quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Em poucas palavras... (Oração pela Pátria ou pela Cidade)

                                                      


Oração do dia: pela Pátria ou pela Cidade

“Ó Deus, que organizais todas as coisas com admirável providência, acolhei as súplicas que fazemos pela nossa Pátria (Cidade), para que sejam consolidadas a concórdia e a justiça pela sabedoria dos governantes e a honestidade do povo, trazendo–nos paz e prosperidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.” (1)

 

(1) Missal Romano –1ª Edição – 1992 -  pág. 907

Recomeçar com coragem, sabedoria e ousadia

                                          


Recomeçar com coragem, sabedoria e ousadia
 
“Dai Graças ao Senhor, porque Ele é bom,
eterna é a Sua misericórdia” (Sl    117,1)
 
Temos a graça de encerrar mais um ano, e assim, a necessária retrospectiva e revisão de tudo que aconteceu no mundo, nos diversos espaços por onde circulamos e vivemos, para que o ano novo seja mais próspero, com alegria e luminosidade.
 
Perseverar nos acertos e rever os erros possíveis cometidos, identificando as beiras de abismos por onde passamos e as intervenções divinas, que não nos permitiram neles cair.
 
Façamos memória dos voos rasantes que fizemos, por ausência de tempo maior, e de outros mais altos, porque soubemos parar, as forças refazer, porque nas  asas do Espírito, abertos à Divina Sabedoria.
 
Evidentemente, não podemos mudar o que aconteceu, mas podemos determinar o rumo dos anos vindouros, dependendo do que fizermos a cada dia.
 
Feliz Ano Novo! Não apenas de palavras, mas avançando com coragem, sabedoria e ousadia, para que todos os dias vindouros sejam mais intensos e densos de gestos de caridade, sempre impulsionados pela fé iluminada e iluminadora, firmados nos pilares da paz: amor, verdade, justiça e liberdade.
 
Deus seja louvado pelo ano de 2024, e supliquemos bênçãos, graça e luz divinas, para o Ano Novo, para que todos, como Igreja Sinodal que somos, revigoremos nossa comunhão, participação e missão em favor de um mundo mais justo e fraterno, como sinal do Reino de Deus.
 

Do pretérito perfeito ao futuro do presente


Do pretérito perfeito ao futuro do presente

Viver às vezes pede a conjugação no pretérito perfeito:
Excluí, eliminei, apaguei, limpei, varri, extirpei,
Curei, “deletei”, impus um ponto final. Ponto final?
Mas também a conjugação no futuro do presente...

Excluí todo pensamento que me rouba os sonhos,
Eliminei a ferrugem da alma que ofusca o esplendor divino,
Apaguei toda lembrança que me consome inapelavelmente,
Limpei aquilo que corrói o ardor do empenho no melhor.

Varri para um lugar inacessível, o que é impensável,
Extirpei aquilo que, a quem crê, é mais do que detestável.
Curei a dor da alma, sem me eximir do carregar da cruz,
“Deletei” do coração, sem envio para a “lixeira” da história.

Há pretéritos perfeitos que se conjugados
Sem dúvida me faria um pouco melhor.
Como viver consiste num eterno aprender
A conjugá-los no futuro do presente...

Somarei a eles outros verbos:
Amar, perdoar, acolher, sorrir,
Caminhar, lutar, resistir, viver
Persistir, aprender, vencer...

Do Verbo Maior, outros verbos aprender...

PS: Poesia inspirada na passagem do Evangelho (Mt 13, 1-23), em que somos exortados a transformar nosso coração em terra fértil. Isto começa com um aprendizado inadiável e com toda coragem: do pretérito perfeito ao futuro do presente; conversão no mais profundo de nosso coração, nos recônditos mais obscuros de nossa alma.

“Nossas fadigas não são em vão”

“Nossas fadigas não são em vão”

Iniciamos mais um ano, e com ele, aos poucos, as atividades pastorais diversas.

É preciso firmar os passos na caminhada evangelizadora, com paixão incondicional pelo Senhor, na força do Espírito em total fidelidade ao Deus de Amor. Se envolvidos pelo Amor Trinitário, não haverá cansaço, sensação indesejável de tempo perdido, desgastes com futilidades.

Nas cidades, de modo geral, muitos clamam por uma Palavra de Luz, sobretudo porque nelas se multiplicam os gritos dos famélicos, dos dependentes químicos, dos desesperados, enfim, dos marginalizados que esperam que alguém lhes estenda a mão criando a possibilidade de uma nova etapa em sua existência. 

Em plena fidelidade ao Evangelho e à Doutrina da Igreja, urge que lancemos as redes em águas mais profundas, pois esta é a essência da evangelização.

É preciso anunciar e testemunhar Aquele que encontramos, cujo Natal há poucos dias celebramos, fazendo bem e com amor o que nos for próprio.

Certamente, teremos mais um ano com grandes desafios, e entre eles, o acompanhamento daqueles que foram eleitos nas últimas Eleições para Presidente, Senadores, Deputados e Governadores, para que nossas expectativas de dias melhores em todos os sentidos se concretizem.

Firmemos nossos passos no esplendor e na solidez da Palavra de Deus, Pão que nos alimenta e que nunca nos falta, sobretudo, quando Eucarísticos o somos e às Missas não apenas vamos, mas nos entregamos e nos comprometemos, na mais frutuosa comunhão das Mesas: da Palavra, da Eucaristia e do cotidiano.

Sejamos iluminados pelas palavras do Apóstolo Paulo: “Sede firmes, inabaláveis, progredindo sempre na obra do Senhor, certos de que vossas fadigas não são em vão, no Senhor” (1Cor 15,58).

E, se ainda não fomos despertos de nosso sono, que Paulo fale mais uma vez e com ele repitamos, fazendo nossas suas palavras: “Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16).

Amor, quem o tem tudo supera!

                                           

Amor, quem o tem tudo supera!

Numa Missa Dominical,
A Salmista o Salmo não cantou...
Na hora não entendi,
A melodia por que faltou?

Dias mais tarde, soube que
Veio à Missa, apesar de febril,
O Salmo rezou...
Do Pão Eucarístico se alimentou!

Então dei conta que a melodia
Veio com seu esforço e dedicação.
Quando todas as coisas fazemos com alma,
Por amor simplesmente, chega ao coração.

Uma entre tantas e tantos que por amor,
Amor puro por Jesus e o Mistério da fé,
Esforços não medem, superam-se a si mesmos.
Incontáveis pessoas assim encontramos todos os dias!

Sinal do amor que não cansa nem descansa
Na lida pastoral, na vida familiar e conjugal,
No zeloso exercício da atividade profissional,
Fé não vacilante e nem esmorecida esperança!

Amor ativo com o Espírito em perfeita sintonia,
Prolongando em gestos o que se celebra na Eucaristia!
O amor quando presente fala mais alto que vozes.
Amor que ama amantes e próprios algozes.

Alcança o aparentemente inatingível
Realiza o que diriam inviável, impossível.
Amor, quem o tem tudo supera!
Amor, quem o tem em tudo se esmera!

Estas palavras dedico a quem por amor
Nas diversas pastorais com ardor se dedica.
A quem, apesar das dificuldades,
Não se omite em suas atividades.

Nada somos sem a Sabedoria Divina

Nada somos sem a Sabedoria Divina

Sempre que posso volto às narrativas mitológicas que muito nos inspiram em situações diversas que a vida nos apresenta.

Dentre tantas que poderia citar, ofereço ao leitor como exemplo uma da mitologia grega: “Os doze trabalhos de Hércules”, trabalhos realizados em redenção à atrocidade cometida pela carnificina de seus próprios filhos.

No quinto trabalho, em obediência a ordem do Rei Euristeu, seu primo, o herói tem que limpar os célebres e imundos currais do Rei Áugias, governante de Élis.

O Rei Áugias possuía os maiores rebanhos do mundo e, por graça divina, seus animais estavam livres de doenças, além de gozar de uma fertilidade sobrenatural.

Ele possuía tantos bois, cavalos e ovelhas que nem mesmo um exército de servos seria capaz de limpar diariamente os seus currais, que há trinta anos acumulavam esterco em grotescas e imensas camadas nos pátios e paredes.

Como Hércules haveria de fazer tal trabalho? Impensável, de balde em balde... Nem tempo, nem força. Impossível o êxito.

Mas Hércules abrindo duas brechas nas paredes do curral, e desviando o curso dos rios, Alfeu e Mênio, fez com que a torrente de água varresse os pátios arrastando toda sujeira que por tanto tempo fora acumulada.

Foi necessário apenas um dia para a mais célebre faxina da mitologia grega, sem que Hércules sujasse suas mãos.

Agora, passemos da mitologia para a vida, e encontraremos luzes incontáveis.
Talvez não tenhamos currais com estercos acumulados a limpar, mas podemos ter outros tantos acúmulos na alma e no coração, e que precisam ser removidos.

Não mais a faxina dos currais, mas a faxina da alma, que por certo é bem mais difícil, porque por vezes podemos teimar em conservar dentro de nós o que não é mais necessário, que torna tão apenas mais desagradável e desgastante a vida.

Há situações em que devemos buscar alternativas: não nos contentarmos com “pequenos baldes”, mas usarmos o recurso do desvio de rios para que a sua corrente possa remover quaisquer sinais de dificuldades, obstáculos que impeçam nossa felicidade.

Quantas vezes nos encontramos em situações desesperadoras, aparentemente intransponíveis, e nos perguntamos o que fazer.

Alguns nem se permitem a possibilidade de encontrar soluções. Outros mal começam e param. Entretanto, há aqueles que não se curvam diante de dificuldades e abrem rios, são criativos, buscam saídas alternativas, novas possibilidades.

Não posso concluir sem lembrar as palavras do Senhor, tantas vezes ressoada no coração dos discípulos missionários: “Não tenhais medo”.

Diante de quaisquer dificuldades, em tudo que fizermos, em todo trabalho a que nos propusermos fazer, invoquemos antes a ajuda e a sabedoria de Deus, que não nos dará apenas “pequenos baldes”, mas nos fará mais sábios, mais aptos para toda e qualquer missão, porque nos concede a Sabedoria do Santo Espírito.

Deixemos os baldes quando preciso for, desviemos o curso dos rios... 
E, assim, os desafios enfrentaremos e os venceremos!

Problemas...

                                                          

Problemas...

Sem problema! Assim penso,
Nem problema vejo.
Tem problema? Não creio!
Cem problemas maiores existem? Sem dúvida!
Vem problema maior? Preparemo-nos!”
Quem não tem problemas, não será o problema em si?

Bom, problemas
Todos, de fato, temos,
Eles existem para serem enfrentados,
Se nós existirem, são para serem desatados.

Não comungo com quem diz:
“Cada um com seus problemas”,
Penso que podemos nos solidarizar
E, assim, problemas são amenizados,
Caminhos novos são encontrados...

Problemas tanto podem ser o ponto final,
Como o começo de um novo fim;
Podem ser apenas reticências...
Situações a serem devidamente reescritas
Ou apenas um parêntese
De uma história que se revela aos poucos.

Problemas?
Diante deles se curvar?
Dar-se por vencido?
Refugiar-se medonhamente,
Atestando incompetência e covardia?
Não penso que seja assim.

A fé me ensina outro modo de enxergar as adversidades:

“Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a Oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4, 6).

Aprendo com as Palavras do próprio Senhor:

“Coragem! Sou Eu. Não tenhas medo!” (Mt 14, 27)

Problemas existem, sim,
Mas devem ser vistos na exata medida,
E superados com a imensurável medida
Da força que nos vem sempre de Deus
Quando a Ele acorremos e suplicamos:

“Vinde Espírito Santo...”

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG