sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Três rios correm do Coração de Jesus!

                                                                    

Três rios correm do Coração de Jesus!

Sejamos enriquecidos por uma das Cartas escrita por Santa Margarida Maria Alacoque (séc. XVII), em que nos fala do Sagrado Coração de Jesus.

“A mim me parece que o grande desejo de nosso Senhor, de que se tribute honra especial a Seu Sagrado Coração, tem por finalidade renovar em nós os frutos da redenção.

Pois o Sagrado Coração é fonte inexaurível; que somente quer difundir-Se pelos corações humildes, a fim de que estejam livres e prontos a viver sua vida em conformidade com seu beneplácito.

Deste Divino Coração correm sem parar três rios: o primeiro é de misericórdia pelos pecadores, derramando neles o espírito de contrição e de penitência.

O segundo é de caridade, para auxílio de todos os sofredores, em particular dos que aspiram à perfeição, para que encontrem os meios de superar as dificuldades.

Do terceiro, enfim, emanam o amor e a luz para Seus amigos perfeitos, que Ele deseja unir a Sua ciência e à participação de Seus preceitos, para que, cada um a seu modo, se dedique totalmente à expansão de Sua glória.

Este Coração Divino é oceano de todos os bens. N’Ele precisam os pobres mergulhar todas as suas necessidades. É oceano de alegria, onde temos de mergulhar todas as nossas tristezas.

É abismo de humildade contra nossa loucura, abismo de misericórdia para os miseráveis, abismo de Amor para as nossas indigências.

Tendes, por isto, de unir-vos ao Coração de nosso Senhor Jesus Cristo, no princípio da vida nova, para vos preparardes bem; no fim, para consumardes.

Vossa Oração é vazia? Então, basta que ofereçais a Deus as preces que o Salvador eleva por nós no Sacramento do altar, entregando Seu fervor em reparação de vossa tibieza. Sempre que ides fazer algo, rezai assim:

‘Meu Deus, faço ou suporto isto no Coração de Teu Filho e, conforme a Seus santos desígnios, ofereço-Te em reparação de tudo quanto há de falho ou de imperfeito em minhas obras’.

E deste modo, em todas as circunstâncias. E em tudo que vos acontecer de penoso, aflitivo ou injurioso, dizei a vós mesmos:

‘Recebe o que o Sagrado Coração de Jesus Cristo te envia a fim de unir-te a Ele’.

Acima de tudo, porém, guardai a paz do coração que supera todos os tesouros. Para guardá-la, nada de melhor que renunciar à própria vontade e colocar a vontade do divino Coração em lugar da nossa, de modo que Ela realize em nosso nome o que redunda em Sua glória. E nós, felizes, nos submetamos a Ele, com absoluta confiança” (1)

Contemplando a Imagem do Sagrado Coração de Jesus, façamos nosso exercício espiritual de contemplação do amor de Deus.

Seja, portanto, nosso coração inundado e transbordado pelo Amor Divino e que dele saiam três rios:

- de Misericórdia para com os pecadores; 
- de Caridade para com os pobres;
- e de Amor para com aqueles que o Senhor tanto ama!

(1) Das Cartas de Santa Margarida Maria Alacoque - (Vie et Oeuvres 2, Paris 1915)
Memória celebrada dia 16 de outubro.
Liturgia das Horas - Vol.IV - Tempo Comum - Editora Paulus - p. 1385-1386

Que ela nos ensine a mergulhar no Coração de Jesus!

                               

Que ela nos ensine a mergulhar no Coração de Jesus!

A Monja Santa Margarida Maria Alacoque nasceu em 1647 e morreu em 1690, e foi grande inspiradora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus que há muito já fazia parte da tradição da Igreja. Para que o Movimento do Apostolado da Oração fosse espalhado pelo mundo inteiro, a ela pode-se creditar boa parte.

Com sua colaboração, devido às revelações recebidas, contemplamos a estreita relação entre o Sagrado Coração de Jesus e a Eucaristia, de modo que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus leva,  inevitavelmente, ao fortalecimento da fé, esperança e caridade.

O coração é um dos modos para falar do infinito Amor de Deus pela pessoa humana, obra de Sua criação, fruto do Seu amor, nascido das entranhas de Seu coração, e da mesma forma redimidos pela Água e Sangue que do Seu coração jorrou abundantemente. Não há dúvida de que este Amor encontra seu ponto alto com a vinda de Jesus.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem a sua origem na própria Sagrada Escritura.

No Antigo Testamento encontramos: Ezequiel 34,11-16: Deus cuida do Seu rebanho; Ezequiel 11,19-20: Tirarei o coração de pedra e colocarei um coração de carne.

Outras passagens do Novo Testamento:
Mateus 11,25-30: Jesus é manso e humilde de coração;
Lucas 15: O coração de Deus é fonte de Misericórdia.

Dois momentos fortes do Evangelho merecem ênfase:

O gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na Cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,31-37): O Coração de Jesus é transpassado pela lança e jorra Sangue e Água: Sacramentos da Igreja – Batismo e Eucaristia.

No primeiro, o consolo pela dor da véspera da Sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade.

Estes dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito em 1675 a Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eis este Coração que tanto tem amado os homens... não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças...

... Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o meu Coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares...

... E prometo-te que o meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu Divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

O Papa São João Paulo II sempre cultivou esta devoção, e a incentiva a todos que desejem crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, afirmou:

“Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do Mistério do Coração de Cristo. Quero hoje dirigir juntamente convosco o olhar dos nossos corações para o mistério desse Coração. Ele falou-me desde a minha juventude. Cada ano volto a este mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”

Uma devoção autêntica ao Coração de Jesus faz brotar no coração santas atitudes e compromissos:

Crescimento notável do amor pela Igreja; os pequenos e pobres têm lugar todo especial; procura-se alimentar constantemente do amor de Deus, de modo privilegiado na Eucaristia; há a necessidade do recolhimento, do silêncio diante do Augustíssimo Sacramento; fortalecimento do profetismo; torna-se imperativo o engajamento nas diversas pastorais e movimentos; empenho decidido na participação da construção de um Mundo Novo; não se contentar em ter Deus dentro do coração apenas, mas estar sempre dentro do coração de Deus; tornando-se autêntico e apaixonado discípulo missionário do Senhor.

Finalizando, o Coração de Jesus é o templo do Espírito Santo que faz de nós também Seu templo – somos templos do Espírito Santo. Num mundo marcado muitas vezes pela frieza, indiferença e anonimato o Coração de Jesus é para nós fornalha ardente de caridade.

Urge fazer o nosso coração semelhante ao Coração de Jesus, aperfeiçoando e aprofundando a prática do Mandamento do Amor; intensificando nossa devoção e contemplação do Coração de Jesus; aprofundando nossa espiritualidade essencialmente Eucarística e, porque não dizer, participando do Apostolado da Oração.

A devoção ao Sagrado Coração é o empenho no pleno cumprimento da Lei maior do Amor de Deus que é o amor a Ele e ao próximo, somente assim estaremos no Coração de Deus e Ele em nosso coração. 

PS: Santa Margarida Maria Alacoque - Memória celebrada dia 16 de outubro

A corresponsabilidade feminina na evangelização

                                                     


A corresponsabilidade feminina na evangelização

“A história da Igreja reconhece muitas figuras femininas sem cujos dons proféticos e místicos ou iniciativas de caridade a ação apostólica da Igreja seria impensável.

É preciso citar ao lado de BENTO, sua irmã ESCOLÁSTICA, ao lado de BONIFÁCIO suas companheiras LIOBA E WALBURGA, ao lado de FRANCISCO CLARA, ao lado de FRANCISCO DE SALES JOANA DE CHANTAL, ao lado de VICENTE DE PAULO LUISA DE MARILLAC; e tampouco se pode pensar em DOM BOSCO sem sua mãe, MARGARIDA, como em Agostinho sem sua mãe, MÔNICA.

Pode se apresentar uma longa lista de mulheres influentes na história da Igreja: HILDEGARD DE BINGEN, CATARINA DE SENA, BRÍGIDA DA SÚECIA, ISABEL DA HUNGRIA, até TERESA DE CALCUTÁ.

Podemos lembrar de místicas que marcaram a espiritualidade da Igreja de forma duradoura e continuaram a marcá-la: JULIANA DE LIÉGE, TERESA DE ÁVILA, MARGARIDA MARIA ALACOQUE, TERESA DE LISIEUX.

Por fim, também pertencem a essa série duas filósofas e mártires: CATARINA DE ALEXANDRIA e EDITH STEIN (a carmelita TERESA BENEDITA DA CRUZ).

Sem dúvida, na nova situação missionária, cabem às mulheres importantes tarefas; por isso, é uma importante tarefa promover a cooperação responsável das mulheres na Igreja.”(1)

 

(1)Servidores da alegria – existência sacerdotal – Cardeal Walter Kasper – Edições Loyola – p.51

PS: oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 8,1-3)

PS: Santa Margarida Maria Alacoque - Memória celebrada dia 16 de outubro.

Do veneno da serpente, livrai-nos, Senhor

 


Do veneno da serpente, livrai-nos, Senhor!

“A serpente, então vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. 
A terra, porém, veio em socorro da mulher.” 

Da serpente que possa nos desviar de Vossos divinos projetos de amor, vida e felicidade, livrai-nos, Senhor.

De sua sedução e veneno que fazem proliferar sinais e marcas de morte, que não prevalecerão para sempre, livrai-nos, Senhor.

De todo o veneno da serpente, livrai-nos Senhor:

- Do veneno que seduz mentes e corações e dos seus traços desfiguradores da beleza da criatura e de toda a criação, livrai-nos, Senhor.

- Do veneno que escreve linhas de desumanização, livrai-nos, Senhor; livrai-nos, Senhor.

- Do veneno do desamor, para vivermos o Mandamento do Amor que nos destes, livrai-nos, Senhor.

- Do veneno da impiedade que nos faz insensíveis e truculentos e intransigentes, livrai-nos, Senhor.

- Do veneno que nos leva a desatinos e posturas de vilipêndio de mil formas; ataques físicos ou verbais, reais ou virtuais, livrai-nos, Senhor.

- Do veneno que amortalha as consciências tornando-as sementes de discórdia e intolerância, provocando isolamentos, distanciamentos e cancelamentos, livrai-nos, Senhor.

Ó Deus, dai-nos Vosso Santo Espírito, para que saibamos conduzir nossas vidas, conforme Vossos desígnios, acolhendo e colocando em prática o que Maria nos disse no primeiro sinal realizado por Vosso Filho – “Fazei o que Ele vos disser.” (2).

Firmai nossos passos para que vivamos a graça do batismo, o bom combate da fé (3), fortalecidos pela oração;  nutridos pelo Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia. Amém.


(1) Ap 12,16a

(2) Jo 2,5

(3) 2 Tm 4,7

 

Com o Espírito Santo, atentos aos sinais dos tempos

                                                             


Com o Espírito Santo, atentos aos sinais dos tempos

Vinde, Espírito Santo, para que como Igreja sejamos atentos aos sinais dos tempos, tendo como preocupação constante, alguns valores evangélicos que estimulam internamente o atual desenvolvimento histórico.

Vinde, Espírito Santo, e iluminai Vossa Igreja em seu dever permanente de “...examinar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do evangelho, de forma a poder responder, de modo adaptado a cada geração, às permanentes indagações dos homens sobre o sentido da vida presente e futura e sobre suas mútuas relações” (1)

Vinde, Espírito Santo, para que como Igreja tenhamos solicitude com a ascensão das classes trabalhadoras; valorização e  o reconhecimento do papel da mulher na vida pública; promoção da defesa da emancipação dos povos outrora (e sempre) colonizados; a unificação do mundo, com a progressiva socialização dos vários aspectos da vida humana, dos econômicos aos humanos e espirituais. (2) Amém.

 

PS: Fontes da oração: Comentário da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 12,54-59)- Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1417

(1) Gaudium et Spes n. 4

(2)Fonte - Papa São João XXIII, na Encíclica Pacem in terris

Pe. Valdocir Aparecido Raphael 25 Anos de Ministério Presbiteral Deus Seja Louvado!

                                                               

Pe. Valdocir Aparecido Raphael
 25 Anos de Ministério Presbiteral
Deus Seja Louvado!

À luz da Palavra Proclamada (Rm 4,1-8; Sl 31,1-2.5.11; Lc 12,1-7) - (ano ímpar) fiz a Homilia de Jubileu do Ministério Presbiteral deste amigo e irmão.

Na primeira Leitura, o Apóstolo Paulo nos apresenta a emblemática figura de Abraão, “antepassado” segundo a carne (v.1) de todo o povo Hebreu.

Contemplar a história de Abraão é contemplar uma história que revela a atuação de Deus em sua vida, marcada pela gratuidade e confiança inabalável na intervenção divina.

Abrão foi chamado a acreditar na promessa divina de ter uma descendência, mesmo quando a promessa humanamente parecia um absurdo e impossível de se realizar. Abraão creu contra toda a humana esperança. Sua fé consistiu em confiar totalmente em Deus, reconhecendo suas limitações, insuficiência de suas obras diante do Senhor Onipotente e Misericordioso (como nos fala o Salmista). Abraão, ao lado de Sara, aos poucos procurou compreender os desígnios divinos e possibilitou a intervenção e a ação divina, que vêm ao encontro de nossa miséria humana, de nossas limitações.

Numa palavra, a fé é a total e incondicional confiança e entrega nas mãos de Deus, não como passividade, patologia, paralisia, mas acompanhada do temor divino, que segundo o Catecismo da Igreja Católica (1830) consiste na tensão em responder positivamente às exigências do Senhor, que não dispensa nossa participação, colaboração, atuação. Temor do Senhor é amor profundo, relação de amizade também profunda e frutuosa, porque traz consigo a paz e o desejo de estar à altura das necessidades do Outro, que é o próprio Deus, que nos chama e nos quer como amigos.

Temor serenamente e biblicamente vivido nos põe em total realização de amizade e entrega nas mãos de Deus, numa procura incansável de correspondermos à altura d’Aquele que tanto nos amou e nos ama, a ponto de nos ter dado o Seu próprio Filho (João 3,16), para que todo o que nEle crer não morra, mas tenha a vida eterna. O amor de Deus nos eterniza para uma relação que não conhece o ocaso, pois o céu consiste na plenitude de Seu amor. 

Em perfeita sintonia, no Evangelho, Jesus nos convida a tomar cuidado com o fermento dos fariseus que é a hipocrisia, que consiste na falta de uma fé autêntica em Deus; numa pureza interior e exterior; ausência da transparência e coerência.

Os discípulos de Jesus não podem ter a mesma atitude. Os discípulos missionários do Senhor são movidos por outro fermento que Nosso Senhor ao mundo comunicou: O amor.

No Evangelho de Mateus o Senhor afirmou que seus discípulos são fermento na massa. O mundo novo só nascerá do fermento do Novo Mandamento do Amor, o mais belo e divino fermento de que tanto precisamos.

Uma vez possuidor deste fermento, deverão comunicá-lo corajosamente ao mundo. Nada e a ninguém temendo. Jesus sabe que esta postura diante do mundo atrairá sobre os discípulos, sobre Sua Igreja, incompreensão, perseguição, até mesmo o martírio.

Por isto diz: “Não tenhais medo dos que matam o corpo e depois disso  nada mais podem fazer” (Lc 12,4), e um pouco mais adiante nos assegura que em todos os momentos os discípulos poderão contar com um Advogado, Paráclito, Defensor: “Não vos preocupeis com ou com o que vos defender, nem com o que dizer: pois o Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que deveis dizer” (Lc 12, 12).

Tendo acolhido esta reflexão no coração, o que dizer ao meu amigo e irmão Pe. Valdocir neste dia em que celebra seu Jubileu de prata da graça do Sacramento da Ordem?

Respondo prontamente, e tenho certeza de que muitos concordarão comigo (e, porque não, poderão acrescentar outros olhares).

Pe. Valdocir,

- Um homem de fé – Um dia seus pais plantaram a semente da fé, o inserindo na história do Povo de Deus. Assim, tornou-se participante do Povo da Promessa, desde Abraão como há pouco refletíamos.

- Um homem de esperança – quem o conhece sabe quanta esperança carrega no coração de ver dias melhores; o Reino irromper alegremente em cada madrugada, precedida às vezes por noites acordado, em compromissos na luta pela vida, ou mesmo ao lado de um corpo velado.

- Um homem de caridade ativa – carregando as limitações inerentes à condição humana, procura testemunhar um amor enraizado e compromissado, sobretudo com os empobrecidos, com os quais Jesus se identificou.

- Um homem Eucarístico – celebra com piedade e frutuosamente cada Ceia Eucarística, procurando, a seu modo, plantar no coração da Assembleia a Semente do Verbo, e possibilitando o vigor do Pão e Vinho Consagrados, inebriando-nos com a alegria da participação no Banquete Nupcial do Cordeiro.

- Um homem de profunda devoção a Maria e aos Santos: São Judas Tadeu, Nossa Senhora do Bonsucesso, Santo Antônio, Nossa Senhora de Fátima, São Francisco e outros tantos. Como mencionar tais nomes e não fazer uma mínima referência ao Pe. Valdocir? Como não vê-lo e ouvi-lo cantar e comprometer-se com o Magnificat de Maria em confiança na ação divina, no cantar da esperança de um mundo novo (nova ordem política, econômica, social, religiosa, ideológica...)? Como não ouvir o som de seu violão e cantando com Maria e como Maria a esperança dos pobres que serão saciados, porque do jugo que lhes pesava foram libertados?

- Um homem de profundo compromisso social e político, por vezes até extremado e incompreendido. Mas sempre coerente com a mensagem do Evangelho.

- Um homem missionário – assim como se diz no Evangelho de hoje – desejoso e comprometido para que o Evangelho seja anunciado e conhecido pelo mundo todo, por toda criatura.

- Um homem alegre – seu sorriso lembra também o sorriso de seus pais. Raramente o vi com rosto carrancudo, amargurado, ainda que os resultados não fossem tão promissores e desejados. Invejamos e admiramos teu sorriso, padre.

- Um homem que procura a pureza interior, pois no exercício de seu ministério, procura não se contaminar pelo fermento da hipocrisia e da maldade, da violação da vida, sem ceder às tentações fundantes do ter, ser e poder (como devemos todos fazer).

- Um homem da chama profética sempre acesa, porque acompanhada do silêncio, da oração, da contemplação, da fidelidade e da consciência do que é diante do rebanho que O Senhor lhe confiou.

Poderia falar mais sobre o Pe. Valdocir, porém creio que já disse o suficiente para uma descrição sincera de como o vejo, e que espero seja como todos o veem.

Se virmos nele pecados, fraquezas, imperfeições, que apenas uma coisa façamos: o compreendamos e rezemos por ele. Ele precisa, eu preciso, você precisa. Todos precisamos.

Querido irmão no presbitério, um abraço e parabéns. Conte comigo e com minha admiração, e mais ainda, com minha sincera Oração.


PS: Em 2013,  tive a graça de fazer esta Homilia no Santuário São Judas Tadeu - Torres Tibagi - Guarulhos – SP – Diocese de Guarulhos na celebração do Jubileu de Prata do Pe. Valdocir.

Em poucas palavras... (XXIXDTCA)

                                                 


                      

                       "A César o que é de César..."
 
"‘Mostrai-me a moeda’. Mostraram-na para Ele.
 ‘De quem, disse, é a imagem e a inscrição?’ 
 
Responderam: ‘De César’. 
 
E Ele:
 
‘Dai a César o que é de César e a  Deus o que é de Deus.’ 
 
Como César busca a sua imagem em  sua moeda, 
assim Deus busca a Sua em tua alma". (1)
 
 
(1)  Bispo e Doutor Santo Agostinho (Séc. V)
 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG