Missa Crismal: conhecer bem, para celebrar melhor
Para bem celebrarmos a
Missa Crismal, conhecida como Missa do Crisma, ou ainda Missa da Unidade,
retomemos um parágrafo do Cerimonial dos Bispos:
“Esta
Missa, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o
santo crisma e benze os outros óleos, é como que a manifestação da comunhão dos
presbíteros com o seu bispo.
Com o
santo crisma consagrado pelo bispo, são ungidos os recém-batizados e são
marcados com o sinal da cruz os que vão ser confirmados, são ungidas as mãos
dos presbíteros e a cabeça dos bispos, bem como a igreja e os altares na sua
dedicação. Com o óleo dos catecúmenos, estes preparam-se e dispõem-se para o
Batismo. Por fim, com o óleo dos enfermos, estes recebem alívio na doença.
Para esta
Missa se congregam e nela concelebram os presbíteros, uma vez que, na confecção
do crisma, são testemunhas e cooperadores do seu bispo, de cujo múnus sagrado
participam, na edificação, santificação e condução do povo de Deus.
E deste
modo se manifesta claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo
continuado na Igreja.
Para que
se exprima o melhor possível esta unidade do presbitério, procure o Bispo que
estejam presentes presbíteros concelebrantes, vindos das diversas regiões da
diocese.
Os que,
porventura, não concelebrem podem, nesta Missa crismal, comungar sob as duas
espécies.” (1)
Assim também lemos no
Pontifical Romano:
“O bispo
deve ser considerado como sumo sacerdote de sua grei; dele decorre e depende de
certo modo a vida cristã dos fiéis ( Sacrosanctum Concilium, n.42).
A Missa do
Crisma, que concelebra com os presbíteros das diversas regiões da diocese e na
qual consagra o santo crisma e benze os outros óleos, é considerada uma das
principais manifestações da plenitude do seu sacerdócio e sinal da estreita
união dos presbíteros com ele. De fato, com o santo crisma consagrado pelo bispo
são ungidos os recém-batizados e assinalados os que vão receber a confirmação.
Pelo óleo dos catecúmenos, são eles preparados e encaminhados para o Batismo. O
óleo dos enfermos, finalmente, alivia-os em suas enfermidades.
A Liturgia
cristã adotou o uso do Antigo Testamento de ungir com o óleo da consagração os
reis, os sacerdotes e os profetas, porque prefiguravam o Cristo, cujo nome
significa Ungido do Senhor.
Do mesmo
modo, manifesta-se pelos agrado crisma que os cristãos, tendo sido inseridos
pelo Batismo no mistério pascal de Cristo, com ele mortos, sepultados e
ressuscitados (Sacrosanctum Concilium,
n.6), participam de seu sacerdócio real e profético e recebem pela Confirmação
a unção espiritual do Espírito Santo que lhes é dado.
O efeito
dos exorcismos é aumentado pelo óleo dos catecúmenos, pois os batizandos se
fortalecem para poderem renunciar ao demônio e ao pecado antes de se
aproximarem da fonte da vida e renascer.
O óleo dos
enfermos, cujo uso é atestado por São Tiago (Tg 5,14), proporciona aos doentes
remédio para as enfermidades da alma e do corpo, a fim de poderem suportar e
superar com fortaleza os sofrimentos e alcançar o perdão de seus pecados.” (2)
Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Dominical:
“O bispo e
os sacerdotes concelebram na catedral. Constituídos, na última Ceia, ‘servos do
Mistério’: realizam eles a unidade do seu sacerdócio no único grande Sacerdote,
Jesus Cristo.
Nesta
missa manifesta-se o mistério do sacerdócio de Cristo, participado pelos
ministros constituídos em cada Igreja local, que renovam hoje seu compromisso
ao serviço do povo de Deus.
O bispo,
cercado pelos outros sacerdotes, abençoa os óleos, que serão usados nos
diversos sacramento: o crisma (óleo misturado com perfumes), para significar o
dom do Espírito no batismo, na crisma, na ordem; o óleo para os catecúmenos e o
óleo para os enfermos, sinal da força que liberta do mal e sustenta na provação
da doença.
Através de
uma realidade terrena já transformada pelo trabalho do homem (o óleo) e de um
gesto simples e familiar (a unção), exprime-se a riqueza de nova existência em
Cristo, que o Espírito continua a transmitir à Igreja até o fim dos tempos.”
(3)
Quanto ao dia
da bênção, assim lemos no Pontifical Romano:
“A bênção
do óleo dos enfermos e do óleo dos catecúmenos e a consagração do crisma são
feitas de costume pelo bispo na Quinta-feira da Semana Santa, na Missa própria,
que deve ser celebrada pela manhã.
Se for
difícil reunir o clero e o povo neste dia com o bispo, pode-se antecipar esta
bênção, sempre, porém, nas proximidades da Páscoa e sempre com Missa própria.”
(4)
Com tudo
isto, conhecendo bem, poderemos celebrar muito melhor esta bela e fecunda Santa
Missa, com sua riqueza inexprimível. Deste modo, imperdível para quem participa
da vida da Igreja, e de modo especial, para quem desempenha alguma atividade
pastoral ou ministério na Igreja.
(1) Cerimonial dos Bispos – Cerimonial da Igreja – Editora Paulus –
1988 – parágrafo n. 274 – p. 93
(2)Pontifical
Romano – Editora Paulus – 2000 – parágrafos nn.1 e 2 – p. 524
(3)Missal
Dominical – Editora Paulus – 1995 – p. 288
(4)Pontifical Romano - Editora Paulus - 2000 - parágrafos –
nn.9-10 – p. 526