quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Amor, quem o tem tudo supera!

                                           

Amor, quem o tem tudo supera!

Numa Missa Dominical,
A Salmista o Salmo não cantou...
Na hora não entendi,
A melodia por que faltou?

Dias mais tarde, soube que
Veio à Missa, apesar de febril,
O Salmo rezou...
Do Pão Eucarístico se alimentou!

Então dei conta que a melodia
Veio com seu esforço e dedicação.
Quando todas as coisas fazemos com alma,
Por amor simplesmente, chega ao coração.

Uma entre tantas e tantos que por amor,
Amor puro por Jesus e o Mistério da fé,
Esforços não medem, superam-se a si mesmos.
Incontáveis pessoas assim encontramos todos os dias!

Sinal do amor que não cansa nem descansa
Na lida pastoral, na vida familiar e conjugal,
No zeloso exercício da atividade profissional,
Fé não vacilante e nem esmorecida esperança!

Amor ativo com o Espírito em perfeita sintonia,
Prolongando em gestos o que se celebra na Eucaristia!
O amor quando presente fala mais alto que vozes.
Amor que ama amantes e próprios algozes.

Alcança o aparentemente inatingível
Realiza o que diriam inviável, impossível.
Amor, quem o tem tudo supera!
Amor, quem o tem em tudo se esmera!

Estas palavras dedico a quem por amor
Nas diversas pastorais com ardor se dedica.
A quem, apesar das dificuldades,
Não se omite em suas atividades.

Nada somos sem a Sabedoria Divina

Nada somos sem a Sabedoria Divina

Sempre que posso volto às narrativas mitológicas que muito nos inspiram em situações diversas que a vida nos apresenta.

Dentre tantas que poderia citar, ofereço ao leitor como exemplo uma da mitologia grega: “Os doze trabalhos de Hércules”, trabalhos realizados em redenção à atrocidade cometida pela carnificina de seus próprios filhos.

No quinto trabalho, em obediência a ordem do Rei Euristeu, seu primo, o herói tem que limpar os célebres e imundos currais do Rei Áugias, governante de Élis.

O Rei Áugias possuía os maiores rebanhos do mundo e, por graça divina, seus animais estavam livres de doenças, além de gozar de uma fertilidade sobrenatural.

Ele possuía tantos bois, cavalos e ovelhas que nem mesmo um exército de servos seria capaz de limpar diariamente os seus currais, que há trinta anos acumulavam esterco em grotescas e imensas camadas nos pátios e paredes.

Como Hércules haveria de fazer tal trabalho? Impensável, de balde em balde... Nem tempo, nem força. Impossível o êxito.

Mas Hércules abrindo duas brechas nas paredes do curral, e desviando o curso dos rios, Alfeu e Mênio, fez com que a torrente de água varresse os pátios arrastando toda sujeira que por tanto tempo fora acumulada.

Foi necessário apenas um dia para a mais célebre faxina da mitologia grega, sem que Hércules sujasse suas mãos.

Agora, passemos da mitologia para a vida, e encontraremos luzes incontáveis.
Talvez não tenhamos currais com estercos acumulados a limpar, mas podemos ter outros tantos acúmulos na alma e no coração, e que precisam ser removidos.

Não mais a faxina dos currais, mas a faxina da alma, que por certo é bem mais difícil, porque por vezes podemos teimar em conservar dentro de nós o que não é mais necessário, que torna tão apenas mais desagradável e desgastante a vida.

Há situações em que devemos buscar alternativas: não nos contentarmos com “pequenos baldes”, mas usarmos o recurso do desvio de rios para que a sua corrente possa remover quaisquer sinais de dificuldades, obstáculos que impeçam nossa felicidade.

Quantas vezes nos encontramos em situações desesperadoras, aparentemente intransponíveis, e nos perguntamos o que fazer.

Alguns nem se permitem a possibilidade de encontrar soluções. Outros mal começam e param. Entretanto, há aqueles que não se curvam diante de dificuldades e abrem rios, são criativos, buscam saídas alternativas, novas possibilidades.

Não posso concluir sem lembrar as palavras do Senhor, tantas vezes ressoada no coração dos discípulos missionários: “Não tenhais medo”.

Diante de quaisquer dificuldades, em tudo que fizermos, em todo trabalho a que nos propusermos fazer, invoquemos antes a ajuda e a sabedoria de Deus, que não nos dará apenas “pequenos baldes”, mas nos fará mais sábios, mais aptos para toda e qualquer missão, porque nos concede a Sabedoria do Santo Espírito.

Deixemos os baldes quando preciso for, desviemos o curso dos rios... 
E, assim, os desafios enfrentaremos e os venceremos!

Problemas...

                                                          

Problemas...

Sem problema! Assim penso,
Nem problema vejo.
Tem problema? Não creio!
Cem problemas maiores existem? Sem dúvida!
Vem problema maior? Preparemo-nos!”
Quem não tem problemas, não será o problema em si?

Bom, problemas
Todos, de fato, temos,
Eles existem para serem enfrentados,
Se nós existirem, são para serem desatados.

Não comungo com quem diz:
“Cada um com seus problemas”,
Penso que podemos nos solidarizar
E, assim, problemas são amenizados,
Caminhos novos são encontrados...

Problemas tanto podem ser o ponto final,
Como o começo de um novo fim;
Podem ser apenas reticências...
Situações a serem devidamente reescritas
Ou apenas um parêntese
De uma história que se revela aos poucos.

Problemas?
Diante deles se curvar?
Dar-se por vencido?
Refugiar-se medonhamente,
Atestando incompetência e covardia?
Não penso que seja assim.

A fé me ensina outro modo de enxergar as adversidades:

“Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a Oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4, 6).

Aprendo com as Palavras do próprio Senhor:

“Coragem! Sou Eu. Não tenhas medo!” (Mt 14, 27)

Problemas existem, sim,
Mas devem ser vistos na exata medida,
E superados com a imensurável medida
Da força que nos vem sempre de Deus
Quando a Ele acorremos e suplicamos:

“Vinde Espírito Santo...”

Exultemos de alegria no Senhor

                               

Exultemos de alegria no Senhor 

        ‘O Amigo do homem,fez-Se Homem nascendo da Virgem"

 À luz do Sermão do Bispo de Constantinopla, São Proclo (Séc. V), reflitamos sobre o nascimento de Jesus, nascido de uma Virgem. 

Alegrem-se os céus nas alturas, e que as nuvens façam chover a justiça, porque o Senhor Se compadeceu de Seu povo (cf. Is 45,8). 

Alegrem-se os céus nas alturas porque, quando eles foram criados no princípio, Adão foi igualmente formado da terra virgem pelo Criador. Tornou-se assim amigo e familiar de Deus. 

Alegrem-se os céus nas alturas porque agora, pela Encarnação de Nosso Senhor, a terra foi santificada, e o gênero humano libertado dos sacrifícios idolátricos. 

Que as nuvens façam chover a justiça, porque hoje o pecado de Eva foi apagado e perdoado pela pureza da Virgem Maria e pelo Deus e Homem que dela nasceu. Hoje, Adão, passada a antiga condenação, foi libertado daquela horrível e tenebrosa sentença. 

Cristo nasceu da Virgem, dela recebendo a natureza humana, conforme a livre disposição da Providência divina: A Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14); deste modo, a Virgem se tornou Mãe de Deus. 

Ela é Virgem e Mãe, porque gerou a Palavra encarnada sem participação de homem. Conservou, porém, a virgindade, a fim de pôr em relevo o nascimento miraculoso d’Aquele que assim determinara que fosse. 

Ela é mãe da Palavra divina segundo a substância da natureza humana. Nela, a Palavra se fez homem, nela, realizou a união das duas naturezas e, por ela, foi dada ao mundo, segundo a sabedoria e a vontade d’Aquele que opera prodígios. Como diz São Paulo: Dos Israelitas é que Cristo descende, quanto à Sua humanidade (cf. Rm 9,5). 

Com efeito, Ele foi, é e será sempre o mesmo. Todavia, Se fez homem por causa de nós. Aquele que ama o homem, Se fez Homem, o que antes não era. Mas Se fez homem, permanecendo ao mesmo tempo Deus, sem mudança de espécie alguma. 

Fez-Se, portanto, semelhante a mim por causa de mim. Fez-Se o que não era, conservando, no entanto, o que era. Finalmente, Se fez homem para que, tornando Seus os nossos sofrimentos, nos tornasse capazes da adoção de filhos, e nos concedesse o Reino. 

Que sejamos dignos desse Reino pela graça e a misericórdia do Senhor Jesus Cristo. A Ele, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, sejam dados glória, honra e poder, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém”. 

Refletir sobre o Mistério da Encarnação do Senhor, é sempre enriquecedor para mergulharmos no Mistério do Amor de Deus por nós, como nos é apresentando neste precioso Sermão. 

Transborde nosso coração, pela Encarnação de Nosso Senhor, pois por meio dela: 

- “a terra foi santificada, e o gênero humano libertado dos sacrifícios idolátricos”; 

“o pecado de Eva foi apagado e perdoado pela pureza da Virgem Maria e pelo Deus e Homem que dela nasceu”; 

- foi passada a antiga condenação de Adão, fomos libertos “daquela horrível e tenebrosa sentença”; 

Jesus Se fez igual a nós por causa de nósFez o que não era, conservando, no entanto, o que era”; 

- Ele Se fez Homem para que, tornando Seus os nossos sofrimentos, nos tornasse capazes da adoção de filhos, e nos concedesse o Reino. 

Alegremo-nos e exultemos no Senhor, pelo Mistério de Sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição.

Glorifiquemos ao Pai por meio do Filho na plena Comunhão com o Seu Espírito. Amém.

“A paz segundo São Leão Magno”

“A paz segundo São Leão Magno”

Iniciamos mais um ano, e é sempre oportuno retomar parte do Sermão deste grande Papa da Igreja , São Leão Magno (séc. V):

“Ora, no tesouro das liberalidades de Deus, que podemos encontrar de mais próprio para celebrar esta festa do que a paz, que o canto dos anjos anunciou em primeiro lugar no nascimento do Senhor?

É a paz que gera os filhos de Deus e alimenta o amor; ela é a mãe da unidade, o repouso dos bem aventurados e a morada da eternidade; sua função própria e seu benefício especial é unir a Deus os que ela separa do mundo...

O Natal do Senhor é o Natal da Paz. Como diz o Apóstolo, Cristo é a nossa paz, Ele que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14); judeus ou gentios, em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai (Ef 2,18)”.

Com Jesus, nossa Paz, cerramos as cortinas de mais um ano e, 
ao mesmo tempo, abrimos as mesmas para Novo Ano.

Com Ele, nossa Paz, nossas forças sejam revigoradas;
Nossos sonhos se tornem mais próximos da realidade.
Com Ele, nossa vida de luz seja em maior intensidade.
Com Ele, nosso vigor, alegria, esperança renovadas!

Com Ela, Maria, terminamos longos dias de um ano,
Com a certeza de que por Ela desamparados jamais!
Com Ela, redescobrir o dulcíssimo gosto da paz!
Com Ela, aprender a fortalecer laços fraternos e humanos!

Feliz Ano Novo que no Natal do Senhor se anunciou!
Feliz Ano Novo, que não sejam palavras repetidas e frias,
Que expressem compromissos, sem coração e mãos vazias.
Somente transbordará no coração daquele que crê e testemunhou!

Graça e Paz da parte de Cristo Nosso Senhor!
Feliz Ano Novo acompanhado de bênçãos e alegria no Senhor.

Em poucas palavras... (Mãe de Deus)

                                                                 


“Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus”

“Chamada nos Evangelhos «a Mãe de Jesus» (Jo 2, 1; 19, 25; Mt 13,55), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito Santo e desde antes do nascimento do seu Filho, como «a Mãe do meu Senhor» (Lc 1, 43).

Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

 A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus («Theotokos») (Concílio de Éfeso – 431 d.C).” (1)

 

(1)       Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.495


A Solenidade de Maria, Mãe de Deus

                                                                  


A Solenidade de Maria, Mãe de Deus

“Maria, a totalmente santa, toda consagrada
ao amor de Deus e ao amor dos homens.”

No dia 1º de janeiro, iniciaremos um Novo Ano, celebrando a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e o dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa São Paulo VI em 1968.

Contemplamos a figura de Maria que, com o sim dado ao Projeto de Deus, oferece ao mundo, Jesus, o Salvador da humanidade:

“A Solenidade da Mãe de Deus, no coração das celebrações do Natal, é um renovado momento de graça oferecido a todos nós para nos ajudar a aprofundar a contemplação do Mistério da Encarnação, para nos dizer uma vez mais que o Filho de Deus veio verdadeiramente na nossa carne humana, no tempo, através do corpo de uma mulher: Maria, a totalmente santa, toda consagrada ao amor de Deus e ao amor dos homens.” (1)

Na passagem da primeira Leitura (Nm 6,22-27), ouvimos a Bênção Sacerdotal, que nos revela a presença de Deus que caminha sempre conosco e nos derrama Sua bênção, comunicando vida em plenitude, uma comunicação de vida real e eficaz, agraciando àquele que foi abençoado com vigor, força, êxito, felicidade, prosperidade.

Com a bênção, O Senhor, além de conceder vida e proteção, faz brilhar Sua face, revela um rosto sorridente e favorável, concedendo a necessária graça, olhando-nos com benevolência e nos concedendo a paz, que consiste na plenitude dos bens e na felicidade plena.

Tudo recebemos de Deus: vida, saúde, força, amor e incontáveis sinais de Sua bondade, entretanto, é evidente que a bênção não é sinônimo de mágica, pois a bênção de Deus, derramada sobre nós continuamente, precisa ser acolhida com amor e gratidão e depois transformada concretamente em gestos de amor e paz. É preciso que nosso coração se abra à ação divina, para que esta nos atinja e nos transforme totalmente.

Na passagem da segunda Leitura (Gl 4,4-7), mais uma vez, contemplamos o amor de Deus, que vem ao nosso encontro nascido de uma “mulher”, Maria, e por meio deste Filho nos tornamos livres e amados e podemos nos dirigir a Deus chamando de “abbá” (“papai”), consequentemente, filhos de Deus.

E fazendo esta experiência de filhos amados de Deus, a comunidade é vocacionada a criar e fortalecer os laços fraternos, sem marginalização ou exclusão, ou escravidão, como tão bem acenou o Papa Francisco em sua Mensagem para o dia Mundial da paz (2015): – “Já não escravos, mas irmãos".

Na passagem do Evangelho (Lc 2,16-21), refletimos sobre a alegria e felicidade daqueles que acolhem o Menino Deus, que veio fazer morada entre nós e em nós, realizando assim o desígnio libertador de Deus no meio da humanidade.

Trata-se de um texto profundamente catequético, sem pretensões de “noticiário jornalístico”; tem o intuito de comunicar uma Boa-Nova e uma nova atitude.

Reflitamos:

- Jesus veio trazer a libertação. Qual é a nossa resposta?

Os pastores (pobres e marginalizados de todos os tempos) vão apressadamente ver o Menino, expressando o desejo de liberdade e a disponibilidade de coração; glorificam a Deus e dão testemunho do Menino.

Ressalte-se também a atitude de Maria, que “conservava todas estas Palavras, meditando-as no seu coração”, comunicando uma atitude de quem é capaz de abismar-se, encantar-se com a ação do Deus libertador; tem a sensibilidade para entender os sinais de Deus e a sabedoria da fé para compreendê-los à luz do Plano de Deus.

Tanto a atitude meditativa e contemplativa de Maria, como a atitude missionária dos pastores, devem ser atitudes que marquem a vida daquele que se torna discípulo missionário do Senhor: meditação, contemplação, missão, que deve ser realizada com alegria, como alegres mensageiros do Verbo que Se fez Carne e habitou entre nós (Cf. Jo 1,14).

“Fortalecidos com esta certeza de fé, somos impelidos, como os pastores do Evangelho, a anunciar aos irmãos a alegre Notícia de que Deus fez homem para tornar o homem participante da vida divina. O Salvador – nascido de uma mulher, como nós – assumiu a nossa humanidade para nos dar a Sua glória. Somos filhos no Filho bendito, que é também a nossa paz.” (2)

Finalizando, contemplemos a ação de Deus que agiu em nosso favor neste ano que termina, e peçamos Sua bênção e proteção para mais um ano, com a certeza de que também podemos contar com a presença e a ternura de nossa Mãe, Maria, Mãe de Deus e nossa em todos os momentos.
Feliz Ano Novo!



(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - Tempo Advento / Natal - pp. 293/294
(2) Idem p.294

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