sábado, 28 de março de 2026

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

                                                  

Semana Santa: Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

Com este Sermão, o Bispo Santo Agostinho (Séc. V), contemplamos  a Cruz do Senhor, na qual devemos nos gloriar.

“A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência. Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?

Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que Ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que Ele dará a vida aos Seus fiéis, quando já lhes deu até a Sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus? Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.

Quem é Cristo senão Aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar Sua vida aos mortais. Fez-Se participante de nossa morte para nos tornar participantes da Sua vida.

De fato, assim como os homens, pela Sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também Ele, pela Sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte. Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e d’Ele recebemos a vida.

Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre Si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos. Se Ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da Sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, Ele que é fiel em Suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?

Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.

O Apóstolo Paulo compreendeu bem esse Mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o Seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Retomemos o convite feito pelo Bispo: “Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho”.

E aprendamos com o Apóstolo Paulo: “Quanto a mim, que eu me glorie somente na Cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14)”.

Vivamos a Semana Santa, a Semana Maior, em que celebramos o imensurável amor de Deus por nós, vivido por Seu Filho, numa fidelidade incondicional, selada pela doação e entrega de Sua própria vida.

Configurados a Cristo Jesus, vivamos também nós o Mistério de Sua Paixão e Morte, para com Ele Ressuscitarmos.

Tomemos nossa cruz de cada dia e sigamos o Senhor (Domingo de Ramos)

                                                             

Tomemos nossa cruz de cada dia e sigamos o Senhor

Com a Celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciaremos a Semana Santa, uma semana de intensa e profunda oração para os cristãos.

Como que num longo retiro espiritual, acolher, aclamar, caminhar com Jesus; vivificar a nossa fé, revigorar a nossa esperança e fortalecer a caridade, que nos impele no testemunho de Cristo Glorioso, Ressuscitado.

A Semana Santa é um convite ao mergulho na misericórdia divina, vivendo uma vida nova, marcada por atitudes de amor, serviço, entrega da vida, numa doação incondicional e total, na prática das virtudes corporais e espirituais, a saber:

Obras de misericórdia corporais:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

Obras de misericórdia espirituais:
1ª Dar bom conselho;
2ª Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.
(Catecismo de S. Pio X. - Capítulo IV - "Das obras de misericórdia")

Semana Santa bem celebrada, leva-nos a reassumir o Projeto do Reino pelo qual Jesus deu a Sua vida: o amor aos pequenos, aos pobres, contra tudo o que fere e elimina a vida.

Saciados e envolvidos pelo infinito amor de Deus, sermos testemunhas vivas e credíveis deste mesmo amor, opondo-nos a todos os sinais de morte, por amor, para que a vida esteja em nós.

Façamos desta semana uma semana diferente, a Semana Maior, uma Santa Semana Santa, marcada pelo recolhimento, silêncio, reflexão, aprofundamento espiritual à luz da Palavra de Deus para maior fidelidade, e assim trilharmos o caminho da autêntica felicidade.

Tomemos nossa cruz de cada dia, sigamos atrás de Jesus até o fim, para que sejamos merecedores da eternidade. Amém.

Uma súplica diante dos sinais de morte… (Domingo de Ramos)

                                                      

Uma súplica diante dos sinais de morte…

Com o Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa e com toda a Igreja mergulharemos nas profundezas das entranhas da Misericórdia Divina.

Trata-se de um tempo de maior sensibilidade diante dos sinais de morte, para os transformarmos em sinais de vida, vivendo Mistério da Páscoa.

Supliquemos, portanto,  para que Deus nos dê um olhar de:

-  Ternura e compaixão, que se alimenta na força renovadora de Sua Ressurreição;

- Partilha e solidariedade, para que fortaleça a corrente inquebrantável da fraternidade;

-   Serenidade e confiança, que vislumbra alegres sinais de esperança;

-  Ousadia e profecia para não nos curvarmos diante dos temores de cada dia.

Peçamos a Deus uma escuta:

- Sintonizada e atenta, que capta os clamores de realidades cruentas;

- Aliada à sabedoria para promover apenas sinais de vida, paz e alegria;

- sincera com humildade e mansidão de coração, para que se alargue a sensibilidade e a compaixão.

Tenhamos a graça da ação de Deus que:

- Cuida das nossas cordas tênues do coração, para que suporte os espinhos sem choro ou lamentação;

- Coloca a palavra certa, em nossa boca e que nossos lábios sejam possuidores de fagulhas de santos pensamentos sábios, para proclamarmos palavras que  restituam a quem as ouve esperança e alegria;

- Firma nossos pés nesta árdua caminhada, a fim, de que não esmoreça diante das cruzes pesadas.

Que jamais nos cansemos do caminhar de fé, nutrido d’Aquele que está presente no Pão e no Vinho, com as mãos fortalecidas, prontas e estendidas e para as mais enfraquecidas.

Jamais nos cansemos de abri-las para quem delas mais precisa, oferecendo o que de melhor se possui, pois é isto o que se eterniza!

Acolhamos e agradeçamos a quem cumpre o que promete e atende a todo aquele que pede: Obrigado Senhor! Amém.

Em poucas palavras... (Domingo de Ramos)

                                                    


“Vamos participar da Festa da Páscoa...”

 

“...Direi mais: imolemo-nos a Deus, ou melhor, ofereçamo-nos a Ele cada dia, com todas as nossas ações. Façamos o que nos sugerem as palavras: imitemos com os nossos sofrimentos a Paixão de Cristo, honremos com o nosso sangue o Seu Sangue, e subamos corajosamente à Sua Cruz.” (1)

 

(1) Bispo São Gregório de Nazianzo ( séc. IV)

Celebremos a Semana Santa: a Semana Maior (Domingo de Ramos)

                                                 

Celebremos a Semana Santa: a Semana Maior

A Semana Santa ou Semana Maior é por excelência Santa, pois é consagrada à celebração anual da Páscoa do Senhor, quando fazemos a memória solene do Mistério central da fé da vida da Igreja: Cristo morto e ressuscitado para a Salvação do mundo inteiro.

Iniciamos com o “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”, com procissão e ramos na mão, aclamando-se Jesus Cristo, Rei do Universo, vencedor do pecado e da morte.

Com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, temos o tom da Semana Maior, e assim, a assembleia cristã vai ao encontro do Senhor, aclamando-O como Rei do universo.

Apesar da entrada triunfal em Jerusalém, começa a dura caminhada da Cruz, que se percorre seguindo os passos do Servo de Deus, que, por amor, foi fiel até o fim, na doação e entrega de Sua vida, culminando em Sua crudelíssima morte.

Mas cremos que, após Sua Morte, por Deus, foi elevado acima de todas as coisas, recebeu “o Nome que está acima de todos os nomes; para que todos, ao Nome de Jesus se ajoelhem nos Céus, na terra e nos infernos. E toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai’ (Fl 2,9-11).

É fundamental que vivamos intensamente esta Semana, meditando o Mistério do Amor de Deus testemunhado por Jesus, que carregou nossos pecados sobre a Cruz, e também por nossos pecados, foi levado sobre a Cruz: ‘Ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades’ (Is 53,5; 1Pd 2,24).

Para continuarmos nossa meditação sobre a Semana Maior e o Mistério da Paixão do Senhor, retomo um trecho da reflexão de Raniero Cantalamessa, que nos convida a fazer nossa identificação para bem celebrar a Semana Santa:

“A Davi, que furioso procurava o responsável pelo crime que lhe fora contado por Natã, o profeta respondeu: ‘Tu és esse homem’ (2 Sm 12,7).

A mesma coisa a Palavra de Deus responde a nós que perguntamos quem fez morrer a Jesus: tu és aquele homem! Judas que trai; Pedro que renega, Pilatos que se lava as mãos, o povo que se aquece ao fogo conversando de ninharias, os soldados que dividem avidamente a túnica do condenado, os ladrões que mataram, mas estão aí sozinhos: atrás deles há multidões e lá estamos nós também...

Cabe a nós escolher com que atitude queremos entrar na história da Paixão de Cristo: com a atitude de Cireneu, que se coloca ao lado de Jesus, ombro a ombro, para carregar com ele o peso da cruz; com a atitude das mulheres que choram, do centurião que bate no peito e de Maria que fica silenciosa ao pé da cruz; ou se queremos entrar com a atitude de Judas, de Pedro, de Pilatos e daqueles que ‘olham de longe’ para ver como irá terminar aquele episódio” (1)

Oremos:

“Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador Se fizesse homem e morresse na Cruz. Concedei aprender o ensinamento da Sua Paixão e Ressuscitar com Ele em Sua glória. Por N.S.J.C. Amém!


(1) O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 -  pp.800-801

Em poucas palavras... (Domingo de Ramos)

                                                           

 

Quem nos ama tanto assim? 

“Doente, nossa natureza precisava de ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. 

Havíamos perdido a posse do bem; era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador. 

Essas razões eram sem importância? Não eram tais que comoveriam a Deus, a ponto de fazê-Lo descer até à nossa natureza humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em estado tão miserável e infeliz?”.(1)

 

 

(1)Bispo São Gregório de Nissa (séc. IV)

 

Semana Santa: fidelidade e obediência ao Senhor (Domingo de Ramos)

                                      

Semana Santa: fidelidade e obediência ao Senhor

“Assim ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu,
na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame
Jesus Cristo é o Senhor’ para a glória de Deus Pai”
(Fl 2,10-11)

Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor iniciamos a Semana Santa, e ouvimos a passagem da Carta de Paulo aos Filipenses (Fl 2,6-11).

O Apóstolo Paulo nos apresenta o exemplo de Jesus Cristo, que viveu obediência, fidelidade e amor total ao Pai por amor à humanidade.

Embora a comunidade de Filipos, gozando de afeto especial do Apóstolo, seja entusiasta, generosa e comprometida, é exortada a aprofundar sua prática de desprendimento com maior humildade e simplicidade, como deve acontecer com todas as comunidades que aderem ao Senhor.

Paulo nos apresenta, portanto, numa breve e densa passagem, a missão de Jesus:

“Em traços precisos, o hino define o ‘despojamento’ (‘Kenosis’)  de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a Sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o Ser e o Amor do Pai.

Não deixou de ser Deus, mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse ‘abaixamento’ assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma Morte infamante – a Morte de Cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do Amor radical, da entrega total da vida” (2).

Em consequência disto, Deus o fez “Kyrios” (Senhor), para reinar sobre toda a terra e sobre toda a humanidade.

A comunidade dos seguidores de Jesus haverá de fazer sempre este mesmo caminho de despojamento, amor, doação e fidelidade total a Deus, para alcançar a glória da eternidade.

Seja para nós a Semana, tempo de graça para que nos configuremos cada vez mais a Jesus Cristo, nosso Senhor, tendo d’Ele mesmos pensamentos e sentimentos.

Se assim vivermos, estaremos nos preparando para celebrar a verdadeira Páscoa, com o transbordamento da alegria que Deus pode realizar em nós, pela Ressurreição do Seu Filho, derramando Seu amor em nossos corações por meio do Seu Espírito.




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