senhor, e vivamos mais intensamente nosso Batismo na planície de nosso cotidiano, nas mais diversas realidades e âmbitos de nossa vida.

Do Senhor, 
celebramos a Festa do Batismo, 
e quanto mais mergulhamos nas profundezas divinas,
 mais bela fica a vida,
porque Deus 
tudo e a todos ilumina!

Vivamos o Batismo, 
como dom e graça divina, 
nas mais 
diversas realidades e âmbitos de nossa vida.

Comuniquemos, 
sem demora, 
a Luz 
que da Trindade procede!
 Amém.


(1) Liturgia das Horas – Volume I, pp. 531-532

sábado, 10 de janeiro de 2026

Batismo de Jesus e a divina graça a nós alcançada (Batismo)

 


           Batismo de Jesus e a divina graça a nós alcançada

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 1,7-11), em que Jesus é batizado por João Batista.

Com a aceitação do Batismo, temos a investidura messiânica oficialmente, quando o Espírito desce sobre Jesus – “O que foi o Batismo para Cristo? Um mistério de manifestação do poder do Espírito na fraqueza da carne” (1).

Diferente do nosso, o Batismo de Jesus inaugura a sua vida pública e se vislumbra o caminho que deverá percorrer: como Cordeiro será imolado e vai tirar todo o pecado do mundo; Sua morte o fará como primogênito do verdadeiro Povo de Deus, a pedra angular de um mundo novo.

Pelo Batismo, somos incorporados no edifício do Reino, e recebemos um vínculo para sempre com Jesus, com o Batismo no Espírito. Tornamo-nos pedras vivas da Sua Igreja – “Com o dom do Espírito, todo homem atinge na fé, a contemplação e o gosto do Mistério do plano da Salvação” (Gaudium et spes n. 15).

Para nós, cristãos, “...o Batismo vai buscar força às águas do Jordão, santificadas pela intervenção de Cristo” (2), de modo que, pelo Batismo, na concepção Paulina – “...fomos ‘cosepultados’ na Sua morte salvífica, fomos ‘co-ressuscitados’ com Ele na vida nova, com Ele subimos ao Céu e com Ele fomos conduzidos à direita do Pai, -expressão do Seu braço forte, erguido para a Salvação de todos” (3).

Neste sentido, podemos compreender, mais tarde as palavras de Jesus: “Devo receber um batismo e qual não é minha angústia, enquanto ele não se consuma!” (Lc 12,50).

De fato, o Batismo de Jesus nas águas do Jordão e Sua morte na cruz são a prova de sua messianidade testemunhado pelo Espírito, água e Sangue, como nos fala o São João em sua Primeira Carta (1 Jo 5,5-13), proclamada na passagem da primeira Leitura.

Contemplemos a presença de Cristo continuamente atualizada nos Sacramentos da Igreja, particularmente na água do Batismo que nos introduz na Igreja e nos comunica a vida divina, e na Eucaristia, carne e sangue de Cristo, que “fonte e ápice da vida cristã” (Sacrosanctum Concilium n. 10 e Presbyterorum Ordinis n. 5).

Trilhemos, como batizados, discípulos missionários do Senhor, o itinerário de Cristo, a fim de que se realize nossa santificação e nos empenhemos na salvação de todos, como Igreja Sinodal que somos, sempre caminhando juntos, na comunhão, solidariedade criando e fortalecendo vínculos fraternos.

Oremos:

“Ó Deus, sede a luz dos vossos fiéis e abrasai seus corações com o esplendor de vossa glória, para reconhecerem sempre o Salvador e a Ele aderirem totalmente. Por N.S.J.C. Amém.” (4)

 

 

(1)         Lecionário Comentado – Tempo do Advento/Natal – Editora Paulus – 2011 – pág.  320

(2)        Idem p. 320

(3)        Idem p. 320

(4)        Oração do Dia – Missa antes da Epifania do Senhor

PS: fonte de pesquisa – Missal Cotidiano – Editora Paulus -1998 – pág.138-139

Aprendamos com João Batista

                                                   

Aprendamos com João Batista

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 3,22-30), em que nos apresenta uma comparação entre a missão de João Batista e de Jesus Cristo.

Diante do ciúme e inveja dos discípulos pela missão de Jesus, apresentamos quatro pontos da resposta de João Batista:

Ele deu o que recebeu com o dom de Deus e não se busca a si próprio – “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu” (Jo 3,27);

Relembra o testemunho anterior dado a Jesus no qual afirma a superioridade de Jesus – “Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’” (Jo 3,28);

Não se sente ofendido ou magoado, ao contrário, é tomado de grande alegria ao ver o afluxo de gente em torno de Jesus, porque ele é o amigo do esposo, desejoso apenas que a esposa (o povo) se encontre com o esposo (Jesus Cristo). Note-se que no Antigo Testamento, o matrimônio é símbolo da Aliança do Povo com Deus – “É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa” (Jo 3,29);

A consciência de sua missão no plano de Deus é evidenciada – “Ele deve crescer, e eu diminuir” (Jo 3,30).

Com João Batista, temos algumas lições a aprender, como discípulos missionários do Senhor, a fim de que nosso discipulado cumpra a sua missão.

A humildade necessária, com a consciência de que não nos anunciamos, mas ao Senhor, e tudo devemos fazer com gratuidade e alegria, no serviço em favor de nossos irmãos e irmãs.

Que Deus nos dê a graça do aprendizado destas lições para o fecundo discipulado. Amém.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 114 A (116A)

 


Nosso Deus é amor-compaixão

“–1 Eu amo o Senhor, porque ouve
o grito da minha oração.
–2 Inclinou para mim Seu ouvido,
no dia em que eu o invoquei.

–3 Prendiam-me as cordas da morte,
apertavam-me os laços do abismo;
= invadiam-me angústia e tristeza:
4 eu então invoquei o Senhor:
"Salvai, ó Senhor, minha vida!

–5 O Senhor é justiça e bondade,
nosso Deus é amor-compaixão.
–6 É o Senhor quem defende os humildes:
eu estava oprimido, e salvou-me.
–7 Ó minh'alma, retorna à tua paz,
o Senhor é quem cuida de ti!

=8 Libertou minha vida da morte,
enxugou de meus olhos o pranto *
e livrou os meus pés do tropeço.
–9 Andarei na presença de Deus,
junto a Ele na terra dos vivos.”

O Salmo 114(116 A) é uma Ação de graças de alguém que foi salvo de grande provação e preservado da morte, agradece a Deus e sente-se renovado no amor e na fé. (1)

Elevemos a Deus ação de graças, certos de que é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus (cf. At 14,22). Amém.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 827

Rezando com os Salmos - Sl 113A (114)

 



“Trema, ó terra, ante a face do Senhor”

“–1 Quando o povo de Israel saiu do Egito,
e os filhos de Jacó, de um povo estranho,
–2 Judá tornou-se o templo do Senhor,
e Israel se transformou em Seu domínio.

–3 O mar, à vista disso, pôs-se em fuga,
e as águas do Jordão retrocederam;
–4 as montanhas deram pulos como ovelhas,
e as colinas, parecendo cordeirinhos.

–5 Ó mar, o que tens tu, para fugir?
E tu, Jordão, por que recuas deste modo?
–6 Por que dais pulos como ovelhas, ó montanhas?
E vós, colinas, parecendo cordeirinhos?

–7 Treme, ó terra, ante a face do Senhor,
ante a face do Senhor Deus de Jacó!
–8 O rochedo ele mudou em grande lago,
e da pedra fez brotar águas correntes!”

Com o Salmo 113 A(114) rezamos a libertação de Israel da escravidão do Egito:

“Recordando os prodígios que Deus fez no Êxodo para conduzir seu povo à terra prometida, o salmista proclama a grandeza de Deus, Senhor de toda a terra.” (1)

O Bispo e Doutor Santo Agostinho assim nos falou sobre este Salmo:

“Sabei que também vós, que renunciastes a este mundo, saístes do Egito”.

Glorifiquemos a Deus que está intervindo na História para que tenhamos vida e liberdade.

Renovemos sagrados compromissos pela graça do Batismo em plena fidelidade ao Senhor Jesus Cristo, no anúncio da Boa Nova do Reino com a força e presença do Espírito Santo. Amém.

(1)  Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 826

Em poucas palavras...

                                                                


Minha alma tem sede de Deus

“Senhor Deus meu,
minha única esperança,
atende-me e faz com que eu não cesse, 
por cansaço, de Te procurar,
mas sempre procure com ardor Teu rosto(...)
 
Diante de Ti está minha força e minha fraqueza:
conserva uma e cura a outra(...)
Faze que eu me lembre de Ti,
que Te compreenda, que Te ame”. (1)
Amém.
 

(1)         Santo Agostinho – in De Trinitate, XV, 28, 51

 

Catequista: coração para sempre seduzido e apaixonado pelo Senhor

                          


Catequista: coração para sempre seduzido e apaixonado pelo Senhor
 
Catequista, faça das palavras de Pedro, suas: “Senhor, a quem iremos? Só Tu tens Palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69).
 
De tal modo, ser catequista é:
 
- Tê-Lo encontrado, e por Ele sentido um eterno fascínio, que faz brilhar os olhos em todas as situações, sobretudo nas mais adversas;
 
- Ter gosto das coisas divinas, portanto, sede do bem, do  belo e da verdade;
 
- Ser consumido de paixão pelo Senhor não há discipulado, missão, profecia, evangelização;
 
- Ter a maturidade e abertura para constantes renúncias, vivendo na liberdade, no despojamento e na fidelidade;
 
- Renovar a coragem para carregar com fé a cruz cotidiana, no testemunho da vitória do Ressuscitado;
 
- Ter a consciência de que por mais que faça, e por melhor que o faça, deve reconhecer-se como inútil servo d’Ele;
 
- Alimentar-se e nutrir-se do Pão da Palavra  e da Eucaristia, para seguir  Senhor., e jamais cruzar os braços na construção de um mundo mais belo, fraterno e feliz, tão desenhado nas páginas do Gênesis ao Apocalipse;
 
- Quem crê que tão somente o Senhor é, de fato, o único Caminho que nos conduz a Deus, porque Se fez a Verdade que nos liberta; e Ele veio para que todos tenhamos vida plenamente (Jo 10,10);


- Tomar consciência de que como discípulo missionário, não pode se omitir no campo vasto e complicado da política, para que ela seja, de fato, expressão sublime de caridade na promoção do bem comum;
 
- Ter o coração transbordante de alegria por amar e servir o Senhor e à sua Igreja, como servidores do Reino, administradores dos Sagrados Mistérios que Ele mesmo nos confia (1Cor 4, 1-2);
 
- Renovar no Banquete da Eucaristia, compromissos com o Senhor e o Reino da vida, no aprofundamento da fé, para pôr em prática os Mandamentos da Sagrada Escritura, numa catequese permanente.


Ser catequista é enfim, saber que fez a melhor escolha, e não há melhor resposta: Somente Ele, Jesus,  tem Palavra de Vida Eterna, e poderá saborear as palavras do Livro do Cântico dos Cânticos, também fazendo suas estas palavras, numa expressiva declaração de amor ao Senhor Jesus:
 
“Águas torrenciais jamais apagarão o amor, nem rios poderão afogá-lo. Se alguém oferecesse todas as riquezas de sua casa para comprar o amor, seria tratado com desprezo.” (Ct 8,7). Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG