terça-feira, 29 de setembro de 2026

Problemas...

                                                      

Problemas...

Sem problema! Assim penso,
Nem problema vejo.
Tem problema? Não creio!
Cem problemas maiores existem? Sem dúvida!
Vem problema maior? Preparemo-nos!”
Quem não tem problemas, não será o problema em si?

Bom, problemas
Todos, de fato, temos,
Eles existem para serem enfrentados,
Se nós existirem, são para serem desatados.

Não comungo com quem diz:
“Cada um com seus problemas”,
Penso que podemos nos solidarizar
E, assim, problemas são amenizados,
Caminhos novos são encontrados...

Problemas tanto podem ser o ponto final,
Como o começo de um novo fim;
Podem ser apenas reticências...
Situações a serem devidamente reescritas
Ou apenas um parêntese
De uma história que se revela aos poucos.

Problemas?
Diante deles se curvar?
Dar-se por vencido?
Refugiar-se medonhamente,
Atestando incompetência e covardia?
Não penso que seja assim.

A fé me ensina outro modo de enxergar as adversidades:

“Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a Oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4, 6).

Aprendo com as Palavras do próprio Senhor:

“Coragem! Sou Eu. Não tenhas medo!” (Mt 14, 27)

Problemas existem, sim,
Mas devem ser vistos na exata medida,
E superados com a imensurável medida
Da força que nos vem sempre de Deus
Quando a Ele acorremos e suplicamos:

“Vinde Espírito Santo...”

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium (Parte I)

                                      


A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium 

A Lumen Gentium (LG) - Luz dos Povos - é um dos Documentos do Concílio Vaticano II que ora retomo, dada a sua importância fundamental para a caminhada evangelizadora da Igreja.

Dentre os oito capítulos, dois tratam respectivamente, da Missão da Igreja e da Vocação à santidade na Igreja.

A Lumen Gentium começa proclamando que Jesus Cristo é a luz dos Povos e não ela, na qual o Reino de Deus ocupa o horizonte maior.

“A Igreja existe em função do Reino, para anunciá-lo, antecipá-lo em si mesma, reconhecê-lo atuando fora dela. E conhece-se o Reino postando-se no seguimento de Jesus” – (Pe. JB Libânio).

A Igreja é apresentada como Mistério a ser realizado entre os povos, como uma vontade salvífica do Pai, realizada na missão do Filho e vivificada pelo Espírito Santo (LG n.4).

Mistério Trinitário: A igreja vem da Trindade, vive da Trindade e caminha para a Trindade, o que chamamos de Comunhão Trinitária. A "Trindade é a melhor comunidade”.

“A Igreja, espelhando-se na Trindade de que é participação, tende a manter as distinções, as diferenças de ministérios e carismas. Eles, por sua vez, entrelaçam-se de tal modo em comunhão que constituem uma unidade na diferença.

E para cuidar dessa dialética está o ministério ordenado como primeiro responsável. Cabe respeitar a diferença, movendo-se nas águas da unidade batismal” – completa Pe. J.B. Libânio.
       
A Missão da Igreja é tornar-se lugar, espaço e comunidade onde a humanidade pode encontrar Deus em Jesus Cristo e ser santificada no Seu Espírito Santo.

Há um resgate de imagens que desde as origens do cristianismo representaram a Igreja: rebanho, lavoura de Deus, edifício, Jerusalém do alto, templo do Espírito Santo e Corpo de Cristo com diferentes membros e guiados pela única cabeça que é Cristo, a Luz dos Povos.

Ser Padre: Missão de resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja

                                                             

Ser Padre: 
Missão de resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja

“O Concílio deseja ardentemente iluminar todos os homens com a claridade de Cristo, luz dos povos, que brilha na Igreja, para que o Evangelho seja anunciado a todas as criaturas (cf. Mc 16,15)”. (1)

De modo especial, através do Ministério Presbiteral verdadeiramente, a luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja, bem como na vida de todo cristão.

Quando foram ordenados presbíteros, foi dito pelo bispo: “Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem do Rei Melquisedec”, para fazer resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja.

Renovem dia pós dia esta imensa graça, com uma vida em que o anúncio da Palavra seja acompanhado do indispensável testemunho.

Procurem viver o que celebram, em perfeita sintonia, levando muitos a contemplarem o resplandecer da luz de Cristo no rosto da Igreja, a que devem estar sempre a serviço.

Sejam instrumentos da publicidade da luz, numa vida simples, coerente, pois a luz não existe para ser escondida, como nos falou o Senhor no Evangelho. Quando se possui a luz de Deus, quando ela foi acesa no coração é impossível guardá-la para si.

Jamais escondam ou permitam apagar a chama do amor de Deus acesa, comunicando a universalidade da luz do amor pelos últimos, sem se esquecer dos primeiros; a luz do amor pelos pobres, pelos pequeninos, pelos humildes, enfermos, e outros tantos rostos com quem Ele Se identificou (Mt 25).

Comuniquem a consistência da luz da Palavra Divina, que não se reduz às palavras, teorias, discursos, discussões, mas em obras concretas de amor, justiça, perdão, fraternidade, humildade, compaixão, proximidade  e solidariedade.

Nesta comunicação da transparência da luz divina, façam de tal modo que não atraiam ninguém para si, mas para Aquele que nos chama e envia: Jesus, o Bom Pastor.

Seja a transparência de suas vidas, como Presbíteros, por causa de suas obras, motivação para que muitos glorifiquem o Pai que está nos céus (Mt 5, 16).

Sejam instrumentos da perfeita comunhão, na fidelidade a Jesus, Divino Mestre da unidade e da paz, fortalecendo a família do Senhor, que se une pelo laço da fé e da prática da Palavra Divina.

Sejam alegres servidores numa Igreja ministerial, misericordiosa e missionária, como nos exortava o Papa Francisco, levando a Boa-Nova e luz do Senhor ao mundo todo.

Comuniquem esta luz, na noite sombria de um mundo marcado por tantos sinais de morte e exclusão.

Vivam o Ministério numa crescente devoção a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus, que os tornará cada vez mais compadecidos e solidários com a dor dos pobres, verdadeiramente Sacerdotes conforme o Coração de Jesus.

Que a luz de Cristo resplandeça no rosto da Igreja pelas suas vidas e Ministério Presbiteral, em comunhão com todos os cristãos leigos e leigas da Igreja.

Sejam, portanto, sal da terra e luz do mundo, contando sempre com a força indispensável que nos vem da oração sincera, pura e confiante. Amém.


Fonte inspiradora: Primeiros parágrafos da Constituição “Lumen Gentium” – Luz dos Povos - sobre a Igreja (1)

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium – Parte II

                                                            

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium – Parte II

Todos são chamados à santidade por vocação. É um chamado que é universal a partir de Cristo: A missão essencial da Igreja é a santificação, pois ela é santa e todos são chamados à santidade e deve ser vivida nos diversos estados de Vida que compõem o povo de Deus (LG 40).

“Retomando a ideia patrística de Igreja, ‘povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo (LG 4), o Vaticano II lembra que todos os batizados e batizadas têm dignidade, liberdade, formam a comunidade dos filhos e filhas de Deus e são templos do Espírito Santo (LG 9).

Todo o Povo de Deus, por causa do sacerdócio comum dos fiéis, é chamado à plena participação e a uma vida santa ( LG 10). Aliás, não só os católicos, mas também os demais cristãos e toda a humanidade são destinados a ser Povo de Deus (LG 13)”, nos diz o Pe. José Lisboa Moreira de Oliveira no artigo da VP. P.15.

Muitas vezes a santidade é confundida com atitudes de beatice ou carolice. No linguajar comum, especialmente dos grupos fundamentalistas atuais, das comunidades neoconservadoras que estão surgindo ultimamente no interior da nossa Igreja, a santidade é relacionada com atitudes alienadas e com comportamentos desequilibrados e totalmente distantes do mundo real, afirma o Pe. José Lisboa.

A santidade, segundo a LG, está profundamente relacionada com o cotidiano e com a prática concreta da vida de cada dia: para ser santa a pessoa não precisa fugir do seu estado de vida:

“A santidade não se dá nas nuvens, em outro planeta, fora da realidade, mas no quotidiano da vida. A santidade é um dom que deve ser acolhido e cultivado no tempo, no espaço, nas ocupações e nas circunstâncias em que nos situamos” (LG 41).

“No tocante à santidade dos cristãos leigos e leigas, o Vaticano II destaca o significado do trabalho, da participação na construção do bem comum e da cidadania, do labor quotidiano, com suas alegrias e também com suas cruzes.

A vida matrimonial ganha especial destaque, uma vez que é considerada um exemplo para a construção da fraternidade” (Pe. José Maria – p. 17).

A santidade é um presente de Deus: a Igreja é santa porque a Trindade é santa, porque a sua origem e a sua fonte são santas (LG 39). Ela não é uma exclusividade de determinadas pessoas ou de certos grupos. Santidade não é propriedade privada de ninguém.

De modo que ninguém pode se santificar isoladamente. Santifica-se enquanto é pertencente a uma comunidade. A santidade constitui-se num chamado que o Pai, pelo Filho, na ação do Espírito, dirige a toda a humanidade e, de modo particular, a todas as pessoas batizadas.

A santidade tem prerrogativa exclusiva de Deus, pois só Deus é Santo, não é algo adquirido pelos esforços e méritos das pessoas, mas uma dádiva, um dom divino,  tem três elementos básicos:

- a pertença
- a missão
- o testemunho.

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium (III)

                                                     


A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium 

Há algumas marcas que a LG acentua sobre a Igreja:

- é universal
- é histórica
- ela está a serviço do Reino de Deus
- tem sua raiz na Sagrada Escritura
- Igreja é Sacramental e dos Sacramentos
- é colegial    
- é laical
- Igreja é santa e pecadora
- a Igreja tem que abolir todo triunfalismo, centralismo, clericalismo, jurisdicismo
- a Igreja é Ecumênica – aberta ao diálogo
- a Igreja move-se pelo sopro e ação do Espírito.

Urge fortalecer nossos passos no caminho da santidade:

- Na prática do Mandamento do Amor – a vocação de toda pessoa humana é um convite a amar – nós somos criados no amor e para o amor (LG 16);

- No cultivo dos mesmos sentimentos e pensamentos que havia em Cristo Jesus para sermos sal e luz (LG 42).

- Crencendo e frutificando, rutificar alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia e por todos os Sacramentos

- No fortalecimento da vida de Oração – leitura orante

- No Amor aos empobrecidos, como a maior expressão concreta de amor a Deus – comunhão, fraternidade e a partilha.

- E cada um vivendo a sua vocação naquilo que ela tiver de próprio, de específico.

- O testemunho de unidade - pelo seu testemunho a Igreja torna presente (visível) o Ausente (invisível) Jesus: eis a nossa Missão.

Vivendo a vocação à santidade, partiremos sempre em missão, na fidelidade ao Verbo que Se fez Carne e nos revelou o Amor do Pai, na força e na comunhão do Espírito. Esta é a nossa missão.

“Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). 

Com a proteção dos Arcanjos, contemos

                                                   

Com a proteção dos Arcanjos, contemos 

Batalha, cura e missão 

No dia 29 de setembro, a Igreja celebra a Festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, tendo como textos bíblicos: Dn 7,9.13-14 (ou Ap 12,7-12a); Sl 137 (138); (Jo 1,47-51). 

Os nomes dos arcanjos revelam uma missão, e no Missal Romano, temos o comentário que nos apresenta cada Arcanjo com uma missão específica: 

Miguel: nome hebraico que significa – “Quem é como Deus?”. 

É o Arcanjo que se insurgiu contra satanás e seus seguidores (Jd 9; Ap 12,7; Zc 13,1-2); é o defensor dos amigos de Deus (Dn 10,12.21), e protetor do Seu povo (Dn 12,1). 

No Novo testamento, encontramos na Carta de São Judas (v.9), em que ele é nos apresentado numa luta contra Satanás pelo corpo de Moisés. 

Também encontramos no Livro do Apocalipse (Ap 12,7), em que Miguel e os anjos combatem contra o dragão. 

Celebra-se, no dia 29 de setembro, em Roma, o aniversário da dedicação de uma Igreja a este Arcanjo. 

Cedo se tornou muito popular no culto cristão; inclusive na Liturgia dos mortos é pedido ao mesmo que acompanhe as almas, ao céu. 

Gabriel: significa - “A força de Deus”.

É um dos espíritos que estão junto de Deus (Lc 1,19), e revela a Daniel os segredos do Plano de Deus (Dn 8,16; 9,21-22); anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1,11-20); anuncia a Maria o Nascimento do Salvador, Jesus Cristo, Lc 1,26-38). 

Rafael: significa – “Deus curou”.

Está entre os sete Anjos que estão diante do Trono de Deus (Tb 12,15; Ap 8,2); acompanha e protege Tobias nas peripécias de sua viagem como portador de salvação e cura-lhe o pai cego. 

O Evangelista São Lucas apresenta muitas vezes a intervenção dos anjos nas origens da Igreja, porque com a vinda de Cristo, a humanidade entrou num novo tempo, no qual Deus Se faz próximo da humanidade e o céu está unido a terra. 

Na passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 1,14), os anjos vêm de Deus, como “enviados a serviço, para vantagem daqueles que devem ser salvos”. 

Afirma o Missal Romano, especialmente na Liturgia Eucarística, que a Igreja, peregrina sobre a terra, associa-se às multidões dos Anjos que, na Jerusalém Celeste, cantam a glória de Deus (Ap 5,11; SC 8). 

Na primeira Oração da Missa, reconhecemos a bondade divina que nos colocou seus Anjos que servem a Deus no céu, como nossos protetores aqui na terra. 

Na Oração sobre as Oferendas, pedimos que os Anjos levem à presença de Deus, nossas oferendas de louvor, apresentadas com humildes preces, e que sejam por Deus recebidas com agrado, por meio de Cristo, que é Nosso Senhor. 

Na última Oração, uma vez alimentados pela força do Pão do Céu, a Eucaristia, pedimos a Deus que, sob a proteção dos Seus Anjos, progridamos no caminho da Salvação, pelo mesmo Cristo e Senhor Nosso. 

Finalmente, no Prefácio dos Anjos desta Missa, assim rezamos:

“... É a Vós que glorificamos (Deus Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso), ao louvarmos os Anjos, que criastes e que foram dignos do Vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas...”. 

Contemos sempre com suas presenças, ainda que não os vejamos, para experimentarmos, em todos os momentos, a força de Deus, curados de nossas enfermidades, fraquezas, para que assim sejamos, também, alegres anunciadores da Boa Notícia do Reino, sobretudo aos que mais precisarem. 

Concluindo, contemos sempre com a presença e a companhia dos anjos e arcanjos, a fim de que vivamos o bom combate da fé, sobretudo quando surgirem dificuldades e provações, na realização de nossa missão por Deus confiada, como discípulos missionários do Senhor, pois também precisamos da cura, para que, sãos de corpo e espírito, não esmoreçamos em nosso testemunho de fé, rejuvenescendo nossa esperança no fortalecimento da caridade. 

Oremos: 

“Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos Anjos e dos homens, fazei que sejamos protegidos na terra por aqueles que Vos servem no céu. Por N.S.J.C. Amém”.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1752-1754


Oração ao Arcanjo São Miguel

                                                             

Oração ao Arcanjo São Miguel

Ó Deus, pela intercessão do Arcanjo São Miguel, Padroeiro de nossa Diocese, protegei-a assim como as nossas cidades. 

Ajudai-nos na luta contra o pecado do egoísmo, da indiferença e do desânimo, para maior fidelidade a Vós.

Libertai-nos de toda maledicência e murmuração; expulsai de nosso meio tudo que gera divisão. 

Colocai em nosso coração muita coragem para lutar contra as forças do mal.

Fazei de nós ardentes discípulos missionários do Vosso Filho Jesus, iluminados e apaixonados pelo Evangelho, a fim de vivermos a fraternidade, a justiça, o amor e a solidariedade.

Alimentados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, a Vós confiamos e entregamos nossas paróquias, comunidades, famílias,  trabalhadores e enfermos.

Ensinai-nos a viver plenamente a vossa vontade, acolhendo no coração o que o Arcanjo São Miguel nos revela por sua missão: “Quem como Deus?”.

Tudo isso Vos pedimos por meio do Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

Autores:
Pe. Hermes Firmiano Pedro – Diocese de Guanhães - MG
Dom Otacilio F. Lacerda

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