segunda-feira, 8 de junho de 2026
As Bem-Aventuranças e o discipulado
domingo, 7 de junho de 2026
Enquanto o Senhor não vem! (1)
Enquanto o Senhor não vem!
Na Missa, após a consagração do pão e do vinho, temos a anamnese que é a memória dos acontecimentos da Salvação, nomeadamente Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação de Cristo:
“Anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”
O Bispo Santo Agostinho refletindo o Salmo 95,13, que trata do julgamento divino e os sacrifícios agradáveis ao Senhor, muito nos ajuda a entender a anamnese que dizemos
“... Amamos e temos medo da Sua vinda. Será que amamos? Ou amamos muito mais nossos pecados? Odiemos, portanto, estes mesmos pecados e amemos Aquele que virá castigar os pecados. Ele virá, quer queiramos, quer não. Se ainda não veio, não quer dizer que não virá.
Virá na hora que não sabes; se te encontrar preparado, não haverá importância de saberes... Porque és injusto, não será justo o juiz? Ou porque és mentiroso, não será veraz a verdade? Se queres, porém encontrar o Misericordioso, sê tu misericordioso, antes de Sua chegada: perdoa, se algo foi feito contra ti, dá daquilo de que tens em abundância.
Donde vem aquilo que dás, não é d’Ele? Se desses do que és teu, seria liberalidade, quando dás do que é Dele, é devolução. Que tens que não recebeste? (1 Cor 4,7). São estes os sacrifícios mais aceitos por Deus: Misericórdia, humildade, louvor, paz, caridade. Ofereçamo-los com confiança e esperemos a vinda do juiz que julgará o orbe da terra com equidade, e os povos em sua verdade (Sl 95,13)”.
Ele veio, vem e virá.
Veio a primeira vez, virá pela segunda: glorioso! Enquanto Ele não vem, estamos alegremente vigilantes, em Oração e ação. Comprometidos com Sua chegada. Quando? Não sabemos, nem nos cabe saber, somente o Pai o sabe. Importa que estejamos preparados.
Caminhando para o final de mais um ano, é sempre tempo fecundo de avaliação...
- Como estamos preparando a vinda do Senhor?
- Quais os sacrifícios agradáveis ao Senhor que se notabilizam em nossa vida?
- O que precisamos colocar em ordem para que a vinda do Senhor não nos surpreenda?
Encerro com o refrão do canto pós-comunhão:
“Vigia esperando a aurora,
“Qual noiva esperando o amor.
É assim que o servo espera
A vinda do seu Senhor...”
Enquanto o Senhor não vem! (2)
Enquanto o Senhor não vem!
Assim falou o Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho (séc. V):
“São estes os sacrifícios mais aceitos por Deus: Misericórdia, humildade, louvor, paz, caridade. Ofereçamo-los com confiança e esperemos a vinda do juiz que julgará o orbe da terra com equidade, e os povos em sua verdade (Sl 95,13)”.
Reflitamos:
Cinco sacrifícios pelo Senhor mais aceitos,
Expressam verdade, justiça, liberdade, direito.
Cinco sacrifícios pelo Senhor mais aceitos,
Na vigilância, a serem vividos pelo povo eleito!
Cinco sacrifícios pelo Senhor mais aceitos,
Que bem vividos nos fazem mais perfeitos.
Portanto:
Enquanto o Senhor não vem...
Misericórdia há de se viver, nos convém!
Enquanto o Senhor não vem...
Humildade no relacionar, é que nos mantém!
Enquanto o Senhor não vem...
Paz, missão de todos, não apenas de alguém!
Enquanto o Senhor não vem...
Caridade, gestos que Mistério de Deus contém!
Enquanto o Senhor não vem...
Louvor à Trindade, Amém”
Maranatha!
Vem, Senhor Jesus!
Evangelização e acolhida do sopro do Espírito
“A montanha azul”
Chamados, amados e enviados para a missão (XDTCA)
Chamados, amados e enviados para a missão
Com o 10º Domingo do Tempo Comum (Ano A), a Liturgia nos convida a refletir sobre a misericórdia querida por Deus e não os sacrifícios, pois para Ele o essencial não são os atos de culto ou declarações de boas intenções, mas uma adesão verdadeira e coerente ao Seu chamado e proposta de Salvação.
Na passagem da primeira Leitura do Livro de Oseias (Os 6,3-6), refletimos sobre o ministério profético de Oseias numa época bastante conturbada (Reino do Norte – Israel), em termos políticos e marcado por violência, insegurança e derramamento de sangue; em termos religiosos por uma grande confusão.
O profeta exorta para que o povo reconheça a infidelidade cometida, vivida na idolatria, e redescubra o amor do Senhor, expresso em gestos concretos de amor, ternura, bondade e misericórdia (“hesed”) em favor dos irmãos e irmãs.
Reflitamos:
- Qual é a sinceridade, fidelidade e profundidade de adesão ao Projeto que Deus tem para nós?
- Qual o desejo e sinais que expressam atitudes de conversão ao amor de Deus?
- Como vivemos este amor a Deus no amor ao próximo?
Na passagem da segunda Leitura (Rm 4,18-25), dirigindo-se aos cristãos que vêm do judaísmo (preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, bem como os que vêm do paganismo), o Apóstolo Paulo reflete sobre o essencial: a fé.
Abraão é apresentado como um exemplo para todos nós, por sua adesão total, incondicional e plena a Deus e aos Seus Projetos. Em Deus, esperou “contra toda a esperança” (Rm 4,18).
De fato, a Salvação é um dom para toda a humanidade, e deve ser acolhida e vivida com confiança, entrega e obediência.
Reflitamos:
– O que o exemplo de Abraão nos ensina?
– Como acolho e vivo a Salvação como dom de Deus?
Com a passagem do Evangelho (Mt 9,9-13), vemos quão misericordioso é o nosso Deus. Jesus nos chama para segui-Lo, pecadores que somos.
De fato, Mateus aceitou o convite sem discussão, e o seguiu de forma incondicional, e esta adesão ao chamamento se chama “Fé”.
Nisto consiste o caminho do discípulo missionário do Senhor: encontrá-Lo, escutá-Lo, aceitá-Lo e segui-Lo, acolhido e transformado por Sua Misericórdia.
Assim Se expressa o Senhor:
– “Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13).
Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Cotidiano:
“Deus foi sempre o grande incompreendido por parte dos homens. Incompreendido em Seu agir, em Suas intervenções, incompreendido em Seu silêncio, incompreendido em Suas exigências e em Sua lei.
Mas a incompreensão maior e mais estranha refere-se à Sua misericórdia. É a incompreensão de quem não crê na misericórdia de Deus, de quem tem medo d’Ele, de quem treme ao pensar em comparecer à Sua presença, e foge do mal unicamente para evitar os Seus castigos...”.
Quem souber viver a misericórdia para com o próximo, na sincera e frutuosa prática da acolhida, do perdão, superação, compreenderá o Coração de Deus.
Deste modo, saboreará a mais bela e pura alegria, que nasce do perdão dado e recebido.
Como discípulos missionários do Senhor, não podemos permitir que o ódio, o rancor, o ressentimento fossilizem ou criem raízes nas entranhas mais profundas do coração.
Jamais permitir que a obscuridade ao outro deva ser para sempre imposta pelo seu erro, tropeço, falha.
Urge compreender, na exata medida, o erro cometido, sem nada acrescentar, e ter também a maturidade de se colocar no lugar do outro, porque todos somos passíveis de erros.
Isto é possível quando nosso coração de pedra se transforma em um coração de carne, terno e manso, para que nele Deus possa frutuosa e ricamente fazer Sua morada.
Tão somente assim, tendo os mesmos sentimentos do Senhor Jesus (Fl 2,5), teremos a possibilidade de novas ações, formando e gerando Cristo em nós e no outro, sempre impelidos pelo Amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5,5).
Nisto consiste a edificação de uma Igreja Sinodal: caminharmos todos juntos, vivendo e comunicando a misericórdia, em permanente atitude missionária, sobretudo nas periferias existenciais, como nos fala o Papa Francisco.
Reflitamos:
- Qual a consistência do nosso amor por Jesus, como Seus discípulos missionários?
- Como Igreja Sinodal, como testemunhar a Misericórdia Divina que se destina a todos os povos?
- Como vivemos a radicalidade no seguimento de Jesus: conversão e misericórdia?
- Como se dá o encontro, escuta, acolhida e seguimento do Senhor, que nos chama apesar de sermos pecadores?
Oremos:
Quem poderá compreender o Vosso coração, Senhor?
Ó incompreendido amor de Deus, que questiona o amor humano, tão pequeno, quantificável, porque limitado, medido, calculado, com parcimônia por vezes comunicado.
Ó incompreendido amor de Deus, que o nosso assim também o seja.
Ensinai-nos, que o amor não é para ser compreendido, amor é para amar, simplesmente; sem teorias, explicações, racionalizações.
Ajudai-nos a viver o Amor de Cruz, que ama, acolhe, perdoa, renova, faz renascer e rompe a barreira do aparentemente impossível.
O amor vivido no extremo da Cruz, que foi, é e será para sempre o verdadeiro amor.
Amor tão incompreendido, mas tão necessário e desafiador para a humanidade em todo tempo.
Amor que, se vivido, nos credencia para a eternidade de Deus, que é a vivência e mergulho na plenitude de Seu amor, luz, alegria, vida e paz. Amém.
Ps: Apropriado para o dia 21 de setembro, quando celebramos a Festa do Apóstolo e Evangelista São Mateus
Em poucas palavras... (XDTCA)
Sacrifício agradável a Deus
“É justo
que se ofereçam a Deus sacrifícios, em sinal de adoração e de reconhecimento,
de súplica e de comunhão: «Verdadeiro sacrifício é todo o ato realizado para se
unir a Deus em santa comunhão e poder ser feliz» (Santo Agostinho). (1)
(1)Catecismo
da Igreja Católica – parágrafo n.2099







