sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O Presbítero e os meios de comunicação social (2010)

                                                     

O Presbítero e os meios de comunicação social

Sobre a missão dos Presbíteros nos meios de comunicação social, sobretudo neste tempo que estamos vivendo, em que se multiplica a sua atuação nos mesmos, oportuno retomar a Mensagem para o 44º dia Mundial das Comunicações Sociais, do Papa Bento XVI, no ano de 2010, dada a pertinência e atualidade do Tema: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”.

Acena para a crescente importância dos modernos meios de comunicação que fazem parte, desde há muito tempo, como instrumentos na ação evangelizadora.

A missão sacerdotal tem como tarefa primária anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de Salvação mediante os Sacramentos, citando a passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 10,11.13-15), sobre esta “altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal – “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão-de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão-de pregar, se não forem enviados?”

Novamente citando o Apóstolo – “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16), vê no mundo digital a abertura de perspectivas e concretizações notáveis para a evangelização aconteça, de modo que o sacerdote se ocupará pastoralmente disto, colocando todos os media ao serviço da Palavra.

No entanto, é pedido aos presbíteros a capacidade de “...estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas ‘vozes’ que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos ‘media’ tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese”.

O sacerdote na pastoral digital, como consagrado deve fazer transparecer seu coração de consagrado e revelando a todos e à humanidade desorientada de hoje, que “Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros” (Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: «L’Osservatore Romano» (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].

A missão do consagrado nos meios de comunicação, no complexo “ciberespaço”, é “aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era «digital», os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral”.

Reafirma a necessidade, como Igreja, colaborar na promoção de uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana, no exercício da “diaconia da cultura” no atual “continente digital”.

Um desafio para a pastoral no mundo digital: a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contato com crentes de todas as religiões, com não crentes e pessoas de todas as culturas.

Citando o Profeta Isaías (Is 56,7), indaga se não é ocaso da necessidade de prever que a internet possa dar espaço – como o “pátio dos gentios” do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido.

Neste sentido os novos media oferecem aos presbíteros:
- perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta;
- possibilidade ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar.

No entanto, não se pode esquecer a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos, sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.

Conclui renovando o convite para que os Sacerdotes aproveitem com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna, tornando-se apaixonados anunciadores da Boa Nova na “ágora” moderna criada pelos meios atuais de comunicação.

Se desejar, acesse e leia na integra:

Pétalas/sépalas

 


Pétalas/sépalas

No jardim, as rosas se sobressaem pela beleza, perfume e cor.
Suavidade em cada pétala, por vezes desfolhadas,
Em “mal me quer, bem me quer”, brinquedo de enamorados.
 
Pétalas são conhecidas, variadas em cores e formatos,
Em poesias, músicas, entre páginas guardadas,
Suaves e doces lembranças de encontros vividos.
 
Mas não haveria as pétalas, não fossem as sépalas,
Que por um tempo as preservaram para que se abrissem
Em botões para decorações e selar puras emoções.
 
Sépalas? Quem delas poesia faria, e encanto despertaria?
Sépalas, no anonimato e escondimento, dobram-se suavemente,
Quase imperceptíveis aos olhos, mas ali estiveram e estarão.
 
Penso nas sépalas nossas de cada dia,
Não as da rosa do meu ou do teu jardim,
Mas aquelas que são fundamentais para mim.
 
Sépalas mães, que por um tempo, no ventre,
Uma vida fecundam no silêncio, por vezes na dor,
Acolhidas como sinais de bênção do Amado Senhor.
 
Sépalas pais, que em imprescindível presença, 
coragem, afeto, proteção, pão de cada dia, 
força e confiança oferecem.

Sépalas, profissionais da saúde, cultura e educação.
Outros tantos impossível  serem aqui mencionados.
Com seu suor e trabalho prolongam a obra da criação.
 
Sépalas de nossas comunidades de fé,
Que se desdobram, se curvam humildemente,
Discípulos/as do Servo que se fez Servidor.
 
Em formações, encontros, catequese,
Cantos, acolhidas, visitas, celebrações.
Palavra proclamada que arde corações.
 
Assim é a história da humanidade,
A beleza das “pétalas”, o escondimento das “sépalas”,
Em harmonia para que o Jardim do Senhor floresça.
 
Pétalas, beleza e encanto para os olhos.
Sépalas, beleza e encanto para o coração
Em perfeita sintonia, sagrado abraço e comunhão. Amém.


 
PS: Sépalas são as estruturas em forma de folha localizadas na parte mais externa de uma flor, cuja principal função é proteger o botão floral antes de ele se abrir.
Pétalas são folhas modificadas que formam a parte colorida e mais visível de uma flor.

Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

                                          


Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

Nossas comunidades eclesiais missionárias são espaços sagrados em que se procura viver autenticamente a Palavra de Deus, como herdeiros da bênção que o Senhor nos agraciou.

Neste sentido, as Palavras do Apóstolo Pedro são iluminadoras:

“Sede todos unânimes, compassivos, fraternos, misericordiosos e humildes. Não pagueis o mal com o mal, nem ofensa com ofensa. Ao contrário, abençoai, porque para isto fostes chamados: para serdes herdeiros da bênção.” (1)

Oportunas as palavras atribuídas a diferentes autores, como nos falou o Papa São João XXIII:

“Mas é preciso manter também a norma comum que, expressa com palavras diversas, se atribui a diferentes autores: nas coisas necessárias, unidade; nas duvidosas, liberdade; em todas, caridade.” (2)

Supliquemos a Deus para que nos conceda a graça de assim vivermos, como discípulos missionários do Senhor, com o coração ardente e os pés sempre a caminho.

 

 

(1)         Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 3,8-9)

(2)        Sobre o conhecimento da verdade, restauração da unidade e da paz na caridade – Papa São João XXIII – 29/06/1959

Em poucas palavras...

 


Mistério da Vida

“Dê vida a seus dias, em vez de dar dias à sua vida.”

 

(1)   Autora: Rita Levi-Montalcini – Prêmio Nobel de Medicina, citado em  Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p. 37

 

A honra do louvor e o poder de perdoar

                                   


A honra do louvor e o poder de perdoar

Sejamos enriquecidos pelos escritos do Bem-aventurado Isaac, Abade do Mosteiro de Stela (Séc. XII).

“Duas são as coisas convêm a Deus: a honra do louvor e o poder de perdoar. O louvor somos nós que lhe damos; o perdão, d’Ele nós esperamos. Pertence somente a Deus perdoar os pecados; por isso deve ser louvado. 

Mas, tendo desposado o onipotente a fraqueza, o excelso, a humildade, da escrava fez uma rainha; aquela que estava atrás, a Seus pés, colocou-a a Seu lado. Pois de seu lado saiu, de onde a tomou para si como penhor. Tudo quanto é do Pai é do Filho, e o que é do Filho é do Pai, por serem um só por natureza. De modo semelhante, tudo quanto era Seu deu o esposo à esposa, e tudo da esposa o esposo tomou para Si; e dela, unida a Si, e do Pai fez também um só. Quero, disse o Filho ao Pai, intercedendo pela esposa, que, assim como Eu e Tu somos um, também estes sejam um conosco (cf. Jo 17,21).

Por conseguinte, o esposo com o Pai são um só, com a esposa é um. Rejeitou quanto de contrário encontrou na esposa, pregando-O na Cruz, e aí carregou Seus pecados no madeiro e pelo madeiro o destruiu. 

O que era conforme à natureza e próprio dela, assumiu, e d'Ele se revestiu. O que lhe era próprio e divino, isto lhe concedeu. Expeliu o diabólico, assumiu o humano, concedeu o divino, para que tudo o que era da esposa fosse do esposo. É a razão por que Aquele, que não cometeu pecado nem Se encontrou engano em Sua boca, pode dizer: Tem piedade de mim, Senhor, porque estou enfermo (Sl 6, 3). E quem tem a enfermidade da esposa, tenha também o pranto, e seja tudo do esposo e da esposa. Donde, a honra do louvor e o poder do perdão; por isto devia dizer: Vai, mostra-te ao sacerdote (Mt 8, 4).

Portanto, sem Cristo nada pode a Igreja perdoar; nada quer Cristo perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar a não ser ao penitente, isto é, àquele a quem Cristo tocou. 

Cristo não quer ter por perdoado aquele que despreza a Igreja. O que Deus uniu, o homem não separe. Digo eu, é grande este sacramento no Cristo e na Igreja (Mt 19, 6; Ef 5, 32).

Não queiras, pois tirar do corpo a cabeça, de forma que em parte alguma haja o Cristo total: nem em parte alguma, o Cristo total sem a Igreja nem a Igreja toda sem Cristo em parte alguma. Pois Cristo completo e íntegro, entende-se cabeça e corpo, por isto diz: Ninguém subiu ao céu a não ser o Filho do homem que está no céu (Jo 3,13). É este o único homem que perdoa os pecados.”

Retomemos as palavras do Bem-Aventurado:

- “Duas são as coisas que só convêm  a Deus: a honra do louvor e o poder de perdoar. O louvor somos nós que lhe damos; o perdão, d’Ele nós esperamos. Pertence somente a Deus perdoar os pecados; por isso deve ser louvado...”

- “Portanto, sem Cristo nada pode a Igreja perdoar; nada quer Cristo perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar a não ser ao penitente, isto é, àquele a quem Cristo tocou.”

Como discípulos missionários do Senhor, demos a Deus toda a honra, a glória, o poder e o louvor, e reconhecedores de nossa miséria diante de Sua infinita Misericórdia, supliquemos perdão pelos pecados que cometemos, mas, de coração contrito e sincero, apresentamos.

Também, recorramos, tanto quanto possível, ao Sacramento da Penitência, pelo qual o presbítero concede o perdão dos pecados, cientes de que sem Cristo, a Igreja nada pode perdoar, pois, de fato, “nada quer Cristo perdoar sem a Igreja”.

Concluo com as palavras do Catecismo da Igreja Católica sobre o Sacramento da Penitência:

Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote exerce o ministério do bom Pastor que procura a ovelha perdida: do bom Samaritano que cura as feridas; do Pai que espera pelo filho pródigo e o acolhe no seu regresso; do justo juiz que não faz acepção de pessoas e cujo juízo é, ao mesmo tempo, justo e misericordioso. Em resumo, o sacerdote é sinal e instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1465

Evangelização e acolhida do sopro do Espírito

                                                               

             
Evangelização e acolhida do sopro do Espírito

“Ai de mim se seu não evangelizar” (1 Cor 9,16).

A Evangelização na cidade tem inúmeros e grandes desafios, de modo que, tão somente abertos à acolhida do sopro do Espírito, se é capaz de dar respostas sólidas, enfrentando-os na planície do cotidiano, atentos à voz do Filho Amado que precisa ser escutado.

Abertos a este sopro, a Igreja precisa multiplicar ações diante da violação da dignidade da pessoa humana e na profética defesa da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.

Seremos assim uma Igreja mais viva, participativa, dinâmica, renovada e com fortalecimento dos ministérios e o surgimento de novos, edificando uma Igreja verdadeiramente sinodal.

Permanece forte o apelo da Conferência de Aparecida (2007), para a conversão das estruturas paroquiais e serviços, bem como de todos que se encontram inseridos e comprometidos com a evangelização.

Abertos ao Sopro do Espírito, é mais do que emergente a multiplicação do trabalho e iniciativas diversas para a santificação e solidificação da família, que passa por sérios momentos de desestruturação por diversos motivos (inúmeros são os ventos e tempestades enfrentados pela mesma).

O Espírito Santo também conduz no fortalecimento da dimensão missionária da Igreja – urge ir ao encontro dos católicos afastados, mas sem se esquecer de enraizar e solidificar os que nela já estão participando, fortalecendo laços sinceros de amizade, comunhão e solidariedade, superando toda e qualquer forma de anonimato numa bela e alegre atitude de acolhida mútua, que vai muito além de um seja bem-vindo!

Este Sopro nos pede mais ousadia nos meios de comunicação social, para que possamos comunicar a todos a Boa-Nova do Evangelho em novos areópagos, chegando às escolas, às universidades, ao mundo do trabalho, às instâncias de decisões que afetam substancialmente a vida do Povo de Deus. A Comunicação não pode ficar restrita ao espaço de nossas salas e Igrejas.

O sopro do Espírito também nos inquieta e nos desinstala para que nos empenhemos na transformação da sociedade, com a superação da apatia e indiferença diante da política, não perdendo a esperança, não permitindo apagar a chama profética que todo batizado recebe no dia de seu Batismo, para ser sal da terra e luz do mundo.

Deste modo, não ficaremos indiferentes diante da necessária inclusão social em todas as suas formas e dimensões, como expressão da evangélica opção preferencial pelos pobres, que jamais pode ser esquecida pela Igreja, na fidelidade à prática de Jesus Cristo na realização do Reino de Deus.

E, assim, sempre atentos a estes sopros, edificaremos uma Igreja do anúncio, testemunho, serviço e diálogo, fortalecendo os pilares da Palavra, da Eucaristia, da Caridade e da Ação Missionária.

Com a abertura e acolhida do sopro do Espírito, cresçamos na  fidelidade à Palavra do Senhor, com aquela inquietante preocupação do Apóstolo Paulo, que deve ser de todos nós: “Ai de mim se seu não evangelizar” (1 Cor 9,16).

Viver com alegria a graça da missão

                                                


Viver com alegria a graça da missão 

“Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!”  (1Cor 9,16)

Renovemos, em todo o tempo, a graça e a alegria da missão que o Senhor nos confia.

Não são poucos os que não conhecem ainda o Evangelho e a Pessoa de Jesus, bem como os que se tornam indiferentes à existência de Deus, até mesmo declarando Sua morte, em total indiferença e banalização da dimensão religiosa. Não podemos nos acomodar, precisamos anunciar e testemunhar a Boa Nova do Reino.

Vivamos a graça da missão, configurados e transformando-nos n’Aquele que recebemos na santíssima Eucaristia, indo ao encontro do outro, evangelizando oportuna e inoportunamente como disse São Paulo (2Tm 4,2). 

Como numa grande aldeia global, a fé que professamos é desafiada; a esperança que cultivamos e o amor que testemunhamos devem cada vez ganhar maior expressão, ardor e vigor. 

Como discípulos missionários do Senhor, participantes da construção do Seu Reino, servos de Sua vinha, coloquemo-nos humildemente como Seus instrumentos, renovando nosso sim para o trabalho na messe do Senhor, pois a messe é grande e poucos são os operários, como disse Jesus (cf. Lc 10,1-9).

Assim como a Igreja nos ensina, os cristãos leigos são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo e homens e mulheres do mundo no coração da Igreja; são fermento na massa, luz do mundo; sal que dá gosto de Deus a todas as coisas.   

Abertos ao projeto de amor do Pai, na fidelidade ao Filho, com o sopro e luz do Santo Espírito, renovemos a alegria e a graça da missão de discípulos missionários da vinha do Senhor, para desejados e saborosos frutos do Reino produzirmos, inspirados pelo exemplo de Nossa Senhora, a Estrela da Evangelização, a perfeita discípula missionária do Pai. 

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