segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Reino de Deus é a nossa maior riqueza (XVIIDTCA)

                                                       

O Reino de Deus é a nossa maior riqueza

Com a Liturgia da Palavra do 17º Domingo do Tempo Comum (ano A) refletimos à luz das Parábolas da pérola, do tesouro escondido e da rede lançada ao mar, sobre o Reino de Deus, questionando nossas prioridades diante de Jesus.

É preciso que o Reino seja para nós o valor supremo e que, a exemplo de Salomão, peçamos a sabedoria para fazer as devidas escolhas, sem nos prendermos aos valores efêmeros, passageiros, mas aos valores eternos.

A súplica de Salomão na passagem da primeira leitura (1 Rs 3,5.7-12), questiona nossas súplicas: ele pediu um coração sábio para governar com justiça.

A Salomão, Deus acrescentou riqueza, glória, longa vida. Deus nunca deixará faltar nada, mas bem sabemos que Salomão foi seduzido pelos valores passageiros, e é para nós, em todos os tempos, um sinal de advertência para que não incorramos no mesmo erro.

Enquanto oração foi perfeita, mas não a sua conduta, e com isto podemos refletir sobre o que pedimos e recebemos de Deus e o que fazemos com o que recebemos.

Vivemos numa constante decisão entre o ilusório ou real, passageiro ou eterno, sendo assim podemos nos questionar sobre o que, de fato, fundamenta nossa felicidade.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 8,28-30), o Apóstolo Paulo nos fala sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para nos oferecer na acolhida do Espírito Santo, lembrando que tudo Ele faz para aqueles que ama.

Portanto, é preciso viver na fidelidade à graça divina, tendo a plena convicção de que o Espírito intercede por nós junto do Pai e nos concede a graça para realizar Seu Projeto de Salvação.

Não estamos à deriva na história: Deus nos conhece, predestina, chama, justifica, glorifica, de modo que a Salvação destina-se a todos.

Num contexto de indiferença, e até mesmo negação da existência de Deus, a Carta de Paulo leva-nos a refletir sobre um Deus que nos ama e incansavelmente vem ao nosso encontro. 

Como discípulos missionários cabe-nos concretizar este Projeto de Salvação, e assim o faremos se, de fato, nos identificarmos com Jesus, fazendo d’Ele nosso mais belo e precioso tesouro.

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,44-52), ouvimos as parábolas exclusivas de Mateus que tinha diante de si uma comunidade imersa na monotonia, na falta de empenho, numa vivência morna da fé, logo, pouco exigente e comprometida.

- Como perseverar diante das perseguições e hostilidades, dificuldades que vão se apresentando na caminhada da comunidade?

Aqui está a beleza das Parábolas: revigoram o ânimo, reavivam o entusiasmo, ajudam no discernimento e fortalecem no seguimento.

A comunidade deve ver no Reino a grande pérola ou tesouro pelo qual todo sacrifício deve ser feito e toda renúncia não será em vão.

É preciso rever a escala de valores que pautam nossa vida, o que nos seduz, o que consome nossas forças, nosso tempo; bem como refletir sobre a alegria que devemos ter por sermos instrumentos, colaboradores na realização do Reino.

Quanto a Parábola da rede e dos peixes leva a comunidade a refletir mais uma vez sobre a necessidade da paciência para ver o Reino de Deus acontecer (parábola do joio e trigo).

Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele não quer a morte do pecador, por isso dá ao homem o tempo necessário e suficiente para amadurecer as suas opções e fazer suas escolhas.

Novamente refletimos sobre a Misericórdia de Deus que se manifesta na tolerância, paciência, sempre desejoso de que em nós aconteça a conversão e o amadurecimento.

Na conclusão do Evangelho os discípulos são chamados a compreender, acolher o novo ensinamento proposto, num renovado compromisso e empenho.

Renúncias, relativizações, discernimentos são para nós pedidos, para que não nos percamos no que é efêmero, passageiro, ilusório,  e busquemos o que é eterno.

A busca da sabedoria para acolher e compreender e se comprometer com o Reino.

Devemos renunciar de modo absoluto ao pecado, como assim prometemos no dia de nosso Batismo, e para melhor servir ao Reino renunciar àquilo que não é mal em si (riquezas, prestígio, poder). 

Temos um valor maior, sermos instrumentos do Reino vale muito mais do que tudo isto.

Reflitamos:

- O que pedimos quando dizemos: “Venha a nós o Vosso Reino”?
- Qual tem sido o conteúdo de nossas súplicas?


- Temos consciência de nosso papel na realização do Reino? 
-  Como Igreja, estamos a serviço do Reino?

- Sentimos alegria contagiante ao trabalhar para que o Reino de Deus aconteça?

Concluindo a mensagem central deste domingo: O Reino de Deus é o nosso maior tesouro. Participemos de sua realização como herdeiros da graça em Cristo Jesus pelo Espírito Santo no amor do Pai.

O melhor Ele já nos deu: O Espírito Santo e os sete Dons: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus.

Empenhemo-nos alegremente na construção do Reino, o Espírito nos assiste, a Sabedoria nos é comunicada incessantemente. 

Saibamos fazer as renúncias necessárias pelo mais Belo Tesouro - Jesus.

Que nossas mãos aprendam a partilhar (XVIIDTCA)

                                                     

Que nossas mãos aprendam a partilhar

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,44-52), temos a apresentação das parábolas de Jesus: tesouro escondido; a pérola preciosa e a rede lançada ao mar, que recolhe peixes bons e maus.

São iluminadoras as palavras do Bispo e Doutor Santo Agostinho (séc. V), em seu Sermão, sobretudo em relação à parábola do tesouro escondido:

“Todo o mal que os maus fazem é registrado – e eles não o sabem. No dia em que ‘Deus virá e não se calará’ (Sl 50, 3) […]. Então, Ele Se voltará para os da sua esquerda: ‘Na terra, dir-lhes-á, Eu tinha posto para vós os meus pobrezinhos, Eu, Cabeça deles, estava no céu sentado à direita do Pai – mas na terra os meus membros tinham fome: o que vós tivésseis dado aos meus membros, teria chegado à Cabeça. Quando Eu coloquei os meus pobrezinhos na terra, constituí-os vossos portadores para trazerem as vossas boas obras ao meu tesouro. Vós nada depositastes nas mãos deles: por isso nada encontrais em Mim’” . (1)

Os “pobrezinhos na terra” foram constituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, portadores das boas obras ao tesouro do Senhor. E apresentarão, nas mãos de Deus, o que nelas depositarmos.

Somos remetidos à prática das Obras de Misericórdia Corporais e Espirituais, na fidelidade a Jesus e ao Evangelho (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos), que por sua vez não se separam das Obras de Misericórdia Espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

Deste modo, seremos autênticos discípulos missionários do Senhor, com os passos firmados a caminho do juízo final diante d’Ele, que nos julgará, ao final de nossa vida, pelo amor vivido.

Concluímos com as palavras de São João da Cruz (séc. XVI): No crepúsculo de nossa vida, seremos julgados pelo amor”.

Fonte de pesquisa: Catecismo da Igreja Católica – n.1039

“Alegria transbordante em toda a tribulação” (XVIIDTCA)

                                                         

“Alegria transbordante em toda a tribulação”

“É próprio de quem ama queixar-se de não ser amado e,
ao mesmo tempo, temer que, excedendo-se
na acusação, venha a magoar”

Sejamos enriquecidos pela Homilia sobre a Segunda Carta aos Coríntios, do Bispo São João Crisóstomo (Séc. IV), que nos fala do transbordamento da alegria em toda a tribulação, na fidelidade a Jesus Cristo.

“Paulo de novo fala sobre a caridade, refreando a dureza da advertência. Depois de tê-los censurado e repreendido porque, amados, não haviam correspondido ao seu amor, mas haviam-se separado de seu afeto para se ligar a homens perniciosos, de novo suaviza a acerba repreensão, dizendo:

Acolhei-nos em vossos corações, como quem diz: ‘Amai-nos’. Não é pesada a graça que pede, e é de maior vantagem para quem dá, do que para quem recebe. Não disse ‘Amai’, mas algo que transpira compaixão: ‘Acolhei-nos em vossos corações’.

Quem foi que nos arrancou de vossos corações? Quem nos expulsou? Qual a causa de tanta estreiteza em vós? Acima dissera: Tendes vossos corações apertados; aqui declara abertamente o mesmo: Acolhei-nos em vossos corações. Assim, com isso os atrai de novo a si. Não é de somenos importância, quando se solicita o amor, que o amado entenda ser sua afeição de grande valia para quem ama.

Já o disse: Estais em nossos corações para a vida e para a morte. A força máxima do amor está em que, mesmo desprezado, quer morrer e viver juntamente com eles. Ora, não de qualquer modo estais em nossos corações, mas como declarei. Pode acontecer que alguém ame, mas fuja dos perigos. Conosco não é assim.

Estou repleto de consolação. Que consolação? Aquela que me vem de vós. Convertidos a melhores sentimentos, por vossas obras me consolais. É próprio de quem ama, queixar-se de não ser amado e, ao mesmo tempo, temer que, excedendo-se na acusação, venha a magoar. Por isto acrescenta: Estou repleto de consolação, transborda minha alegria. Como se dissesse: ‘Senti grande tristeza por vós; contudo me enchestes de satisfação e me consolastes; não só tirastes a causa da tristeza, mas me cobristes com muito maior alegria’.

Em seguida manifesta sua grandeza não apenas ao dizer: Minha alegria transborda; como também no que segue: Em toda tribulação nossa. Foi tão grande o prazer que me causastes que não poderia ser obscurecido pela grande aflição. Tão imenso que reduziu a nada todos os sofrimentos que nos acometeram e não nos permitiu que fôssemos abatidos pelo desgosto”.

A vida é tecida de acontecimentos que se entrelaçam e que nem sempre tão bons e agradáveis e facilmente contornáveis.

Da mesma forma, na fidelidade e no testemunho da fé, podemos passar por momentos difíceis, momentos em que sentimos como que se pode dizer “secura da alma”, “noite escura”, com suas provações e inquietações.

Nestes momentos, porém, é que temos que manter firme nossa fé, crendo contra toda falta de esperança, confiando plenamente no poder e na Palavra divina, com a força do Espírito Santo, que vem nos assistir, socorrendo nossa fraqueza, dando-nos firmeza em novos passos que precisam ser dados.

Deus que tanto nos ama, espera esta resposta de amor, em total confiança e entrega a Ele, em Suas mãos, como tão bem expressou o Bispo: “É próprio de quem ama, queixar-se de não ser amado”.

Aprendamos com o Apóstolo que, mesmo incompreendido pela comunidade, jamais deixou de amá-la e exortá-la para que crescesse na fidelidade ao Senhor, na máxima expressão da caridade ativa e frutuosa, pois sabia a quem servia e de quem a Palavra anunciava e testemunhava, com todo ardor e coragem.

Em poucas palavras... (XVIIDTCA)

                                          


Oremos: 

“Ó Deus, amparo dos que em Vós esperam, sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai em nós a vossa misericórdia para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já os bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém!” (1)

 

(1)  Oração do dia da Missa do 17º Domingo do Tempo Comum

“Usemos as coisas temporais, mas desejemos as eternas” (XVIIDTCA)

                                        


“Usemos as coisas temporais, mas desejemos as eternas”

 

“Se não podeis deixar as coisas do mundo,

fazei uso delas de tal modo que não vos prendam a ele...”

 

Sejamos enriquecidos por uma das homilias sobre os Evangelhos, escrita pelo Papa São Gregório Magno (séc. V).

 

“Desejaria exortar-vos a deixar tudo, mas não me atrevo. Se não podeis deixar as coisas do mundo, fazei uso delas de tal modo que não vos prendam a ele, possuindo os bens terrenos sem deixar que vos possuam.

 

Tudo o que possuís esteja sob o domínio do vosso espírito, para que não fiqueis presos pelo amor das coisas terenas, sendo por elas dominados.

 

Usemos as coisas temporais, mas desejemos as eternas. As coisas temporais sejam simples ajuda para a caminhada, mas as eternas, o termo do vosso peregrinar.

 

Tudo o que se passa neste mundo seja considerado como acessório. Que o olhar do nosso espírito se volte para frente, fixando-nos firmemente nos bens futuros que esperamos alcançar.

 

Extirpemos radicalmente os vícios, não só das nossas ações, mas também dos pensamentos. Que o prazer da carne, o ardor da cobiça e o fogo da ambição não nos afastem da Ceia do Senhor!

 

Até as coisas boas que realizamos no mundo, não nos apeguemos a elas, de modo que as coisas agradáveis sirvam ao nosso corpo sem prejudicar o nosso coração.

 

Por isso, irmãos, não ousamos dizer-vos que deixeis tudo. Entretanto, se o quiserdes, mesmo possuindo-as, deixareis todas as coisas se tiverdes o coração voltado para o alto. Pois quem põe a serviço da vida todas as coisas necessárias, sem ser por elas dominado, usa do mundo como se dele não usasse.

 

Tais coisas estão ao seu serviço, mas sem perturbar o propósito de quem aspira às do alto. Os que assim procedem têm à sua disposição tudo o que é terreno, não como objeto de sua ambição, mas de sua utilidade. Por conseguinte, nada detenha o desejo do vosso espírito, nenhuma afeição vos prenda a este mundo.

 

Se amarmos o que é bom, deleite-se o nosso espírito com bens ainda melhores, isto é, os bens celestes. Se tememos o mal, ponhamos diante dos olhos os males eternos. Desse modo, contemplando na eternidade o que mais devemos amar e o que mais devemos temer, não nos deixaremos prender ao que existe na terra.

 

Para assim procedermos, contamos com o auxílio do Mediador entre Deus e os homens. Por meio d’Ele logo obteremos tudo, se amarmos realmente Aquele que, sendo Deus, vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.”

 
Os cristãos estando no mundo não são do mundo e devem ter atitude diferente frente aos bens, de modo especial nos exorta o Papa São Gregório Magno, com sabedoria e sobriedade devem usar as coisas, e não por elas serem possuídos.

 

Quanto mais Eucarísticos e Pascais formos, maior será:

- A nossa liberdade e desprendimento diante de tudo e de todos para maior fidelidade ao Senhor;

- A nossa disponibilidade para amá-Lo e servi-Lo na pessoa do nosso próximo;

- O nosso contentamento com o que possuímos, afinal não precisamos muito para sermos felizes, quando nosso coração encontrou no Senhor o divino deleite e inebriamento;

 - A nossa gratidão pelo que possuímos, sem cairmos no consumismo que não dá o verdadeiro sentido e preenchimento da alma.

Concluindo, maior alegria sentiremos quando menos trêfegos formos e soubermos trafegar entre as privações e provações da vida, com toda confiança no Senhor, buscando as coisas do alto onde habita Deus, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo – Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.” (Cl 3,1).

Oremos:

“Ó Deus, sois o amparo dos que em Vós esperam e, sem Vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!” (1)

 

(1) Oração da Coleta do 17º Domingo do Tempo Comum – Missal Romano – antiga Edição.

Paixão pelo Reino de Deus (XVIIDTCA)

                                                  


Paixão pelo Reino de Deus

Reflexão à luz das passagens do Evangelho de Mateus (Mt 13,44-46; Mt 13,47-53).

Com as Parábolas do tesouro escondido encontrado, da pérola preciosa procurada e da rede lançada ao mar, Jesus nos fala do Reino de Deus.

Tesouro, pérola e rede, imagens tão simples usadas por Jesus, que saem de Seus lábios e têm como destino o coração dos pobres e simples, que as compreendem e se alegram, porque aceitam o convite à conversão e ao acolhimento do Reino de Deus, que vem e está se manifestando ao mundo.

Oremos:

Ó Senhor, o que nos ofereceis possui um valor infinito, não tem preço: a alegria de participar do Vosso Reino como alegres discípulos missionários.

Renovamos nossa prontidão na renúncia a tudo pela conquista da Salvação que nos vem de Vós, como dom Vosso e compromisso nosso.

Ó Senhor, ajudai-nos na melhor decisão da acolhida do Vosso Reino, não desperdiçando as ocasiões sagradas oferecidas, em contínua conversão, para que não sejamos contados entre os maus, no fim dos tempos, quando vierdes com Vossos Anjos para o julgamento final.

Suplicamos, ó Senhor, a Vossa sabedoria para que descubramos o tesouro da Lei de Deus como guia de nossa vida, pois somente vivendo a Lei maior do Amor, temos garantidas a vida e a felicidade.

Ó Senhor, que, em tempos de perseguição e dificuldades, estejamos  prontos a deixar tudo para segui-Lo; ajudai-nos a derrotar o mal com Vosso poder, crendo na força que nos vem de Vossa Ressurreição, com a presença e efusão do Vosso Espírito, que nos acompanha, fortalece, aquece nosso coração, abre nosso olhar para o horizonte do Reino.

Iluminai e fortalecei nossos passos, dai-nos coragem para carregarmos nossa cruz cotidiana, com renúncias necessárias, confiantes em Vossa Palavra, pois tudo concorre para o bem daqueles que Vos ama.

Ó Senhor, concedei-nos a graça de, no trilhar do caminho da fé, escutar, acolher e viver a Vossa Palavra sem jamais declinar de nossos sagrados compromissos convosco e com a humanidade, para que a alegria e a vida nova do Reino possam estender suas raízes, e saborosos frutos possam ser colhidos.

Enfim, ó Senhor Jesus, intercedei junto ao Vosso Pai de Amor, fonte de sabedoria, para que nos envieis sempre o Vosso Santo Espírito para descobrirmos o tesouro escondido e a pérola preciosa do Reino.

Concedei-nos o discernimento do Espírito, para que saibamos apreciar, no meio das coisas do mundo, o valor inestimável do Vosso Reino, sempre prontos a qualquer renúncia para conquistarmos os Vossos dons, dando verdadeiro e pleno sentido ao nosso existir, somente assim mais humanos e fraternos seremos.

Predestinados a ser a Vossa imagem e semelhança, nos sintamos contemplados pelo Vosso Amor, e Vos agradeçamos por nos ter chamado para trabalhar em prol do Vosso Reino, por nos ter justificado pelo Sangue Redentor e, por Vossa morte e Ressurreição, nos alcançado a glorificação. Amém. 

“As pérolas preciosas conduzem à pérola de grande valor” (XVIIDTCA)

                                             


“As pérolas preciosas conduzem à pérola de grande valor”

Sejamos iluminados pelo Sermão n. 10 sobre a pérola de grande valor, escrito por Orígenes (séc.III), à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,44-52).

“O texto que buscava pérolas preciosas podem compará-lo com este: buscai e achareis; e com este outro: quem busca, encontra. Por que se diz buscai e quem busca encontra? Arrisco a ideia de que se trata ‘das’ pérolas e ‘a’ pérola, pérola que adquire o que deu tudo e aceitou perder tudo, pérola a propósito da qual diz Paulo: Eu perdi tudo para ganhar a Cristo. Ao dizer ‘tudo’ se refere às pérolas preciosas; e ao referir ‘para ganhar a Cristo’ aponta para a única pérola de grande valor.

Preciosa é a lâmpada para aqueles que vivem nas trevas, e seu uso é necessário até que se levante o sol; preciosa era também a glória que irradiava a face de Moisés e penso que também a dos profetas: espetáculo tão maravilhoso que, graças a ele, nos abrimos à possibilidade de contemplar a glória de Cristo, glória para a qual o Pai presta testemunho, dizendo: Este é o meu Filho amado, meu predileto.

Aquele esplendor já não é esplendor, eclipsado por esta glória incomparável, e nós necessitamos, em um primeiro momento, de uma glória suscetível de desaparecer para dar lugar a uma glória mais excelente, assim como temos necessidade de um conhecimento ‘parcial’, que será extinto quando chegar o perfeito.

Assim, toda alma que adere à primeira infância e caminha para a perfeição necessita, até que o tempo se cumpra, de pedagogo, tutores e curadores, para que ao chegar à idade prefixada por seu pai, aquele que em nada se diferenciava de um escravo, sendo senhor de tudo, receba, uma vez libertado da mão do pedagogo, dos tutores e curadores, seus bens patrimoniais, comparáveis à pérola de grande valor e à futura perfeição que extingue com o que é parcial, no momento em que for capaz de aderir à excelência do conhecimento de Cristo, depois de exercitar-se naqueles conhecimentos que, por assim dizer, estão sob o conhecimento de Cristo.

Porém, a grande massa, que não captou a beleza das numerosas pérolas da lei, nem o conhecimento ainda ‘parcial’ que se encontra em todas as profecias, imaginam-se poder encontrar – sem antes ter esclarecido e compreendido perfeitamente essas riquezas – a única pérola de grande valor e contemplar a excelência do conhecimento de Cristo, em comparação da qual pode-se dizer que tudo o que precedeu a tão elevado e perfeito conhecimento, sem ser por sua própria natureza lixo, aparece como tal, pois se pode compará-la ao esterco que o Senhor da vinha lança ao redor da figueira, para que produza mais fruto.

Assim, tudo tem o seu tempo e ocasião, todas as tarefas debaixo do sol: tempo de recolher pedras, isto é, pérolas preciosas, e depois de tê-las recolhido, tempo de encontrar a única pérola de grande valor, momento em que é preciso vender tudo o que se possui e comprá-la.” (1)

Como discípulos missionários do Senhor, estamos em permanente vigilância e discernimento do que é passageiro ou eterno, do que realmente tem valor ou não.

Com a Sabedoria do Espírito, façamos os necessários discernimentos, sobretudo em nossa ação evangelizadora, nos consumindo tão apenas por aquilo que vale a pena, sem esgotamentos, cansaços inúteis e estéreis.

Oremos:

“Ó Deus, sois o amparo dos que em Vós esperam e, sem Vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!” (2)

 

(1)   Lecionário Patrístico Dominical, Editora Vozes – 2013 - pp. 184-185.

(2)   Oração do dia da Missa do 17º Domingo do Tempo Comum

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