sábado, 28 de março de 2026

“Acreditar, contemplar, imitar” a Paixão do Senhor! (Domingo de Ramos)

                                                 


“Acreditar, contemplar, imitar” a Paixão do Senhor! 

Com a Liturgia do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciaremos a Semana Santa, em que celebramos o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sejamos iluminados pelas palavras do Papa São Leão Magno (séc. V):

“Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

De fato a glória de Deus manifesta-Se incompreensivelmente através do insucesso, do fracasso. É o grande paradoxo que mantém e desperta a esperança no carregar de nossas cruzes cotidianas, nas várias formas de manifestação da morte.

Na Semana Santa somos convidados, pela Igreja e como Igreja, a vivenciar estes três verbos: acreditar, contemplar e imitar a Paixão de Nosso Senhor, para que na madrugada do Domingo, quando ainda for escuro, Sua Ressurreição possamos contemplar e ao mundo anunciar e testemunhar. Será o nosso grande Aleluia, guardado ao longo de toda a Quaresma.

Devemos vivê-la com prolongado tempo de recolhimento, de Oração, participando dos Mistérios e riqueza Litúrgica que a Igreja nos oferece, e assim teremos nossas forças renovadas, porque é próprio do Amor de Deus vir em socorro de nossas fraquezas, limitações, misérias, com a expressão máxima de Sua Misericórdia, Jesus Cristo.

Nossa aparente humilhação, dificuldades serão configuradas ao Cristo Servo Sofredor, e assim, corajosamente carregando o peso de nossa cruz, trilharemos para o caminho da glória.

Nossos sinais de morte cederão aos sinais da Páscoa. A vida venceu a morte, o amor sempre fala mais forte. Esta é a Páscoa cotidiana que nos move, impulsiona, faz com que na vida de fé jamais recuemos, mas avancemos para o horizonte do inédito de Deus, e o melhor de Deus venhamos a alcançar.

É a Grande Semana para renovarmos aquilo que acreditamos, que nos faz comprometidos e apaixonados por Jesus e pelo Seu Reino. Crer na força da Palavra proclamada, lida, meditada, vivida para que nossa vida seja, enfim, transformada. Crer no Santo Sacramento da Eucaristia, que é força em nossa silenciosa e corajosa travessia no mar da vida, sem jamais submergir no mar das dificuldades, mas antes mergulhados no mar infinito de Deus que é Sua bondade, ternura, amor e misericórdia.

É a Grande Semana para em silêncio frutuoso e orante contemplarmos o imensurável Amor de Deus, cujas dimensões são impossíveis de serem abarcadas por nossas categorias do pensamento. Contemplarmos Cristo, mais que num crucifixo, nos crucificados da história: doentes, desanimados, famintos, despossuídos das condições dignas de existência, nos que estão bem ao nosso lado (Mt 25).

É a Grande Semana para imitarmos Jesus Cristo e o Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte. 

Caminhar com Ele, seguir Seus passos, morrer com Ele e Ressuscitar com Ele. 

Imitá-Lo, tendo d’Ele os mesmos sentimentos (Fl 2,5): Amar, perdoar, viver, sonhar, sorrir, partilhar, doar a vida por amor, expressa no serviço, humildade, paciência...

Acreditemos, contemplemos e imitemos o Senhor. Amém. 

A Cruz, a escada para o céu (Domingo de Ramos)

                                                         

 A Cruz, a escada para o céu

Com o Domingo de Ramos, iniciaremos a Semana Santa, a “Semana Maior”, como chamavam os cristãos, em que meditamos sobre a Paixão e Morte do Senhor.

Esta semana, consagramos à celebração anual da Páscoa do Senhor, fazendo a memória solene do Mistério central da fé e da vida da Igreja: Cristo morto e ressuscitado para a Salvação do mundo inteiro.

Para esta Semana se dirige toda a Quaresma, marcada pela penitência e conversão.

Sejamos enriquecidos pelas palavras de Santa Rosa de Lima, (1586 -1617), Padroeira da América Latina. 

“O Senhor Salvador levantou a voz e com incomparável majestade disse: Saibam todos que depois da tribulação se seguirá a graça; reconheçam que sem o peso das aflições não se pode chegar ao cimo da graça; entendam que a medida dos carismas aumenta em proporção da intensificação dos trabalhos. Acautelem-se os homens contra o erro e o engano; é esta a única verdadeira escada do paraíso e sem a cruz não há caminho que leve ao céu.

Ouvindo estas palavras, penetrou-me um forte ímpeto de me colocar no meio da praça e bradar a todos, de qualquer idade, sexo e condição:

Ouvi, povos; ouvi, gente. A mandado de Cristo, repetindo as Palavras saídas de Seus lábios, quero vos exortar: Não podemos obter a graça, se não sofrermos aflições; cumpre acumular trabalhos sobre trabalhos, para alcançar a íntima participação da natureza divina, a glória dos filhos de Deus e a perfeita felicidade da alma.

O mesmo aguilhão me impelia a publicar a beleza da graça divina; isto me oprimia de angústia e me fazia transpirar e ansiar. Parecia-me não poder mais conter a alma na prisão do corpo, sem que quebradas as cadeias, livre, só e com a maior agilidade fosse pelo mundo, dizendo: 

Quem dera que os mortais conhecessem o valor da graça divina; como é bela, nobre, preciosa; quantas riquezas esconde em si, quantos tesouros, quanto júbilo e delícias! Sem dúvida, então, eles empregariam todo o empenho e cuidado para encontrar penas e aflições! Iriam todos pela terra a procurar, em vez de fortunas, os embaraços, moléstias e tormentos, a fim de possuir o inestimável tesouro da graça. É esta a compra e o lucro final da paciência.

Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que lhe adviriam talvez, se conhecessem a balança, onde são pesados para serem distribuídos aos homens." 

Renovemos nossa fidelidade ao Senhor Jesus, no testemunho mais audacioso e corajoso de nossa fé e esperança, para que, a exemplo de Santa Rosa de Lima, sejamos mais inflamados de amor.

Aprendamos com ela a serenidade no enfrentar das tribulações, provações dolorosas que acompanhou sua breve existência, imitando Cristo, pobre e crucificado. 

Retomo algumas de suas afirmações:

“... sem o peso das aflições não se pode chegar ao cimo da graça”

“Acautelem-se os homens contra o erro e o engano; esta é a única verdadeira escada do paraíso e sem a cruz não há caminho que leve ao céu”

“Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que lhe adviriam talvez, se conhecessem a balança, onde são pesados para serem distribuídos aos homens."

Num tempo de promessas inconsistentes de felicidade fugaz, sua mensagem chega ao mais profundo de nosso coração. Muitos querem a felicidade sem a fidelidade no carregar da cruz. Ele jamais nos prometeu facilidades, ao contrário, nos disse:

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me (Lc 9,23).

Esta escada, a qual ela se refere, é a cruz, exortando-nos à coragem e maturidade para subi-la, degrau por degrau, dia pós dia, e que muitos querem jogar tudo para o alto, fugindo, sumindo ou até mesmo chegando ao suicídio.

Nossos lamentos serão cada vez menos intensos, se soubermos aprofundar nossa comunhão com Cristo Jesus Crucificado e Ressuscitado, acompanhado de mais fascínio por Ele e Sua Palavra, maior a sedução por Seu amor e proposta.

Nossos tempos precisam de “Rosas de Lima”, possuidoras, como ela, não apenas de beleza estética, que também possuía, mas possuidoras da beleza mais preciosa, a beleza da alma e do coração, fazendo de nossa vida uma oferenda permanente e agradável aos olhos de Deus.

A seu exemplo, que encontrou o Tesouro escondido e a Pérola preciosa de grande valor: o Reino de Deus, o Amado – Jesus, e por Ele totalmente se entregou, o mesmo façamos.

Vivendo intensamente a Quaresma e a Semana Santa, também inflamados de Amor Divino sejamos, e subamos, degrau por degrau, carregando com renúncias e fidelidade nossa cruz de cada dia, perfeitamente configurados ao Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele também ressuscitarmos.

Semana Santa - Tempo de intensa Oração (Domingo de Ramos)

                                                                          

Semana Santa - Tempo de intensa Oração

Iniciaremos com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, um tempo forte de recolhimento e oração.

A Sagrada Escritura ressalta a necessária prática da Oração pessoal e comunitária, como veremos nos escritos do Bispo Santo Isidoro (séc. VII).

“A Oração nos purifica, a leitura nos instrui. Pratiquemos uma e outra coisa, porque ambas são boas. Mas se isso não for possível, é melhor orar do que ler.

Quem deseja estar sempre com Deus, deve orar e ler frequentemente. Quando oramos, falamos com Deus, mas quando lemos é Deus quem fala conosco.

Todo o nosso progresso provém da leitura e da meditação. Pela leitura aprendemos o que ignorávamos, e o que aprendemos, conservamos pela meditação.

É duplo o proveito que tiramos da leitura da Sagrada Escritura: ilumina a nossa inteligência, afastando-nos das vaidades do mundo, leva-nos ao Amor de Deus…”

Um pouco antes, São Jerônimo exortou-nos a amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura. Literalmente afirmou: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”.

Por isso, é importante que todo cristão viva em contato e em diálogo pessoal com a Palavra de Deus, que nos é entregue na Sagrada Escritura.

Este diálogo com Ela deve ter sempre duas dimensões: por um lado, deve haver um diálogo realmente pessoal, pois Deus fala conosco através da Sagrada Escritura e tem uma mensagem para cada um de nós.

A Sagrada Escritura não pode ser vista como uma Palavra do passado, mas como Palavra de Deus dirigida também a nós, quando procuramos entender o que o Senhor quer nos dizer.

Para não cair no individualismo, temos de ter presente que a Palavra de Deus nos é dada precisamente para construir comunhão e para nos unir na verdade de nosso caminho rumo a Deus.

Portanto, apesar de ser sempre uma Palavra pessoal, é também uma Palavra que edifica a comunidade, que edifica a Igreja. Por isso, temos de lê-la em comunhão com a Igreja viva.

O lugar privilegiado da leitura e da escuta da Palavra de Deus é a Liturgia, nela ao celebrar a Palavra e ao tornar presente o Sacramento do Corpo de Cristo, atualizamos a Palavra em nossa vida e a fazemos presente entre nós.

A Palavra de Deus transcende os tempos, ao contrário das opiniões humanas que passam. O que hoje se apresenta como moderno, amanhã estará ultrapassado. Ela é Palavra de Vida Eterna, tem em si a eternidade, vale para sempre. 

Com a leitura da Palavra Divina, podemos nos instruir acerca da vontade de Deus, mas quando a tomamos para a Oração, abrimos nosso coração e a Ele apresentamos nossos anseios, propósitos, angústias, esperanças,  alegrias e tristezas, em atenta espera de Sua resposta.

Os Salmistas nos ensinam que os ouvidos de Deus estão sempre abertos e prontos a nos conceder uma resposta, ainda que esta nos desinstale, nos questione, exija mudança de rumos, conceitos e paradigmas, e alargamento de horizontes…

“Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus:
do Seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em Sua presença chegou aos Seus ouvidos.” (Sl 17,7)

A dimensão Pascal do sofrimento (Domingo de Ramos)

                                                          

 A dimensão Pascal do sofrimento 

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Hebreus (Hb 5,7-9): 

“Cristo, nos dias de Sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de salvá-Lo da morte, e foi atendido, por causa de Sua entrega a Deus. 

Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que Ele sofreu. Mas, na consumação de Sua vida, tornou-Se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. 

Uma página emocionante e de extrema beleza, que nos revela a plena humanidade de Jesus Cristo associada à Sua divindade. 

Sua existência terrena foi acompanhada de Orações e súplicas, com fortes clamores, e assim, aprendeu a obediência na escola do sofrimento, que teve o momento ápice na agonia vivida no Horto das Oliveiras. 

A Oração de Jesus não O livrou da morte, assumida por amor e obediência ao Projeto do Pai, mas O libertou definitivamente do sepulcro com Sua gloriosa Ressurreição: não poderia ficar morto para sempre Aquele que nos amou até o fim. N’Ele e com Ele, a Vida venceu a morte. 

Nesta escola de dor e sofrimento, também somos chamados a viver, em contínuo aprendizado com Ele que, apesar de ser Filho, percorreu este caminho, que se tornou loucura para os gregos, escândalo para os judeus. 

Jesus Cristo Se fez semelhante a nós, exceto no pecado para destruí-lo, e assim nos libertar definitivamente de suas amarras, e uma vez amando, Seus preceitos confirmados no amor a Deus e ao próximo, fôssemos introduzidos na vida nova da graça e da paz. 

Nesta escola do sofrimento, Ele deixou ao mundo as mais belas lições de amor, obediência e fidelidade. Aprendemos com o Divino Mestre que esta obediência custa o sacrifício, a dor e mesmo a morte em sua máxima expressão. 

Aprendiz e Mestre para a humanidade, Jesus tornou-Se perfeito, fonte de Salvação Eterna, a quem rendemos toda honra, glória, poder e louvor. 

Continuando nosso itinerário quaresmal, nesta escola do sofrimento, aprendamos a fazer do sofrimento fonte de vida e solidariedade. Evidentemente que não se trata da apologia do sofrimento pelo sofrimento, mas o sofrimento assumido conscientemente por amor e obediência ao Projeto de Deus, como o grão de trigo que morre para não ficar somente um grão de trigo, como nos falou o Senhor: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,24). 

Sofrimento com matizes pascais, vividos e assumidos para completar em nossa carne o que falta à Paixão de Jesus, por amor à Sua Igreja (Cl 1,24). 

Neste momento, unamo-nos elevando a Deus nossas orações e expressando nossa solidariedade, com todos aqueles que sofrem.  

Saibamos reler, a partir da fé, os sofrimentos que possivelmente estejamos passando, com a certeza de que, se assumidos com fé, poderão dar frutos de vida e esperança, como a expressão do amor verdadeiro, que tudo crê, tudo suporta (1 Cor 13), amor que não desiste diante do impossível e não desanima diante das dificuldades. 

 

Fonte de Pesquisa: Comentários à Bíblia Litúrgica - texto unificado - Gráfica Coimbra 2 - PP. 1681-1682


O indizível amor do Senhor por nós (Domingo de Ramos)

                                                                     

O indizível amor do Senhor por nós

Jesus é, para nós que cremos, o Servo Sofredor, que foi encontrado com aspecto humano, Se humilhou fazendo-Se obediente até a morte, e Morte de Cruz; e como disse Isaías: “Ele suportou nossos sofrimentos e padeceu nossas dores “ (Is 53, 1-3).

O Doutor da Igreja Santo Atanásio de Alexandria (séc. IV) nos disse:

“Sendo assim, não foi vexado de dores por Sua causa, mas pela nossa; nem foi abandonado por Deus, mas por nós; e por nós, os abandonados, Ele veio ao mundo. E quando diz: ‘Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome’, fala do Templo de Seu Corpo”.

Na Semana Santa, caminharemos com Jesus, celebraremos o Mistério de Sua Paixão e Morte, para celebrarmos com alegria transbordante a Sua Páscoa, num alegre Aleluia que voltaremos a cantar exultantes.

Por ora, meditaremos neste amor imensurável: Aquele que suportou dores indescritíveis por amor de nós, ainda que por vezes o abandonemos, Aquele que desceu ao mais profundo do Mistério da Solidão, passando pela morte e descendo à mansão dos mortos.

Mas Sua Morte é a morte de nossa morte. A Sua morte é a nossa redenção, nossa reconciliação, para que então, Ressuscitado, n’Ele vivendo e crendo, anunciando e testemunhando, vida nova e eterna tenhamos.

Domingo de Ramos: Jesus elevado na Cruz para nos elevar (Domingo de Ramos - Ano B)

                                                    

Domingo de Ramos:
Jesus elevado na Cruz para nos elevar

"Meu  Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"  (Mc 15,34)

No Domingo de Ramos (ano B), refletimos sobre o Amor de Deus que, na pessoa de Jesus, desceu ao nosso encontro assumindo a nossa condição humana, como servo doando a vida, na Cruz morrendo para destruir toda expressão de egoísmo e pecado.

Morrendo na Cruz, Jesus nos ensina a lição mais suprema: a doação da vida por amor puro e verdadeiro, como grão de trigo que morre para não ficar só. Elevado na Cruz para nos elevar.

A Cruz pode ter a aparência de fracasso, mas tem sabor de vitória. A morte e a Ressurreição de Jesus é a revelação do Filho de Deus, amado e não abandonado, que assume até o fim o Projeto de Vida e Salvação para toda a humanidade, em obediência e fidelidade ao Pai, por amor de Deus, com a força e presença do Espírito Santo.

Morrendo na Cruz, Jesus redime o mundo, numa atitude de confiança em Deus que jamais nos decepciona. É este o caminho que nos é proposto contemplando e imitando na vida a Paixão de Cristo: jamais fugir, mas aceitar a Sua Proposta.

Na passagem da primeira Leitura, ouvimos o Profeta Isaías, que nos apresenta o terceiro Cântico do Servo de Javé (Is 50,4-7). Este Profeta é o homem da Palavra, através do qual Deus fala e tem uma Proposta de redenção a todos que buscam salvação e libertação.

Para o êxito de sua missão, é totalmente modelado por Deus e não coloca nenhuma resistência ao Seu chamado para o anúncio de Sua Palavra.

O servo, em sua missão, assume com serenidade e confiança todo sofrimento, sem jamais desistir da missão por Deus confiada. A Paixão que tem pela Palavra se sobrepõe ao sofrimento, porque ele sabe em quem confia.

Mais tarde, os cristãos verão a própria Pessoa de Jesus nesta figura, porque como Servo fiel passa pela morte e alcança a glorificação; de modo que Sua morte na Cruz não é fracasso, pois, com a Sua Ressurreição, vence a morte e Se torna fonte de vida nova.

Também nós somos chamados a viver a mesma vocação profética: vida doada, oferecida, sacrificada. Às vezes, num aparente fracasso, mas com a certeza da vitória.

Somos a Palavra viva de Deus para o mundo, quando acompanhada de gestos, com salutar e corajoso testemunho da fé.

Reflitamos:

- Como vivemos nossa vocação profética?
- Confiamos e nos entregamos radicalmente ao Projeto de Deus?
- Como nos configuramos à figura do Servo Sofredor, que é o próprio Jesus?

Na passagem da segunda Leitura (Fl 2,6-11), o Apóstolo Paulo nos apresenta Jesus, exemplo de obediência incondicional ao Pai, na entrega da própria vida por amor de Deus.

O Apóstolo exorta a comunidade a fazer seu amadurecimento, embora seja uma comunidade entusiasta, generosa e comprometida, ainda precisa aprender o desprendimento, a humildade e a simplicidade, tendo de Jesus os mesmos pensamentos e sentimentos.

Como discípulos de Jesus, viver o despojamento (“kenosis”), por isto nos apresenta este belíssimo hino, em que Jesus Se esvazia de Sua condição divina, fazendo-Se servo, obediente, e na Cruz morrendo, mas exaltado por Deus, para que toda língua proclame que Ele é o Senhor, e que diante d’Ele todo joelho se dobre.

Jesus é verdadeiramente o “Kyrios”, o Senhor de nossa vida, por Sua condição divina, e uma vida marcada pelo serviço, amor radical e entrega total.

Reflitamos:

- O que nossa comunidade tem que melhorar para melhor testemunhar o Senhor presente em sua vida, em seu meio?
- Como vivemos o desprendimento, o despojamento em favor do Reino, como Jesus assim o fez?
- Como viver a lógica do Evangelho de Nosso Senhor (humildade, serviço, doação, amor) hoje?

Na passagem do Evangelho de Marcos (Mc 14,1-15,47), o Evangelista anuncia a Pessoa de Jesus, o Messias e o Filho de Deus que, morrendo na Cruz, revela o Amor total de Deus por nós, e com isto renovamos a certeza de que não trilhamos um caminho de perdedores e fracassados.

Sua morte foi consequência de Sua vida, Seu anúncio e testemunho: o desejo de Deus de um mundo novo com vida, justiça, amor e paz. Mas este Projeto entrou em choque com as autoridades que O condenaram à morte.

O Evangelista nos apresenta a serenidade, simplicidade e confiança de Jesus na realização deste Projeto.

Jesus é o homem que Se solidariza com a humanidade, que acompanha seus sofrimentos, experimentando seus dramas, fragilidades.

Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturado pelos soldados, Jesus percorre o Seu caminho de morte na solidão, no abandono e  na indiferença de todos.

Porém, na Cruz morrendo, aparece o Homem Novo, que marcou com Sangue o que falou, pregou, ensinou e testemunhou. Quem suportaria tudo isto por nós?

Celebremos a Semana Santa envolvidos pelo Amor de Deus, que nos leva à contemplação e renovação de nossa fidelidade ao Senhor: com Ele caminhar, morrer, para com Ele também  Ressuscitar. 

Tudo isto já podemos experimentar ao celebrar a Sua Paixão, Morte e Ressurreição nesta Semana Maior do Amor de Deus pela humanidade.

Reflitamos:

- Como estamos trilhando o caminho da Paixão e Morte do Senhor?
- Em que consiste para nós o caminho da Cruz?

- Cremos que a Cruz de nosso Senhor tem aparência de derrota, mas sabor de vitória?
- Como permanecemos fiéis ao Senhor no carregar da Cruz, no morrer com Ele, para também com Ele ressuscitarmos?

Semana Santa, semana de retiro para todos nós. Tempo de silêncio, de recolhimento, de reflexão, de mergulho no indizível Amor de Deus por nós, revelado e vivido por Jesus. 

É tempo do silêncio fecundo que nos levará ao acolhimento do Mistério, o maior de todos os Mistérios, o Mistério do Amor de Deus por nós, desde sempre e para sempre.


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Caminhamos com Jesus (Domingo de Ramos - Ano C)

                                                               

Caminhamos com Jesus

Naquele Domingo, Ele me levou ao deserto,
E pude ver Seu combate contra Satanás.
Por três vezes, eu O vi vencer,
Sem ceder às tramas diabólicas;
Com suas palavras “doces” e enganadoras,
Aparentemente, a felicidade realizar, porque “promissoras”.

Eu O vi vencer a tentação da abundância, da dominação e da fama.
Ensinou-me que também somos chamados o mesmo  fazer.
Temos também nossos combates diabólicos cotidianos,
E não estamos livres da tentação de tudo e muito ter,
De poder possuir, e dele, mau uso fazer, e tirânicos, outros fazer sofrer.
Da fama, prestígio e abuso das coisas divinas, amargo sabor.

No Domingo seguinte, dirigiu-Se ao Monte Tabor, 
Com Pedro, João e Tiago, em oração Se retirou.
Lá, no Monte, o acontecimento mais que memorável:
A Sua maviosa Transfiguração: Seu rosto radiante, roupas brilhantes.
As presenças testemunhais qualificadas de Moisés e Elias.,
Cumpriu e cumpre-se n’Ele, Jesus, a Lei e a Profecia.

A Transfiguração experimentada e depois lembrada
Afastaria o escândalo da aparente derrota do Senhor na Cruz.
No Mistério de dor e morte de Jesus Cristo, por amor,
Os discípulos serão testemunhas de que Ele Ressuscitou, e é nosso Senhor.
E assim, o mesmo haveremos de fazer até o fim dos tempos:
Testemunhar que o Amor do Pai, O glorificou, O Ressuscitou.

Mais um Domingo, e o Senhor nos revela dulcíssima verdade:
Deus é paciente e misericordioso conosco, Suas criaturas.
Ainda que fixemos tendas nos lamaçais do pecado e morte,
Deus não desiste de nós, e nos quer com Ele reconciliados.
Por isto, nos disse o Senhor, com palavras tão penetrantes:
“Mas, se não converterdes, morrereis todos do mesmo modo” (Lc 13,5).

Somos como uma figueira, na vinha do Senhor plantada,
Que precisa ser permanentemente cultivada e adubada.
Também o chão de nosso coração lavrar com o arado da Cruz,
Para que, como frondosa figueira, frutos saborosos
De amor, verdade, justiça e paz, produzir,
Na fidelidade à Palavra Divina, Sua luz reluzir.

É bom estar com o Senhor! E assim, em mais um Domingo,
O encontro dos encontros no Banquete da Eucaristia.
Ele, diante da crítica por comer com pecadores e publicanos,
Como que num magnífico mosaico da misericórdia,
Fala-nos na Parábola do filho pródigo, ou do pai misericordioso,
Que Deus, Seu Pai de amor, está sempre nos esperando de volta.

Não se pode ouvir a Parábola e ficar indiferente.
Parábola questiona, desinstala, provoca, pede conversão.
Se parecidos com o pai, misericordiosos seremos.
Se com o filho mais novo, reconhecedores de nossa miséria
E sedentos do perdão, da misericórdia divina, à “casa”, voltamos.
Se com o filho mais velho: legalismo, fechamento e muito mais...

No último Domingo, mais um encontro memorável,
Com Aquele que um dia encontramos, e nossa vida mudou,
Novo sentido conferiu e todos os horizontes alargou.
Diante da pecadora adúltera surpreendida em adultério,
Revelou a hipocrisia dos que condenam e matam,
Com “pedras” da maldade tirânica, diante de quem pecou.

Foi o mais belo encontro da Misericórdia com a miséria,
Miséria que sou e que todos somos. Reconheçamos.
Somente Ele tem Palavras de vida eterna,
E pode nossos pecados perdoar, as feridas abertas
De nossa alma, até mais que as do corpo, curar.
Jesus Cristo, Verdadeiramente Homem, Verdadeiramente Deus.

Ansiosos estávamos com a chegada do Domingo:
O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.
Ele conosco quis mais uma vez se encontrar.
Acolhemos o Messias, e proclamamos pelas ruas:
“Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!
Paz no céu e glória nas alturas” (Lc 19,38).

Iniciamos, com Ele, a grande Semana,
A Semana Santa, que nos convida,
Passo a passo, com Ele caminhar,
Cada momento, piedosamente celebrar,
Vivenciar com intensidade o Tríduo Pascal.
Ele será o Vencedor do amor sobre o ódio,
Bem como do bem sobre o mal.

A vida vencerá a morte.
O amor de Deus falou e falará como sempre mais alto.
Deus tem e terá sempre a última palavra. Amém.

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