terça-feira, 9 de junho de 2026

A suavidade da sincera caridade

                                                           

A suavidade da sincera caridade

Para a reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,13-16), acolhamos o Sermão escrito por São Cesário de Arles (séc. V).

“O bem-aventurado patriarca José, movido pela suavidade de uma sincera caridade, tratou de repelir, com a graça de Deus, de seu coração, o veneno da inveja, da qual sabia estar infeccionado o coração de seus irmãos.

Portanto, ao povo cristão não lhe é lícito estar cioso, não lhe está permitido invejar, apoiando-se na humildade eleva-se ao cume da virtude.

Escuta o bem-aventurado Apóstolo João em sua Carta: Aquele que odeia ao seu irmão é um homicida; e novamente: Quem diz que está na luz e abomina ao seu irmão ainda está nas trevas, caminha nas trevas, e não sabe aonde via, porque as trevas cegaram os seus olhos.

Aquele que abomina, diz, ao seu irmão, caminha nas trevas e não sabe aonde vai; pois sem perceber desce ao inferno e, como cego que é, precipita-se na pena, apartando-se da luz de Cristo que nos admoesta e nos diz: Eu sou a luz do mundo, e aquele que crê em mim não caminha nas trevas, mas terá luz da vida.

De fato, como vai possuir a paz do Senhor ou a caridade o que, dominado pelos ciúmes, é incapaz de permanecer na paz e segurança?

Quanto a nós, irmãos, fujamos, com a graça de Deus, da peçonha dos ciúmes e da inveja, e levemos a suavidade da caridade para nossas relações não só com os bons, mas também com os maus; assim Cristo não nos reprovará pelo pecado da inveja, antes nos felicitará e nos convidará ao prêmio dizendo-nos: Vinde, benditos, herdai o Reino.

Tenhamos nas mãos a Sagrada Escritura, e no espírito o pensamento do Senhor; que jamais cesse a oração contínua, e persevere sempre a operação salvadora, de maneira que, quantas vezes o inimigo se aproxime para tentar-nos, nos encontre sempre ocupados nas boas obras.

Examine, pois, cada qual a sua própria consciência, e se descobrir-se afetado pelo veneno da inveja frente à prosperidade de seu irmão, arranque de seu peito os espinhos e abrolhos, para que nele a semente do Senhor, como em campo fértil, produza um fruto multiplicado e a divina e espiritual colheita se traduza em messe fertilíssima.

Que cada um pense nas delícias do paraíso e anseie o Reino celestial, no qual Cristo somente admite aos que têm um só coração e uma só alma. Pensemos, irmãos, que ‘filhos de Deus’ somente podem ser chamados aos que trabalham pela paz, conforme o que está escrito: 
Nisto conhecerão que sois meus discípulos: em que vos ameis uns aos outros.

Que o piedoso Senhor vos conduza sob a proteção e pelo caminho das boas obras a este amor. A Ele a honra e a glória juntamente com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Como discípulos missionários do Senhor, devemos aspirar alcançar o cume da virtude, movidos pela sincera caridade, repelindo de nossa mente e coração todo sentimento de inveja ou ciúmes.

Isto é possível quando a vigilância permanente é acompanhada da oração, tendo nas mãos e no coração a Sagrada Escritura, empenhados em realizar as boas obras que somos chamados a multiplicar todos os dias, na realização da vontade de Deus, assim na terra como no céu.

Deste modo, arrancaremos de nosso peito os espinhos e abrolhos, para que, como falou São Cesário, “nele a semente do Senhor, como em campo fértil, produza um fruto multiplicado e a divina e espiritual colheita se traduza em messe fertilíssima”.

Oremos:

Ó Deus que alcancemos o cume da virtude, movidos pela suavidade da sincera caridade, assistidos por Vós e iluminados e libertos por Vossa Santa Palavra, expulsemos de dentro de nós todo sentimento de ciúme e inveja, e deles livres, sejamos sal e luz, instrumentos de boas obras, levando muitos a Vos glorificar pelos séculos dos séculos. Amém.

(1) Lecionário Patrístico Dominical –Editora Vozes – 2013 - pp.131-132

Crer, esperar e amar

                                                  

Crer, esperar e amar

Eucaristia é o Mistério maior de nossa fé, pois dela vivemos, nos alimentamos e nos refazemos de nossos cansaços, renovamos nossas forças para avançar adiante nos sagrados compromissos que dela emanam:

'A Eucaristia é ‘fonte e ápice de toda a vida cristã'. 'Os demais Sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa’’’ (1)

A Eucaristia bem celebrada redimensiona as virtudes divinas que nos movem:

“Antes de agirmos, a Eucaristia convida-nos a viver as três dimensões mais pessoais e íntimas da experiência cristã, ou seja, crer, esperar e amar. É uma questão de sangue, de corpo, de vida e de morte.

A Eucaristia abrange o homem todo, não é apenas um rito ou uma aspiração, mas sim um sinal que recorda e exige a realidade: Um Sacramento” (2)

Crer, esperar e amar:

Crer num novo mundo possível, sem jamais perder a esperança. Manter viva a fé, dando razão de nossa esperança vivendo a essência do ser cristão, amar;

Amar a Deus e ao próximo, inseparavelmente, como nos ensinou e o Mandamento o Senhor nos deu;

Crer como mais bela expressão de fé em Deus e em Sua onipotência;

Esperar no Senhor, mas não nos omitirmos do que a nós for próprio.

Amar sempre; amor intenso e profundo, amor de Cruz, como o Senhor viveu.

Crer, esperar e amar, somente possível, quando da Eucaristia partícipes e nutridos, e sagrados compromissos com o Reino, mais do que renovados, assumidos e fortalecidos.



(1)        Catecismo da Igreja Católica §1324
(2)        Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – p.881
Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 14,12-16.22-26)

Nossa cruz de cada dia

                                                                          

Nossa cruz de cada dia

Caminho desafiador nos é proposto em todo o tempo,
Que consiste no caminho da entrega da vida nas mãos do Senhor:
“A Cruz às costas, com um sorriso nos lábios, com uma luz na alma.” (1)

Cruz às costas, precedida das renúncias necessárias,
Para que, com desprendimento e liberdade,
Ponhamo-nos sem medo no caminho com o Senhor.

Cruz às costas que possui muitos nomes e faces;
Ora mais pesada, até parecendo insuportável,
Ora nem tanto. Mas sempre a cruz com amor carregar.
Cruz às costas na fidelidade Àquele que nos disse:
“Vinde a mim vós que estais cansados e fatigados
Meu fardo é leve e o meu jugo é suave” (cf. Mt 11,28-29)

Cruz às costas, mas que um dia a deitaremos pelo chão,
Para fazermos a desejada travessia sobre a mesma,
Ao encontro d’Aquele que amamos e que nos acompanha: Jesus.

Com um sorriso nos lábios, um grande desafio,
Quando as dificuldades de múltiplas expressões
Dão o matiz à nossa vida, ora nem tão colorido.

Com um sorriso nos lábios, um profético testemunho:
Sorrir nas adversidades, como expressão de quem sabe
Que a Deus pode se entregar e plenamente confiar.

Com um sorriso nos lábios, quando se acolhe uma nova vida,
E também quando nos despedimos de quem amamos.
Sorriso fundado na promessa da imortalidade: Ressurreição.

Paradoxalmente, o mais puro e verdadeiro sorriso,
Precedido de lágrimas vertidas, mas o coração consolado,
Como foi o de Marta e Maria ao ver o irmão ressuscitado.

Não sorrir com a morte, porque ela, humanamente,
Não pode arrancar sorrisos, mas sorrir na esperança
De que, como grão, morrerá e desabrochará na eternidade.

Com uma luz na alma, iluminados pelo Espírito,
Confiantes na Palavra do Senhor: “Eu sou a luz do mundo,
quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,1-12).

Com uma luz na alma, irradiando a luz de Deus
A quantos de luz precisam, porque, por vezes,
Mergulhados na escuridão da dor e do abandono.

Com uma luz na alma, iluminar os horizontes,
E jamais deixar de sonhar e se comprometer
Com um novo céu e uma nova terra.

Com uma luz na alma para não se perder no caminhar
Rumo à meta final que ansiamos e buscamos: a eternidade,
O céu como plenitude de amor e plenitude de luz.

Cruz às costas sem reclamar, mas em Deus confiando,
Sorriso nos lábios, mesmo se lágrimas forem derramadas,
Sinal de confiança, esperança, portanto, almas iluminadas...


(1) Homilia de São Josemaria Escrivá, (Via Sacra, 11ª estação).

Peregrinar na fé

                                                    

Peregrinar na fé

Reflitamos mais dos Sermões de Santo Agostinho (séc. V) tornando mais luminosa a nossa fé.

"O justo alegra-se no Senhor e n’Ele espera; e gloriam-se todos os retos de coração (Sl 63,11). Acabamos de cantá-lo com a voz e com o coração. A consciência e a língua cristãs dizem estas palavras a Deus: Alegra-se o justo, não com o mundo, mas no Senhor. A luz nasceu para o justo, diz outro lugar, e a alegria, para os retos de coração (Sl 96,11). 

Indagas donde vem a alegria. Escutas: Alegra-se o justo no Senhor, e noutro passo: Põe tuas delícias no Senhor e Ele atenderá aos pedidos de teu coração (Sl 36,4). 

Que nos é indicado? O que é doado, ordenado, dado? Que nos alegremos no Senhor. Quem é que se alegra com aquilo que não vê? Acaso vemos o Senhor? Já O temos em promessa. 

Agora, porém, caminhemos pela fé; enquanto estamos no corpo, peregrinamos longe do Senhor (2Cor 5,7.6). Pela fé, não pela visão. Quando, pela visão? Quando se realizar o que diz o mesmo João: diletíssimos, somos filhos de Deus; mas ainda não se fez visível o que seremos. Sabemos que, quando aparecer, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal qual é (1Jo 3,2). 

Neste momento, então, será a grande e perfeita alegria, o gáudio pleno, onde já não mais teremos o leite da esperança, mas a realidade nos alimentará. Contudo, desde agora, antes que nos chegue a realidade, antes que cheguemos à realidade, alegremo-nos no Senhor.

Não é insignificante a alegria trazida pela esperança, já que depois será a posse. Agora, amamos na esperança. Por isso, alegra-se o justo no Senhor e logo em seguida, e n’Ele espera, porque ainda não vê. 

Todavia, possuímos as primícias do Espírito, e talvez de algo mais. Aproximamo-nos de quem amamos e, embora por uma gotinha, já provamos e saboreamos aquilo que avidamente comeremos e beberemos. 

Como é que nos alegramos no Senhor, se está longe de nós? Que Ele não esteja longe! A estar longe, és tu que O obrigas. Ama e aproximar-se-á; ama e habitará em ti. O Senhor está próximo, não fiques inquieto (Fl 4,5-6). Queres ver como, se amares, estará contigo? Deus é caridade (1Jo 4,8). 

Dir-me-ás: “Em teu parecer, que é caridade?” A caridade é a virtude pela qual amamos. O que amamos? O bem salutar, o bem inefável, o bem de todos os bens, o Criador. Que te deleite aquele de quem tens tudo o que te deleita. Não digo o pecado, pois só o pecado não recebes d’Ele. D’Ele é que terás tudo".

É preciso caminhar pela fé, reaviando sempre a esperança numa caridade inflamada a Deus que o melhor d’Ele sempre nos concede.

Peregrinar na fé sempre, até que um dia possamos contemplar Deus face a face, em meio às dificuldades que são próprias da condição humana, sem cedermos às tentações, sem permitirmos que a fragilidade da alma nos faça desistir de objetivos santos.

Peregrinar na fé sem jamais permitir que a nossa alma seja manchada pela ferrugem do pecado, da mágoa, do ódio, do ressentimento, do mau humor, da inquietação que nos roube a alegria e o sentido de viver.

Peregrinar impulsionados por uma esperança, virtude divina, que nos leva a buscar sempre o melhor de Deus, uma Igreja mais viva, fraterna e solidária, sinal do Ressuscitado, um mundo mais justo com vida digna e plena para todos.

Peregrinar inflamados pela caridade divina, que nos leva a procura contínua do Amor Uno e Trino que nos cria, redime, ilumina e santifica.

Peregrinar acolhendo as primícias do Espírito, para que os caminhos sombrios, as nuvens obscuras da história sejam iluminados, e nós revigorados sejamos, passos firmes na fé, com a âncora da esperança e a chama da caridade.

Peregrinemos na fé, incansavelmente. 

Não sejamos peso sobre o povo

                                                


Não sejamos peso sobre o povo
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,28-30) em que Jesus diz: “vinde a mim todos vós que estais cansados, porque meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,30).
 
Contemplando a ação de Jesus, e repensando nossa atividade pastoral, ou qualquer outra responsabilidade sobre o mesmo, a mensagem iluminadora é de que o povo deve ser amado, ajudado no seu desenvolvimento integral.
 
É preciso que todos nos deixemos envolver pelo amor de Deus. E ao mesmo tempo ser testemunha  misericórdia divina, e quando  misericordiosos, poderão ouvir de Jesus estas palavras:
 
Vinde a mim porque Sou manso e humilde de coração...
Vinde a mim vós que estais cansados e fatigados, porque
Meu fardo é leve e meu jugo é suave!” (Mt 11,28-30).
 
Urge que estas  atitudes estejam presentes em nossa vida, a fim de que sejamos iluminados e iluminadores, afastando toda treva que teima em subsistir, como nos falou o Abade São Columbano (séc. VII):
 
“Que Tu, Cristo, dulcíssimo Salvador nosso,
Te dignes acender nossas lâmpadas,
de modo a refulgirem para sempre em
Teu templo, receberem perene luz de Ti,
que és a luz perene, para iluminar nossas trevas
e afugentar de nós as trevas no mundo”.
 
E, com o Abade São Máximo (séc. VII), concluímos:
 
“Só Ele (Jesus), qual lâmpada,desfaz a escuridão da ignorância,repele o negrume da maldade e do vício”
                                                         
Quando vivemos a misericórdia, o Amor de Deus arde em nós e Sua luz ilumina todo o mundo. Para sermos luz Deus nos criou: “Vós sois a luz do mundo! Vós sois o sal da terra” (cf. Mt 5,13-16).

segunda-feira, 8 de junho de 2026

“Nascido de uma mulher”

                                                          


“Nascido de uma mulher” 

“Quando se completou o tempo previsto,
Deus enviou o Seu Filho, nascido de uma mulher,
nascido sujeito à Lei” (Gl 4,4) 

Na passagem da Carta de Paulo aos Gálatas (Gl 4, 4-7), mais uma vez, contemplamos o amor de Deus, que vem ao nosso encontro “nascido de uma mulher” (segundo a carne), Maria, e por meio deste Filho nos tornamos livres e amados e podemos nos dirigir a Deus chamando-O de “Abbá” (papai), consequentemente, filhos de Deus; e sujeito a lei (situado no contexto da cultura judaica).

E foi na “plenitude do tempo” – “Quando se completou o tempo previsto” (Gl 4,4), que se deu o cumprimento do tempo messiânico ou escatológico, encerrando de modo perfeito uma longa expectativa, e fundamental participação teve Maria: 

“O aparecimento de Cristo na história humana não foi uma mera irrupção vertical que tocou a periferia do acontecer mundano de uma maneira simplesmente tangencial. O Filho de Deus emergiu no meio da história, como qualquer homem, suportando todas as consequências da alienação humana: ‘nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da lei’” (1). 

De fato, Jesus, o Filho de Deus, assumiu a natureza humana no seio de uma mulher e Se inseriu na realidade histórica de determinado povo, colocando-Se, portanto, sob a Lei (Gl 4,4. Rm 1,3); e com isto, veio nos resgatar da Lei para nos tornar filhos no Filho, filhos de Deus porque nascidos d’Ele (Jo 1,12-13; 3,3.5): 

Aqui, como em Fl 2,6-11), apresenta-nos Cristo realizando o único esquema de toda a ação libertadora. Este esquema tem três tempos: 

1 – Inserção na miséria que é preciso salvar.

2 – Autolibertação com base num acréscimo de força salvadora.

3 – Arrasto dos outros companheiros de miséria” (2). 

Como o libertador perfeito, em primeiro lugar, partilha a alienação legal, da qual haveria de salvar a humanidade. Abre mão de todos os privilégios e Se coloca em favor dos últimos, dos oprimidos e por fim, arrasta consigo aqueles que O seguem com mesma missão e destino. 

E como Igreja Sinodal que somos, fazendo esta experiência de filhos amados de Deus, a comunidade é vocacionada a criar e fortalecer os laços fraternos, sem marginalização ou exclusão, ou escravidão, como tão bem acenou o Papa Francisco em sua Mensagem para o dia Mundial da paz (2015): – “Já não escravos, mas irmãos". 

A exemplo de Maria, a serva do Senhor e bendita entre todas as mulheres no fruto do seu seio, cantemos hinos de ação de graças ao Pai, que nos plenificou de todos os bens através de Seu Amado Filho, feito homem por nós, e por nós, morto e ressuscitado.

 

(1)         (2) - Comentários à Bíblia Litúrgica – Gráfica Coimbra 2 – pág.1558

Fonte de pesquisa: Missal Dominical – Editora Paulus – 1995 – p. 115

Somente o Senhor nos amou assim...

                                                     

Somente o Senhor nos amou assim...

Contemplando o Mistério do Amor de Deus por nós, testemunhado pelo Senhor Jesus na morte de Cruz, retomo uma estrofe do “Hino sobre a Ressurreição do Senhor”, escrita pelo Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém:

“Quem como Tu, Senhor,
Para nós?
Grande que Se fez pequeno,
Vigilante que dormiu,
Puro que foi batizado,
Vivo que degustou a morte,
Rei que carregou com o desprezo,
Para dar a todos glória.
Bendita seja a glória!”

Ressoem em nosso coração as palavras do Apóstolo Paulo aos Filipenses (Fl 2, 5-11): Ele que humilhou-Se a Si mesmo, mas Deus O exaltou, para que ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai.

Tão grande, tão onipotente é Deus: fez-Se frágil, experimentou nossa condição humana, exceto o pecado, para destruí-lo. Experimentou o cansaço, o abandono, a indiferença, a humilhação, a solidão, a incompreensão, e quanto mais possamos mencionar. Que mais Ele poderia sofrer por amor de nós?

“Adormeceu”, descendo à mansão dos mortos, passando pela morte, para destruí-la, e com Sua morte a morte da morte, a Ressurreição alcançar, e nesta a nossa Ressurreição, porque assim Ele o disse, E assim cremos: todo aquele que n’Ele vive e crê, possuirá a vida eterna (Jo 11, 26)

Tão puro, aceitou conviver com os tidos como impuros para purificá-los, reintegrá-los. Conviveu com os pecadores para destruir o pecado, e, na autêntica vivência da misericórdia, renovar, recriar, reintegrar, novo horizonte ao pecador perdoado para uma vida nova viver, sentido novo para a vida encontrar.

Reina gloriosamente tendo como trono a Cruz, na qual todos devemos nos gloriar. Cruz que tem aparência de derrota, mas, para quem crê, tem sabor de vitória, porque carregada com fé, ousadia e coragem, é imprescindível para a genuína e frutuosa felicidade que desabrocha plenamente na eternidade.

Em Sua morte, glorificados somos – eternizados. Com Sua morte, a Ressurreição para conosco caminhar, corações aquecer, no Pão da Eucaristia partilhado, Sua presença reconhecermos.

Não mais cabisbaixos, abatidos, desanimados, derrotados... Mas com vigor renovado, força que emana da fé na Ressurreição, Boa-Nova do Reino anunciar e testemunhar, sem jamais na fé vacilar, a esperança perder e a caridade esfriar.

Neste Tempo Pascal, sejamos envolvidos pelos Amores inseparáveis: do Pai, o Amante que ama o Filho; do Filho que nunca foi abandonado pelo Pai, porque permanentemente amado e assistido pela presença do Santo Espírito, o Amor.

Inseridos nesta Comunhão, como que num mergulho no mar infinito da misericórdia divina, viveremos a mais terna e eterna comunhão de amor, e mais fraternos nos tornaremos. Amém! Aleluia! Aleluia!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG