segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Ah, se não fosse a Cruz de Nosso Senhor!

                                                                

A cruz e o caminho da santidade
 
Ah, se não fosse a Cruz de Nosso Senhor!
 
Ressoe em nossos corações parte da reflexão sobre a Cruz feita por Santo André de Creta, bispo do século VIII:
 
“Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não teria aberto o paraíso.
 
Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado inferno... Preciosa também é a cruz porque ela é paixão e vitória de Deus:
 
Paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão. E vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo”.
Como criaturas amadas de Deus, vocacionados à santidade, a mais bela pretensão da humanidade, reflitamos sobre o Mistério da Cruz.
 
Somos, pelo Batismo, anunciadores e testemunhas, com a palavra e a vida, que este é o melhor caminho a ser trilhado. Que a suntuosidade, sucesso, glória cedam lugar ao despojamento, fragilidade e serviço incansável.
 
Infelizmente a palavra santidade traz consigo falsos conceitos. Um dos sentidos mais profundos da palavra santidade é a absoluta correspondência à vontade de Deus, numa fidelidade a Sua Palavra, que ilumina e aponta caminhos novos para quem nela crê, e muitas vezes acompanhada da cruz, não como sinal de derrota, mas com gosto de vitória, afinal é este o caminho das Bem-Aventuranças que Ele nos apresentou no alto da montanha e que deve ser vivido na planície de nosso cotidiano.
 
Santidade como caminho da cruz é a necessária configuração a Cristo Jesus, completando em nossa carne o que falta a Sua Paixão por amor a Igreja. Ter os Seus mesmos sentimentos, testemunhado em nossas pequenas e grandes atitudes (Cl.1,24, Fl. 2,1-11).  
 
Na Cruz, Jesus experimenta a realidade última da condição humana, a miséria da condição humana, o que aparentemente é fraqueza, revela a onipotência do amor de Deus: Loucura para os gregos e escândalo para os judeus.
 
Na Cruz, contemplamos o mistério da presença do Deus Pai, o amante, Deus Filho, o amado e Deus Espírito, o Amor que Os une.
Contemplar a Cruz não é afundar na dor pela dor, mas reconhecer e contemplar o Mistério da Trindade, que por amor, Salva o mundo do desamor.
 
Somos sempre convidados a subir  “ao alto da montanha”, para participar do Mistério Eucaristia e dos demais sacramentos, anunciando a comunidade a Palavra que Se fez Carne, fortalecendo a intimidade com Aquele que nos chamou.


Mas não é possível ficar o tempo todo na montanha, ainda que seja tentador. É preciso descer a montanha e testemunhar a fé na planície, sobretudo nos novos areópagos (espaços), como nos desafiou mais uma vez a Conferência de Aparecida (2007):
 
"O mundo das comunicações, a construção da paz, o desenvolvimento e a libertação dos povos, sobretudo das minorias, a promoção da mulher e das crianças, a ecologia e a proteção da natureza, cultura, experimentação científica, a santificação da família e a criação de novas relações em que se superem toda e  qualquer forma de exclusão e desigualdade social... na fidelidade ao Cristo Crucificado, compromisso inadiável com os Crucificados da História!"
 
O caminho da santidade jamais será uma alienação do mundo e do tempo presente; pelo contrário, é o contato mais íntimo e perfeito com o Absoluto revelado na comunhão Trinitária, para que no mundo possa irradiar a luz que ilumina espaços obscuros, sendo sal que dá o gosto de vida, amor e paz.
 
Trilhar este caminho é carregar a cruz, para que no mundo sejamos, de fato, sal e luz! O mundo precisa de santos (as). Eis a proposta de Deus.
 
A Cruz, sinal de vitória da vida sobre a morte, do amor extremado que superou toda lógica do ódio.
 
Na fidelidade a Jesus, partícipes do Mistério de Sua Paixão e Morte:
 
- A exemplo do Profeta Jeremias, todos nós tenhamos o coração seduzido pelo amor de Deus – O Amor fale mais alto em nós;
 
- A exemplo dos Salmistas, todos nós tenhamos a absoluta confiança em Deus – No Senhor confio e nada temo;
 
- A exemplo do Evangelista João, todos nós sejamos conduzidos pela Verdade maior que nos liberta e nos confere o pleno sentido da vida.

A exemplo do Papa Francisco, todos nós tenhamos compromisso com o inadiável rejuvenescimento da Igreja, com ardor, ousadia e teimosia.
 
Concluindo:
 
- Se não houvesse assumido a Cruz, não nos proporia!
- Se não testemunhasse um Amor que ama até o fim na Cruz,
- Ausência de credibilidade seria e ao mundo nada diria!
 
- Se não fosse caminho da redenção, por que a carregaríamos?
- Se não nos comprometesse com os crucificados da história, que sentido teria?
- Se não nos fosse inerente à condição humana, evitá-la-íamos!
 
- Se ela não assumíssemos, que cristianismo teríamos?
- Que Boa-Nova anunciaríamos?
 
Sejam as cruzes inevitáveis por nós assumidas, mas aquelas geradas por decretos e leis inóspitas, da face da terra sejam para sempre banidas.
 
A cruz de cada dia carreguemos, O Pão nosso de cada dia supliquemos, com renúncias necessárias, como o Senhor um dia nos propôs. Para que com maior alegria, fidelidade e autenticidade o testemunhemos.
 
A Cruz sinal de vitória da vida sobre a morte, do amor extremado que superou toda lógica do ódio.
 
Nós Vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
 
Nós vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,
por termos o coração por Vós seduzido, confiante,
rejuvenescido, liberto pela Verdade do Evangelho.
 
Nós Vos adoramos Senhor Jesus e Vos bendizemos,
Porque o amor infinito de Deus pode
muito mais do que possamos sonhar. Amém.


 
PS: Oportuno para a Semana Santa bem como a celebração da Festa da Exaltação da Santa  Cruz,  celebrada dia 14 de setembro, que tem origem desde os primeiros séculos da Igreja; também para reflexão da passagem da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 2,1-5)
 

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