segunda-feira, 30 de março de 2026

Em poucas palavras... (Semana Santa)

 


 

Com o Senhor no “inverno” de Seu Calvário

“Só a Cruz importava; ensinamentos, milagres, cumprimento de profecias – tudo isso estava subordinado à Sua Missão na Terra: ser como grão de trigo que passaria pelo inverno de um Calvário e então se tornaria o Pão da Vida.

Mais tarde, São Paulo retomou o tema da semente que morreu para viver e o descreveu aos coríntios (2 Cor 5,15-16).” (1)

 

(1)Vida de Cristo – Fulton J. Sheen – Editora Molokai – 2024 – p.613

 

“O festim do triste adeus”

                                                      

“O festim do triste adeus”

Ouvimos na segunda-feira da Semana Santa, a passagem do Evangelho de João (Jo 12,1-11), em que Jesus seis dias antes da Páscoa foi a Betânia, onde morava Lázaro, aquele a quem havia ressuscitado dos mortos.

A passagem que retrata o festim do triste adeus de Jesus aos amigos antes de Sua Morte, apresenta-nos cinco personagens que nos convidam a reflexão, sobretudo nesta Semana Santa, a Semana Maior.

A primeira é Maria, que tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. O Evangelista diz que a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo.

Maria exalta e presta sua homenagem, numa atitude de generosidade que brota de seu coração sensível e amoroso.

Como quê, há uma prefiguração da instituição da Eucaristia em que o Senhor lavará os pés dos discípulos, e ainda mais, o sepultamento que em breve haveria de acontecer.

O segundo é Judas, que numa atitude de mesquinhez desdenha o gesto de Maria, revelando-se um mentiroso, com a insinuação de que seria melhor socorrer os pobres com aquele valor, mas na verdade seria para roubar o valor possivelmente oferecido. No entanto, o esbanjamento deplorado por Judas é aprovado por Jesus.

O terceiro personagem são os chefes dos sacerdotes que se revelam intolerantes com Jesus, e queriam matar não somente Jesus, mas também Lázaro.

O quarto personagem é o próprio Lázaro que por causa de seu testemunho, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus.

O último é o próprio Jesus, o Servo Sofredor que contemplamos na primeira Leitura proclamada do Profeta Isaías (Is 42,1-7).

Participemos deste festim e vejamos com quem nos identificamos:

- Com a generosidade de Maria que oferece o melhor que tem para o amigo Jesus?

- Com Judas, que pauta a vida pelos interesses mesquinhos, apropriando-se até mesmo do que não lhe pertence?

- Com os chefes dos sacerdotes que queriam matar Jesus, em absoluto fechamento e rejeição a Sua Pessoa e Boa Notícia?

- Com Lázaro, o ressuscitado que mais do que um amigo, uma corajosa testemunha de Jesus Cristo, que tem poder sobre a vida e a morte?

- E de que modo nos configuramos a Jesus Cristo, o Servo Sofredor, que na fidelidade ao Plano de amor do Pai, foi fiel até o fim, mesmo sacrificando a própria vida, no Mistério de Sua Paixão e Morte na Cruz, mas por Deus Ressuscitado?

Oremos:

“Concedei, ó Deus, ao vosso povo que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela paixão do vosso Filho. Por N. S. J. C., na unidade do Espírito Santo. Amém.”

Em poucas palavras...

 


Adoremos o Inocente e Santíssimo

Esvaziando-Se de tudo, de toda Sua condição divina, Jesus Cristo morreu na Morte infame da Cruz, mas o Pai O exaltou, O glorificou, dando ao Amor a última palavra e a promessa da eternidade para todos que n’Ele crerem:

“Inocente, Jesus quis sofrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e Sua Ressurreição nos trouxe vida nova”. (1)

 

(1)Prefácio da Missa Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

 

Em poucas palavras...

 


“Seja feita a tua vontade!”

“Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!” (1)

“Repito sempre: Senhor, faça-se a Tua vontade (Mt 26,42); não o que quer este ou aquele, mas o que Tu queres.

Esta é a minha torre, minha pedra imóvel; este, o meu báculo firme.

Se Deus quer isto, faça-se. Se quiser que permaneça aqui, agradecerei. Onde quer que me queira, darei graças.” (2)

 

 

(1)Mt 26,42 – Antífona da Comunhão da Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

(2)               Homilia do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV)

Em poucas palavras...

                                                         


“Inclinai o vosso ouvido para mim”

 

“De mim não oculteis a Vossa face,
No dia em que estou angustiado!
Inclinai o Vosso ouvido para mim,
Ao invocar-Vos, atendei-me sem demora!
 

 

Fonte: Antífona da Missa da Segunda-feira da Semana Santa – (Sl 101,3) - Missal Romano – pág. 227

Discípulos missionários do Servo Sofredor e Vitorioso

                                                    


Discípulos missionários do Servo Sofredor e Vitorioso


“Ele não clama nem levanta a voz,
nem se faz ouvir pelas ruas”
(Is 42,2)

Na segunda-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 42,1-7); do “Livro da Consolação”, nome dado convencionalmente pelos biblistas.

Trata-se do primeiro Cântico do Servo Sofredor, e refere-se a um excepcional enviado de Deus: manso e humilde de coração, infinitamente misericordioso com todos, com força interior invencível, e é constituído Luz das nações e Aliança de Deus com o Seu Povo.

Retrata a fase final do Exílio, um período muito difícil vivido pelo Povo de Deus, e o Profeta anuncia a reconstrução de Jerusalém, uma cidade que a guerra reduziu às cinzas, mas Deus, na Sua infinita bondade, vai fazer voltar a reinar a alegria e a paz sem fim.

Espera a vinda de um Messias pacífico “estabelecerá a justiça sobre a Terra”, por isto os cristãos viram prefigurados neste Cântico a própria pessoa de Jesus Cristo, o ungido do Senhor, o “Filho Amado de Deus”, como vemos na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 3,13-17).

De fato, Jesus, veio realizar esta missão, e os Seus discípulos darão continuidade a esta, não por iniciativa pessoal, mas certos de que a vocação profética é dom de Deus.

Iniciando a Semana Santa, contemplamos na figura do Servo mencionado pelo profeta um instrumento através do qual Deus age no mundo para comunicar a salvação à humanidade:

“alguém que Deus escolheu entre muitos, a quem chamou e a quem confiou uma missão – trazer a justiça, propor a todas as nações uma nova ordem social da qual desaparecerão as trevas que alienam e impedem de caminhar e oferecer a todos os homens a liberdade e a paz... O Servo contará com a ajuda do Espírito de Deus, que lhe dará a força de assumir a missão e de concretizá-la”.

Assim Deus age: escolhe, chama, capacita e envia para a missão e nos comunica o Seu  Espírito, que nos fortalece, anima e ilumina.

Somos discípulos missionários do Senhor, do Servo Sofredor e vencedor, porque o Pai O Ressuscitou, e em Seu nome, nos enviou o Seu Espírito: acreditemos, contemplemos e imitemos a Paixão do Senhor, morrendo com Ele, para com Ele também ressuscitarmos.


Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

                                                  

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

Com este Sermão, o Bispo Santo Agostinho (Séc. V), contemplamos  a Cruz do Senhor, na qual devemos nos gloriar.

“A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência. Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?

Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que Ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que Ele dará a vida aos Seus fiéis, quando já lhes deu até a Sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus? Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.

Quem é Cristo senão Aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus Se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar Sua vida aos mortais. Fez-Se participante de nossa morte para nos tornar participantes da Sua vida.

De fato, assim como os homens, pela Sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também Ele, pela Sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte. Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e d’Ele recebemos a vida.

Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre Si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos. Se Ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da Sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, Ele que é fiel em Suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?

Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.

O Apóstolo Paulo compreendeu bem esse Mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o Seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Retomemos o convite feito pelo Bispo: “Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho”.

Aprendamos com o Apóstolo Paulo: “Quanto a mim, que eu me glorie somente na Cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Vivamos a Semana Santa, a Semana Maior, em que celebramos o imensurável amor de Deus por nós, vivido por Seu Filho, numa fidelidade incondicional, selada pela doação e entrega de Sua própria vida.

Configurados a Cristo Jesus, vivamos também nós o Mistério de Sua Paixão e Morte, para com Ele Ressuscitarmos.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG