A cruz e o caminho da santidade
Ah, se não fosse a Cruz de Nosso Senhor!
Ressoe
em nossos corações parte da reflexão sobre a Cruz feita por Santo André de
Creta, bispo do século VIII:
“Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não
houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a
vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade,
o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o
documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado
da árvore da vida, não teria aberto o paraíso.
Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido
derrotado inferno... Preciosa também é a cruz porque ela é paixão e
vitória de Deus:
Paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão. E vitória porque o diabo é
ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos
infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo”.
Como criaturas amadas de Deus, vocacionados à santidade, a mais bela pretensão
da humanidade, reflitamos sobre o Mistério da Cruz.
Somos,
pelo Batismo, anunciadores e testemunhas, com a palavra e a vida, que este é o
melhor caminho a ser trilhado. Que a suntuosidade, sucesso, glória cedam lugar
ao despojamento, fragilidade e serviço incansável.
Infelizmente a palavra santidade traz consigo falsos conceitos. Um dos sentidos
mais profundos da palavra santidade é a absoluta correspondência à vontade de
Deus, numa fidelidade a Sua Palavra, que ilumina e aponta caminhos novos para
quem nela crê, e muitas vezes acompanhada da cruz, não como sinal de derrota,
mas com gosto de vitória, afinal é este o caminho das Bem-Aventuranças que Ele
nos apresentou no alto da montanha e que deve ser vivido na planície de nosso
cotidiano.
Santidade como caminho da cruz é a necessária configuração a Cristo Jesus,
completando em nossa carne o que falta a Sua Paixão por amor a Igreja. Ter os
Seus mesmos sentimentos, testemunhado em nossas pequenas e grandes atitudes
(Cl.1,24, Fl. 2,1-11).
Na Cruz, Jesus experimenta a realidade última da condição humana, a
miséria da condição humana, o que aparentemente é fraqueza, revela a
onipotência do amor de Deus: Loucura para os gregos e escândalo para os
judeus.
Na Cruz, contemplamos o mistério da presença do Deus Pai, o amante, Deus Filho,
o amado e Deus Espírito, o Amor que Os une.
Contemplar a Cruz não é afundar na dor pela dor, mas reconhecer e contemplar o
Mistério da Trindade, que por amor, Salva o mundo do desamor.
Somos sempre convidados a subir “ao alto da montanha”, para participar do
Mistério Eucaristia e dos demais sacramentos, anunciando a comunidade a Palavra
que Se fez Carne, fortalecendo a intimidade com Aquele que nos chamou.
Ah, se não fosse a Cruz de Nosso Senhor!

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