segunda-feira, 29 de junho de 2026

Em poucas palavras... (São Pedro e São Paulo)

 


São Pedro e São Paulo: Amigos de Deus

“Eis os santos que, vivendo neste mundo,

Plantaram a Igreja,

Regando-a com seu sangue.

Beberam do cálice do Senhor

E se tornaram amigos de Deus.”  (1)

 

(1)        Antífona de entrada da Missa do dia – Solenidade São Pedro e São Paulo, Apóstolos.

 

Uma Igreja misericordiosa e missionária

                                                 

Uma Igreja misericordiosa e missionária

“Eu quero, sê purificado” (Lc 5,13) 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5,12-16), que tem passagens paralelas nos Evangelhos de Mateus e Marcos (Mc 1,4-45; Mt 8,1-4).

Contemplemos a ação de Deus, que Se revela pleno de Amor, bondade e ternura, através de Sua ação que acolhe, cura, liberta e integra a todos na vida da comunidade.

Nisto consiste a vontade de Deus: que se supere toda forma de discriminação e marginalização, e a comunidade deve empenhar-se, com sabedoria e coragem, para que isto se torne uma realidade.

Voltemos à passagem do Livro de Levítico (Lv 13, 1-2.44-46), que nos apresenta “a lei da pureza”, e uma visão deturpada de Deus que leva à invenção de mecanismos que discriminam, rejeitam e excluem em nome de Deus, numa total marginalização.

Dentre as impurezas, a lepra era considerada a mais grave, de modo que quem por ela fosse acometido, deveria ser segregado e afastado da convivência diária com outras pessoas, e tal medida tinha uma intenção higiênica e também para evitar o contágio.

Mais grave ainda, era considerado um pecador, amaldiçoado por Deus e indigno de pertencer à comunidade do Povo de Deus e não podia ser admitido nas assembleias em que Israel celebrava o culto na presença do Deus Santo.

Voltando à passagem do Evangelho, o leproso curado por Jesus, inaugura um novo modo de relacionamento, destruindo o triste mecanismo de marginalização que exclui estes do convívio social e da própria comunidade.

Jesus, com Sua Palavra e ação, cura e integra a todos na comunidade do Reino, sem jamais compactuar com a discriminação, exclusão, racismo ou qualquer outra forma de marginalização.

Com a Sua ação revela a face de um Deus cheio de Amor que vem ao encontro da nossa humanidade e da nossa condição pecadora e enferma, para nos curar e nos redimir.

Jesus, rosto da Misericórdia de Deus, toma para Si nossas dores e sofrimentos e nos comunica a chegada do Reino de Deus, porque completou-se o tempo esperado.  



Novos tempos são inaugurados pela Sua presença e ação: a cura do leproso revela o Amor de Deus que cura, liberta, integra e impulsiona para o testemunho:

"A voz de Jesus, porém, é ainda mais profunda: ao decretar 'fica curado', penetra até nas entranhas daquele homem maldito e declara-o transformado, transparente e puro; todo o perdão de Deus está presente nesta frase.

O perdão de Deus que Jesus ofereceu aos marginalizados da terra tem que ser agora o fundamento da vida da Igreja... Só quando destruir todas as barreiras, só quando congregar todos como irmãos, a Igreja será lugar de Deus na terra. Então será satisfeita a antiga esperança messiânica da cura dos leprosos". (1)

Oportunas as palavras da Igreja, para refletirmos sobre a íntima união da Igreja com toda a família humana:

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. 

Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história”. (2)

Reflitamos:

- Quais são as enfermidades que ainda hoje levam à exclusão e à marginalização?

- Até que ponto nossa ação também acolhe, liberta e integra na comunidade e na sociedade?

- De que modo os marginalizados e excluídos se abrem para a acolhida e integração na comunidade e na sociedade?

- Como vivemos a fidelidade ao Senhor, tendo d’Ele mesmos pensamentos e sentimentos?

- Como expressamos em nossa vida o amor, a ternura e a bondade de Deus para com o nosso próximo?

- Sabemos renunciar a direitos pessoais por bem maiores em favor de outros?

Sejamos na fidelidade ao Senhor, uma Igreja verdadeiramente misericordiosa e missionária, que viva a acolhida, o perdão, a integração de todos na vida da comunidade, com amor e alegria que gera comunhão, solidariedade e fraternidade.

Deste modo, participaremos da missão da construção do Reino: acolhidos, amados e curados para acolher, amar e curar num círculo que não pode se fechar, interromper.

 

(1) Comentários à Bíblia Litúrgica - Gráfica de Coimbra 2 - pág. 1076-1077

(2) Constituição Pastoral Gaudium Et Spes  sobre a Igreja no mundo atual  (n.1).

Ser cristão: “ser para os outros” (29/10)

                                                      

Ser cristão: “ser para os outros”

 “Mestre, eu Te seguirei aonde quer que Tu vás”
(Mt 8,19)

Na segunda-feira da 13ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22), em que Jesus nos apresenta as exigências para segui-Lo.

Na passagem, Jesus afasta toda e qualquer ilusão: sem medo da insegurança da própria vida, em confiança total no Senhor, acompanhado de despojamento, pobreza, simplicidade de vida, bem como abertura aos desafios que possam surgir no trilhar o caminho, ao segui-Lo.

Assim afirmou o Papa Bento XVI sobre o ser cristão na Carta Encíclica Deus Caritas Est (n.1):

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.

De fato, a mensagem cristã é exigente e não se limita à adesão de uma doutrina, mas uma Pessoa, Jesus.

Com isto, é preciso que oriente, determine o modo de viver, muito mais do que o modo de pensar, tão apenas.

Para seguir Jesus Cristo, é preciso que se vá aonde Ele for, fazer o que Ele faz e como Ele faz, impregnando nossas atitudes de amor, para que estas ações sejam fecundas.

Múltiplas são as formas de ação de pessoas que se decidiram segui-Lo: evangelizando nas casas em todos os lugares (sobretudo em desafiadores espaços, como vilas e favelas, prédios e condomínios); com os enfermos nos hospitais, ou mesmo em suas casas; penitenciárias; em claustros, numa vida consagrada, na oração e serviço pela santificação do mundo; no trabalho com crianças, jovens e idosos e comunidades distantes de nossas cidades.

No testemunho da caridade sublime, participando da política, a fim de que ela seja, de fato, o exercício da promoção do bem comum; em tantas atividades sociais dentro e fora do espaço da Igreja; outros tantos que se dedicam nas inúmeras pastorais de nossas comunidades paroquiais.

Como vemos, ser cristão é configurar-se totalmente a Jesus Cristo, e d’Ele ter mesmos sentimentos, como nos falou o Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses (c.2). E assim, muito mais do que viver não fazendo o mal a ninguém, é preciso escrever uma história de seguimento comprometido na promoção do bem comum, da fraternidade e da paz. Isto é, verdadeiramente, um caminho de santidade, que encontramos apresentado no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Numa palavra final, seguir o Mestre, Jesus Cristo, é seguir e se consumir, cotidianamente, na fidelidade a Ele e à Boa-Nova do Reino, numa vida essencialmente marcada pelo “Ser para os outros”.

Oremos:

"Ó Deus, pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa verdade. Por N.S.J.C., na unidade do Espírito Santo. Amém".


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.964
PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,57-62)

Rejeitados, animados ou censurados?

                                                     

Rejeitados, animados ou censurados?

Retomemos a Liturgia da Palavra da Missa do 13º Domingo do Tempo Comum (ano C), e as palavras do Bispo Santo Agostinho em relação à passagem do Evangelho (Lc 9,51-62):

“Escutai o que Deus me inspirou sobre este capítulo do Evangelho: Nele se lê como o Senhor Se comportou distintamente com três homens.

A um que se ofereceu para segui-Lo, o rejeitou; a outro que não se atrevia, o animou a isso; por fim, a um terceiro que o retardava, o censurou”. (1)

Uma constatação para que sejamos discípulos missionários: tendo sido escolhidos e chamados pelo Senhor para participação nesta missão divina, precisamos ter a prontidão para a partilha da vida e do destino de Jesus, reconhecendo-O e aceitando-O como uma forma pessoal de vida.

Deste modo, ser cristão não é precisamente adesão a uma Doutrina, mas ao seguimento de Jesus, ligando-se plenamente, em comunhão à Sua Pessoa, em adesão total ao Seu Projeto, com novo sentido para a vida, com horizontes novos do Reino cultivados permanentemente no coração.

A adesão incondicional à Pessoa de Jesus, a obediência absoluta a Ele, torna-se, portanto, um ato libertador.

Assim afirma o Missal Dominical:
“Quem segue o Cristo é verdadeiramente homem livre, sem patrões. Um homem livre da escravidão das coisas, do poder, do dinheiro, do sexo, livre sobretudo de si mesmo.” (2)

Deus nos chama para viver na Liberdade, que consiste em viver abertos às novas potencialidades criativas, que são possibilidades de amor, partilha, doação, serviço e comunhão.

Concluindo, podemos afirmar, sem dúvida, que a vocação cristã não é propriedade pessoal, em sua origem, pois tem um Autor exterior à nossa existência:

“É o Senhor que chama, convoca, convida, encaminha e orienta a vida de um homem e de uma mulher, com uma proposta ou uma missão a cumprir”. (3)

Voltando a Santo Agostinho...
O Senhor nos chama:

- podemos ser rejeitados, porque não nos predispomos a viver na liberdade e na gratuidade;

- podemos ser animados, para que nos abramos ao desprendimento e coragem para segui-Lo;

- entretanto, precisamos de abertura às censuras divinas, para que não percamos tempo na emergência de nos colocarmos a serviço do Reino.

Rejeitados, animados ou censurados, como o Senhor Se dirige a cada um de nós? Como nos dirigimos e nos colocamos diante do Senhor, diante do Seu divino chamado?


PS: Liturgia do 13º Domingo do Tempo Comum - Ano C: 1 Rs 19,16b.19-21; Sl 15; Gl 5,1.13-18; Lc 9, 51-62; apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22)

(1)  Lecionário Patrístico Doninical - Editora Vozes - 2013 - p. 669
(2) Missal Dominical - p. 1163
(3) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - 2013 p. 620

Alegria na missão

                                                       

Alegria na missão

Reflexão à luz da passagem da Carta de Paulo aos Gálatas (Gl 6,14-18).

Como membros da Igreja, pelo Batismo, recebemos a graça de sermos sacerdotes, profetas e reis. De fato, pelo Batismo recebemos a graça de sermos Profetas do Reino. 

“Só gerados e alimentados por essa fonte é que poderemos ser novas criaturas. No que diz respeito, Paulo declara que no centro da sua glória não está a observância rigorosa da Lei, mas Cristo Crucificado”. (1)

 “Não nos surpreende ouvir da boca do Mestre que a missão não é fruto de decisões ou de empenhos humanos. O primeiro responsável é o Pai, o dono da seara: a Ele cabe a salvação dos homens, é Ele que suscita os anunciadores do Reino.

Por isso o missionário é sereno e corajoso no anúncio, atua na confiança e na ausência total de seguranças ou de recursos materiais, não se deixa tentar pelo fascínio da imposição forçada, não impressiona o auditório com meios poderosos ou efeitos especiais, está consciente de que a fecundidade da missão está toda na força inerme da Palavra de que é arauto, uma Palavra capaz de curar e libertar todas as enfermidades”. (2)

A Deus, supliquemos graça para vivermos a nossa vocação batismal, plenamente disponíveis para o anúncio do Reino de Deus; com a imprescindível coragem apostólica e liberdade evangélica, iluminando todos os lugares em que vivamos, com a luz da Palavra de Amor e de paz, como alegres e convictos discípulos missionários do Senhor!


(1)  Lecionário Comentado - Volume I Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - pág. 669.
(2)  Idem pág. 670.

Peregrinos da esperança: graça e missão pelo Senhor confiada

                                                 


Peregrinos da esperança: graça e missão pelo Senhor confiada

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Evangelho de São Lucas escrito por São Cirilo de Alexandria, Doutor da Igreja (séc. V):

“Sendo que Cristo tinha dito: A messe é grande, mas os operários são poucos, novamente designou com os primeiros a outros setenta e dois e os enviou a sua frente a todos os povos e cidades da Judeia para que fossem precursores e falassem d’Ele. Os enviou deslumbrantes com a graça do Espírito santo e coroados com o poder de realizar milagres...

Na verdade, receberam o poder de repreender aos espíritos maus e de esmagar satanás, não para atrair a atenção sobre eles mesmos, mas para que Cristo fosse exaltado por aqueles catecúmenos que cressem que Cristo era Deus e Filho de Deus por natureza. E fosse tal o louvor, a preeminência e o poder, que tivessem também a potestade de esmagar satanás sob seus pés.

Os enviou muito bem-adornados com as dignidades apostólicas e os revelou capacitados com a ajuda da graça do Espírito Santo. Conferiu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos para que pudessem esconjurá-los.

Como já manifestei, tendo realizado muitos prodígios, estes regressaram dizendo: Senhor, até os demônios se submetem a nós por causa de teu nome.

Como já disse anteriormente, (o Senhor) estava cheio de alegria, ou seja, exultava, porque sabia bem que aqueles que tinha enviado haviam favorecido a muitos, e eles mesmos tinham aprendido sua glória por experiência. Portanto, aquele que é bom e ama aos homens, querendo salvar a todos os homens se torna em causa de alegria, conversão dos equivocados, luz dos que estão nas trevas e conversão dos ignorantes e indóceis mediante o reconhecimento da glória divina.

Deu aos santos apóstolos a autoridade e poder até mesmo para ressuscitar os mortos, limpar os leprosos, curar os enfermos e invocar o Espírito Santo sobre aqueles aos quais impunham as mãos.

Conferiu-lhes o poder de atar e desatar os pecados dos homens. Asseguro-vos, disse Ele, que tudo o que atares na terra será atado nos céus, e tudo o que desatares na terra será desatado no céu.

Na condição na qual nos encontramos, isto é o que podemos ver, e bem-aventurados sejam os nossos olhos e os de todos os que amam a Cristo.

Escutamos o Seu sagrado ministério. Ele nos ensinou as coisas que se referem a Deus Pai, e os mostrou a nós em Sua própria natureza. Aquelas coisas que graças a Moisés eram tipos e figuras, Cristo as manifestou diante de nós em verdade.

Aprendemos a adorar ao que é incorpóreo, imaterial e incompreensível a todo raciocínio, não com sangue e fumaça, mas com sacrifícios espirituais.” (1)

Somos peregrinos de esperança, e o Senhor nos confia e nos envia em missão, com a graça do Espírito Santo e coroados com o poder de realizar milagres.

Ontem, hoje e sempre, anunciamos e testemunhamos o Senhor, a quem rendemos toda honra, glória e poder.


Não podemos desistir diante de eventuais dificuldades, mas seguir sempre em frente, colocando-nos como frágeis instrumentos na vinha do Senhor. Amém.

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pág. 671-672


domingo, 28 de junho de 2026

Paulo: um Apóstolo apaixonado por Cristo

                                                        



Paulo: um Apóstolo apaixonado por Cristo

O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Gálatas (Gl 6,14-18), nos exorta ao testemunho radical que passa pela cruz, para alcançarmos a glória, e assim possa nascer em nós a vida do Homem Novo.

O Apóstolo declara que, no centro da sua glória, encontra-Se o Cristo crucificado e não a observância rigorosa da Lei:

“Paulo acreditou tanto nisso que apostou a sua vida inteira nesta certeza, até sentir-se crucificado com Cristo (cf v. 14), trazendo ‘no seu corpo’ os sinais de uma permuta existencial de participação no Mistério da Paixão de Cristo.

A conformidade com a Cruz marcou o seu próprio corpo, como testemunham ‘os estigmas’ dos sofrimentos provocados pelo seu ministério apaixonado”. (1)

Deste modo, para que vivamos o discipulado com fidelidade, precisamos ser gerados e alimentados pela Divina Fonte da Eucaristia, a fim de que sejamos “novas criaturas”, carregando com fidelidade nossa cruz, cotidianamente.

Na saudação final, invoca a “graça de Cristo” sobre a comunidade, pois esta é fundamental para que se viva a comunhão e a solidariedade na missão, e em todos os momentos, não obstante às dificuldades e incompreensões que tenhamos que suportar.

Oremos:

“Senhor Deus, que na vocação batismal nos chamais a estar plenamente disponíveis para o anúncio do Vosso Reino, concedei-nos a coragem apostólica e a liberdade evangélica, para que levemos a todos os ambientes da vida a Vossa Palavra de amor e de paz. Amém” (2)



(1)         Lecionário Comentado – Editora Paulus – Vol. I do Tempo Comum – p.669
(2)        Idem p.672

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