quarta-feira, 23 de julho de 2025

Com Santa Brígida, contemplemos o indizível Amor do Senhor! (23/07)

                                                                

Com Santa Brígida, contemplemos
o indizível Amor do Senhor!

Santa Brígida (Séc. XIV), Princesa sueca, esposa e mãe exemplar de oitos filhos, aos quais educou na fé cristã, tem memória celebrada em 23 de julho.

Ela nos deixou riquezas escritas para edificação dos fiéis, além da própria história de vida, consagrando sua viuvez à Igreja.

“Bendito sejas Tu, Senhor meu, Jesus Cristo, que com antecedência predisseste Tua morte, e na última ceia maravilhosamente consagraste em Teu precioso Corpo o pão material; aos Apóstolos o entregaste por amor em memória de Tua digníssima Paixão e, lavando-lhes humildemente os pés com Tuas mãos preciosas, demonstraste a máxima humildade.

Honra a Ti, meu Senhor, Jesus Cristo que, no temor do sofrimento e da morte, fizeste correr de Teu corpo inocente Sangue como suor, e, mesmo assim, realizaste até o fim nossa redenção, objeto de Teu desejo, e deste modo revelaste de modo claríssimo a Caridade que tens pelo gênero humano.

Bendito sejas Tu, Senhor meu, Jesus Cristo, que foste levado a Caifás, e Tu, o juiz de todos, permitiste a humilhação de seres entregue ao julgamento de Pilatos.

Glória a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, pelas zombarias que suportaste quando, revestido de púrpura, coroado de agudíssimos espinhos, permaneceste de pé; e sofreste em tua gloriosa face ser cuspido, ter os olhos vendados e com a máxima paciência ser duramente batido no rosto e no peito pelas infelizes mãos dos perversos.

Louvor a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, que Te deixaste ser atado à coluna, flagelado desumanamente e coberto de sangue, ser conduzido a Pilatos e mostrando-Te qual cordeiro inocente.

Honra a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, que, ensanguentado em todo o Teu corpo, foste condenado à morte de cruz, e a carregaste com dores em Teus sagrados ombros; conduzido com fúria ao lugar da Paixão, despojado das vestes, assim quiseste ser pregado no lenho da Cruz.

Honra perpétua a Ti, Senhor Jesus Cristo, que, em tanta angústia, humildemente olhaste com Teus benignos olhos amorosos Tua excelente mãe, que nunca pecou nem jamais consentiu no mínimo pecado; e, consolando-a, a entregaste a Teu discípulo para ser fielmente protegida.

Bênção eterna a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, que, na agonia da morte, deste a todos os pecadores a esperança do perdão, quando ao ladrão voltado para Ti prometeste misericordiosamente a glória do paraíso.

Louvor eterno a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, por todas as horas em que na Cruz suportaste as máximas amarguras e angústias por nós, pecadores; pois as dores agudíssimas nascidas de Tuas Chagas penetravam barbaramente em Tua bem-aventurada alma e atravessavam cruelmente Teu Sacratíssimo Coração, até que com um grito rendeste o espírito e, de cabeça inclinada, o entregaste humildemente às mãos de Deus, Teu Pai; e então morto, ficaste com Teu corpo todo frio.

Bendito sejas Tu, meu Senhor Jesus Cristo, que com Teu precioso Sangue e Morte Sacratíssima remiste nossas almas e as levaste em Tua misericórdia deste exílio para a vida eterna.

Glória a Ti, meu Senhor, Jesus Cristo, que quiseste que Teu bendito corpo fosse descido da Cruz por Teus amigos e reclinado nas mãos de Tua mãe dolorosa; e aceitaste ser envolto por ela em lençóis, depositado no sepulcro e ali ser guardado por soldados.

Honra eterna a Ti, meu Senhor, Jesus Cristo, que ressuscitaste ao terceiro dia e àqueles que escolheste Te manifestaste; depois de quarenta dias, subiste ao céu à vista de muitos, e lá colocaste honrosamente Teus amigos que havias libertado dos infernos.

Júbilo e louvor eterno a Ti, Senhor Jesus Cristo, que enviaste o Espírito Santo aos corações dos discípulos e neles aumentaste o imenso Amor Divino.

Bendito sejas Tu, louvável e glorioso pelos séculos, meu Senhor Jesus, que Te assentas no trono em Teu Reino dos céus, na glória de Tua divindade, vivendo no corpo com todos os santíssimos membros que recebeste da carne da Virgem. E deste modo, voltarás no dia do juízo para julgar as almas de todos os vivos e mortos; que vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos. Amém.” (1)

Esta Oração eleva nossos pensamentos, levando-nos à contemplação de Jesus Cristo e Seu indizível Amor por nós.

Contemplando o Amor de Cristo, somos também levados a contemplá-Lo na pessoa de nosso próximo para que não incorramos em estéril contemplação.

Contemplamos para prolongá-lo em nossa existência, completando em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja, como nos exortou o Apóstolo Paulo ao se dirigir aos Colossenses (Cl 1,24).

Contemplemos seu amor em plena fidelidade ao Senhor, como discípulos missionários do Senhor, vivamos, com a força e presença do Espírito Santo na comunhão de amor com o Pai.


(1) Liturgia das Horas – Vol. III – pág. 1440-1443.

domingo, 20 de julho de 2025

Urgente ou necessário? (29/07)

                                                         

Urgente ou necessário?

 

“Ela (Maria) escolheu a melhor parte”

 

Passagem do Evangelho da visita que Jesus faz à casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro: Lc 10, 38-42

 

As Palavras de Jesus: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolhe a melhor parte, que não lhe será tirada”

 

Duas constatações:

 

- “Nós sacrificamos continuamente, sem perceber, aquilo que é importante para correr atrás do que é simplesmente urgente, mas não importante.” (1) 

 

- “Nossa vida é uma corrida desenfreada atrás de mil coisas: sonhos, projetos, negócios, ocupações; somos Martas atarefadas que pensam fazer as coisas mais importantes do mundo e ao invés perdemos o tempo, fazemos coisas inúteis, nos agitamos por coisas que são urgentes e não importantes, por coisas que muitas vezes não acontecerão nunca” (2).

 

Um pensamento de Santo Agostinho:

 

Minha alma está inquieta, sempre estará, enquanto não encontrar seu repouso em Ti, ó Senhor”.

 

Uma reflexão sobre a necessidade de discernir entre o urgente e o necessário:

 

Viver é navegar, com o discernimento necessário,

Entre o que é importante e o que é urgente,

Com sábias escolhas para não naufragarmos

No mar vasto e complexo de múltiplas possibilidades.

 

Vivemos premidos pelo tempo que se esvai,

Muitas vezes, sem que o percebamos, velozmente,

Consumidos pelo muito a fazer, porque inadiável,

Sem saber exatamente por onde começar.

 

O que é de fato importante e o que é urgente?

O que não nos é permitido prorrogar, porque imperioso?

O que de fato deve nos consumir,

Com zelo, ardor e fervor, numa expressão de amor?

 

Não há tempo a perder! As horas são contadas.

Que densidade damos a cada hora que passa?

A cada hora que passa, que história foi escrita,

Para que não percamos a beleza de um desejável epílogo?

 

Viver é consagrar o que somos e o que temos,

Nem tanto pelo que é urgente, e sim importante

Para o consumar do que nos realiza como pessoas,

Sem estresse, desgastes inúteis, devorados por inquietações.

 

É tempo de revermos o caminho e escolhas feitas:

A Missa, a Oração, o silêncio serão para nós importantes

Ou, em nome de urgências incontáveis,

Imediatamente sacrificamos, adiamos, nos esvaziamos?

 

Não será o vazio, por muitos sentido,

Fruto desta escolha não bem feita,

O perder-se no emaranhado da escolha

Entre o importante e o urgente?

 

Encontrando-me com Ele, saberei discernir, com sabedoria,

O que de fato é importante, não necessariamente urgente,

Que me faz mais humano, menos estéril da Divina Semente,

Que abundantemente o Senhor lança em nossos corações.

 

Não concluo lúcido e propositalmente,

Porque agora tenho algo importante para fazer:

Recolher-me no mais profundo de mim mesmo

E encontrar-me com Ele, no silêncio...

 

 

(1)         O Verbo se faz carne – Reflexão sobre a Palavra de Deus – Anos A, B, C – Pe. Raniero Cantalamessa - OFM - Ed. Ave Maria - 2013 - p. 724.

(2)        Idem p.681 

domingo, 13 de julho de 2025

“Sejamos primeiros para os outros” (XXVDTCB)

                                                      

“Sejamos primeiros para os outros”

Para aprofundamento da Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum (ano B):

A verdadeira autoridade não está em estar acima dos outros, oprimir os outros, na afirmação de si mesmos reduzindo os outros a escravos, clientes ou aduladores; está em ‘ser primeiros para os outros’. Em colocar o que se tem de bom a serviço de todos.

Isto cria a nova grandeza evangélica, que é verdadeira grandeza, porque, se é verdade que ‘os primeiros serão os últimos’, é verdade também que ‘os últimos’ (estes últimos dos quais nos falou o Evangelho serão os primeiros (Mt  20,16)”. (1)

Parece pequena a diferença, mas na verdade é de imensa: é preciso antes “ser primeiro que os outros”, “ser primeiro para os outros”.

Quantas vezes, vemos disputas para ver quem é o melhor, quem chega primeiro, quem tem mais acesso, mais ibope... A lista é interminável.

Na verdade deve ser colocada a questão: primeiro, para dominar ou para servir melhor?

Primeiro que o outro em tudo, para enriquecimento pessoal ou para enriquecimento do outro?

A busca do primeiro que o outro só tem sentido se for movido pelo amor doação, serviço, para que todos tenham vida e vida plena.

Sejamos os primeiros a:

- nos colocar alegremente no carregar da cruz, em solidariedade com os crucificados.

- carregar nossa cruz de cada dia, com renúncias, coragem e fidelidade, testemunhando e ajudando o próximo no carregar de sua cruz, como “Cirineus”, que o mundo tanto precisa...

- promover o bem, a verdade, a justiça, a ética, os valores que, se vividos, tornam o mundo mais belo.

Sejamos os primeiros a estender a mão a quem mais precisa. Primeiro, para amar e servir. Eis a grande lição que Jesus nos dá na passagem do Evangelho (Mc 9, 30-37).


(1) O Verbo Se faz Carne - Raniero Cantalamessa - Editora   Ave Maria - 2013 - p.438

PS: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 17,22-27; Mc 9,30-37)

Em poucas palavras... (XVDTCC)

                                              


“Cristo morreu por amor de nós, sendo nós ainda «inimigos»” 

“Cristo morreu por amor de nós, sendo nós ainda «inimigos» (Rm 5, 10). O Senhor pede-nos que, como Ele, amemos até os nossos inimigos (Mt 5,44), que nos façamos o próximo do mais afastado (Lc 10,27-37), que amemos as crianças (Mc 9,37) e os pobres como a Ele próprio (1 Cor 13,1-4).

O apóstolo São Paulo deixou-nos um incomparável quadro da caridade: «A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse, não se imita, não guarda ressentimento, não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (1Cor 13, 4-7).” 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica parágrafo n. 1825

domingo, 6 de julho de 2025

Enviados em missão... (18/10)

                                                      

Enviados em missão...

A Liturgia do 14º Domingo do Tempo Comum (ano C) nos convida a refletir sobre o envio que Jesus faz dos Seus discípulos e as exigências da missão evangelizadora.

Na passagem da primeira Leitura (Is 66, 10-14c), refletimos sobre a missão dos discípulos de serem portadores da paz, da vida e da esperança de um mundo novo.

O Profeta, mesmo numa situação difícil em que o Povo de Deus se encontrava (martirizado, sofrido e angustiado), tem palavras de confiança e esperança.

Apresenta a ação divina com imagens de fecundidade e vida; somente Deus pode oferecer ao seu povo o “shalom”, ou seja, saúde, fecundidade, prosperidade, amizade com Ele e com os outros, a felicidade total.

O Profeta tem sempre uma palavra que convida à alegria. Deus age por meio dele. Também nós somos Profetas, a voz de Deus num mundo também marcado pelo sofrimento, angústia, dores, prantos e morte.

Ontem e hoje, vivendo a vocação profética, somos convidados a superar o medo e a angústia e sentir a presença e a força de Deus conosco, não nos curvando diante dos temores que nos paralisam.

É oportuno nos questionarmos sobre a mensagem que temos a oferecer, como Igreja e Profetas do Reino, neste contexto.

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda Leitura (Gl 6,14-18), nos exorta ao testemunho radical que passa pela cruz, para alcançarmos a glória, e assim possa nascer a vida do Homem Novo em nós:

Só gerados e alimentados por essa fonte é que poderemos ser novas criaturas. No que diz respeito, Paulo declara que no centro da sua glória não está a observância rigorosa da Lei, mas Cristo Crucificado” (Lecionário Comentado - pág. 669).

Com a passagem do Evangelho (Lc 10,1-12.17-20), refletimos sobre a nossa missão de sermos continuadores da missão de Jesus.

Pelo Batismo todos somos chamados a anunciar a alegria do Reino de Deus, não obstante as dificuldades que possam surgir. 

O comentário do Missal Dominical é enfático ao afirmar: “... Não há missão sem perseguição, sem sofrimento e sem Cruz.

A Cruz pelo Reino de Deus, aceita com amor, é o sinal da vitória sobre o mal e a morte...

O que o Senhor nos pede é a fidelidade a Ele, à Sua mensagem e ao Seu estilo de anúncio. Não nos garante o êxito” (pp. 1169-1170).

Jesus envia 72 discípulos, de dois em dois, pois a ação é comunitária, e apresenta a eles algumas exigências e advertências:

Ø    Haverá dificuldades;
Ø    Viver a pobreza, confiando tão apenas na providência divina;
Ø    Crer na força libertadora da Palavra de Deus;

Ø    A urgência da missão (não pode haver perda de tempo);
Ø    Dedicar-se totalmente à missão;
Ø    Ser portador da paz;

Ø    Combater contra o mal que se contrapõe ao Reino de Deus;
Ø    Exultar de alegria por terem os nomes inscritos no céu, no livro da vida.

Concluindo, é preciso que o discípulo missionário confie na Palavra de Deus, com desprendimento, coragem, ousadia, confiante na providência de Deus e paixão por Ele, e carregando a cruz cotidiana, pois somente Cristo interessa para nossa Salvação, de modo que nossa identificação com Ele se dará na intensidade que amarmos como Ele nos ama.

Reflitamos:

Ø  Qual é a nossa fidelidade à missão que Deus nos confia?
Ø  Quanto nos empenhamos para que percebam em nós a alegria da chegada do Reino de Deus?

Ø  Percebem as pessoas que somos prisioneiros do mais belo Amor, Jesus Cristo, marcados pelo sinal da Cruz, como expressão do amor radical, da liberdade, da vida, doação e serviço?

Ø  Como viver mais intensamente a missão, por Deus, a nós confiada?
Ø  Em quem depositamos nossa confiança e esperança?

Retomo as palavras do Papa São Paulo VI: “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, dizíamos ainda recentemente a um grupo de leigos, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas” na Evangeli Nuntianti.

Participando das Mesas Sagradas do Senhor, sejamos iluminados e fortalecidos por Sua Palavra, e revigorados pelo Pão da Imortalidade, para continuarmos com coragem e fidelidade a missão que Ele nos confia. Amém.



PS: Apropriado para o dia 26 de janeiro, ao celebramos a Memória de São Timóteo e São Tito; Festa de São Lucas, no dia 18 de outubro, quando também se proclama esta passagem - Lc 10,1-9.

Apropriadotambém para a quarta-feira da 28ª Semana do Tempo Comum, quando se proclama esta passagem.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Um novo amanhecer, podemos esperar!

Um novo amanhecer, podemos esperar!

Treze anos passados, multiplicavam-se nas ruas e praças de nossas cidades, acontecimentos inéditos e inauditos.

De forma surpreendente, e inexplicável para muitos, os clamores se somaram, os encontros se multiplicaram, para que nossas esperanças não fossem subtraídas, para que aprendamos melhor dividir uns com os outros as forças que temos, para o novo inaugurar. 

A indignação, através das redes sociais, se difundiu, como lavas vulcânicas, em vibrantes protestos, manifestando o despertar de sonhos aparentemente adormecidos, e projetos de um mundo novo sufocado, asfixiado pelos poderes constituídos, com seus mandos e desmandos, improbidades, governos e desgovernos, práticas de impunidade acobertadas por interesses escusos, que apenas fizeram avolumar a situação clamorosa de nosso povo, com desigualdades sociais aviltantes, precariedade da situação da saúde, educação, habitação, lazer e outras tantas.

O clamor subia aos céus, expressão de insatisfação, jamais de saudosismo, pessimismo ou derrotismo. Não há, e nunca houve espaço para indiferença e resignação, pois somente agravaria o momento pelo qual passamos.

É inaceitável entrar no cortejo dos que pregam o “quanto pior, melhor”, mas sim no cortejo daqueles que se empenham e não se omitem na missão que realizam, para um amanhecer mais iluminado e feliz para todos.

Ontem e hoje, olhares envinagrados não nos permitirão vislumbrar novos caminhos de superação e reconstrução de uma verdadeira democracia.

Somente olhares reluzentes de indignação, acompanhados de fremir profético, mas sem a ira, loucura passageira e estéril, é que alcançaremos os nossos direitos.

É preciso reconhecer e acolher esta força da manifestação que veio das ruas e praças e que, de um modo ou de outro, continuam a acontecer. 

Como Igreja, na realidade em que estamos inseridos, com suas marcas nem sempre positivas, há a necessidade de estabelecer as urgências e perspectivas da ação evangelizadora, para que todos tenham vida, e vida plena.

Urge que continuemos nosso caminho, participando da construção de uma sociedade mais fraterna, justa e solidária.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Para que permaneçamos na Videira... (06/08)

                                                             

Para que permaneçamos na Videira...

Jesus é a Verdadeira Videira na qual somos
enxertados para produzir muitos frutos.

Adesão aos Mandamentos do Senhor, sobretudo ao Mandamento Maior do Amor, com todo esforço de não entristecermos o Espírito Santo de Deus, é condição indispensável para que n’Ele permaneçamos, alcançando santidade perfeita, aprofundando verdadeira e profunda amizade, acompanhada pela divina sabedoria que se multiplicará em gestos de bondade.

Quem ama gosta de estar com seu amado, porque no amor vivido encontra-se a verdadeira alegria. Jesus que tanto nos ama, quer estar conosco e nos convida a permanecer com Ele e isto consiste em ficar com Ele, não ignorá-Lo, não tornar-se indiferente ao Seu amor.

Como toda videira precisa da poda de seus ramos para produzir frutos, também nós, ramos preciosos de Deus, precisamos das podas cotidianas para que os frutos sejam abundantes.

Permanecer é estar unido ao tronco que Ele é. Somos apenas ramos, mas é nos ramos que os frutos aparecem, e portanto podas são necessárias: limpeza, purificação, conversão, renúncia, sacrifícios, abrir mão de vontades, caprichos e princípios que não condizem com Seu Evangelho.

Precisamos fortalecer nossa união com Cristo, suportando todas as adversidades, inclusive as vividas dentro da comunidade, da Igreja, que para além de seus limites, apresentemos ao mundo saborosos frutos de amor, verdade, solidariedade e paz.

Permanecer com Jesus não quer dizer que problemas não existirão, perseguições não nos acompanharão e que todas as lágrimas para sempre secarão! Não! Isto é como ficar entorpecido pelo ópio, alienar-se do que deve ser superado.

Não estamos sós, temos a seiva de Seu amor, que foi testemunhado quando por nós na Cruz foi pregado, coração transpassado, Sangue e Água jorrados e o mundo reconciliado. Seiva que nos vem pela ação do Espírito Santo que O Pai sempre nos envia e nos garante colheita abundante.

Permanecer com Ele num Amor incondicional quer dizer que a vida consiste em atender ao convite de Jesus: permanecer com Ele. Recusar Seu convite é unir-se às árvores que produzem mortes.

Somente na Verdadeira Videira os bons frutos são produzidos. Longe d'Ela a vida será marcada pela insatisfação, egoísmo, frustração, autossuficiência e morte.

O amor vivido evidencia a fé que temos e a fé que professamos. O amor vivido é a garantia de frutos abundantes com cestas, corações e mesas fartas!

O amor vivido torna visível a fé, porque faz da esperança não algo improvável, mas já alcançável, porque quem em Deus confia jamais se decepciona.

O amor torna-se, enfim, condição indispensável para conhecermos a Deus e permanecermos com Seu Filho. Assim podemos invocar o Espírito e Ele nos assistirá!

A alegria acompanha o coração daquele que crê, porque por Ele apaixonado, enamorado, sabe que mãos vazias não terá, coração ressequido não conhecerá; mãos e pés enfraquecidos jamais ficarão.

Somos Pascais, cremos no Cristo Ressuscitado que nos convida amorosamente: “Permaneçam comigo!”. Qual é a nossa resposta? Só há uma resposta:

“Queremos permanecer Contigo, Senhor, porque somente Tu tens Palavras de Vida Eterna!”.

Eis os caminhos para que em Deus,
com Seu Filho, permaneçamos...
Na Videira do Senhor, em Seus ramos,
frutos abundantes produzamos.
Ó mais puro Amor, 
Ó Raio de Luz que brilha como Sol Nascente!

Da Seiva do Amor, da Seiva do Espírito
sejamos nutridos copiosamente:
Na Mesa da Palavra e da Eucaristia com a
Mãe da Videira - Maria!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG