quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Alegria e ardor na permanente missão evangelizadora

                                                                          

Alegria e ardor na permanente missão evangelizadora

Neste mês, a Igreja nos convida a refletir sobre a temática das Missões; embora todo dia e todo lugar sejam oportunos para realizarmos a missão que recebemos no dia de nosso Batismo, como profetas, sacerdotes, reis e pastores.

Vivemos num mundo marcado por inúmeros desafios, perplexidade, incertezas, por uma pobreza espiritual fomentada pelo processo de secularização e secularismo; culto do prazer (hedonismo); materialismo, às vezes até negando Deus, pregando e afirmando a Sua morte; acentuado relativismo, onde o que conta é a verdade de cada pessoa e de cada tempo (verdades passageiras e transitórias).

Sendo assim, os frutos amargos são consequências inevitáveis: incertezas, vazios, cansaços inúteis, ausência de sentido, depressão e violação da sacralidade da vida, perda do valor e da beleza da dignidade de cada pessoa.

E, é neste vasto e complicado mundo que somos desafiados a proclamar a Boa Nova do Evangelho, com alegria, coragem, ardor, criatividade, disponibilidade, confiança.

Urge um novo modo de ser cristão e viver o Evangelho, sem jamais negá-lo, sem nos acomodarmos diante da realidade - como nos disse o Apóstolo Paulo, não podemos nos conformar a este século.

O Evangelho é que deve fermentar o mundo, iluminá-lo, transformá-lo, jamais o contrário e, assim, se cumpra a ordem do Senhor: “Ide pelo mundo pregai o Evangelho a toda criatura...” (Mc 16,15).

É tempo favorável para nos revigorarmos na missão evangelizadora, comunicando a Boa Nova do Evangelho em todos os meios, em novos areópagos, santificando e estruturando nossas famílias, assumindo atitudes de conversão pessoal e estrutural da Igreja, na comunhão e participação de todos, construindo uma paróquia, como comunidade de comunidades e a inadiável e evangélica opção preferencial pelos pobres, no serviço à vida plena.

Como bem diz as Diretrizes da Ação Evangelizadora do Brasil (Doc. 94): “Jesus Cristo, o grande missionário do Pai, envia, pela força do Espírito, Seus discípulos em constante atitude de missão (Mc 16,15). Quem se apaixona por Jesus Cristo deve igualmente transbordar Jesus Cristo, no testemunho e no anúncio explícito de Sua Pessoa e Mensagem. A Igreja é indispensavelmente missionária. Existe para anunciar, por gestos e palavras, a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo. Fechar-se à dimensão missionária implica fechar-se ao Espírito Santo, sempre presente, atuante, impulsionador e defensor (João 14,16; Mt 10,19-20)...”.

Cremos que se a missão evangelizadora por todos, com alegria e ardor, for assumidas, transformaremos inúmeras realidades. Poderemos transfigurar o “cinza” triste da cidade, com seus sinais de morte, num Jardim do Éden, não perdido, mas como horizonte e compromisso, sobretudo daqueles que têm fé.   

É preciso, portanto, impregnar a todas as atividades um sentido missionário. Não se trata de uma atividade a mais, mas  de empenharmos todas as forças, criatividade no  testemunho corajoso do Senhor e de Sua Boa Nova.

Seduzidos pelo Senhor, enraizados e solidificados em Sua Palavra, como bem falou o Apóstolo Paulo: “Proclama a Palavra, insiste, no tempo oportuno e no inoportuno, refuta, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina” (2Tm 4,2).

É tempo da Primavera de Deus em nossas vidas, em nossas comunidades. No canteiro de nosso coração e do mundo semeemos as Sementes do Verbo, até que um dia possamos contemplar a Primavera Divina da Eternidade!

Santa Teresinha: A Padroeira das Missões

                                                    


Santa Teresinha: A Padroeira das Missões

“No coração da Igreja minha vocação é o amor...” 

A Igreja dedica, de modo especial, o mês de outubro para aprofundar sobre as Missões, mas é evidente que todos os dias são favoráveis para que vivamos a graça da missão. 

Santa Teresinha do Menino Jesus (séc. XIX) pouco viveu, mas teve tamanha intensidade e amor, e ficará para sempre viva, presente em nossa memória. 

Grande testemunha do Senhor, cuja Memória celebramos no dia 1º de outubro, e foi declarada a “Padroeira das Missões”, por PIO XI, em 1927.

Retomo suas palavras, quando procurava encontrar o lugar da sua vocação na Igreja: “Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, Tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”. 

Em oração atenta, deleitando-se com a Palavra Divina, descobriu seu lugar na Igreja, e sua exclamação ressoa por todo o tempo: "No coração da Igreja minha vocação é o amor!”  

Vivendo a graça do tempo que antecede o Sínodo 2021-2023, também podemos nos perguntar - “Qual é a minha vocação na Igreja, sobretudo uma Igreja Sinodal, Povo de Deus que caminha juntos, na comunhão, participação e missão?” 

Com toda certeza, diremos o que somos, o que fazemos, os títulos que possuímos, o trabalho que já fizemos ou faremos etc.  Mas, que a exemplo desta jovem, tenhamos intenso amor no coração a fim de que pelo Amado Jesus seduzidos, com o fogo do Amor do Espírito, vivamos maior fidelidade ao Plano de Amor que Deus tem para todos nós.

Sejamos ou façamos o que for, mas façamos vocacionados para o Amor e pelo Amor, somente assim seremos fiéis e amados Discípulos Missionários do Senhor, edificando comunidades eclesiais missionárias.

Bíblia, Anjos, Arcanjos e nossa missão

                                                          

Bíblia, Anjos, Arcanjos e nossa missão

Celebramos dia 29 de setembro a Festa dos Arcanjos São Miguel (Quem é como Deus?), São Rafael (Deus cura!) e São Gabriel (O poder de Deus).

Dia 30 celebramos a Memória de São Jerônimo (séc. V), Presbítero e Doutor da Igreja (340-420) a quem somos devedores pela tradução da Bíblia para o Latim, que até então era em hebraico e grego, por longos 35 anos.

Este grande Santo da Igreja afirmou: “Se conforme o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras ignora o poder de Deus e Sua Sabedoria, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. (1)

Na Sagrada Escritura, encontramos inúmeras passagens que nos falam dos Anjos e Arcanjos. Não podemos ignorar a realidade dos Anjos.

O Papa São Gregório Magno (séc. VI) disse que “é preciso saber que a palavra Anjo indica o ofício, não a natureza. Pois estes santos espíritos da Pátria Celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados Anjos, porque somente são Anjos quando por eles é feito algum anúncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos Anjos; os que levam as maiores notícias, Arcanjos…”

Maria teve a visita do Arcanjo Gabriel, pois era uma máxima notícia: Encarnação do Verbo, o Projeto de vida abundante e salvação eterna…

Em seu Sermão, São Bernardo (séc. XII), assim nos fala sobre os Anjos da Guarda:

“… E para que nas alturas nada falte no serviço a nosso favor, envias os teus santos espíritos a servir-nos, confia-lhes nossa guarda, ordenas que se tornem nossos pedagogos…

Esta palavra (Anjo) quanta reverência deve despertar em ti, aumentar a gratidão, dar confiança. Reverência pela presença, gratidão pela benevolência (amabilidade), confiança pela proteção…

São fiéis, são prudentes, são fortes; por que trememos de medo? Basta que os sigamos, unamo-nos a eles e habitaremos sob a proteção do Deus do céu”. (2)

Deus incansavelmente, no Seu amor, nos enviou Anjos e Arcanjos para nos comunicar alegres notícias, acompanhando-nos em nossa missão. Daí a reverência, gratidão e confiança pela proteção acima mencionada.

Reflitamos:

- Quem como Deus tem um Projeto de Amor e Vida para todos nós sem exclusão, sem violação da dignidade da pessoa e banalização da sacralidade humana?

- Quem como Deus despertou em Maria o canto do Magnificat, em que se canta a esperança de um mundo novo, onde Deus manifesta o poder de Seu braço, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes, despede os ricos e cumula os pobres que se encontram com as mãos vazias?

- Quem como Deus, ininterruptamente, nos concede a cura, o antídoto para não morrer, a imortalidade em cada Banquete da Eucaristia?

Ignorar a presença dos Anjos e suas mensagens do Deus da vida nos levaria a ignorar a Sagrada Escritura e, consequentemente, ignorar o próprio Cristo.

Anjos e Arcanjos anunciaram e anunciam alegres e salutares Notícias. Que, como eles, sejamos sempre portadores de belas e edificadoras notícias, e contemos sempre com sua proteção. Que, como Anjos, sejamos ardorosos em nossa missão em todo o momento e em todo lugar.

"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador…"


(1)         Liturgia das Horas - Editora Paulus - Vol. IV – p. 1329.
(2)        Idem p. 1335/6

Aprendizes da linguagem do Espírito

                                              


Aprendizes da linguagem do Espírito

Neste mês, de modo especial dedicado à temática das Missões, revigoremos o ardor de nossa missão de evangelizadores, para que como discípulos e missionários de Jesus Cristo, nos empenhos para que n’Ele nossos povos tenham vida.

Como Igreja, somos desafiados à criatividade para que em cada realidade, busquemos caminhos para o verdadeiro discipulado e missionariedade.

Fomos desafiados pela Conferência de Aparecida (2007) a uma grande missão continental, que não conhece ocaso, porque a missão do Senhor desabrocha na aurora da eternidade...

Não estamos sozinhos neste desafio, pois somos enriquecidos por preciosos e maravilhosos dons de Deus, como disse o Papa São Clemente no século I:

“... Vida na imortalidade, esplendor na justiça,
verdade na liberdade, fé na confiança,
temperança na santidade...”

Numa palavra, o dom maior do Espírito Santo que acompanha e ilumina os passos da Igreja.

A vida das primeiras comunidades é e será sempre um projeto a ser construído. Como aprendizes da linguagem do Espírito, precisamos voltar ao primeiro amor das Comunidades, não como saudosismo inconsequente, mas como compromisso evangélico:

“Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, a comunhão fraterna, a fração do pão e às Orações” (At 2,42).

Urge intensificar a vivência comunitária aprofundada e enraizada na Comunhão da Santíssima Trindade, modelo da verdadeira comunidade, nutrindo-se do Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia, expressa na comunhão e participação.

Construamos comunidades, como espaço privilegiado, onde se viva:

- A acolhida amorosa, dando ao seu membro o sentido de pertença, superando o anonimato e individualismo;

- A experiência concreta de Cristo e Sua Igreja;
- O amadurecimento no enfrentamento das crises diversas por que se passa;

- O fortalecimento espiritual (fé/esperança/caridade);
- A abertura e fortalecimento dos diversos ministérios;

- A solidariedade, fazendo da comunidade uma escola da paz, justiça e amor;
- A formação permanente para o discipulado nos mais diversos aspectos (bíblico-teológico, humano/afetivo, espiritual, compromisso sócio político...); 

- O revigoramento e irradiação missionária que garanta ao cristão leigo (a) uma sadia inserção no mundo, logo ela deve ser como um Centro de formação permanente:

- A união de esforços entre as paróquias na formação permanente;
- A valorização da formação em nível diocesano e em outros níveis (Escola de Ministérios, Encontros Diocesanos, outros espaços formativos) etc.

Que a caridade e a luz do Espírito inspirem nossa mente e nosso coração, para que continuemos trilhando o caminho da evangelização, realizando a vocação que Deus nos predestinou: a santidade.

“Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos Vossos fiéis.
E acendei neles o fogo do Vosso amor...”

“No coração da Igreja minha vocação é o amor...”

                                                             

“No coração da Igreja minha vocação é o amor...” 

No dia 1º de outubro, celebramos a memória de uma grande testemunha do Senhor, Santa Teresinha do Menino Jesus (séc. XIX), sejamos enriquecidos por sua autobiografia. 

“Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. 

No primeiro destes, li que todos não podem ser ao mesmo tempo apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me a paz.

Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12,31).

O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade, e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso.

Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade me deu o eixo de minha vocação. 

Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. 

Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. 

Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. 

Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, Tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”. 

Santa Terezinha pouco viveu, mas teve tamanha intensidade e amor, que ficará para sempre viva, presente em nossa memória. Ela foi declarada a “Padroeira das Missões”, por Pio XI, em 1927. 

Entre as quatro doutoras da Igreja, ela está ao lado de Santa Teresa de Ávila e Santa Catarina de Sena e Santa Hildegarda de Bingen. 

Em oração atenta, deleitando-se com a Palavra Divina, descobriu seu lugar na Igreja, e sua exclamação ressoa no nosso: "No coração da Igreja minha vocação é o amor!” 

Reflitamos:

- “Qual é a minha vocação na Igreja?”

Responderemos que somos padre, religiosa, primeiros educadores da fé, pelo exemplo e palavra aos filhos, por Deus, confiados (pai e mãe).

Com toda certeza, diremos o que somos, o que fazemos, os títulos que possuímos, o trabalho que já fizemos ou faremos etc. 

Somente uma jovem com intenso amor no coração, pelo Amado seduzido, com o fogo do Amor do Espírito, em fidelidade ao Pai de Amor, poderia ter dito de forma tão singular e tão marcante:

“No coração da Igreja minha vocação é o amor...”

Sejamos ou façamos o que for, mas façamos vocacionados para o Amor e pelo Amor, somente assim seremos fiéis e amados Discípulos Missionários do Senhor!

A Eucaristia é o nosso Alimento indispensável

                                                        

A Eucaristia é o nosso Alimento indispensável

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o 
amor de Deus e a constância de Cristo, 
esteja convosco” (2 Ts 3,5)

Era o mês de julho de 2001 (exatos um ano e meio de missão de três que foram completados).

Partilhei, através de carta a amigos da Diocese de Guarulhos, as atividades da caminhada missionária na Diocese de Ji-Paraná – RO.

As atividades eram muitas, sobretudo na medida em que ia me inserindo na realidade daquele povo. 

Nos meses de maio e junho, realizei a segunda visita às Comunidades da Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Ministro Andreazza-RO, com as religiosas e um seminarista.

Celebramos a Eucaristia, com o tema do Congresso Eucarístico – “Eucaristia, fonte da missão e da vida solidária”. 

Em junho, também ajudei nas visitas às Comunidades de Presidente Médici, com o tema da Romaria da Terra. Foi uma semana muito rica, em que pude conhecer novas Comunidades, um povo muito simples, carinhoso e acolhedor. Como eram mais de sessenta comunidades, algumas delas somente conheci depois de ano e meio em missão.

Realizei dois encontros de formação com os sete seminaristas do Propedêutico de nossa Diocese de Ji-Paraná, a partir da Encíclica do Papa São João Paulo II – “Pastores Dabo Vobis” - Sobre a Formação de Sacerdotes. Acredito que foi bom para eles, muito mais gratificante para mim, pois nos convida a renovar nosso entusiasmo e ardor vocacional, na realização de nosso ministério.

Participei de três reuniões na Diocese, a fim de prepararmos a VI Romaria da Terra, que aconteceria no dia 29 de julho, com a participação de três Dioceses de Rondônia (Ji-Paraná, Porto Velho e Guajará-Mirim). 

A Romaria era sempre um acontecimento muito significativo para nossas Comunidades, sobretudo porque vivíamos momentos de grandes dificuldades econômicas.

Tratava-se de um ato ecumênico (Igreja Luterana), com a participação de diversas entidades, entre elas CIMI e CPT... O tema da Romaria: “Agricultura Familiar: criar raízes para uma vida longa e feliz”. Como tema: “ Plantar e colher, comer e viver”. Prevíamos uma participação de 15.000 pessoas.

Na Paróquia, encaminhávamos um Evento muito importante: A “Missão Jovem”, com o tema da Campanha da Fraternidade – “Vida sim, drogas não!”, e o Lema: “Jovem na família, resgatando a dignidade e a cidadania”. 

Pretendíamos visitar, de 8 a 16 de setembro, todas as famílias católicas de nossas 31 Comunidades. 

Em agosto teríamos a visita dos Redentoristas, por três dias, celebrando Missas e animando nossas Comunidades para o bom êxito da Missão Jovem...

Por fim, tive a alegria de receber a visita de parentes de São Paulo, que puderam ver com os próprios olhos o que procurava, com limites, partilhar através de cartas e artigos. Na oportunidade, foi produzida uma fita de vídeo, como um documentário com as diversas lideranças de nossas Comunidades, com um pouco da realidade da Paróquia em que realizava a missão.

Como falei, as Comunidades passavam momentos muito difíceis (a saca do café despencara para R$ 28,00), quando havia chegado chegou a R$ 120,00.  Muitos vendiam seus sítios (terras) e partiam para novos lugares. 

Com isto, perdíamos muito:  lideranças e amizades; e algumas Comunidades ficavam cada vez mais reduzidas, com possibilidade até de deixar de existir. Daí a emergência da Romaria da Terra, anteriormente mencionada. 

Apesar disto, do muito calor, e outras dificuldades, muitos resistiam e se organizavam: Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Associações dos Trabalhadores Rurais, um ou outro Partido Político com propósitos de promoção do bem.

Roguei a Deus que derramasse copiosas bênçãos sobre todos da Diocese de Guarulhos, alimentados do Cristo Eucarístico, fortalecendo a missão recebida pelo Batismo, escrevendo páginas de solidariedade, na expressão madura e recriadora  do Mandamento Maior que Nosso Senhor Jesus Cristo nos deixou: amor a Deus e ao próximo (cf. Lc 10,25-37).

Missão é graça divina

                                                  


Missão é graça divina 

Não podemos nos acomodar, precisamos o Evangelho anunciar. Não são poucos os que não conhecem ainda o Evangelho e a Pessoa de Jesus. Também não são poucos os que se tornam indiferentes à existência de Deus, até mesmo declarando Sua morte, em total indiferença e banalização da dimensão religiosa. 

Como numa grande aldeia global, a fé que professamos é desafiada; a esperança que cultivamos e o amor que testemunhamos (ou que deveríamos com maior radicalidade e verdade testemunhar) devem cada vez ganhar maior expressão, ardor e vigor. 

Sejamos todos missionários, configurados e transformando-nos n’Aquele que recebemos na Santíssima Eucaristia. Urge que saiamos ao encontro do outro, evangelizando oportuna e inoportunamente como disse Paulo (2Tm 4,2). 

Como discípulos missionários do Senhor, participantes da construção do Seu Reino, servos de Sua vinha, coloquemo-nos humildemente como Seus instrumentos.  

Importa que a missão seja assumida como um todo, impregnando as pequenas e grandes ações de nossa vida. Todo o nosso existir tem que ser missionário. 

Realizar a missão não consiste em fazer algo a mais, como uma atividade isolada, mas em dar um sentido novo em tudo o que fazemos para que, sob a ação do Espírito Santo, em amor e fidelidade ao Evangelho do Verbo, o mundo, as pessoas, percebam e reconheçam que amamos e cremos n’Aquele que foi por excelência o Missionário do Pai. 

Ser missionário é sentir alegria e vibrar com a graça da missão, cientes que devemos realizá-la, não pelos nossos méritos ou até mesmo pela falta deles, pois o Senhor vem sempre em socorro de nossa fraqueza – “Tudo posso n'Aquele que me dá força” (Fl 4,13). 

Reflitamos sobre a graça de sermos missionários do Reino, renovando nosso sim para o trabalho na messe do Senhor, pois a messe é grande e poucos são os operários, como o próprio Jesus já nos alertou. 

Encontremos e reencontremos nosso lugar na Igreja e no Mundo para resplandecer a luz do Espírito, ressoar a Palavra que em nosso meio se encarnou, em resposta corajosa ao Amor do Pai. 

Como discípulos missionários, de modo especial, os cristãos leigos, concretizando sua vocação e condição, vivam empenhadamente a missão de todo o povo cristão na Igreja e no Mundo. 

Assim como a Igreja nos ensina, os cristãos leigos são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo e homens e mulheres do mundo no coração da Igreja; são fermento na massa, luz do mundo; sal que dá gosto de Deus a todas as coisas.   

Abertos ao Projeto de Amor do Pai, na fidelidade ao Filho, com o sopro e luz do Santo Espírito, renovemos a alegria e a graça da missão de discípulos missionários da vinha do Senhor, para desejados e saborosos frutos do Reino produzir, inspirados pelo exemplo de Nossa Senhora, a Estrela da Evangelização, a perfeita discípula missionária do Pai. 

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