terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Senhor cura-nos para o discipulado

                                                      

O Senhor cura-nos para o discipulado

A Liturgia da quarta-feira da 22ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,38-44), em que Jesus cura a sogra de Pedro, e curada põe-se a servir.

Oportuno para refletirmos sobre qual é o sentido do sofrimento e da dor, que acompanham a caminhada da humanidade, apesar de Deus possuir um Projeto de vida verdadeira e felicidade plena e infinita para a mesma.

Como explicar o sofrimento dos bons, dos justos, dos inocentes?

No Livro de Jó (Jó 7, 1-4.6-7), já fora retratado sobre o sofrimento do justo, do inocente.

O sofrimento de Jó leva-nos a afirmar que fora de Deus não há nenhuma possibilidade de salvação: Deus é nossa única esperança.

O grito de revolta de Jó é, ao mesmo tempo, a afirmação de que somente em Deus encontra-se o sentido da existência e da salvação, insisto.

Jó procura o verdadeiro rosto de Deus – “... numa busca apaixonada, emotiva, dramática, veemente, temperada pelo sofrimento, marcada pela rebeldia e, às vezes, pela revolta, Jó chega ao face a face com Deus. Descobre um Deus onipotente, desconcertante, incompreensível, que ultrapassa infinitamente as lógicas humanas; mas descobre também um Deus que ama com Amor de Pai cada uma das Suas criaturas. Jó reconhece, então, a sua pequenez e finitude, a sua incapacidade para compreender os Projetos de Deus. Reconhece que ele não pode julgar Deus, nem entendê-Lo à luz da lógica dos homens. A Jó, o homem finito e limitado, só resta uma coisa: entregar-se totalmente nas mãos desse Deus incompreensível, mas cheio de Amor, e confiar plenamente n'Ele. É isso que Jó faz, finalmente”

Voltando à passagem do Evangelho, vemos qual é a preocupação de Deus a partir da atividade pastoral de Jesus, que torna o Reino uma realidade na vida das pessoas.

A ação de Jesus é para nos libertar de nossas misérias mais profundas, sejam quais forem. Jesus Se aproxima da sogra de Pedro, levanta-a tomando pela mão e esta, curada, põe-se a servir. Assim acontece quando o Senhor de nós Se aproxima, nos toca, nos cura. Põe-nos curados, de pé para amar e servir. Assim é a atitude e a vida de quem crê no Ressuscitado.

Reflitamos:

- Como enfrentamos a dor e sofrimento em nossa vida?
- O que eles nos ensinam?

- O que aprendemos com Jó?
- Como e onde procuramos encontrar a verdadeira Face de Deus?

- O que aprendemos com a cura da sogra de Pedro?
- O que a ação de Jesus nos ensina para que sejamos discípulos missionários como assim Ele deseja?

Oremos: Ó Deus, enraizados no Vosso Amor de Pai, tornemo-nos testemunhas eficazes do Reino, na fidelidade a Boa-Nova do Vosso Filho com a Luz e Sabedoria do Espírito. Amém.

Silêncio e contemplação

                                                

Silêncio e contemplação

“Deus faz ouvir Sua voz no vértice do furacão”

A Liturgia da Sexta-feira da 26ª semana do Tempo Comum (ano par) nos apresentará a passagem do Livro de Jó (38,1.12-21; 40, 3-5).

Vejamos o que diz a reflexão do Missal Cotidiano:

“Deus faz ouvir Sua voz no vértice do furacão. Jó ousou interrogar a Deus (13, 13-25); responda agora, se pode, às perguntas que lhe dirige o Onipotente.

Jó, porém, não responde. Sente-se pequenino diante de Deus e reconhece haver falado como insensato.

Deus reconduz Jó a justas medidas de indagação. Como poderia perceber o mistério do mal, se é incapaz de descobrir o das coisas e na natureza?

A Jó cabe unicamente conservar a atitude de silêncio porque este é o lugar do encontro com Deus. O silêncio é sabedoria e contemplação.

O homem deve aceitar que haja zonas de mistério no conhecimento das coisas. Hoje, reduzindo tudo à utilidade, à funcionalidade, perdemos o sentido do mistério.

Ao lado da coerência das leis físicas, existe a angústia do desconhecido e, além da angústia, a expectativa de um ‘ainda mais’ de cada coisa, de um horizonte sem limites.

Este horizonte é o Inteiramente Outro, o Absoluto, que Cristo nos mostra ser um Pai que ama e ressuscita Seus filhos”. (1)

Também podemos passar por momentos difíceis e no “vértice do furacão”, no momento ápice destas dificuldades, como Jó, é melhor tomar a atitude do silêncio para o necessário encontro com Deus, que nos permite abertura e acolhida da sabedoria, em frutuosa contemplação.

Nada somos para questionar a onipotência e a onisciência de Deus, uma vez que é onipotente e misericordioso, que nos amou e nos ama para além de quaisquer limites e parâmetros que possamos conceber.

Há momentos que é melhor nos calarmos diante dos mistérios que envolvem a nossa vida, e mergulhar intensamente no Mistério insondável de Deus, para um reencontro conosco mesmos, e com Ele que habita no mais profundo de nós.

Haveremos de, como Jó, nos reconhecermos pequeninos e insensatos diante de Deus, rompendo nossa surdez e cegueira às manifestações do Amor de Deus, que não nos trata segundo a lógica da utilidade e da funcionalidade das coisas, como é próprio que o façamos.

Nem tudo pode ser explicado pela lógica humana. A lógica de Deus, que em muito a ultrapassa, é sempre um desafio e um convite para nós, como foi para Jó.

Calemos e silenciemos contemplativamente diante dos Mistérios de Deus para que descubramos, ouçamos, acolhamos e vivamos Sua Palavra, que requer de nós abertura e confiança plenas.

Creiamos no Senhor, que morreu e Ressuscitou, o verdadeiro Vinhateiro da única vinha de Deus.

Aprendamos com Jó este caminho; dificílimo, mas não impossível para que nos refaçamos diante dos tropeços, quedas e reerguimentos necessários para que vivamos com alegria a Missão que Deus nos confia, como alegres trabalhadores de Sua vinha.

Oremos:

"Senhor Jesus Cristo, que experimentastes a rejeição das cidades de Betsaida e de Cafarnaúm, concedei-nos a graça de permanecermos em silêncio como Job, e na escuta confiante da Vossa Palavra." Amém. (2)




(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1340
(2) Lecionário Comentado -  Tempo Comum  - Volume II - Editora Paulus - pág. 476

A Missão que o Senhor nos confia

                                                           

A Missão que o Senhor nos confia

Na Liturgia, da terça-feira da 26ª  Semana do Tempo Comum (ano ímpar), o Profeta Zacarias nos fala da vinda de muitos povos e nações que viriam visitar o Senhor em Jerusalém (Zc 8,20-23),

O Comentário do Missal Cotidiano nos diz: “O oráculo com que se encerra a primeira parte do Livro de Zacarias reflete a tomada de consciência por parte da nascente comunidade judaica, de sua missão espiritual e universal” (1).

E a Salvação que Jesus veio trazer se estenderá, de fato, a todos os povos, como vemos também na passagem do Evangelho (Lc 9, 51-56).

Volto a uma questão fundamental: na primeira Leitura, o Profeta deixa transparecer que quem conhece a Deus deve também torná-lo conhecido a todos, num processo contínuo de conversão e proximidade.

Diz ainda o Missal Cotidiano: “Nosso testemunho de fé deveria ser tal qual que pudéssemos ouvir: ‘Queremos ir convosco, porque compreendemos que Deus está convosco’” (2).

Mais uma vez, voltemos às palavras do Papa Bento XVI, em sua Carta Encíclica “Deus Caritas est”, primeiro parágrafo:

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.

Vivendo os primeiros dias do mês que dedicamos de modo especial ao tema das Missões, é oportuno refletirmos:

- Temos consciência de que a Salvação de Deus se destina a todos os povos?
- Como nos empenhamos para que todos os povos conheçam e adorem a Deus em espírito e verdade?
- Despertamos, pelo testemunho de nossa fé em Deus, o desejo de que outros caminhem conosco?

Invoquemos a luz do Espírito Santo, para que sejamos fortalecidos na graça da missão de anunciar e testemunhar a Palavra do Senhor, com palavras e obras, pois tão somente assim nossa luz haverá de brilhar e Deus será glorificado.



(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus -  p.1324
(2) Idem p.1325.

O exigente caminho da Salvação

                                                  

O exigente caminho da Salvação

Como discípulos missionários de Jesus Cristo, é preciso que trilhemos o mesmo caminho por Ele percorrido, como tão bem retrata o Evangelista Lucas (Lc 9,51-56), na passagem proclamada na terça-feira da 26ª Semana do Tempo Comum.

Ele inicia uma viagem que é a caminhada para a glória, mas passa pelo inevitável caminho real da Cruz. Sem murmurações, contando sempre com a força, presença e ação do Espírito Santo que O leva a viver incondicional fidelidade ao Pai. 

Com Sua Vida, testemunha o que ensinou com a Sua Palavra, e é o Servo do Senhor que Se deixa conduzir ao matadouro, sem a boca abrir e, porque Cordeiro mudo, tornou-Se Pastor imortal para o rebanho por toda a eternidade. 

“Muitas vezes, também nós cristãos gostaríamos de ver o triunfo da fé e da Igreja, mas segundo critérios mundanos.

O aplauso dos homens, as aclamações dos poderosos, o favor dos meios de comunicação podem ser, na verdade, modo de açaimar a verdadeira profecia, que compete aos sequazes de Cristo no mundo. 

Foi diferente o percurso traçado e indicado pelo Messias sofredor.” (1) 

Nada poderá calar a verdadeira profecia dos discípulos missionários do Senhor. nada poderá calar a voz daqueles que creem, anunciam e testemunham a Sua Palavra.

Da mesma forma, nada poderá amordaçar nossa boca e amarrar nossos pés, pois tão somente assim trilharemos o caminho que nos conduz ao Céu, carregando com fé nossa cruz cotidiana.

Reflitamos:
- O que poderá roubar a capacidade de nos entregarmos, com paixão, pela causa do Reino?
- O que poderá se sobrepor à missão da Igreja, na continuidade da missão do Senhor?

Oportunas são as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Rm 8,35).

Supliquemos sempre a força do Espírito Santo, que vem em socorro de nossa fraqueza, para que não vacilemos na fé, não esmoreçamos na esperança e jamais esfriemos na caridade, com total e incondicional confiança e entrega ao Senhor.

Façamos esta súplica tantas vezes quanto for necessário, mas jamais desistamos do caminho árduo da salvação, que passa pela porta estreita, com as renúncias necessárias, carregando nossa cruz de cada dia.
 

(1) Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Ediora Paulus - Lisboa - pág. 460. 

Não vos inquieteis com nada!

                                                     

Não vos inquieteis com nada!
            
Quantas vezes dores, enfermidades, preocupações, angústias, incertezas nos inquietam, carregam nosso semblante de preocupações, indiscutivelmente testemunhado pelo olhar, com esforços inúteis de disfarces.

Quantas vezes nossa vida é como uma barca à deriva em mares agitados. O que fazer?

Muitas possibilidades há para roubar nossa alegria e paz.

Como enfrentar as turbulências de nosso existir, desafios de nosso cotidiano?

Paulo, melhor do que ninguém, pode nos dizer: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4,4).

É sabido por quantas provações ele passou por causa do Evangelho e por causa de Jesus. É crível sua palavra, pois vem acompanhada de seu testemunho. Não são palavras vazias, com ausência de sentido e conteúdo.

As alegrias do mundo tendem para a eterna tristeza; mas as que brotam da vontade do Senhor levam os fiéis, que nelas perseveram, às alegrias duradouras e eternas, pois "O Senhor está perto; de nada vos inquieteis" (Fl 4,5-6).

Há tantas alegrias que não duram mais que o orvalho da manhã; que explodem como bolhas de sabão.

Alegrias transitórias, efêmeras, ilusórias, passageiras como nuvens, artificiais... São as que tendem para a eterna tristeza, pois não trazem a alegria em si. Somente n’Ele, Jesus, a perfeita alegria!

Paulo nos convida em tudo, por orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças, a apresentar nossos pedidos a Deus (Fl 4,6). A Ele entregar nossas preocupações e necessidades. Jamais decepção haverá para quem em Deus confiar.

Como disse o Pseudo Ambrósio, no século IV:

“O Senhor está perto; de nada vos inquieteis (Fl 4,5-6); o Senhor está sempre perto daqueles que O invocam na verdade, com fé integra, esperança firme, caridade perfeita.

Ele sabe do que precisais, antes mesmo que o peçais. Está sempre pronto a vir em auxílio dos que O servem fielmente, em qualquer necessidade sua...

Por conseguinte, não temos de preocupar-nos demais com as dificuldades iminentes, porque sabemos estar próximos de Deus, nosso defensor...

Se nos esforçarmos por realizar e guardar o que ordenou, Ele não tardará a nos dar o prometido. Mas em tudo, por orações e súplicas acompanhadas de ação de graças, apresentai vossos pedidos a Deus (Fl 4,6): não aconteça que, aflitos suportemos as tribulações com murmuração e tristeza. Isto nunca, mas com paciência e de rosto alegre, dando sempre e por tudo graças a Deus (Ef 5,20)”.

“Com paciência e de rosto alegre”, somente é possível para quem crê na força da Eucaristia, Remédio de imortalidade; antídoto para não morrer. Eucaristia que é ação de graças.

Não estamos sós. Que bom saber que Deus conosco está! Ventos, tempestade, agonias, sofrimentos, morte... jamais serão e terão a última palavra, pois esta é sempre de Deus.

Que Deus nos dê esta serenidade Paulina, exortada pelo Pseudo Ambrósio, tão indispensável em todo o tempo.

Mantendo viva a esperança contra toda falta de humana esperança, não nos inquietemos com nada!

Problemas...

                                                      

Problemas...

Sem problema! Assim penso,
Nem problema vejo.
Tem problema? Não creio!
Cem problemas maiores existem? Sem dúvida!
Vem problema maior? Preparemo-nos!”
Quem não tem problemas, não será o problema em si?

Bom, problemas
Todos, de fato, temos,
Eles existem para serem enfrentados,
Se nós existirem, são para serem desatados.

Não comungo com quem diz:
“Cada um com seus problemas”,
Penso que podemos nos solidarizar
E, assim, problemas são amenizados,
Caminhos novos são encontrados...

Problemas tanto podem ser o ponto final,
Como o começo de um novo fim;
Podem ser apenas reticências...
Situações a serem devidamente reescritas
Ou apenas um parêntese
De uma história que se revela aos poucos.

Problemas?
Diante deles se curvar?
Dar-se por vencido?
Refugiar-se medonhamente,
Atestando incompetência e covardia?
Não penso que seja assim.

A fé me ensina outro modo de enxergar as adversidades:

“Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a Oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4, 6).

Aprendo com as Palavras do próprio Senhor:

“Coragem! Sou Eu. Não tenhas medo!” (Mt 14, 27)

Problemas existem, sim,
Mas devem ser vistos na exata medida,
E superados com a imensurável medida
Da força que nos vem sempre de Deus
Quando a Ele acorremos e suplicamos:

“Vinde Espírito Santo...”

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium (Parte I)

                                      


A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium 

A Lumen Gentium (LG) - Luz dos Povos - é um dos Documentos do Concílio Vaticano II que ora retomo, dada a sua importância fundamental para a caminhada evangelizadora da Igreja.

Dentre os oito capítulos, dois tratam respectivamente, da Missão da Igreja e da Vocação à santidade na Igreja.

A Lumen Gentium começa proclamando que Jesus Cristo é a luz dos Povos e não ela, na qual o Reino de Deus ocupa o horizonte maior.

“A Igreja existe em função do Reino, para anunciá-lo, antecipá-lo em si mesma, reconhecê-lo atuando fora dela. E conhece-se o Reino postando-se no seguimento de Jesus” – (Pe. JB Libânio).

A Igreja é apresentada como Mistério a ser realizado entre os povos, como uma vontade salvífica do Pai, realizada na missão do Filho e vivificada pelo Espírito Santo (LG n.4).

Mistério Trinitário: A igreja vem da Trindade, vive da Trindade e caminha para a Trindade, o que chamamos de Comunhão Trinitária. A "Trindade é a melhor comunidade”.

“A Igreja, espelhando-se na Trindade de que é participação, tende a manter as distinções, as diferenças de ministérios e carismas. Eles, por sua vez, entrelaçam-se de tal modo em comunhão que constituem uma unidade na diferença.

E para cuidar dessa dialética está o ministério ordenado como primeiro responsável. Cabe respeitar a diferença, movendo-se nas águas da unidade batismal” – completa Pe. J.B. Libânio.
       
A Missão da Igreja é tornar-se lugar, espaço e comunidade onde a humanidade pode encontrar Deus em Jesus Cristo e ser santificada no Seu Espírito Santo.

Há um resgate de imagens que desde as origens do cristianismo representaram a Igreja: rebanho, lavoura de Deus, edifício, Jerusalém do alto, templo do Espírito Santo e Corpo de Cristo com diferentes membros e guiados pela única cabeça que é Cristo, a Luz dos Povos.

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