sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Ainda que... Alegrai-vos no Senhor

                                          

Ainda que... Alegrai-vos no Senhor

À luz do Tratado sobre a Carta aos Filipenses, escrita pelo Pseudo-Ambrósio (Séc. IV), reflitamos sobre a exortação do Apóstolo Paulo, para que nos alegremos sempre no Senhor:

“Caríssimos irmãos, para nossa salvação a divina misericórdia nos chama às alegrias da eterna felicidade. Foi isto o que ouvistes há pouco na lição em que o Apóstolo dizia: ‘Alegrai-vos sempre no Senhor' (Fl 4,4). As alegrias do mundo tendem para a eterna tristeza; mas as que brotam da vontade do Senhor levam os fiéis, que nelas perseveram, às alegrias duradouras e eternas. Por isso diz o Apóstolo: ‘De novo digo: Alegrai-vos’ (Fl 4,4).

Ele incita  que cada vez mais cresça nossa alegria em Deus e a decisão de cumprir Seus mandamentos. Porque, quanto mais lutarmos neste mundo por nos sujeitarmos aos preceitos de Deus, nosso Senhor, tanto mais seremos felizes na vida futura e tanto maior glória alcançaremos diante de Deus.

‘Seja vossa moderação conhecida por todos’ (Fl 4,5); quer dizer, que vosso santo modo de viver se manifeste não apenas diante de Deus, mas ainda diante dos homens. Seja exemplo de modéstia e de sobriedade para aqueles que convivem conosco na terra e deixe uma boa lembrança perante Deus e os homens.

‘O Senhor está perto; de nada vos inquieteis’ (Fl 4,5-6). O Senhor está sempre perto daqueles que o invocam na verdade, com fé integra, esperança firme, caridade perfeita. Ele sabe do que precisais, antes mesmo que o peçais. Está sempre pronto a vir em auxílio dos que o servem fielmente, em qualquer necessidade sua.

Por conseguinte, não temos de preocupar-nos demais com as dificuldades iminentes, porque sabemos estar próximo Deus, nosso defensor, conforme foi dito: ‘O Senhor está junto dos que têm o coração atribulado e salva os humildes no espírito. Muitas as tribulações dos justos, porém, de todas elas o Senhor os livrará’ (Sl 33,19-20). Se nos esforçarmos por realizar e guardar o que ordenou, ele não tardará a nos dar o prometido.

‘Mas em tudo, por orações e súplicas acompanhadas de ação de graças, apresentai vossos pedidos a Deus’ (Fl 4,6): não aconteça que, aflitos, suportemos as tribulações com murmuração e tristeza. Isto nunca, mas com paciência e de rosto alegre, ‘dando sempre e por tudo graças a Deus’ (Ef 5,20)”.

Ainda que tenhamos tribulação, provações e dificuldades, é preciso manter viva a alegria, no entanto, assim o será, somente no Senhor.

Ainda que venham as “noites traiçoeiras”, solidão, abandono, inquietações, ou algo semelhante, é preciso dar testemunho de nossa "fé íntegra".

Ainda que os resultados nos desapontem, utopias pareçam mais distantes, a realidade de um mundo novo mais justo e fraterno esteja ferida e maculada, é preciso manter uma "esperança firme". 

Ainda que nada pareça ter mais sentido, e que nossos gestos não  farão diferença; que os números das estatísticas sociais nos façam  estremecer de dor e compaixão, é preciso manter a "caridade perfeita", crendo na civilização do amor, na cultura da vida e da paz. 


Em poucas palavras...

                                                               


Os sete dons do Espírito Santo

“Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Pertencem em plenitude a Cristo, filho de David (Is 11,1-2). 

Completam e levam à perfeição as virtudes de quem os recebe. Tornam os fiéis dóceis, na obediência pronta, às inspirações divinas.

«Que o vosso espírito de bondade me conduza pelo caminho reto» (Sl 143, 10). «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus […]; se somos filhos, também somos herdeiros: herdeiros de Deus, coerdeiros de Cristo» (Rm 8, 14.17).” (1)


 

(1)              Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1831

“Ai da alma em que não habita Cristo!”

                                                             

“Ai da alma em que não habita Cristo!”

Com a Homilia do Bispo São Macário (séc. IV) refletimos sobre que tipo de  “Habitação de Cristo” somos, e de que modo nos colocamos a serviço em Sua vinha, como discípulos missionários Seus.

“Deus outrora, irritado contra os judeus entregou Jerusalém como espetáculo aos gentios; e foram dominados por aqueles que os odiavam; não havia mais festas nem oblações. De igual modo, irado contra a alma por ser transgredido o Mandamento, entregou-a aos inimigos que a seduziram e a deformaram. Se uma casa não for habitada pelo dono, ficará sepultada na escuridão, desonrada, desprezada, repleta de toda espécie de imundícia.

Também a alma, sem a presença de Deus, que nela jubilava com Seus anjos, cobre-se com as trevas do pecado, de sentimentos vergonhosos e de completa infâmia. Ai da estrada por onde ninguém passa nem se ouve voz de homem! Será morada de animais.

Ai da alma, se nela não passeia Deus, afugentando com Sua voz as feras espirituais da maldade. Ai da casa não habitada por seu dono! Ai da terra sem o lavrador que a cultiva! Ai do navio, se lhe falta o piloto; sacudido pelas ondas e tempestades do mar, soçobrará! 

Ai da alma que não tiver em si o verdadeiro piloto, o Cristo! Porque lançada na escuridão de mar impiedoso e sacudida pelas ondas das paixões, jogada pelos maus espíritos como em tempestade de inverno, encontrará afinal a morte.

Ai da alma se lhe faltar Cristo, cultivando-a com diligência, para que possa germinar os bons frutos do Espírito! Deserta, coberta de espinhos e de abrolhos terminará por se encontrar, em vez de frutos, a queimada. 

Ai da alma, se seu Senhor, o Cristo nela não habitar! Abandonada, encher-se-á com o mau cheiro das paixões, virará moradia dos vícios. O agricultor, indo lavrar a terra, deve pegar os instrumentos e vestir a roupa apropriada para o trabalho; assim também Cristo, o Rei Celeste e verdadeiro agricultor, ao vir à humanidade, deserta pelo vício, assumiu um corpo e carregou como instrumento, a Cruz.

Lavrou a alma desamparada, arrancou-lhe os espinhos e abrolhos dos maus espíritos, extirpou a cizânia do pecado e lançou ao fogo toda erva e suas culpas. Tendo-a assim lavrado com o lenho da Cruz, nela plantou maravilhoso jardim do Espírito, que produz toda espécie de frutos deliciosos e agradáveis a Deus e ao Senhor”. (1)

Os “ais” acima nos interpelam:

Ai de mim se não assumir com alegria a Missão como servo e administrador da vinha do Senhor!

Ai de mim se deixar o coração tomado pelos abrolhos, ervas indesejáveis, que nos sufocam a alegria que Ele sempre quer nos oferecer...

Ai de mim se não me predispuser, permitindo no coração o Arado Divino, lavrando-o para que as Sementes Divinas possam nele serem lançadas, e os frutos por Deus esperados, abundantemente produzidos...

Ai de mim se não me deixar conduzir por Cristo, pela Sua Divina Palavra!

Ai de mim se não tiver d’Ele, mesmos pensamentos e sentimentos... Minha vida reduzir-se-á a tristezas, prantos, dores, choros, lamentos...

Mas, não!

Feliz a alma em que Cristo habita!

Oremos:

Peço-Vos, Senhor: Vem!Fazei em mim Vossa morada.
Que seja eu, embora indigno, hospedeiro do mais Belo Hóspede!

Peço-Vos, Senhor: Vem! Fazei em nós Vossa amável presença.
Que sejamos nós, embora pecadores, receptáculos de Vossa graça!
Amém!

(1) - cf. Liturgia das Horas -  Tempo Comum - Volume IV - p.521.

O perdão de Cristo: reconciliação e superação

                                                     


O perdão de Cristo: reconciliação e superação
 
Na sexta-feira da 26ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Livro de Baruc (Br 1,15-22).
 
Trata-se de um autor desconhecido, embora se apresente como secretário de Jeremias, durante o exílio da Babilônia (Br 1,1-2).
 
A passagem é uma prece de confissão, em que os exilados se dirigem a Deus, como sentida expressão da conversão sincera da comunidade judaica: A Aliança com Javé, laço vital entre Deus e Seu povo, foi dilacerada com o pecado.
 
Após a confissão dos pecados, é apresentada a mensagem de esperança da intervenção divina, exortando à confiança em Javé e a possibilidade da alegria com a atitude misericordiosa de Deus para com o povo. 
 
De fato, o Amor de Deus move a história, pois está sempre disposto a perdoar o afastamento dos filhos rebeldes, e a reatar com eles uma história de libertação e de salvação. Um novo êxodo está por vir, é preciso manter a serena alegria e confiança indispensável.
 
Este amor de Deus expresso no perdão nos foi revelado, mais tarde, por Jesus Cristo, o Filho Amado:
 
“O perdão de Cristo não quer levar à passividade nem à fuga. Sequer é uma espécie de vazia e insípida tranquilidade interior. A reconciliação é convite a nos purificarmos sempre mais em contínua superação” (1).


Deste modo, vivenciar a misericórdia de Deus, como o próprio Jesus nos revelou em várias passagens do Evangelho, requer de nós sempre novos rumos, atitudes, novas posturas e novos relacionamentos. Jamais a permissividade ou a conivência com o pecado; ao contrário, sua destruição, nos fazendo sempre novas criaturas, para que vivamos a graça do Batismo.
 
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1995 - P. 1339
 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Santa Teresinha, padroeira das missões

                                       


Santa Teresinha, padroeira das missões

“No coração da Igreja, minha vocação é o amor...” 

De modo especial, a Igreja dedica o mês de outubro para aprofundar sobre as missões, a fim de que vivamos a dimensão sinodal, edificando uma Igreja misericordiosa, acolhedora e missionária, alcançando as realidades mais desafiadoras, que o Papa Francisco chama de periferias existenciais.

E como é importante podermos contar com a intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus (séc. XIX), declarada a “Padroeira das Missões”, por PIO XI, em 1927, e cuja memória celebramos no dia 1º de outubro.

Santa Teresinha pouco viveu, mas teve tamanha intensidade e amor, e ficará para sempre viva, sendo grande testemunha do Senhor.

Retomo suas palavras, quando procurava encontrar o lugar da sua vocação na Igreja: “Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, Tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”. 

Em oração, à luz da Palavra Divina, descobriu seu lugar na Igreja, e sua exclamação ressoa por todo o tempo: "No coração da Igreja minha vocação é o amor!” 

Com ela, aprendemos a nos perguntar: - “Qual é a minha vocação na Igreja, sobretudo uma Igreja Sinodal, Povo de Deus que caminha juntos, na comunhão, participação e missão?” 

Que a exemplo desta jovem, tenhamos intenso amor no coração, a fim de que pelo Amado Jesus seduzidos, com o fogo do amor do Espírito, vivamos maior fidelidade ao plano de amor que Deus tem para todos nós, edificando comunidades eclesiais missionárias, que se alimentam com o Pão da Palavra e da Eucaristia.


Aprendamos com Santa Teresinha a viver com ardor e amor a graça da vocação

                                               


Aprendamos com Santa Teresinha a viver com ardor e amor a graça da vocação

"No coração da Igreja minha vocação é o amor!” 

No dia 1º de outubro, celebramos a memória de uma grande testemunha do Senhor, Santa Teresinha do Menino Jesus (séc. XIX).

Santa Teresinha pouco viveu, mas teve tamanha intensidade e amor, que ficará para sempre viva, presente em nossa memória. Ela foi declarada a “Padroeira das Missões”, por Pio XI, em 1927.

Ela é uma das quatro doutoras da Igreja, ao lado de Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Sena e Santa Hildegarda de Bingen. 

Em oração atenta, à luz da Palavra Divina, descobriu seu lugar na Igreja, e sua exclamação ressoa no nosso: "No coração da Igreja minha vocação é o amor!”, como encontramos em seus escritos.

Responderemos que somos bispo, padre, religiosa, seminarista, agente de pastoral, primeiros educadores da fé, pelo exemplo e palavra aos filhos, por Deus, confiados (pai e mãe)...

Com toda certeza, diremos o que somos, o que fazemos, os títulos que possuímos, o trabalho que já fizemos ou faremos etc. 

Somente uma jovem com intenso amor no coração, pelo Amado seduzido, com o fogo do Amor do Espírito, em fidelidade ao Pai de Amor, poderia ter dito de forma tão singular e tão marcante: “No coração da Igreja minha vocação é o amor...”

Sempre oportuno refletir sobre a nossa vocação na Igreja. Sejamos ou façamos o que for, mas façamos vocacionados para o Amor e pelo Amor, somente assim seremos fiéis e amados Discípulos Missionários do Senhor! 

Saibamos ouvir a voz do Amor

                                                                


Saibamos ouvir a voz do Amor

“Quando se escuta a voz do Amor,
o mundo torna-se melhor e mais belo.
É o mundo dos botões que florescem,
do canto dos passarinhos, da vida que triunfa.”

O que falar mais sobre o Livro do Cântico dos Cânticos, uma das mais belas literaturas do mundo?

Qual outro livro do Antigo Testamento tenha fascinado tanto a alma dos cristãos e não cristãos como este poema que exalta o amor entre um jovem e a sua encantadora e tão bela noiva?

Que releitura mais bela poderia ter sido feita a Igreja, do que temos retratada neste maravilhoso Livro da Sagrada Escritura, num sentido místico e espiritual?

“As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam.” (Ct 8, 7). 

Como não ver a figura dos noivos enamorados, apaixonados, num amor que é mais forte do que a morte, que rios de água não podem conter: a relação de Cristo e a Sua Igreja?

Ontem o Amado foi fecundado pelo Amor como obra do Amante no ventre de Maria, rememorando as palavras de Santo Agostinho.

O Amado vem sempre ao nosso encontro, e quer ser acolhido num coração que foi fecundado no silêncio, na Oração, no esforço de conversão, com novenas, renúncias, aberturas, transformação...

Vem em cada Natal que celebramos, e quer conosco uma relação de sedução, amor, encanto, apaixonamento, porque Deus não sabe outro modo conosco Se relacionar.

Veio, vem e virá sempre e será acolhido, porque aqueles que O desejam e O procuram, procuram e O desejam, amam e O encontram, encontram e o amam, como nos ensinaram os Santos da Igreja.

Escutemos a voz do Amor e Sua mensagem de vida, paz, alegria, fraternidade e salvação do mundo, na mais perfeita e desejada sintonia, para que cresçamos em alegria e amor profundos.

Cessem os ruídos ensurdecedores! Silêncio saibamos fazer para a escuta da voz do Amante, Amado e Amor, que inseparáveis sendo, também não Se separam de cada um de nós.

O Senhor quer comunicar, a quem tem ânsias de amor e de eternidade, uma alegre notícia: deixemos toda a tristeza, eliminemos prantos, luto e lamento. 

Com o Amor, tudo fica melhor mais belo!

A voz de Jesus, que um dia foi Menino e, crescendo em tamanho e sabedoria e graça diante de Deus, por amor a cada um de nós a vida entregou, padeceu e na Cruz morreu, na glória entrou: Ressuscitou!

Vem Senhor Jesus – Maranathá!
Vem Senhor Jesus – Aleluia!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG