sábado, 28 de março de 2026

A dimensão Pascal do sofrimento (Domingo de Ramos)

                                                          

 A dimensão Pascal do sofrimento 

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Hebreus (Hb 5,7-9): 

“Cristo, nos dias de Sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de salvá-Lo da morte, e foi atendido, por causa de Sua entrega a Deus. 

Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que Ele sofreu. Mas, na consumação de Sua vida, tornou-Se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. 

Uma página emocionante e de extrema beleza, que nos revela a plena humanidade de Jesus Cristo associada à Sua divindade. 

Sua existência terrena foi acompanhada de Orações e súplicas, com fortes clamores, e assim, aprendeu a obediência na escola do sofrimento, que teve o momento ápice na agonia vivida no Horto das Oliveiras. 

A Oração de Jesus não O livrou da morte, assumida por amor e obediência ao Projeto do Pai, mas O libertou definitivamente do sepulcro com Sua gloriosa Ressurreição: não poderia ficar morto para sempre Aquele que nos amou até o fim. N’Ele e com Ele, a Vida venceu a morte. 

Nesta escola de dor e sofrimento, também somos chamados a viver, em contínuo aprendizado com Ele que, apesar de ser Filho, percorreu este caminho, que se tornou loucura para os gregos, escândalo para os judeus. 

Jesus Cristo Se fez semelhante a nós, exceto no pecado para destruí-lo, e assim nos libertar definitivamente de suas amarras, e uma vez amando, Seus preceitos confirmados no amor a Deus e ao próximo, fôssemos introduzidos na vida nova da graça e da paz. 

Nesta escola do sofrimento, Ele deixou ao mundo as mais belas lições de amor, obediência e fidelidade. Aprendemos com o Divino Mestre que esta obediência custa o sacrifício, a dor e mesmo a morte em sua máxima expressão. 

Aprendiz e Mestre para a humanidade, Jesus tornou-Se perfeito, fonte de Salvação Eterna, a quem rendemos toda honra, glória, poder e louvor. 

Continuando nosso itinerário quaresmal, nesta escola do sofrimento, aprendamos a fazer do sofrimento fonte de vida e solidariedade. Evidentemente que não se trata da apologia do sofrimento pelo sofrimento, mas o sofrimento assumido conscientemente por amor e obediência ao Projeto de Deus, como o grão de trigo que morre para não ficar somente um grão de trigo, como nos falou o Senhor: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,24). 

Sofrimento com matizes pascais, vividos e assumidos para completar em nossa carne o que falta à Paixão de Jesus, por amor à Sua Igreja (Cl 1,24). 

Neste momento, unamo-nos elevando a Deus nossas orações e expressando nossa solidariedade, com todos aqueles que sofrem.  

Saibamos reler, a partir da fé, os sofrimentos que possivelmente estejamos passando, com a certeza de que, se assumidos com fé, poderão dar frutos de vida e esperança, como a expressão do amor verdadeiro, que tudo crê, tudo suporta (1 Cor 13), amor que não desiste diante do impossível e não desanima diante das dificuldades. 

 

Fonte de Pesquisa: Comentários à Bíblia Litúrgica - texto unificado - Gráfica Coimbra 2 - PP. 1681-1682


O indizível amor do Senhor por nós (Domingo de Ramos)

                                                                     

O indizível amor do Senhor por nós

Jesus é, para nós que cremos, o Servo Sofredor, que foi encontrado com aspecto humano, Se humilhou fazendo-Se obediente até a morte, e Morte de Cruz; e como disse Isaías: “Ele suportou nossos sofrimentos e padeceu nossas dores “ (Is 53, 1-3).

O Doutor da Igreja Santo Atanásio de Alexandria (séc. IV) nos disse:

“Sendo assim, não foi vexado de dores por Sua causa, mas pela nossa; nem foi abandonado por Deus, mas por nós; e por nós, os abandonados, Ele veio ao mundo. E quando diz: ‘Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome’, fala do Templo de Seu Corpo”.

Na Semana Santa, caminharemos com Jesus, celebraremos o Mistério de Sua Paixão e Morte, para celebrarmos com alegria transbordante a Sua Páscoa, num alegre Aleluia que voltaremos a cantar exultantes.

Por ora, meditaremos neste amor imensurável: Aquele que suportou dores indescritíveis por amor de nós, ainda que por vezes o abandonemos, Aquele que desceu ao mais profundo do Mistério da Solidão, passando pela morte e descendo à mansão dos mortos.

Mas Sua Morte é a morte de nossa morte. A Sua morte é a nossa redenção, nossa reconciliação, para que então, Ressuscitado, n’Ele vivendo e crendo, anunciando e testemunhando, vida nova e eterna tenhamos.

Domingo de Ramos: Jesus elevado na Cruz para nos elevar (Domingo de Ramos - Ano B)

                                                    

Domingo de Ramos:
Jesus elevado na Cruz para nos elevar

"Meu  Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"  (Mc 15,34)

No Domingo de Ramos (ano B), refletimos sobre o Amor de Deus que, na pessoa de Jesus, desceu ao nosso encontro assumindo a nossa condição humana, como servo doando a vida, na Cruz morrendo para destruir toda expressão de egoísmo e pecado.

Morrendo na Cruz, Jesus nos ensina a lição mais suprema: a doação da vida por amor puro e verdadeiro, como grão de trigo que morre para não ficar só. Elevado na Cruz para nos elevar.

A Cruz pode ter a aparência de fracasso, mas tem sabor de vitória. A morte e a Ressurreição de Jesus é a revelação do Filho de Deus, amado e não abandonado, que assume até o fim o Projeto de Vida e Salvação para toda a humanidade, em obediência e fidelidade ao Pai, por amor de Deus, com a força e presença do Espírito Santo.

Morrendo na Cruz, Jesus redime o mundo, numa atitude de confiança em Deus que jamais nos decepciona. É este o caminho que nos é proposto contemplando e imitando na vida a Paixão de Cristo: jamais fugir, mas aceitar a Sua Proposta.

Na passagem da primeira Leitura, ouvimos o Profeta Isaías, que nos apresenta o terceiro Cântico do Servo de Javé (Is 50,4-7). Este Profeta é o homem da Palavra, através do qual Deus fala e tem uma Proposta de redenção a todos que buscam salvação e libertação.

Para o êxito de sua missão, é totalmente modelado por Deus e não coloca nenhuma resistência ao Seu chamado para o anúncio de Sua Palavra.

O servo, em sua missão, assume com serenidade e confiança todo sofrimento, sem jamais desistir da missão por Deus confiada. A Paixão que tem pela Palavra se sobrepõe ao sofrimento, porque ele sabe em quem confia.

Mais tarde, os cristãos verão a própria Pessoa de Jesus nesta figura, porque como Servo fiel passa pela morte e alcança a glorificação; de modo que Sua morte na Cruz não é fracasso, pois, com a Sua Ressurreição, vence a morte e Se torna fonte de vida nova.

Também nós somos chamados a viver a mesma vocação profética: vida doada, oferecida, sacrificada. Às vezes, num aparente fracasso, mas com a certeza da vitória.

Somos a Palavra viva de Deus para o mundo, quando acompanhada de gestos, com salutar e corajoso testemunho da fé.

Reflitamos:

- Como vivemos nossa vocação profética?
- Confiamos e nos entregamos radicalmente ao Projeto de Deus?
- Como nos configuramos à figura do Servo Sofredor, que é o próprio Jesus?

Na passagem da segunda Leitura (Fl 2,6-11), o Apóstolo Paulo nos apresenta Jesus, exemplo de obediência incondicional ao Pai, na entrega da própria vida por amor de Deus.

O Apóstolo exorta a comunidade a fazer seu amadurecimento, embora seja uma comunidade entusiasta, generosa e comprometida, ainda precisa aprender o desprendimento, a humildade e a simplicidade, tendo de Jesus os mesmos pensamentos e sentimentos.

Como discípulos de Jesus, viver o despojamento (“kenosis”), por isto nos apresenta este belíssimo hino, em que Jesus Se esvazia de Sua condição divina, fazendo-Se servo, obediente, e na Cruz morrendo, mas exaltado por Deus, para que toda língua proclame que Ele é o Senhor, e que diante d’Ele todo joelho se dobre.

Jesus é verdadeiramente o “Kyrios”, o Senhor de nossa vida, por Sua condição divina, e uma vida marcada pelo serviço, amor radical e entrega total.

Reflitamos:

- O que nossa comunidade tem que melhorar para melhor testemunhar o Senhor presente em sua vida, em seu meio?
- Como vivemos o desprendimento, o despojamento em favor do Reino, como Jesus assim o fez?
- Como viver a lógica do Evangelho de Nosso Senhor (humildade, serviço, doação, amor) hoje?

Na passagem do Evangelho de Marcos (Mc 14,1-15,47), o Evangelista anuncia a Pessoa de Jesus, o Messias e o Filho de Deus que, morrendo na Cruz, revela o Amor total de Deus por nós, e com isto renovamos a certeza de que não trilhamos um caminho de perdedores e fracassados.

Sua morte foi consequência de Sua vida, Seu anúncio e testemunho: o desejo de Deus de um mundo novo com vida, justiça, amor e paz. Mas este Projeto entrou em choque com as autoridades que O condenaram à morte.

O Evangelista nos apresenta a serenidade, simplicidade e confiança de Jesus na realização deste Projeto.

Jesus é o homem que Se solidariza com a humanidade, que acompanha seus sofrimentos, experimentando seus dramas, fragilidades.

Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturado pelos soldados, Jesus percorre o Seu caminho de morte na solidão, no abandono e  na indiferença de todos.

Porém, na Cruz morrendo, aparece o Homem Novo, que marcou com Sangue o que falou, pregou, ensinou e testemunhou. Quem suportaria tudo isto por nós?

Celebremos a Semana Santa envolvidos pelo Amor de Deus, que nos leva à contemplação e renovação de nossa fidelidade ao Senhor: com Ele caminhar, morrer, para com Ele também  Ressuscitar. 

Tudo isto já podemos experimentar ao celebrar a Sua Paixão, Morte e Ressurreição nesta Semana Maior do Amor de Deus pela humanidade.

Reflitamos:

- Como estamos trilhando o caminho da Paixão e Morte do Senhor?
- Em que consiste para nós o caminho da Cruz?

- Cremos que a Cruz de nosso Senhor tem aparência de derrota, mas sabor de vitória?
- Como permanecemos fiéis ao Senhor no carregar da Cruz, no morrer com Ele, para também com Ele ressuscitarmos?

Semana Santa, semana de retiro para todos nós. Tempo de silêncio, de recolhimento, de reflexão, de mergulho no indizível Amor de Deus por nós, revelado e vivido por Jesus. 

É tempo do silêncio fecundo que nos levará ao acolhimento do Mistério, o maior de todos os Mistérios, o Mistério do Amor de Deus por nós, desde sempre e para sempre.


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Caminhamos com Jesus (Domingo de Ramos - Ano C)

                                                               

Caminhamos com Jesus

Naquele Domingo, Ele me levou ao deserto,
E pude ver Seu combate contra Satanás.
Por três vezes, eu O vi vencer,
Sem ceder às tramas diabólicas;
Com suas palavras “doces” e enganadoras,
Aparentemente, a felicidade realizar, porque “promissoras”.

Eu O vi vencer a tentação da abundância, da dominação e da fama.
Ensinou-me que também somos chamados o mesmo  fazer.
Temos também nossos combates diabólicos cotidianos,
E não estamos livres da tentação de tudo e muito ter,
De poder possuir, e dele, mau uso fazer, e tirânicos, outros fazer sofrer.
Da fama, prestígio e abuso das coisas divinas, amargo sabor.

No Domingo seguinte, dirigiu-Se ao Monte Tabor, 
Com Pedro, João e Tiago, em oração Se retirou.
Lá, no Monte, o acontecimento mais que memorável:
A Sua maviosa Transfiguração: Seu rosto radiante, roupas brilhantes.
As presenças testemunhais qualificadas de Moisés e Elias.,
Cumpriu e cumpre-se n’Ele, Jesus, a Lei e a Profecia.

A Transfiguração experimentada e depois lembrada
Afastaria o escândalo da aparente derrota do Senhor na Cruz.
No Mistério de dor e morte de Jesus Cristo, por amor,
Os discípulos serão testemunhas de que Ele Ressuscitou, e é nosso Senhor.
E assim, o mesmo haveremos de fazer até o fim dos tempos:
Testemunhar que o Amor do Pai, O glorificou, O Ressuscitou.

Mais um Domingo, e o Senhor nos revela dulcíssima verdade:
Deus é paciente e misericordioso conosco, Suas criaturas.
Ainda que fixemos tendas nos lamaçais do pecado e morte,
Deus não desiste de nós, e nos quer com Ele reconciliados.
Por isto, nos disse o Senhor, com palavras tão penetrantes:
“Mas, se não converterdes, morrereis todos do mesmo modo” (Lc 13,5).

Somos como uma figueira, na vinha do Senhor plantada,
Que precisa ser permanentemente cultivada e adubada.
Também o chão de nosso coração lavrar com o arado da Cruz,
Para que, como frondosa figueira, frutos saborosos
De amor, verdade, justiça e paz, produzir,
Na fidelidade à Palavra Divina, Sua luz reluzir.

É bom estar com o Senhor! E assim, em mais um Domingo,
O encontro dos encontros no Banquete da Eucaristia.
Ele, diante da crítica por comer com pecadores e publicanos,
Como que num magnífico mosaico da misericórdia,
Fala-nos na Parábola do filho pródigo, ou do pai misericordioso,
Que Deus, Seu Pai de amor, está sempre nos esperando de volta.

Não se pode ouvir a Parábola e ficar indiferente.
Parábola questiona, desinstala, provoca, pede conversão.
Se parecidos com o pai, misericordiosos seremos.
Se com o filho mais novo, reconhecedores de nossa miséria
E sedentos do perdão, da misericórdia divina, à “casa”, voltamos.
Se com o filho mais velho: legalismo, fechamento e muito mais...

No último Domingo, mais um encontro memorável,
Com Aquele que um dia encontramos, e nossa vida mudou,
Novo sentido conferiu e todos os horizontes alargou.
Diante da pecadora adúltera surpreendida em adultério,
Revelou a hipocrisia dos que condenam e matam,
Com “pedras” da maldade tirânica, diante de quem pecou.

Foi o mais belo encontro da Misericórdia com a miséria,
Miséria que sou e que todos somos. Reconheçamos.
Somente Ele tem Palavras de vida eterna,
E pode nossos pecados perdoar, as feridas abertas
De nossa alma, até mais que as do corpo, curar.
Jesus Cristo, Verdadeiramente Homem, Verdadeiramente Deus.

Ansiosos estávamos com a chegada do Domingo:
O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.
Ele conosco quis mais uma vez se encontrar.
Acolhemos o Messias, e proclamamos pelas ruas:
“Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!
Paz no céu e glória nas alturas” (Lc 19,38).

Iniciamos, com Ele, a grande Semana,
A Semana Santa, que nos convida,
Passo a passo, com Ele caminhar,
Cada momento, piedosamente celebrar,
Vivenciar com intensidade o Tríduo Pascal.
Ele será o Vencedor do amor sobre o ódio,
Bem como do bem sobre o mal.

A vida vencerá a morte.
O amor de Deus falou e falará como sempre mais alto.
Deus tem e terá sempre a última palavra. Amém.

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano C)

                                                          

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano C)
 
                              “Contemplemos e fiquemos abismados diante da mais bela História do Amor de Deus por nós:
Jesus Cristo, 0 Filho Amado do Pai.”
 
Com a Santa Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciamos a Semana Santa, que culminará na Ressurreição do Senhor.
 
A Liturgia (Ano C) nos convida a contemplar a ação de Deus que veio ao encontro da humanidade, por meio de Jesus Cristo, que Se fez Servo, em doação total de Sua vida por amor, não fugindo do horizonte da Cruz sempre presente em Sua missão.
 
A passagem da primeira Leitura (Is 50,4-7) nos apresenta o terceiro Cântico de Javé, e a figura do Servo sofredor, que a fé cristã identifica perfeitamente com a Pessoa de Jesus Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte:
 
“A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e entrega da vida em favor de todos; e a Sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na Ressurreição que gera vida nova” (1)
 
O Servo sofredor escuta, sofre, resiste e confia na intervenção de Deus que jamais abandona aqueles a quem chama. O Profeta tem convicção de que não está só, e que a força de Deus é sempre mais forte do que a dor, o sofrimento e a perseguição, e que jamais ficará decepcionado.
 
Reflitamos:
 
- Temos coragem de fazer da nossa vida uma total entrega ao Projeto de Deus, no compromisso de libertação de tudo que seja sinal de morte e opressão?
 
- De que modo vivemos a vocação profética que Deus nos concedeu pela graça do Batismo?
 
- Temos confiança na força de Deus, como o Servo sofredor que é o próprio Senhor?
 
O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda Leitura (Fl 2, 6-11), nos apresenta o exemplo de Jesus Cristo que viveu obediência, fidelidade e amor total ao Pai por amor à humanidade.
 
Embora a comunidade de Filipos, gozando de afeto especial do Apóstolo, seja entusiasta, generosa e comprometida, é exortada a aprofundar sua prática de desprendimento com maior humildade e simplicidade, como pode acontecer com toda comunidade que adere ao Senhor.
 
Paulo nos apresenta, portanto, numa breve e densa passagem, a missão de Jesus:
 
“Em traços precisos, o hino define o ‘despojamento’ (‘Kenosis’)  de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a Sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o Ser e o amor do Pai.
 
Não deixou de ser Deus, mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse ‘abaixamento’ assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma morte infamante – a Morte de Cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do Amor radical, da entrega total da vida” (2).
 
Em consequência disto, Deus o fez “Kyrios” (Senhor), para reinar sobre toda a terra e sobre toda a humanidade.
 
A comunidade dos seguidores de Jesus haverá de fazer sempre este mesmo caminho de despojamento, amor, doação e fidelidade total a Deus, para alcançar a glória da eternidade.
 
A passagem do Evangelho (Lc 22,14-23,56) nos apresenta a Paixão de Nosso Senhor Jesus. Com Lucas, o terceiro Evangelista, contemplamos a Paixão de Jesus: uma vida feita dom e serviço, culminando na morte de Cruz, em que revela o Amor de Deus que nada guarda para Si, que Se faz um dom total para que sejamos redimidos.
 
A mensagem central: a morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino, que provocou tensões, resistências pelos que detinham o poder religioso, econômico, político e social do Seu tempo.
 
A morte de Jesus é o culminar de Sua vida: “é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com Sangue), daquilo que Jesus pregou com Palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço” (3).
 
Sua morte deve ser entendida no contexto do que foi a Sua vida. Sendo assim, o Seu projeto libertador entrou em choque com as autoridades de Seu tempo: as autoridades políticas e religiosas se sentiram incomodadas com Sua denúncia, palavra e ação.
 
Em Sua morte na Cruz, aparece o Homem Novo, modelo para todo aquele que ama radicalmente e que faz de sua vida um dom de si para todos.
 
O Evangelista acentua alguns aspectos: a ceia como dom total de Jesus; a atitude de serviço (Lc 22,24-27); Deus não abandona Jesus, com a presença do anjo, quando Ele derrama “suor de sangue” (Lc 22, 42-44); Deus vem ao nosso encontro e manifesta Sua presença em gestos de bondade, revelando a misericórdia divina; somente Lucas menciona Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus atrás d'Ele (Lc 23,26), os demais mencionam a solicitação apenas de Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus (Mt 27,32; Mc 15,21).
 
Contemplemos a Paixão e Morte de Jesus como a concretização do amor de Deus, que veio ao nosso encontro, assumiu nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, venceu as tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai:
 
“...estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco até o fim dos tempos: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes. Por isto, Dante definiu São Lucas como o 'escriba da misericórdia divina'”. (4)
 
Que a celebração da Semana Santa, rica em espiritualidade, repleta de ritos significativos, renove nosso apaixonamento por Jesus, assim como Ele foi um apaixonado de Deus Pai, com a força e presença do Espírito Santo, em todos os momentos.
 
Contemplemos a misericórdia de Deus, na ação e Pessoa de Jesus, e sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6,36).
 
 
 
(1) (2) (3) (4) www.dehonianos.org.br
 

Fascinados por Cristo (Domingo de Ramos)

                                                             

Fascinados por Cristo

“O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio...?

As Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora no Brasil (2011-2015) nos apresentaram algumas interrogações muito oportunas (n.4), que permanecem atuais:

“Toda ação eclesial brota de Jesus Cristo e se volta para Ele e para o Reino do Pai. Jesus é a nossa razão de ser, origem de nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir. N’Ele, com Ele e a partir d’Ele mergulhamos no Mistério Trinitário, construindo nossa vida pessoal e comunitária. [...]

Em atitude orante, contemplativa, fraterna e servidora, somos convocados a responder, antes de tudo, a nós mesmos: quem é Jesus Cristo? (cf. Mc 8,27-29).

O que significa acolhê-Lo, segui-Lo e anunciá-Lo? O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio, faz arder nosso coração (cf. Lc 24,32), leva-nos a tudo deixar (cf. Lc 5,8-11) e, mesmo diante de nossas limitações e vicissitudes, a afirmar um incondicional amor a Ele (cf. Jo 21,9-17)?

A paixão por Jesus leva ao arrependimento, à contrição (cf. Lc 24,47; At 2,36ss) e à verdadeira conversão pessoal e pastoral [...]”.

De fato, sem o "fascínio", entendido como atração, encantamento, paixão, sedução, encontro pessoal de amor pela pessoa de Jesus, jamais conseguiremos dar passos corajosos no Seu seguimento.

O discípulo missionário do Senhor, em sua pertença à Igreja, peregrino da esperança no serviço do Reino, precisa deste fascínio, sem o qual não suportaria o peso da cruz e as dificuldades no caminho.

Fascinado por Cristo, conta com o Espírito da Verdade que o santifica e o livra de outros tantos fascínios, como o da “lógica mundana”, que não traria a desejada felicidade e realização.

Deste modo, sem fascínio por Cristo:

- Os Mandamentos Divinos se tornariam um peso e não alargariam os horizontes de nossa liberdade;

- Nossas Eucaristias se tornariam encontros formais, sem o ardor na acolhida da Palavra Proclamada;

- Nossas ações seriam insípidas, inodoras, não resplandeceriam a luz divina e não levariam ninguém a glorificar a Deus por elas;

- Nossas reuniões seriam apenas obrigações formais de um planejamento, um cumprimento apenas de agenda, sem a alegria do encontro, da comunhão fraterna fortalecida, da alegria de amar e servir a quem nos seduziu, nos chamou, nos amou, nos enviou;

- O perdão seria sempre para amanhã ou mesmo nunca, de modo que relações não seriam restaurados e os vínculos de comunhão fraterna jamais estabelecidos;

- As “correntes” aprisionariam a mente, os pensamentos, as inspirações, dificultando encontrar caminhos de evangelização nos novos areópagos que nos desafiam;

- Para quem estivesse do nosso lado, se preciso de nossa solidariedade, seria um peso insuportável;

- Não suportaríamos o jugo a ser carregado e nosso coração ficaria inquieto e insatisfeito;

- A pauta de nosso cotidiano seria cansaço, desalento, fracasso, mutilação de sonhos, fragilidade, futilidades e banalidades.

Sejamos fascinados por Jesus. Sejamos apaixonados e encantados por Ele, numa relação de amor-amizade que nos transforma n’Ele em cada Eucaristia que celebramos, até que possamos corresponder ao que o Apóstolo Paulo disse: “tenhamos em nós os mesmos pensamentos e sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2, 5); e possamos chegar a dizer ele também:  “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20).

Oremos:

Ó Deus, na espera do Senhor que veio, vem e virá, Dai-nos o fascínio e ardor necessários, para que, a exemplo de Paulo, formemos e geremos Cristo em nós, com a força e presença do Santo Espírito. Amém.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Em poucas palavras...

 


Com Maria na Paixão e Morte do Seu Filho

“Maria também está em Jerusalém, perto do seu Filho para celebrar a Páscoa: a última Páscoa judaica e a primeira Páscoa em que o seu Filho é o Sacerdote e a Vítima.

Não nos separemos dEla. Nossa Senhora ensinar-nos-á a ser constantes, a lutar até o pormenor, a crescer continuamente no amor por Jesus.

Permaneçamos a seu lado para contemplar com Ela a Paixão, a Morte e a Ressurreição do seu Filho. Não encontraremos lugar mais privilegiado.” (1)

 

(1)Coleção Falar com Deus – Volume I – Advento. Natal, Epifania. Quaresma. Semana Santa. Páscoa – Francisco Fernández Carvajal – Editora Quadrante – 2025 – p.559

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