sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A linha de chegada e a superação do desânimo

                                    


                       A linha de chegada e a superação do desânimo
 
“Perguntaram a um ancião: ‘
Por que estou continuamente desanimado?
Ele respondeu:
‘Porque ainda não vês a linha de chegada’” (1)
 
Vivendo as primeiras páginas do Ano Novo, é tempo favorável de dar passos na realização de nossos projetos, ainda que não muitos, mas que não fiquem apenas no pensamento, na tela ou no papel.
 
Caso venham dificuldades e provações em sua realização, fundamental que não haja desistência: 

     - Avaliar e rever o que pode ser mudado é possível e desejável, mas não desanimar e tão pouco desistir.
 
Ressoem as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo  (séc. V):
 
“Deus, que o mundo não pode conter, como o olhar limitado do homem o abrangeria? Mas o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor. O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades.”
 
Mais uma vez retomo um dito anônimo dos Pais do Deserto, em que nos chama a atenção para algo fundamental - que se entrelacem o pensamento, palavra e ação em cada passo, cada conquista, até a consumação do projeto pensado:
 
“Um ancião disse:
‘É isto que Deus exige de um homem:
Pensamento, palavra e ação.” (2)
 
Concluindo, creiamos que a “linha de chegada” logo adiante se apresentará, e isso nos ajudará a recobrar as forças. E, para quem crê, é fundamental que se ilumine e se deixe conduzir pela Palavra do Apóstolo Paulo – “Tudo posso n’Aquele que me fortalece.” (3)
 
 
(1)   Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.92 – p.88
(2)  Idem – n.11-  p.94
(3) 
Fl 4,13



PS: Oportuno para todo o tempo.

Vós sois nossa força, ó Senhor!

                                                      

Vós sois nossa força, ó Senhor!

Pois somente em Vós
nossas forças se renovam...

Senhor, concedei-nos a graça de viver 
uma fé cristã viva e frutuosa,
Em que não apenas escutemos, 
mas transformemos a Vossa Santa Palavra
Em atos e compromissos concretos com o nosso próximo.

Ajudai-nos, Senhor, a escutar muito mais o que for necessário,
Falar pouco, mais ainda, falar tão apenas o pouco indispensável,
Aplacando e extirpando quaisquer sentimentos de ira no coração enraizado.

Concedei-nos a graça de corresponder aos Vossos divinos desígnios
Para que se cumpra a Palavra que dissestes no Santo Evangelho:

“Bem-aventurados os que ouvem e praticam a minha Palavra” (Lc 11,27-28).

Ajudai-nos a firmar os passos 
na prática de uma religião pura e sem mancha,
Que consiste em solidariedade e compaixão 
para com os empobrecidos,
Compaixão com os que sofrem tribulações e delas querem se libertar.

Livrai-nos de todo resquício do fermento do Maligno, que seduz
E rouba-nos, ainda que não percebamos, a alegria e a beleza da vida.
Que nossa vida seja levedada tão apenas 
pelo Vosso fermento de Amor.

Fortalecei, Senhor, nossos passos neste árduo caminhar,
Pois somente em Vós nossas forças se renovam e nos impelem;  
Nossas asas são fortalecidas, voos de eternidade alcançamos.

A Vós suplicamos com as palavras do Salmista:

“Quando eu penso: ‘estou quase caindo!’ 
Vosso Amor me sustenta, Senhor!
Quando o meu coração se angustia, 
consolais e alegrais minha alma” 
Amém!


PS: Fontes inspiradoras: Sl 93,18-19; Tg 1, 12-27; Sl 93, 19; Mc 8, 14-21; Lc 11,27-28

Crescimento espiritual permanente

                                                   

Crescimento espiritual permanente

O Presbítero São Vicente de Lerins (Séc. V) apresenta-nos uma reflexão sobre o desenvolvimento do Dogma na religião cristã.

“Não haverá desenvolvimento algum da religião na Igreja de Cristo? Há certamente e enorme. Pois que homem será tão invejoso, com tanta aversão a Deus que se esforce por impedi-lo?

Todavia deverá ser um verdadeiro progresso da fé e não uma alteração. Com efeito, ao progresso pertence o crescimento de uma coisa em si mesma. À alteração, ao contrário, a mudança de uma coisa em outra.

É, portanto, necessário que, pelo passar das idades e dos séculos, cresçam e progridam tanto em cada um como em todos, no indivíduo como na Igreja inteira, a compreensão, a ciência, a sabedoria. Porém apenas no próprio gênero, a saber, no mesmo Dogma o mesmo sentido e a mesma significação.

Imite a religião das almas o desenvolvimento dos corpos. No decorrer dos anos, vão se estendendo e desenvolvendo suas partes e, no entanto, permanecem o que eram.

Há grande diferença entre a flor da juventude e a madureza da velhice. Mas se tornam velhos aqueles mesmos que foram adolescentes. E por mais que um homem mude de estado e de aspecto, continuará a ter a mesma natureza, a ser a mesma pessoa.

Membros pequeninos na criancinha, grandes nos jovens, são, contudo, os mesmos. Os meninos têm o mesmo número de membros que os adultos. E se no tempo de idade mais adiantada neles se manifestam outros, já aí se encontram em embrião. Desse modo, nada de novo existe nos velhos que não esteja latente nas crianças.

Por conseguinte, esta regra de desenvolvimento é legítima e correta. Segura e belíssima a lei do crescimento, se a perfeição da idade completar as partes e formas sempre maiores que a sabedoria do Criador pré-formou nos pequeninos.

Mas se um homem se mudar em outra figura, estranha a seu gênero, ou se se acrescentar ou diminuir ao número dos membros, sem dúvida alguma todo o corpo morrerá ou se tornará um monstro ou, no mínimo, se enfraquecerá.

Assim também deve o Dogma da religião cristã seguir estas leis de crescimento, para que os anos o consolidem, se dilate com o tempo, eleve-se com as gerações.

Nossos antepassados semearam outrora neste campo da Igreja as sementes do trigo da fé. Será sumamente injusto e inconveniente que nós, os pósteros, em vez da verdade do trigo autêntico recolhamos o erro da simulada cizânia”.

A vida cristã não é estática, precisamos fazer contínuos progressos, até que mereçamos adentrar na plenitude da glória eterna.

Pelo Batismo, nos tornamos discípulos missionários e a partir deste momento, pomos num contínuo peregrinar, em que precisamos fazer progressos espirituais permanentes.

Vivendo o Batismo, temos que fazer da nossa vida uma missão, que por sua vez, revela-se no dom total de si mesmo, num aperfeiçoamento de nosso viver: pensamentos, palavras e atitudes.

Este progresso somente é autêntico quando não temos medo de fazer renúncias cotidianas, abraçando nossa cruz, em incondicional fidelidade ao Senhor.

Também deve se dar em todos os âmbitos: pessoal, familiar, comunitário e no mundo, para que discípulo do Senhor sejamos, sem recuos, vacilações na fé, esmorecimento da esperança, e esfriamento da caridade, que deve estar sempre acesa e inflamando nosso coração.

Isto somente se faz possível quando nos deixamos modelar pela mão divina, como barro na mão do oleiro, convictos de que ninguém alcançou ainda  a maturidade almejada, pois estamos sempre a caminho.

Importa não recuar ou desistir, pois “Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua.” (Mensagem do Papa Bento XVI  Quaresma 2012). Amém.

A graça do Ministério Presbiteral

                                                         

A graça do Ministério Presbiteral

Assim falou o Papa São João Paulo II, na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores Dabo Vobis (n.22), sobre o presbítero:

“O presbítero é chamado a assumir em si os sentimentos e as virtudes de Cristo em relação à Igreja, amada ternamente mediante o exercício do ministério; portanto, dele se pede que seja capaz de amar o povo com o coração novo, grande e puro, com um autêntico esquecimento de si mesmo, com dedicação plena, contínua e fiel, juntamente com uma espécie de ‘ciúme’ divino, com uma ternura que reveste inclusive os matizes do afeto materno”.

Deste modo, com o Rito da Ordenação, o presbítero “...é introduzido em um novo gênero de vida, que o une a Cristo com um vínculo original, inefável e irreversível e o habilita a agir ‘in persona Christi’. Configurado a Cristo, Cabeça, Pastor, Esposo e Servo da Igreja, como seu representante e na união com Ele, o presbítero tem uma relação especial com a Igreja de Cristo”.  (1)

Como Presbítero, exerce o tríplice múnus como um servidor e anunciador da Palavra, ministro dos Sacramentos e um guia da comunidade.

Na realização do Ministério, o presbítero é apresentado com várias imagens e aspectos, que se completam e auxiliam na compreensão da natureza íntima de sua identidade, como nos fala o Documento n. 110 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil que ora apresento, conforme o parágrafo n. 41

a)   Presbítero: De acordo com a Escritura é o ancião, o adulto, já experimentado na vida, e por isto se tornou um sábio, mestre, conselheiro e guia;

b)   Pastor: Uma imagem muito frequente na Sagrada Escritura que designa aqueles a quem cabe colocar-se a serviço do povo. Assim o faz seguindo o exemplo de Jesus Cristo, o Bom Pastor (Jo 10,1-4). Por isto é chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, vivendo a proximidade com seu povo e um servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades.

c)   Profeta: Como mensageiro da Palavra viva de Jesus, anuncia e testemunha a Palavra de Deus, “oportuna e inoportunamente” como falou o Apóstolo Paulo a Timóteo (2 Tm 4,2); proclama o reino de Deus e denuncia o que contradiz o Evangelho;

d)   Servo: O Filho do Homem veio “não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). O Presbítero participa desta missão do Filho, e participa da autoridade de Cristo-Cabeça com seu serviço, seu dom, sua entrega total, humilde e amorosa pela Igreja;

e)   Missionário: Consciente de que é enviado por Cristo, nunca deve cansar de repetir a si mesmo: “Sou uma missão, e não simplesmente tenho uma missão”, como diz o Papa Francisco. Para tanto, precisa coragem, audácia, fantasia e vontade de olhar não apenas para si mesmo, nem o cumprimento das funções rotineiras, mas ir além, como Igreja, constantemente em saída, rumo às periferias existenciais, ultrapassando as estruturas que já não favoreçam mais à transmissão da fé;

f)    Padre: Trata-se, pelo Sacramento da Ordem, viver o dom da paternidade espiritual, com a missão de gerar, nutrir, educar, organizar e levar à plenitude a comunidade do Povo de Deus;

g)   Sacerdote: É alguém que foi separado para o Evangelho de Deus (Rm 1,1), e em virtude da Ordenação se torna um dom sagrado de Deus para o seu povo. Ele reúne a comunidade para o momento mais alto e importante de sua existência, que é a Celebração Eucarística. Ele é sempre o ministro de Deus e nele, a exemplo de Jesus, tudo deve ser “sacerdotalizado”;

h)   Esposo: Uma vez configurado a Cristo, o Presbítero na sua vida espiritual, é chamado a reviver o amor de Cristo esposo, em sua relação com a Igreja esposa;

i)     Perito em humanidade: Deixa-se atingir pelas grandes questões que envolvem a humanidade, em sinais de amizade, companheirismo e solidariedade com todos, assumindo em seu modo de ser o estilo de Jesus Cristo, que assumiu a condição de servo (Fl 2,7);

j)    Homem da proximidade: O Presbítero está junto de Deus como das pessoas (1 Cor 9,19-23). Oportunas as palavras do Papa Francisco na Homilia da Missa do Crisma de 29 de março de 2018: “Na proximidade com Deus, a Palavra far-se-á carne em ti e tornar-te-ás um padre próximo de toda carne. Na proximidade com o povo de Deus, a sua carne dolorosa tornar-se-á palavra do teu coração e terás do que falar com Deus, tornar-te-ás um padre intercessor”.

k)   Homem da misericórdia: A exemplo de Jesus, exerce o Ministério com cuidado especial em relação aos pobres e marginalizados (Lc 14,13; Mt 25,31-46; Hb 5,7.9);

l)     Homem de oração: O Presbítero por sua disponibilidade a encontros fervorosos com o Senhor, torna-se íntimo das coisas divinas, místico e mistagogo, de modo que é capaz de auxiliar todos os que o procuram, a encontrarem-se com o Mistério de Deus;

m)  Homem de sacrifício: Contemplando o Senhor que oferece a sua vida pelos outros, o Presbítero é capaz de consumir-se com generosidade e sacrifício pelo Povo de Deus;

n)   Irmão universal: Participante da missão de Jesus Cristo e da sua Igreja, leva o Evangelho até os confins da terra; portanto, chamado a construir relações especial com os irmãos de outras Igrejas e confissões cristãs, com os fiéis de outras religiões e com as pessoas de boa vontade.

Elevemos orações por todos os presbíteros, e por todos aqueles que estão se preparando com vistas à Ordenação Presbiteral, para que possam viver estes diferentes aspectos e imagens no exercício do Ministério Presbiteral.

Em cada Presbítero, podemos encontrar um ou outro aspecto e imagem mais presente, de modo que não podemos economizar orações para que cada vez mais se façam presentes em suas vidas, e assim cumpram, com solicitude, empenho, dedicação, o Ministério pela Igreja confiado na santificação, ensino e governo da Igreja.



(1)         Diretrizes para a formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil – Edições CNBB – (Documento n.110, n.35)

Fé reta, Esperança certa, Caridade perfeita

                                                      

Fé reta, Esperança certa, Caridade perfeita

“A fé age através do amor” (Gl 5,6)

Virtudes divinas norteiam a nossa vida,
São fundamentais e impulsionam nossos passos,
Se com predicativos densos de conteúdos.

O Apóstolo Paulo assim anunciara aos Gálatas:
“A fé vive pela caridade” para tornar-se credível,
Sobretudo quando a caridade parecer não existir.

Antes, o Senhor nos alertara nos Evangelhos:
Ainda que nossa fé seja pequenina como um grão de mostarda,
Montanhas removeremos, e muito mais...

Também o Apóstolo Tiago contundentemente afirmou
Que a fé sem obras é morta (Tg 2,26), porque sem amor,
e que precisa ser expressa em gestos solidários pelo próximo.

Que nossa fé se torne operativa num amor de doação;
Nela contida germe de novo florescer,
Porque sustentada no Mistério da Morte/Ressurreição.

Que nossa fé seja reta, sem oscilações indesejáveis;
Que nossa esperança seja certa, porque no Senhor colocada;
Nossa caridade perfeita, porque do Perfeitíssimo somos.

Fé reta, Esperança certa, Caridade perfeita,
Balizas que nos asseguram suaves travessias,
Não sem o mistério irrenunciável da cruz.

Fé reta, Esperança certa, Caridade perfeita,
Nos tornam luminosos em quaisquer circunstâncias,
Porque não vive nas trevas quem a Luz serve e segue.

“Eu sou a luz do mundo, quem me segue
Não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).
Que assim seja, Senhor! Assim cremos. Amém!

Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

                                          


Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

Nossas comunidades eclesiais missionárias são espaços sagrados em que se procura viver autenticamente a Palavra de Deus, como herdeiros da bênção que o Senhor nos agraciou.

Neste sentido, as Palavras do Apóstolo Pedro são iluminadoras:

“Sede todos unânimes, compassivos, fraternos, misericordiosos e humildes. Não pagueis o mal com o mal, nem ofensa com ofensa. Ao contrário, abençoai, porque para isto fostes chamados: para serdes herdeiros da bênção.” (1)

Oportunas as palavras atribuídas a diferentes autores, como nos falou o Papa São João XXIII:

“Mas é preciso manter também a norma comum que, expressa com palavras diversas, se atribui a diferentes autores: nas coisas necessárias, unidade; nas duvidosas, liberdade; em todas, caridade.” (2)

Supliquemos a Deus para que nos conceda a graça de assim vivermos, como discípulos missionários do Senhor, com o coração ardente e os pés sempre a caminho.

 

 

(1)         Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 3,8-9)

(2)        Sobre o conhecimento da verdade, restauração da unidade e da paz na caridade – Papa São João XXIII – 29/06/1959

Em poucas palavras...

                                          


Virgem Maria, modelo supremo de fé

“Só a fé pode aderir aos caminhos misteriosos da onipotência de Deus. Esta fé gloria-se nas suas fraquezas, para atrair a si o poder de Cristo (2 Cor 12,19; Fl 4,13).

Desta fé é modelo supremo a Virgem Maria, pois acreditou que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) e pôde proclamar a grandeza do Senhor: «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas; 'Santo' –  é o seu nome» (Lc 1, 49).”  (1)

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 273

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