sábado, 3 de outubro de 2026
A missão cristã e a política são indissociáveis
A missão cristã e a política são indissociáveis
“Alegres por causa da esperança”
(Rm 12,12)
Retomemos um trecho do parágrafo 46 da Carta Apostólica “Octogésima Advenies”, escrita pelo Papa São Paulo VI, ao celebrar o octagésimo aniversário da Rerum Novarum, que nos fala sobre um tema que está na pauta do dia: a política, sobretudo neste período que antecede as Eleições Municipais em nosso país.
O poder político a serviço do bem de todos e além das fronteiras nacionais:
“Atendo-se, pois, à sua vocação própria, o poder político deve saber desvincular-se de interesses particulares, para poder encarar a sua responsabilidade pelo que se refere ao bem de todos os homens, passando mesmo para além das fronteiras nacionais”.
A política tomada a sério, em seus diversos níveis, na promoção do bem comum:
“Tomar a sério a política, nos seus diversos níveis, local, regional, nacional e mundial, é afirmar o dever do homem, de todos os homens de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade”.
Uma definição do que vem a ser a política:
“A política é uma maneira exigente - se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros. Sem resolver todos os problemas, naturalmente, a mesma política esforça-se por fornecer soluções, para as relações dos homens entre si”.
O campo de atuação e domínio da política:
“O seu domínio é vasto e abrange muitas coisas, não é porém, exclusivo; e uma atitude exorbitante que pretendesse fazer da política algo de absoluto, tornar-se-ia um perigo grave”.
A autonomia da realidade política e o compromisso dos cristãos em coerência ao Evangelho:
“Reconhecendo muito embora a autonomia da realidade política, esforçar-se-ão os cristãos, solicitados a entrarem na ação política, por encontrar uma coerência entre as suas opções e o Evangelho e, dentro de um legítimo pluralismo, por dar um testemunho, pessoal e coletivo, da seriedade da sua fé, mediante um serviço eficaz e desinteressado para com os homens”.
Retomar este parágrafo é enriquecedor, para que vejamos a necessária superação de apatia, indiferença e omissão diante da atuação política, como tem insistido o Papa Francisco em seus pronunciamentos e encontros.
Em poucas palavras... (Eleições)
Eleições 2022
“Assim, conclamamos, mais uma vez, toda a sociedade brasileira a participar ativa e pacificamente das eleições, escolhendo candidatos e candidatas, para o executivo (presidente e governadores) e o legislativo (senadores e deputados federais, estaduais e distritais), que representem projetos comprometidos com o bem comum, a justiça social, a defesa integral da vida, da família e da Casa Comum.” (1)
PS: https://www.cnbb.org.br/mensagem-da-cnbb-ao-povo-de-deus-aprovada-na-56a-ag/
A Política como sublime vocação
A Política como sublime vocação
É fundamental, sobretudo no momento que estamos vivendo, com a proximidade das eleições gerais (para Presidente, Senador, Deputado Federal e Estadual, Governador), valorizarmos os espaços de reflexão para o discernimento de nossas escolhas (voto), e valioso conteúdo, encontramos na cartilha que está sendo divulgada em nossa Diocese.
Sempre oportunas as palavras do Papa Francisco: “Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum.... Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres” (cf. Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” n. 205).
É preciso que a política seja de fato uma “sublime vocação”; “uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”, sobretudo quando a realidade nos apresenta uma face maculada pela corrupção em todos os âmbitos, de modo especial na política, pelo descaso com o bem público, absurda indiferença na promoção do bem comum, com a objetivação de interesses pessoais mesquinhos, que fazem multiplicar a dor e o sofrimento de milhões de empobrecidos, privados do pão, da moradia, da educação, da saúde, lazer e muito mais que lhes seria pleno direito como cidadãos.
Nas eleições, é preciso que sejamos criteriosos em nossas escolhas, não vendendo nosso voto, nem trocando por favores, de modo que nossas escolhas sejam expressão consciente, pois, ainda que não pareça, nosso voto tem um “preço” altíssimo, que incide decididamente em toda a nossa vida, positiva ou negativamente.
Abertos à ação do Espírito, que nos fortalece na vocação profética, dom divino e resposta humana, empenhemo-nos na construção de uma nova realidade de vida plena e feliz para toda a humanidade, tendo a política, precioso e indispensável instrumento.
Ontem e hoje, o mundo precisa de Profetas, pessoas que não cedam à idolatria e injustiças, e se coloquem como vozes de Deus na defesa dos pequenos, dos pobres, dos excluídos, porque gozam de especial amor e predileção por Deus, como nos revela a Sagrada Escritura.
Cidades mais humanas
Cidades mais humanas
“Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago”
(Lc 10,18)
Os cristãos, de modo especial, em coerência com a Palavra Sagrada, que creem na fé que professam, denunciam a servidão de homens e mulheres aos poderes econômicos e políticos de qualquer tipo; colaborando na edificação de um universo mais humano; colaborando para a libertação de atavismos (heranças) e hábitos, do legalismo frio e que rouba a beleza da vida, bem como sacralizações ilusórias que em nada colaboram para a sacralidade da vida humana, desde sua concepção até seu declínio natural.
Muito mais do que denunciar as alienações, é preciso que curemos as chagas que ferem a humanidade.
Deste modo, é missão da Igreja lembrar a todos que não somos donos de nós mesmos, e somos todos responsáveis uns pelos outros, a fim de favorecer vida digna para todos; livre de toda forma de exclusão.
Como nos diz o Senhor no Evangelho de Lucas (Lc 10,17-24), somos capazes e se faz necessário fazer Satanás “cair do céu’”, tornando nossas cidades mais humanas.
Sejam fortalecidas todas as lutas contra as segregações de toda sorte; suprimidas todas as causas da opressão; reformadas as estruturas políticas, quando estas se mostram incapazes de resolver os problemas da sociedade moderna (moradia, ensino, cultura, lazer...).
Multipliquem-se todo trabalho e empenho, para que sejam aliviadas enfermidades; idosos acolhidos e amparados em direitos sociais já adquiridos e que sejam assegurados.
Vençamos toda forma de isolamento, bem como sejam repelidas todas as pressões ou situações que levem as pessoas ao vício e à injustiça, e à expressão máxima, que se vê aumentando dia pós dia, o suicídio.
É sempre oportuno e necessário refletir sobre a missão da Igreja, considerando que é tempo de evangelizar, como nos lembram as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil (2019-2023) (Documento 109 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB):
“EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”.
Eis a missão da Igreja, como sal da terra e luz do mundo e fermento na massa, em total fidelidade ao Senhor, que nos enviou ao subir para o céu, nos comunicando a presença e a ação do Espírito que vem em socorro de nossa fraqueza, firmando nossos passos em santos propósitos, para que construamos cidades mais humanas e mais fraternas, onde Deus seja visto com maior nitidez aos nossos olhos, em sorrisos e pessoas felizes, com dignidade e encantamento pela vida.
Fonte inspiradora:
Evangelho de Lucas (Lc 10,17-24)
Sabedoria e humildade nos levam ao céu
Sabedoria e humildade nos levam ao céu
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10,17-24), sobre a oração, a sabedoria e humildade que nos levam ao céu.
A Oração de Jesus:
“Eu Te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos...”
O comentário do Missal Cotidiano:
“O Reino que se avizinha inverterá os valores e realidades humanas, favorecendo, sobretudo os pequeninos, os simples, os pobres de Deus, a saber, o que está convencido da própria insignificância e nulidade, e se deixa penetrar pela sabedoria de Deus.”
E ainda:
“Os humildes e simples estão em comunicação direta com Deus, ‘verão a Deus’.”
“Os humildes e simples estão em comunicação direta com Deus, ‘verão a Deus’.”
A afirmação de uma sábia Doutora da Igreja – Santa Teresa do Menino Jesus:
“Sinto que se, por impossível, achasses uma alma mais frágil, menor que a minha, comprazer-te-ia em ajudá-la com favores ainda maiores, se se abandonasse com inteira confiança à Tua misericórdia infinita”.
O ecoar de um cântico: o Magnificat, que assim Maria viveu:
“Ele pôs os olhos sobre a humilhação de Sua serva; doravante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada” (Lc 1,48)
O desafio cristão:
Que vivamos tal qual Maria, como os pobres mencionados pelo Senhor, Santa Terezinha e tantos outros...
Que vivamos tal qual Maria, como os pobres mencionados pelo Senhor, Santa Terezinha e tantos outros...
O que alcançaremos no tempo presente:
A felicidade, a luz, a alegria, o amor...
A felicidade, a luz, a alegria, o amor...
E, no final dos tempos ou de nossa vida:
A Eternidade, o Céu! Aleluia!
A Eternidade, o Céu! Aleluia!
A verdadeira Felicidade
A verdadeira Felicidade
Jesus voltou-Se para os
discípulos e disse-lhes em particular:
“Felizes os olhos que veem o que vós vedes!”
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos à ação da Vossa graça em nossas vidas,
Que nos revigora para gerar e formar Cristo em nós e nos outros.
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando abrimos o coração para acolher Vossa presença na Palavra,
Na Eucaristia, de modo sublime, e no próximo, que é também Vossa morada.
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos à ação do Espírito Santo, e por Ele somos conduzidos.
Suportando as adversidades do deserto por que temos que passar.
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos à sabedoria maior que vem do Santo Espírito,
Reconhecedores de nossa fragilidade e pequenez diante de Vós.
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos e mergulhamos em Vosso Mistério,
Que nos abre para as realidades eternas e imutáveis.
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos sentimos envolvidos pelo Vosso Amor no mais profundo das
Entranhas de nossa alma e coração.
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando nos abrimos aos Vossos desígnios e, com alegria e ardor,
Do Vosso Reino nos tornamos humildes instrumentos.
Concedei-nos, Senhor, a verdadeira felicidade que somente de Vós procede,
Quando aspiramos as coisas do alto, onde estais glorioso,
À direita do Pai, na comunhão com o Espírito Santo. Amém.
PS: Inspirado na passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10, 17-24)
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
“Infância espiritual”: conquista da maturidade
“Infância espiritual”: conquista da maturidade
Viram Aquele que cresceria em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus e que, com sinais e poder, inauguraria o Reino de Deus.
“Em verdade vos digo, se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Pois o que se humilharaté fazer-se semelhante a uma destas crianças,este será grande no Reino dos Céus’ (Mt 18,3)
Retomemos o Sermão do Papa São Leão Magno, e aprendamos a melhor forma de humildade que o Senhor nos ensina quando adorado pelos magos.
Os magos, guiados pela estrela, foram ver uma Criança, um Menino; uma frágil Criança silenciosa, guardada por Sua mãe, Maria.
“Em verdade vos digo, se não vos tornardes como crianças,
Viram Aquele que cresceria em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus e que, com sinais e poder, inauguraria o Reino de Deus.
O maior sinal de Seu poder, ali era oferecido na forma de uma Criança, em extrema expressão de humildade, que sem nada dizer já estava ensinando aos magos e a toda humanidade.
Crescendo em fidelidade e obediência ao Pai, suportou com grande brandura as crueldades dos que se levantavam contra Ele, quanto mais nós temos que ser humildes e pacientes nas provações e dificuldades por que tenhamos que passar.
Também crescendo em sabedoria, nos ensinou que a sabedoria cristã não consiste nem na abundância de palavras, nem da habilidade para discutir, nem no desejo de louvor e de glória, mas na sincera e voluntária humildade, e por isto nos apresentou uma criança como o maior no Reino dos Céus, acenando para a desejável infância espiritual que devemos buscar permanentemente.
Urge que mantenhamos sempre a “infância espiritual”, expressa na humildade, na simplicidade, na confiança incondicional em Deus, na realização de Sua vontade, assim como o Senhor nos falou.
Ainda temos muito que aprender com Aquela Criança, que um dia foi posta numa humilde manjedoura, Seu primeiro altar, naquele singelo presépio, para que percebamos os sinais de Deus em nosso meio e d’Ele também sejamos sinal para o outro, pois tão somente assim viveremos a “infância espiritual” e alcançaremos a maturidade desejada e necessária.
Fonte inspiradora: Mt 18,1-5.10.12-14; Lc 9,46-50; Mc 9,33-37; Mc 10,13-16
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