Nele encontramos forças para alcançarmos a vida plena e digna já, nesta travessia por que passamos, até que um dia possamos na glória dos céus, entrar, e a face do Pai contemplar, na plena comunhão do Espírito, vivendo e crendo em Jesus, que Se fez o Caminho, a Verdade e a Vida.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Humildade e mansidão do Senhor (XIVDTCA)
Humildade e mansidão do Senhor
"Vinde, pois, e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração!"
Na Liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum (ano A) ouvimos a passagem do Evangelho (Mt 11,25-30), e somos enriquecidos com o Sermão do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV), refletindo sobre a humildade e mansidão de coração de Nosso Senhor.
“Vês, amante de Cristo, quanta seja a misericórdia do Criador para conosco?
Vês como nas mesmas ameaças brilha a benignidade? Vês como Sua misericórdia se antecede a Sua indignação? Vês como o castigo é superado pela bondade?
Isto não é maravilhoso! Porque Ele mesmo é manso e benigno Senhor nosso, e solícito, como é de Seu costume, de nossa salvação, que claramente nos fala no Evangelho, como a pouco nos fazia quando nos lia:
Vinde a mim e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração! Quanto Se abaixa o Criador, e, apesar disso, a criatura não O reverencia!
Vinde e aprendei de mim!, disse o Senhor quando veio aos Seus servos para consolá-los em suas quedas. Assim Cristo Se porta conosco, e assim nos demonstra a Sua misericórdia.
Quando convinha castigar os pecadores e acabar com sua espécie que O irritou, justamente então Se dirige aos réus com Palavras brandas e lhes diz:
Vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Deus Se humilha e o homem se ensoberbece!
Manso é o juiz e soberbo o réu! Humilde voz lança o artífice, e o barro fala como se fosse algum rei! Ó, vinde e aprendei de mim, que Sou manso e humilde de coração!
Não vos curvaram os acontecimentos anteriores; não vos amansaram os que logo se seguiram; nem finalmente os que ao pouco sobrevieram!
Porém Ele, como então, também agora, uma vez que fez tremer as criaturas, logo as pacificou com a Sua misericórdia. Vinde, pois, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração!
Ele não vem com chicote para açoitar, mas com nossa natureza para curar! Vinde e vede Sua inefável bondade!
Quem não ama ao amo que não açoita? Quem não se admira do juiz que suplica ao réu? Te enches completamente de admiração a humildade de Suas Palavras?
Sou Artífice e amo a minha obra! Eu sou Obreiro e perdoo aquele que Eu mesmo inventei! Se eu uso do supremo direito que me dá minha dignidade, não levantarei a humanidade caída; e como ela padece de uma enfermidade incurável, se não uso de remédios suaves, ela não poderá se curar!
Se não trato a humanidade e a pessoa humana com benignidade, perece! Se somente uso de ameaças, perde-se! Por isto, aplico, como a quem está caído, medicamentos de suavidade. Abaixo-me ao máximo na comiseração para levantá-la de sua queda!
Aquele que está em pé não consegue levantar ao caído se não abaixar sua mão. Pois vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Não falo para ostentação: pelos fatos vos dei experiência. Que Eu seja manso e humilde de coração, podes deduzir do estado em que me vês e ao qual Eu vim.
Analisa minha forma e qual seja minha dignidade: medita-o e adora-me! Por ti me humilhei! Pensa de que lugar desci e em que lugar falo contigo.
Sendo o céu meu trono, agora falo contigo na terra. Nas alturas sou glorificado, porém, como magnânimo, não me encolerizo, porque sou manso e humilde de coração!
Se Eu não fosse um manso Filho do Rei, não teria escolhido por mãe uma serva.
Se Eu não fosse manso, o Artífice das substâncias visíveis e invisíveis, não teria me desterrado aqui convosco.
Se não fosse manso, não teria estado Eu, o Pai do século futuro, envolto em pano.
Se não fosse manso, não teria suportado a pobreza do presépio, Eu que possuo todas as riquezas de todas as criaturas.
Se não fosse manso, não me teria encontrado entre animais, Eu a quem os querubins não ousam olhar.
Se Eu não fosse manso, que com minha saliva dou vista aos cegos, jamais teria sido cuspido pela boca de homens maus.
Se não fosse manso, nunca teria tolerado a bofetada de um servo, Eu que sou quem dá liberdade aos servos.
Se não fosse manso, jamais teria apresentado minhas costas aos açoites em benefício dos escravos.
Mas por que não digo o que é ainda maior?
Se eu não fosse manso, nunca teria carregado a dívida de morte, Eu que nada devia, em lugar daqueles que deviam padecê-la.” (1)
Concluindo, a mansidão do Senhor e o Seu Amor dão “vertigem”, porque ultrapassam todas as medidas, parâmetros, lógicas humanas.
Neste Coração manso e humilde, o discípulo amado recostou sua cabeça.
Neste mesmo coração também podemos, quantas vezes quisermos, o mesmo fazer, para que nos sintamos amados, perdoados, e renovados para carregar, com fidelidade e coragem, nossa cruz.
Neste Coração manso e humilde encontramos espaço, porque dilatado na Cruz, para que nele coubéssemos.
Nele encontramos forças para alcançarmos a vida plena e digna já, nesta travessia por que passamos, até que um dia possamos na glória dos céus, entrar, e a face do Pai contemplar, na plena comunhão do Espírito, vivendo e crendo em Jesus, que Se fez o Caminho, a Verdade e a Vida.
Também n'Ele, os enfermos renovam forças; desesperados reencontram a esperança; os fracassos superados seguidos de vitórias; entristecidos reencontram a alegria; aflitos reencontram a paz; pecadores, a pureza de alma; ansiosos, a serenidade; dependentes, a sobriedade; os apáticos e indiferentes se libertam destas amarras em sadios compromissos com a Boa Nova do Reino.
Neste Coração manso e humilde...
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 267-268.
“Vinde a mim...”: um amoroso convite (XIVDTCA)
“Vinde a mim...”: um amoroso convite
A Liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-30), e somos enriquecidos com a Catequese Batismal de São João Crisóstomo, Bispo e Doutor da Igreja (séc. V).
“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos e Eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Vistes maior superabundância de bondade? Percebes a generosidade do convite? Vinde a mim – diz – todos vós que estais cansados e fatigados. Amoroso o convite! Inefável a bondade!
Vinde a mim todos: não somente os que ordenam, mas também os que obedecem; não somente os livres, mas também os escravos; não somente os homens, mas também as mulheres; não somente os jovens, mas também os anciãos; não somente os de corpo são, mas também os aleijados e entrevados, todos – diz – vinde. Tais são, realmente, os dons do Senhor: não conhece diferença entre escravo e livre, nem entre rico e pobre, mas toda esta desigualdade está rejeitada: Vinde – diz – todos vós que estais cansados e fatigados.
Observa a quem Ele chama: aos que se esgotaram completamente nas iniquidades, aos que estão oprimidos pelos pecados, aos que nem sequer podem mais levantar a cabeça, aos que estão mortos de vergonha, aos que mais estão privados de confiança para falar. E por que os chama? Não para pedir-lhes conta, nem para estabelecer um tribunal. Então, para quê? Para fazer-lhes descansar de seu cansaço, para tirar-lhes a sua carga pesada.
E será que poderia acontecer algo mais pesado do que o pecado? Este, na realidade, por mais que tantas vezes não o sintamos ou queiramos ocultá-lo das pessoas comuns, é aquele que desperta contra nós o juiz incorruptível que é a nossa consciência, e ela, sempre alerta, vai tornando nossa dor contínua, como um carrasco que dilacera e sufoca a mente, mostrando desta forma a enormidade do pecado. Aos que estão, pois, oprimidos pelo pecado – diz –, e como sobrecarregados por uma carga, a estes aliviarei agraciando-lhes com o perdão de seus pecados. Unicamente, vinde a mim! Quem será tão de pedra, quem tão teimoso que não obedeça a um convite tão bondoso?
Em seguida, para ensinar-nos também de que modo alivia, acrescenta: Tomai sobre vós o meu jugo. ‘Entrai, diz, sob o meu jugo. Porém não vos assusteis ao ouvir jugo, porque este jugo nem roça o pescoço nem faz abaixar a cabeça; ao contrário, ensina a pensar nas coisas do alto e forma na verdadeira filosofia.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei: ‘Unicamente, entrai sob o jugo e aprendei. Aprendei, ou seja: aplicai o ouvido, para poder aprender de mim’. De fato, não vou exigir de vós nada pesado: vós, meus escravos, imitai a mim, vosso amo; vós que sois terra e pó, imitai a mim, feitor do céu e da terra, vosso Criador: Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.
Vês a condescendência do Senhor? Vês sua inconcebível bondade? Não nos exigiu algo pesado ou odioso. Realmente, ele não disse: ‘Aprendei de mim que realizei prodígios, que ressuscitei mortos, que fiz milagres’. Tudo isso era unicamente próprio de seu poder. Então, o quê? Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Percebes como são grandes os benefícios e a utilidade deste jugo?
Portanto, o que foi considerado digno de entrar sob este jugo e é capaz de aprender do Senhor a ser manso e humilde de coração, obterá para a sua alma todo o alívio. Este é, realmente, o ponto capital de nossa salvação: quem é possuidor desta virtude, mesmo que esteja unido ao corpo, poderá rivalizar com os poderes incorpóreos e já não ter nada em comum com o presente”. (1)
Jesus nos faz um amoroso convite e espera a nossa resposta. Acorramos ao Senhor, sem demora, e n’Ele encontraremos acolhida amorosa.
Refaçamo-nos de nossos cansaços, para continuarmos nosso discipulado: Seu jugo é suave e Seu fardo é leve.
Vivamos na vigilância e solidariedade para fazermos nossa travessia pelo mar revoltoso do medo e das dificuldades, no mesmo barco e debaixo da mesma tempestade. Mas certíssimos da Sua presença que nos ajuda a vencer todo o medo.
Carreguemos, portanto, com coragem e confiança nossa cruz cotidiana, certos de que não a carregamos sozinhos. E supliquemos humildemente:
Vivamos na vigilância e solidariedade para fazermos nossa travessia pelo mar revoltoso do medo e das dificuldades, no mesmo barco e debaixo da mesma tempestade. Mas certíssimos da Sua presença que nos ajuda a vencer todo o medo.
Carreguemos, portanto, com coragem e confiança nossa cruz cotidiana, certos de que não a carregamos sozinhos. E supliquemos humildemente:
“Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!”
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 170-172
A Lei do Reino de Deus (XIVDTCA)
A Lei do Reino de Deus
“Vinde a mim, todos vós que
estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e
Eu vos darei descanso.” A Lei do Reino de Deus consiste
no amor aos pobres, humildes e pequenos, assim como Jesus o fez. É o que
contemplamos na passagem do Evangelho do 14º Domingo do Tempo Comum (ano A) -
(Mt 11,25-30).
Oremos:
Ó Senhor, nós cremos que Vos
revelastes a todos, mas os sábios, ontem e hoje, tornam, muitas vezes, ineficaz
e vã a revelação de Deus, porque não abrem o coração a Vós.
Quando pregastes em nosso meio,
os inteligentes e os sábios, os mestres religiosos do templo, os escribas, os
fariseus, conhecedores da lei e hábeis manipuladores das tradições, embora
possuindo o conhecimento da Lei, tornaram-se opressores e sobrecarregam os
ombros dos pobres e dos ignorantes de pesos insuportáveis, que se quer tocaram
nem com um dedo! (Lc 11, 46).
Vós, ao contrário, Senhor,
chamastes a Si os que estão fatigados e oprimidos, e o jugo que lhes impusestes
foi suave e o fardo leve.
Oferecestes, ontem e hoje, Vosso
suave jugo, não por ser ele menos exigente, com moralidade permissiva e
licenciosa, mas porque Vós, Senhor, com Vossa solidariedade e participação
concreta, o tornastes leve.
Vós sois, Senhor, o primeiro dos
pobres, dos simples, dos mansos, carregando, na frente, a Cruz sobre Vossos
ombros.
Vossa proximidade torna
suportável e leve a cruz de todos nós, Vossos discípulos missionários que Vos
seguimos, no anúncio e no testemunho.
Cremos e procuramos viver a Lei
do Reino de Deus, por vós anunciada e vivida, que consiste na Lei do Amor em
favor dos mais pequeninos, dos mais pobres.
Cremos e Vos louvamos, Senhor,
que, por Vossa ação entre nós, nos revelastes um Deus que escolhe os humildes,
os simples, os ignorantes.
Aprendemos convosco a Lei do
grão de mostarda, dos inícios humildes e ocultos, assim como Paulo, Vosso amigo
e corajosa testemunha, o fez e proclamou aos irmãos da Comunidade de Corinto:
“Considerai, de fato, o vosso
chamado, irmãos: não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos
poderosos, nem muitos nobres.
Deus escolheu o que é tolo, no
mundo, para confundir os sábios; Deus escolheu o que é fraco, no mundo, para
confundir os fortes, Deus escolheu o que é ignóbil e desprezado e o que nada é,
para reduzir a nada as coisas que são, a fim de que ninguém possa gloriar-se
diante de Deus” (1Cor 1, 26-29).
Dai-nos força, Senhor, para que,
a Vosso exemplo, carreguemos o jugo da cruz, com amor e fidelidade, sem jamais
esmorecer e, se quedas houver, saibamos que estais conosco neste erguer e
continuar do caminho que nos leva à glória, mas que passa, necessariamente,
pelo carregar da cruz de cada dia, acompanhado de renúncias de nós mesmos, para
maior disponibilidade a Vós; e nos pobres e pequenos, Vos amar e servir. Amém!
“Vinde a mim, todos vós que
estais cansados e fatigados
domingo, 28 de junho de 2026
Em poucas palavras... (São Pedro e São Paulo)
São Pedro e São Paulo: Amigos de Deus
“Eis os santos que, vivendo
neste mundo,
Plantaram a Igreja,
Regando-a com seu sangue.
Beberam do cálice do Senhor
E se tornaram amigos de
Deus.” (1)
(1)
Antífona de entrada da Missa do dia –
Solenidade São Pedro e São Paulo, Apóstolos.
Paulo: um Apóstolo apaixonado por Cristo
Paulo: um Apóstolo apaixonado por Cristo
O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Gálatas (Gl 6,14-18), nos exorta ao testemunho radical que passa pela cruz, para alcançarmos a glória, e assim possa nascer em nós a vida do Homem Novo.
O Apóstolo declara que, no centro da sua glória, encontra-Se o Cristo crucificado e não a observância rigorosa da Lei:
“Paulo acreditou tanto nisso que apostou a sua vida inteira nesta certeza, até sentir-se crucificado com Cristo (cf v. 14), trazendo ‘no seu corpo’ os sinais de uma permuta existencial de participação no Mistério da Paixão de Cristo.
A conformidade com a Cruz marcou o seu próprio corpo, como testemunham ‘os estigmas’ dos sofrimentos provocados pelo seu ministério apaixonado”. (1)
Deste modo, para que vivamos o discipulado com fidelidade, precisamos ser gerados e alimentados pela Divina Fonte da Eucaristia, a fim de que sejamos “novas criaturas”, carregando com fidelidade nossa cruz, cotidianamente.
Na saudação final, invoca a “graça de Cristo” sobre a comunidade, pois esta é fundamental para que se viva a comunhão e a solidariedade na missão, e em todos os momentos, não obstante às dificuldades e incompreensões que tenhamos que suportar.
Oremos:
“Senhor Deus, que na vocação batismal nos chamais a estar plenamente disponíveis para o anúncio do Vosso Reino, concedei-nos a coragem apostólica e a liberdade evangélica, para que levemos a todos os ambientes da vida a Vossa Palavra de amor e de paz. Amém” (2)
(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Vol. I do Tempo Comum – p.669
(2) Idem p.672
“O apostolado nasce do amor e exerce-se no amor” (São Pedro e São Paulo)
“O apostolado nasce do amor e exerce-se no amor”
Na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, refletimos sobre o exemplo de fidelidade a Jesus e o corajoso testemunho do Projeto Libertador de Deus que os impulsionou.
Consumiram a própria vida por Cristo, consumaram pelo martírio, tamanho amor vivido, tiveram o coração por Cristo plenamente conquistado.
A passagem da primeira Leitura (At 12, 1-11) nos revela o Amor zeloso de Deus àqueles a quem chama, ama e envia, bem como o carinho, a Oração e a solidariedade da comunidade pelos líderes da Igreja e por toda a Igreja.
Numa bela catequese, Lucas retrata o cuidado que Deus tem para com a Sua Igreja. Não foram fáceis os primeiros momentos da Igreja nascente: perseguição, incompreensão e martírio.
Os Apóstolos, como Tiago, beberam do mesmo cálice, como o Senhor anunciara (Mc 10,38). Estes continuam a missão de Jesus que, por Sua presença, agindo e libertando, é o selo da autenticidade da missão realizada.
Assim acontecerá com toda comunidade que viver a fidelidade e a radicalidade do Evangelho, em todo lugar e em qualquer tempo.
A passagem da segunda Leitura (2Tm 4,6-8.17-18) é um texto comovente e questionador, pois reflete sobre a pessoa, a missão e o caminho feito por Paulo, marcado pelo entusiasmo, entrega, fidelidade e radicalidade no seguimento do Senhor. Paulo é dom total da sua vida, para que a Salvação chegue a todos os povos.
O Apóstolo Paulo tem a preocupação de que a comunidade não se desvie pelas falsas doutrinas, mas fique firme no Evangelho por ele anunciado.
Neste sentido, exorta para que Timóteo reavive a chama da fé, renovando o entusiasmo na fidelidade ao Senhor. Paulo sabe que percorreu um caminho difícil e que vale a pena; um caminho que conduz, necessariamente, à vida plena.
Por tudo isto, se apresenta como modelo de testemunho, e inspirador para todo aquele que quiser o Senhor seguir, anunciar, testemunhar; pois combateu o bom combate da fé.
Se nos deixarmos conquistar totalmente pelo Amor de Cristo, também cumpriremos atos de heroísmo, como estas duas colunas da Igreja.
Jamais nos falte a graça deste amor, para que superemos e afastemos toda e qualquer forma de presunção, acolhendo a força de Deus em nossa fragilidade.
A passagem do Evangelho (Mt 16,13-19), apresenta na primeira parte, uma instigante pergunta – “quem é Jesus para nós?”. A resposta de Pedro é a mais bela possível: “ Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”; e, na segunda, nos apresenta a missão da Igreja na pessoa de Pedro.
Jesus não quis averiguar Seu “índice de popularidade”, mas desejava que os discípulos tivessem a verdadeira compreensão de Sua identidade: quem é Jesus e qual é a Sua missão, considerando que, na passagem proclamada, Ele tem no Seu horizonte o destino da Cruz.
As respostas superficiais levam ao seguimento na mesma medida, e até mesmo ao abandono. É preciso captar a profundidade do Mistério de Jesus: unidade e intimidade com o Pai para realizar o Projeto Salvador com a força do Santo Espírito.
Por isto, edifica a Igreja sobre a fé de Pedro para continuar a Sua missão. Jesus confia a Pedro as chaves para ligar e desligar, acolher ou excluir, porque não há admissão à comunidade sem a adesão às Suas propostas.
Assim como a tríplice negação de Pedro foi acompanhada de um triplo ato e profissão de amor, também nós o façamos, para não recuarmos em nossa missão e fidelidade ao Projeto que Deus tem para cada um de nós realizar.
Do amor que nos consome por sermos conquistado por Cristo, nasce o serviço que devemos cumprir, amando a Igreja com suas sombras e luzes, pecado e graça, alegrias e tristezas...
Nesta Solenidade, não sejamos econômicos em rezar por toda a Igreja, e de modo especial pelo Papa, que continua a missão de Pedro, confiada por Jesus.
O amor à Igreja e ao Papa devem caminhar sempre juntos em nosso Apostolado, haja vista que:
“O que vale para Pedro, vale para cada Papa e para cristão. Exercemos já talvez atividades na Paróquia; façamos com que sejam feitas com amor. Ou então, poderíamos cumpri-las, mas ainda não nos decidimos: esforcemo-nos para que isso aconteça o mais depressa possível, preparemo-nos, atuemos por amor.
O apostolado nasce do amor e exerce-se no amor. É o que nos dizem, na sua atividade concreta, os dois Santos que festejamos. [...] A Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo quer despertar em nós o compromisso pelo apostolado no amor.” (1)
Reflitamos:
- Qual é o lugar que Jesus ocupa em minha existência?
- Quem é Jesus Cristo para mim?
- Por que sou e estou na Igreja?
- Sinto-me membro vivo de uma comunidade estruturada para amar e servir na fidelidade ao Divino Mestre?
- O que a fé testemunhada de Pedro e Paulo me inspira, questiona, para melhor seguir o Senhor e viver mais plenamente o Evangelho?
- Sinto meu apostolado nascer do amor e por amor a Jesus?
- Quanto e quando rezo pela Igreja e pelo Papa?
Pai Nosso que estais nos céus...
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (São Pedro e São Paulo)
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”
Eis a resposta de Pedro à pergunta que Jesus fez sobre Sua identidade: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)
O Bispo Santo Irineu (séc. II), com poucas palavras descreve o que significa o nome de Cristo:
“É, aliás, o que indica Seu próprio nome, pois no nome de Cristo está subentendido Aquele que ungiu, Aquele que foi ungido e a própria Unção com que Ele foi ungido: Aquele que ungiu é o Pai, Aquele que foi ungido é o Filho, e o foi no Espírito, que é a Unção” (1).
No Mistério da Santíssima Trindade, contemplamos a comunhão de três Pessoas e um só Deus: o Pai ungiu, o Filho foi ungido e a Unção é o próprio Espírito.
Esta definição nos remete à afirmação do Bispo e Doutor da Igreja, Santo Agostinho (séc. V): “Com efeito, são Três: o Amante, o Amado, o Amor.”; “E não mais que Três: um que ama aquele que procede dele, um que ama aquele do qual procede, e o amor mesmo.” (2)
Pelo Batismo somos ungidos pelo óleo, e também no Sacramento da Crisma, quando recebemos a plenitude dos dons do Espírito, quando na unção se diz, ao assinalar a fronte do crismando: “Recebe por este sinal + o Espírito Santo, o dom de Deus”.
Deste modo, também somos ungidos, marcados pelo selo do Espírito para ser sinal de Deus no mundo, proclamando e testemunhando a Boa-Nova que o Senhor nos anunciou e ao mundo nos enviou para continuar a Sua missão.
Contemplemos a Santíssima Trindade, e mergulhemos no Mistério imenso e intenso de amor destas três Pessoas.
(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 438
(1)De Trinitate – Santo Agostinho – citado em Teologia da Ternura – um “evangelho” a descobrir - Carlo Rochetta - Editora Paulus – pág. 318
Reflexão apropriada para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,18-24)
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